Endurance Brasil – Temporada 2019

Para quem gosta de competições automobilísticas, as provas de longa duração são um prato cheio com sua grande variedade de máquinas e pilotos. Provas como as 24 Horas de Le Mans ou Daytona são muito conhecidas pelos fãs, mas você sabia que existe um campeonato brasileiro de endurance? E que esse campeonato conta com modelos de diversas montadoras como Ferrari, Porsche e Lamborghini, além de uma miríade de protótipos, a maioria deles fabricados aqui no Brasil? Pois bem, tal campeonato existe na forma do Endurance Brasil, nascido a partir do Campeonato Gaúcho de Endurance em 2014, e que desde então vem ganhando força a cada ano, mesmo com a difícil situação econômica do país. Em 2019, o campeonato terá 8 etapas, conforme o calendário provisório divulgado em 23 de janeiro pela organização:

Para quem ainda não conhece o campeonato, nessa temporada os competidores serão divididos em 7 categorias:

P1: São os protótipos mais velozes, que em condições normais são os favoritos a vencer as provas. Essa categoria inclui protótipos importados construídos dentro do regulamento FIA LMP3, modelos Ginetta G57 e G58 e protótipos nacionais com motores aspirados de até 7.000 cm³, ou turbocomprimidos com no máximo 4.200 cm³;

P2: Em 2019 a categoria P2 será reservada para os protótipos nacionais, com as mesmas configurações de motores e peso da categoria P1, porém com capacidade máxima permitida do tanque de combustível inferior aos da P1;

P3: Terceiro nível de protótipos da Endurance Brasil, a P3 é reservada para protótipos com motores aspirados multiválvulas de até 2.400 cm³ ou conjunto motor/transmissão de motocicletas e deverá ser povoada principalmente por modelos como o Metalmoro MRX e Radical SR3;

P4: Categoria de entrada dos protótipos, a P4 permite apenas protótipos equipados com motores de até 2.400 cm³, com no máximo duas válvulas por cilindro. Deve contar principalmente com protótipos MRX e Aldee Spyder;

GT3: Tal como o nome indica, essa categoria é reservada para modelos homologados dentro do regulamento FIA GT3, tais como Ferrari 488, Lamborghini Huracán, Porsche 911, entre outros, que tenham sido construídos após 2012;

GT3 Light: Categoria dedicada para modelos GT3 construídos antes de 2012 e protótipos JL09 (Stock Car) sem restrição;

GT4: Categoria para veículos FIA GT4, FIA TCR, Stock Car com restritor, Trofeo Linea, Maserati Trofeo entre outros modelos GT e Turismo que estejam em conformidade com o regulamento específico da categoria.

A temporada 2019 promete muito, com a chegada de novas máquinas em todas as categorias. Na categoria P1, o destaque entre os protótipos nacionais é o AJR, desenvolvido pela JLM Racing em parceria com a Metalmoro. O modelo, lançado em 2017, foi o detentor da pole-position em todas as provas da temporada de 2018 do Endurance Brasil, além da pole dos 500 km de Interlagos, porém obteve apenas duas vitórias na geral, nas etapas de Tarumã e Santa Cruz do Sul do campeonato brasileiro. No final da última temporada, Emílio Padròn conseguiu sagrar-se campeão da categoria P1 competindo com o AJR, que também foi o carro dos pilotos na terceira, quarta e quinta colocação. Já competiram carros com diversas opções de motorização, tais como Honda Turbo, Chevrolet V8 (o mesmo da Stock Car) e mais recentemente Audi Turbo, e em 2019 teremos mais uma opção, com o AJR-Nissan V6. Devido a velocidade demonstrada, os carros equipados com o motor americano têm competido com potência reduzida (de 550 HP em set-up de classificação para 450 HP nas provas), pois assim é possível otimizar o consumo de combustível, e consequentemente o número de paradas nos boxes. Devido a isso também, durante 2018 diversas equipes fizeram a mudança para o protótipo gaúcho (a destacar a equipe sul mato-grossense NC Racing e a gaúcha Mottin Racing), e para 2019 outras equipes também vão de AJR, incluindo a tradicional MC Tubarão e as equipes Império Racing e Kia Power Imports, o que pode nos levar a um total de até oito AJRs nas pistas.

