10 carros para ficar de olho em Pikes Peak em 2017

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No próximo domingo (25/06), irá ser disputada a 95ª edição da Subida Internacional de Montanha de Pikes Peak (veja aqui os resultados da edição 2016), e mesmo com a ausência de alguns participantes importantes como Nobuhiro “Monster” Tajima, