Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular 2016 – Parte 1

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Como muitos já devem ter visto, recentemente o INMETRO divulgou a tabela do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) 2016. Para quem ainda não sabe, esse programa visa que todos os carros vendidos até 2017 recebam etiquetas similares aquelas encontradas nos eletrodomésticos, para guiar os consumidores sobre o quão econômico são os modelos em relação as opções disponíveis no mercado, se tornando uma ferramenta de grande valor para os público. Mas, apesar da importância, a maioria das pessoas não sabe muito sobre como esses testes são realizados, o que leva a uma certa desinformação, principalmente pelos “engenheiros” de Internet.

Mas afinal, como são realizados os testes?

Sem entrar a fundo nos detalhes específicos, podemos dizer que os testes do PBEV são todos realizados em laboratório, em equipamentos chamados dinamômetros, máquinas capazes de medir a potência e torque geradas ou consumidas por um equipamento. No caso de aplicações veiculares, são muito conhecidos os testes de potência e torque, e dos quais vários vídeos estão disponíveis no YouTube, mas além dessas medições, os dinamômetros podem ser usados para uma série de outros testes e atividades.

Novo Ka passando por testes em dinamômetro nas instalações da Ford. Fonte: Quatro Rodas.

No caso da avaliação de consumo de combustível do PBEV, cada veículo é testado com uma “carga” no dinamômetro, uma resistência simulada que equivale aquela que o veículo apresenta ao movimento, composta principalmente por:

  • Resistência ao rolamento (atrito dos pneus com o solo, que depende de peso do carro, dimensão e coeficiente de atrito dos pneus);
  • Resistência mecânicas (eficiência da transmissão em transferir a potência do motor para os pneus);
  • Resistência aerodinâmica do veículo.

Para chegar ao valor da carga, cada modelo passa por uma avaliação chamada coastdown, que consiste no veículo ser aquecido até sua condição normal de funcionamento. Quando essa condição é alcançada, o carro é acelerado a uma velocidade de cerca de 120 km/h , colocado em neutro até desacelerar para uma velocidade abaixo de 15 km/h. Durante esse processo, diversos sensores espalhados pelo automóvel medem os dados de performance, velocidade e do ambiente, e para eliminar efeitos do vento, o teste é repetido por ao menos cinco vezes em cada direção da pista.

Exemplo de teste de coastdown realizado pela Goodyear para comprovar a eficácia de uma nova linha de pneus de baixo atrito. Fonte: Goodyear.

Definida a carga, os carros são submetidos a um procedimento padrão de teste, com tempos padronizados de aceleração, frenagem, retomada, além do uso de ar condicionado. Esse teste é realizado baseado na norma NBR 7024, e seu ciclo foi desenvolvido através de pesquisas de forma a refletir como os motoristas dirigem na média, em ciclos de cidade e estrada. O teste é realizado num ambiente de laboratório, pois assim fatores como umidade do ar, ventos, temperatura ambiente, altitude e trânsito são controlados e padronizados, para garantir que os resultados sejam totalmente comparáveis entre si. Após o teste realizado, os números colhidos ainda são corrigidos por um fator que leva em conta as diferenças entre altitude, subidas e níveis de trânsito, de forma a se tornar o mais próximo da realidade.

Os resultados do PBEV 2016

Para 2016, o INMETRO divulgou a nova tabela do Programa de Etiquetagem, que agora conta com 795 modelos de 35 montadoras, sendo a grande novidade a inclusão da categoria de Micro Compactos. Particularmente não concordo com os critérios, pois fazem parte dessa categoria os modelos Chery QQ, FIAT 500 e Mobi, Kia Picanto e Smart ForTwo, porém curiosamente o Volkswagen up! é considerado um Subcompacto, mesmo sendo apenas 1 cm mais longo que o Picanto. Critérios confusos a parte, na edição de 2016 podemos ver que diversos modelos lançados nos últimos meses foram incluídos, e nos próximos dias vamos passar por algumas categorias de destaque no mercado. Para começar a análise, nada melhor que um segmento que é consideravelmente novo no Brasil e onde a economia de combustível é o fator determinante: os modelos mais baratos do mercado, que compõe aquele que é chamado na indústria de segmento A.

Em sentido horário os quatro hatchbacks que formam a espinha dorsal do segmento A no Brasil: Fiat Mobi, Volkswagen up!, Chery QQ e Kia Picanto. Imagens: Divulgação.

Em sentido horário os quatro hatchbacks que formam a espinha dorsal do segmento A no Brasil: Fiat Mobi, Volkswagen up!, Chery QQ e Kia Picanto. Imagens: Divulgação.

Nesse primeiro grupo iremos comparar os modelos que hoje fazem parte do segmento A, carros de preço mais baixo e dimensões reduzidas em relação aos compactos convencionais (Gol e Palio por exemplo). Nesse critério, enquadram-se quatro modelos: Chery New QQ, FIAT Mobi, Kia Picanto e Volkswagen up!. Todos são equipados com motores de 1.0 litro, e possuem dimensões similares, e para garantir um comparação justa, todos s versões escolhidas possuem direção assistida e ar-condicionado, pois esses periféricos possuem impacto relevante sobre os números de consumo.

Tabela dos carros do segmento A. Fontes: Especificações - Fabricantes, Dados de consumo: INMETRO.

Tabela dos carros do segmento A. Fontes: Especificações – Fabricantes, Dados de consumo: INMETRO.

Com os resultados do INMETRO vemos que o up! é o mais econômico em todas as situações, o que é explicado por uma conjunção de diversos fatores: além de ser o segundo mais leve, num empate técnico com o Mobi, o modelo da montadora alemã possui o motor mais moderno do grupo em relação a tecnologias e conceitos (duplo comando com variador de fase na admissão, split cooling, bloco de alumínio) com o maior torque máximo e ainda assim o que se encontra disponível em menor rotação. Contribuem também para o resultado positivo o sistema de direção com assistência elétrica e a presença de pneus de baixo atrito. Já na outra ponta da tabela, o Mobi acaba sendo o modelo que mais bebe em quase todas as situações (exceto em consumo urbano, onde consegue superar o Picanto por pequena margem). Isso se justifica pois, mesmo sendo o modelo mais leve de todos, o Mobi é o que conta com motor de concepção mais antiquada entre os quatro, além de possuir sistema de direção com assistência hidráulica, reconhecidamente de menor eficiência que o elétrico. De qualquer forma, qualquer um dos quatro modelos é uma ótima escolha para quem  tem economia de combustível como meta, todos eles classificados com categoria A em eficiência energética.

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