O futurista ônibus chinês para 1200 pessoas

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O transporte coletivo em grandes centros urbanos é um grande desafio pelo mundo todo, e em muitos lugares a solução para esse problema tem sido a construção de linhas de metrô. Apesar de ser um meio de transporte rápido e eficiente, a necessidade de construir estações e túneis tornam essa opção muito cara e lenta para ser implantada. No Brasil foi criada uma solução de baixo custo, o BRT (Bus Rapid Transport), criado pelo arquiteto Jaime Lerner e implantado em 1974 na cidade de Curitiba. Desde então o sistema foi copiado por diversas outras cidades em vários países, apresentando baixo custo de instalação se comparado a outras opções, além de uma elevada velocidade de transporte por utilizar faixas exclusivas para trânsito.

Linha Verde BRT Curitiba, Estação Marechal Floriano. Fonte: Wikipedia [1].

Linha Verde BRT Curitiba, Estação Marechal Floriano. Fonte: Wikipedia [1].

Contudo, com o aumento da população são necessários mais ônibus para atender a população, e com isso também uma ampliação das vias exclusivas, o que acaba piorando os congestionamentos pela falta de espaço para novas vias. Na China, um novo passo foi dado nessa direção, com a criação do TEB (Transit Explore Bus). Criado pela empresa Shenzhen Huashi Future Parking Equipment, esse “ônibus” teria a largura de duas faixas de trânsito, e se deslocaria sobre o tráfego normal, permitindo que carros convencionais possam usufruir das vias exclusivas sem prejudicar o funcionamento do transporte público. A ideia foi apresentada pela primeira vez em 2010, com capacidade prevista de carregar 1.200 passageiros, a uma velocidade de 40 km/h. Concebido pelo engenheiro Song Youzhou, o TEB usará um sistema de propulsão elétrico utilizando a rede elétrica das cidades e painéis solares distribuídos pelo teto como fonte de energia. A previsão é que um TEB possa substituir 40 ônibus convencionais, reduzindo as emissões de CO2 em 2.640 toneladas por ano, resultando em uma melhora da qualidade do ar em grandes centros.

Conceito do TBE apresentado em 2010. Fonte: NY Times [2].

Conceito do TBE apresentado em 2010. Fonte: NY Times [2].

A ideia foi aprovada pelas autoridades chinesas, com um custo previsto na época de 7,4 milhões de dólares para um ônibus e uma linha completa de cerca de 40 quilômetros, equivalente a aproximadamente um décimo do investimento para uma linha de metrô com capacidade similar.  A construção ficaria a cargo da China South Locomotive and Rolling Stock Corporation, e deveria ter começado ainda em 2010, porém a falta de novidades sobre o projeto o promoveram a categoria de vapourware (produtos apresentados mas que nunca são produzidos, nem abandonados oficialmente, simplesmente sumindo no ar). Isso até maio de 2016, quando o canal New China TV divulgou o vídeo de uma maquete do projeto que foi apresentada durante a High Tech Expo em Pequim. Com 4,5 metros de altura, 7,8 metros de largura e mais de 60 metros de comprimento, a previsão de Song Youzhou era para que a primeira unidade começasse a ser testada entre o final de julho e o início de agosto.

Finalmente, no dia 2 de agosto o primeiro teste foi realizado, em um trecho de 300 metros montado na cidade de Qinhuangdao, onde um módulo do veículo rodou a uma velocidade de 10 km/h para avaliar arrasto aerodinâmico, sistemas de frenagem e consumo de energia.

A partir do vídeo disponibilizado, é possível ver algumas características interessantes do TEB:

Na traseira o TEB conta com o que parecem luzes de semáforo instaladas na posição onde normalmente se esperam as lanternas traseiras.

Na traseira o TEB conta com o que parecem luzes de semáforo instaladas na posição onde normalmente se esperam as lanternas traseiras.

Apesar de se apoiar em pneus de borracha, o TEB conta com o que parecem ser rodas guias que rodam em sulcos no asfalto, provavelmente para garantir que o veículo mantenha a trajetória perfeitamente linear, evitando esbarrões nos automóveis que estejam transitando sob o ônibus.

Apesar de se apoiar em pneus de borracha, o TEB conta com o que parecem ser rodas guias que rodam em sulcos no asfalto, provavelmente para garantir que o veículo mantenha a trajetória perfeitamente linear, evitando esbarrões nos automóveis que estejam transitando sob o ônibus.

As “pernas” do TEB são montadas em uma estrutura metálica treliçada, e também o assoalho do veículo é montado sobre uma estrutura treliçada em estilo ladder frame, e aparentemente os motores elétricos ficam montados diretamente nas rodas do veículo.

As “pernas” do TEB são montadas em uma estrutura metálica treliçada, e também o assoalho do veículo é montado sobre uma estrutura treliçada em estilo ladder frame, e aparentemente os motores elétricos ficam montados diretamente nas rodas do veículo.

A primeira linha teste deve entrar em operação em 2017, e segundo o vídeo governos de Brasil, França e Índia já demonstraram interesse pela tecnologia. Com certeza integrar esse tipo de veículo ao trânsito normal deverá ser um desafio, para garantir que nenhum veículo acima da altura máxima permitida entre nas faixas do TEB, em reeducar os motoristas para que não colidam com as laterais do veículo, nem tentem conversões proibidas.

Fontes:

Wassener, Betina; Deng, Andrea: “Straddling Bus” Offered as a Traffic Fix in China. Disponível em: http://www.nytimes.com/2010/08/18/business/global/18bus.html?_r=1. Data de acesso: 03/08/2016.

Lambert, Fred: Futuristic electric straddling bus concept is now a real full-scale prototype [Gallery]. Disponível em: http://electrek.co/2016/08/02/futuristic-electric-straddling-bus-full-scale-prototype/. Data de acesso: 03/08/2016.

Imagens:

[1]: Retirado de: Rede Integrada de Transporte. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_Integrada_de_Transporte. Data de acesso: 03/08/2016.

[2]: Retirado de: Wassener, Betina; Deng, Andrea: “Straddling Bus” Offered as a Traffic Fix in China. Disponível em: http://www.nytimes.com/2010/08/18/business/global/18bus.html?_r=1. Data de acesso: 03/08/2016.

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