Emilio Padrón / Marcelo Vianna – Metalmoro AJR-Honda K24 Turbo #11

Henrique Assunção / Fernando Ohashi / Luiz Otávio Floss – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #117

Nilson Ribeiro / José Roberto Ribeiro – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #65

Carlos Kray / Vicente Orige / Tarso Marques – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #88

Oswaldo Sheer / Eduardo Sheer / Sergio Jimenez – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #26 Correção: O carro 26 que foi da família Sheer em 2018 agora é o #5 da equipe MC Tubarão.

Tiel Andrade / Julio Martini / Andersom Toso– Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #5

Alexandre Finardi / Rafael Suzuki / Marcelo Campagnolo / Nélson Silva Jr – Metalmoro AJR-Nissan V6 #80

Mottin Racing (pilotos a serem confirmados) – Metalmoro AJR-Audi 2.0 Turbo #46

Marcelo Sant’Anna / Pedro Queirolo / David Muffato – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #13

O grande desafio para as equipes competindo com o AJR deve ser o Team Ginetta Brasil, que irá participar do certame com dois Ginetta G57 P2-Chevrolet, modelo com monocoque de fibra de carbono, downforce equivalente ao de um protótipo LMP2 e um motor Chevrolet LS3 6.2 V8 de 575 HP, e que têm como pilotos confirmados os irmãos Fábio e Wagner Ebrahim. Desde de sua estréia em 2016, o protótipo do fabricante inglês se mostrou uma máquina muito veloz com vitórias em provas da VdeV Endurance Series, NASA (National Auto Sport Association), FARA (Formula & Automobile Racing Association), 24 Hours Series by Creventic e no campeonato sul-africano de endurance, e isso tem grande chance se repetir em território brasileiro.

Team Ginetta Brasil (pilotos a serem confirmados) – Ginetta G57-Chevrolet V8 #57

Wagner Ebrahim / Fabio Ebrahim – Ginetta G57-Chevrolet V8 #20

Entre os demais protótipos, vale destacar o gaúcho Sigma P1-Audi V8 Turbo, da dupla Jindra Kraucher e Felipe Bertuol. Com potência superior a 600 cv, o protótipo começou a ser projetado em 2014 como um carro híbrido ao estilo LMP1, que inicialmente tinha a proposta de ser um carro sem transmissão convencional (apenas embreagem e diferencial), com motores elétricos suprindo torque em baixas rotações. Em 2018, porém, o modelo foi repensado para uma configuração mais convencional, com transmissão X-trac sequencial, reestreando na quinta etapa do campeonato de 2018, em Santa Cruz do Sul, com tempos de volta próximos aos de carros como Ferrari 458 GT3 e Aston Martin V12 Vantage GT3. Depois disso o time gaúcho se ausentou do campeonato, e vêm trabalhando em melhorias no downforce dianteiro, no sistema de arrefecimento e redução de peso para acompanhar o ritmo dos ponteiros.

Jindra Kaucher / Felipe Bertuol – Sigma P1-Audi V8 Turbo #4

De São Paulo teremos o protótipo GeeBee R1-Chevrolet V8 (cria de Jaime Gulinelli da GT Race Cars e que já pertenceu a Dimas Pimenta, quando se chamava Dimep GT-R1). Apesar de ser um projeto um pouco mais antigo, com a primeira versão estreando nas pistas em 2008, o carro da dupla de pai e filho Ney Faustini/Ney de Sá Fausitini mostrou-se uma máquina confiável durante a temporada de 2018, e mesmo sem ter o ritmo dos AJR obteve dois terceiros lugares na categoria P1, dentre as 5 etapas em que participou, provando a máxima de que para terminar uma corrida em primeiro, primeiro é preciso terminar a corrida. Para a temporada 2019 a Absoluta Racing está trabalhando com a GT Race Cars em um novo protótipo de cabine fechada, o GeeBee DP1, porém ainda sem data de estreia divulgada.

Ney Faustini / Ney Faustini Jr – GT Race Cars GeeBee DP1-Chevrolet V8 #25

Mais um que deve estrear em 2019 é o DTR P1-Honda Turbo, da equipe DTR Motorsports. Esse protótipo vem sendo desenvolvido desde 2017, e irá substituir o MR18-Honda Turbo da equipe, que foi abandonado após um acidente na etapa de Santa Cruz do Sul do Endurance Brasil 2017.

E. Dieter / F. Ventre – DTR P1-Honda Turbo #110

Entre os protótipos com rodas aro 13, teremos o Scorpion-Hayabusa Turbo da KTT Racing, pilotado pelo inglês Stuart Turvey e pelo brasileiro Thiago Riberi. Diversos problemas impediram o pequeno protótipo de completar as provas na temporada passada, mas sempre que esteve na pista o modelo demonstrou grande velocidade, com bons tempos nas tomadas de classificação e grandes desempenhos dos pilotos, e pode surpreender máquinas mais potentes com seu baixo peso e agilidade.

Stuart Turvey / Thiago Riberi – Veloztech Scorpion-Hayabusa Turbo #37

Por fim, mas não por último, temos que lembrar do protótipo Predador-Audi Turbo da dupla Jair Bana e Duda Bana. Construído pela família Bana sob a tutela de Almir Donato (criador do Aldee Spyder, um dos mais bem-sucedidos protótipos nacionais), o Predador vem recebendo melhorias continuamente desde sua criação, sempre se mostrando competitivo frente a modelos mais modernos e potentes. A temporada 2018 não foi de todo ruim, com um terceiro lugar na categoria P1 em Interlagos como ponto alto. No final do ano o modelo da Bana Racing apareceu nas 500 Milhas de Londrina com nova pintura, obtendo a pole-position com um dos melhores tempos de volta da história do autódromo paranaense, e vem com a promessa de melhorias para se manter competitivo frente aos novos concorrentes.

Jair Bana / Duda Bana – Predador-Audi 2.0 Turbo #35

Outra novidade programada para estrear nas 4 Horas do Velo Città é o Pegaso R, protótipo que está sendo desenvolvido pelos alunos do Curso de Engenharia Mecânica da UNIP-Ribeirão Preto, capitaneado pelo piloto e promotor de automobilismo Andrey Valerio através de sua equipe AV Motorsports. O projeto nasceu após Valerio acompanhar uma das etapas do Endurance Brasil em 2018, e está sendo viabilizado através parcerias com a UNIP e diversos fornecedores de componentes, tais como Pro Tune (sistema de injeção e controle motor), Volcano (rodas). O carro de estrutura tubular prevê um motor V6 de 450 cv, cujo fornecedor ainda não foi revelado, aliado uma transmissão Hewland sequencial de 6 marchas. O único piloto já divulgado é o próprio Andrey Valerio, que vêm se preparando com treinos em simuladores antes do shake down do modelo.

Andrey Valerio – AV Motorsports Pegaso R #07

Mudando agora para a categoria GT3, a Via Italia Racing, equipe de Chico Longo, campeão da GT3 e geral em 2018, vai mudar de carro nessa temporada. A Lamborghini Huracàn GT3 com a qual Longo e Daniel Serra correram vai dar lugar a outro bólido italiano, uma Ferrari 488 GT3, modelo já consagrado pelo mundo como um dos melhores GT3 da atualidade, inclusive com uma vitória nas 12 Horas de Bathrust em 2017. O carro da Via Italia, em particular, já estreou com o pé direito na temporada 2019, com a pole position da categoria GTD nas 24 Horas de Daytona, uma das provas mais tradicionais do endurance mundial. A macchina italiana é outra que chega com pinta de favorita, não só pelas vitórias na categoria GT3, mas também por vitórias na classificação geral.

Chico Longo / Daniel Serra – Ferrari 488 GT3 #19

Para tentar desbancar os atuais campeões, a Scuderia 111 volta com o mesmo line-up que fechou o ano passado, duas Mercedes AMG GT3, a #09 com Xandy e Xandinho Negrão (bicampeões do Campeonato Brasileiro de Endurance em 2004 e 2005) e a #08 com Guilherme Figuerôa e Julio Campos. Se 2018 viu um começo lento das Mercedes, principalmente antes da chegada dos pneus com composto específico para o modelo, 2019 promete boas brigas dos bólidos alemães pelas vitórias e pole-positions, já que o modelo coleciona vitórias em provas e campeonatos importantes pelo mundo, tais como as 24 Horas de Nurburgring (2016), 12 Horas de Sebring (2017) e na categoria GT300 do campeonato japônes Super GT (2017 e 2018).

Xandy Negrão / Xandinho Negrão – Mercedes-Benz AMG GT3 #09

Guilherme Figueiroa / Julio Campos – Mercedes-Benz AMG GT3 #08

Outro que vêm correndo atrás do prejuízo é o Porsche 911 GT3 R  “de fábrica” da Stuttgart, guiado por Ricardo Maurício e Miguel Paludo. Campeões de 2017, a dupla volta com esperança de um ano melhor, após um 2018 sem nenhuma vitória na geral nem na categoria. Se a dupla é vencedora, o 911 GT3 geração 991 também é um modelo vencedor, sendo o carro dos atuais vencedores das tradicionais provas 24 Horas de Nurburgring e 12 Horas de Bathrust.

Ricardo Maurício / Miguel Paludo – Porsche 911 GT3 R #55

Além deles, teremos o Aston Martin V12 Vantage de Sérgio Ribas e Guilherme Ribas, que mostrou muita velocidade no final da temporada 2018, a Ferrari 458 GT3 (a 458 é considerada o carro mais vitorioso desde de a implementação da GT3 pela SRO) de Ricardo Mendes e Claudio Ricci, e a Lamborghini Gallardo LP560 da Mottin Racing, competindo pelas mãos de Beto Giacomello e Fernando Poeta, vice-campeões da categoria P1 de 2018 e campeões de 2017 com o protótipo MCR Grand Am-Lamborghini V10 (que infelizmente deve ficar de fora da competição na temporada que se inicia).

Ricardo Mendes / Claudio Ricci – Ferrari 458 GT3 #155

Sérgio Ribas / Guilherme Ribas – Aston Martin V12 Vantage GT3 #63

Beto Giacomello / Fernando Poeta – Lamborghini Gallardo LP560 GT3 #18

Ao longo da temporada, iremos trazer a cobertura de todas as provas e novidades dessa que é a categoria mais veloz do automobilismo brasileiro.

Ponteio Dream Cars

Entre os dias 24 e 28 de agosto foi realizada no Ponteio Lar Shopping, em BH, a exposição Ponteio Dream Cars, em comemoração aos 60 anos da indústria automobilística brasileira. Trinta e cinco carros de colecionadores mineiros, brasileiros e importados, foram expostos para representar uma história do automóvel, e hoje veremos os destaques dessa incrível mostra:

Ferrari 308 GTB

Ferrari 308 GTB.

Um dos destaques da exposição foi a Ferrari 308 GTB. Incrível como os carros de Maranello tem um poder de atração sobre as pessoas, antes mesmo que essas se dêem conta que se trata de uma das macchinas italianas. Desenhada pelo designer Leonardo Fioravanti do estúdio Pininfarina, a 308 foi apresentada no Salão do Automóvel de Paris em 1975 e dividia muito da sua plataforma mecânica com a controversa Dino 308. Durante sua produção, que durou até 1985, diversas versões foram lançadas, com carrocerias Targa e Berlinetta e motores dotados de injeção eletrônica e quatro válvulas por cilindro. Como último suspiro serviu de base para o desenvolvimento da Ferrari 288 GTO, considerada por muitos o primeiro supercarro da Ferrari.

Chevrolet Corvette Sting Ray.

Chevrolet Corvette (C3) Stingray.

Outro que chamou muita atenção durante o evento foi o belo Corvette Stingray azul da foto. A primeira geração do Corvette foi lançada em 1951, para ser a resposta americana aos esportivos europeus como Jaguar e Alfa Romeo. A terceira geração foi lançada em 1968 com design inspirado pelo conceito Mako Shark II de Larry Shinoda, que foi produzido entre 1968 e 1982. É interessante notar as diferenças entre dois esportivos contemporâneos entre si mas com filosofias totalmente diferentes: Enquanto a Ferrari 308 GTB vinha com um motor V8 de 2,9 litros e 255 cv montado em posição central-traseira, algumas versões do Stingray chegaram a ser equipadas com gigantescos motores V8 de 7 litros na dianteira, capazes de render mais de 400 cv. Apesar disso, os números de desempenho eram similares, mostrando como existe mais de uma solução para o mesmo problema.

Plymouth Barracuda.

Plymouth Barracuda.

Falando em mais de uma solução para o problema, outro dos destaques foi o Plymouth Barracuda alaranjado acima. No estilo MOPAR OR NO CAR, o belo cupê foi uma atração a parte com sua combinação de cores chamativa e desenho imponente. A terceira geração do carro, como a da foto, dividia a plataforma mecânica com o Dodge Challenger, e podia ser equipada com motores seis cilindros em linha e V8. Produzido entre 1970 e 1974 (quando a crise do petróleo eliminou do mercado americano muitos dos grandes V8 americanos), seus grandes destaques eram as versões equipadas com os motores Hemi 426 e 440 Super Commando Six Pack.

Jaguar XK 120.

Jaguar XK 120.

Voltando um pouco para a Europa, talvez o carro de design mais marcante da exposição tenha sido o Jaguar XK 120. Lançado em 1948, foi o carro de produção em série mais rápido do seu tempo com velocidade máxima de 120 mph (193 km/h), daí seu nome. Seu design básico sobreviveu até 1960 nos modelos XK 140 e XK 150, e além do desempenho incrível para um carro de rua da época, também foi um carro incrível para as pistas com vitórias no Alpine Rally e até mesmo na NASCAR, além de ter dado origem ao Jaguar C-Type que venceu por duas vezes as 24 Horas de Le Mans.

Volkswagen Type 1 "Split Window".

Volkswagen Type 1 “Split Window”.

É incrível ver como o Fusca, um pequeno carro que ainda é comum nas ruas brasileira é um magneto de olhares. Algo em seu formato inusitado atrai a simpatia de adultos e crianças, que não conseguem passar batido sem dar ao menos um sorriso. Projetado a pedido do ditador Adolf Hitler, o pequeno nasceu como a proposta de um certo Ferdinand Porsche para um carro barato, confortável e espaçoso para as famílias alemãs, isso na década de 1930! A produção começou em 1938, e o último Fusca produzido deixou a linha de montagem em 2003 no México, numa das maiores séries de produção da história. O modelo da foto foi produzido na Alemanha e importado para o Brasil, o que pode ser visto pela presença da janela traseira partida, comumente chamada de split window.

Simca Tufão.

Simca Tufão.

Começando a série de carros brasileiros, o primeiro grande destaque é o Simca Tufão. Fabricado  em São Bernardo do Campo, o Simca Chambord era uma versão abrasileirada do francês SImca Vedette, com design inspirado pelos carros americanos da época seja na grande presença de cromados, seja na traseira estilo rabo-de-peixe. Apesar do belo design, o carro era equipado com um fraco motor V8 de 2,3 litros, com apenas 84 cv, o que lhe rendeu na época o apelido de O Belo Antônio, em referência ao personagem de mesmo nome que, apesar de belo era impotente. Ciente das críticas, a Simca retrabalhou o motor, até lançar o modelo Tufão em 1963, com o pequeno V8 agora rendendo 100 HP. A produção se deu entre 1958 e 1967, quando vendo que o Chambord não seria capaz de fazer frente a modelos como o Chevrolet Opala, o modelo Esplanada foi lançado.

GT Malzoni

GT Malzoni

O carro mais raro da exposição, o GT Malzoni nasceu numa época onde o cenário do automobilismo brasileiro era bem diferente. Com uma indústria ainda recente, as montadoras investiam na participação em corridas como forma de marketing. No início a equipe DKW se destacou, obtendo diversas vitórias em provas importantes, porém a Willys virou o jogo ao lançar o  Interlagos, uma versão tropicalizada do Alpine A106. Com carroceria em fibra de vidro, o pequeno carro pesava apenas 500 kg, e começou a dominar todas as provas que participou, e os pesados sedans Belcar da DKW se mostraram incapazes de fazer frente aos novos competidores. A solução para o problema veio pelas mãos do piloto Mário César de Camargo Filho, o Marinho e do designer Rino Malzoni. Usando como base o chassis do Belcar encurtado, Malzoni criou um ágil cupê de dois lugares com carroceria de aço estampado. O carro foi um sucesso nas pistas, e deu origem a uma pequena produção de 25 unidades. Com o fim das operações da DKW no Brasil, o GT Malzoni ainda deu origem ao primeiro Puma, que tinha design similar ao GT mas utilizando mecânica Volkswagen. O modelo exposto é um dos três primeiros construídos para as pistas, e foi completamente reformado para sua configuração original, participando de diversos eventos de carros históricos desde então.

Romi-Isetta

Romi-Isetta

Primeiro carro fabricado no Brasil, a pequena Isetta é outro daqueles carros que despertam a simpatia de todos. Fabricado sob licença pela fabricante de máquinas ferramenta Romi a partir do projeto italiano da ISO, o carro tem apenas 2,28 metros de comprimento e 350 kg. Equipado com um motor BMW de 300 cm³ e 13 cv, seu desempenho não é dos melhores, porém é um carro econômico, de baixo custo e manutenção simples. Infelizmente essas não eram as características que os brasileiros buscavam em automóveis na década de 1950, e 5 anos após seu lançamento em 1956 deixou de ser fabricada. A unidade exposta faz parte da coleção do MOVA, Museu de Objetos e Veículos Antigos, localizado em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte.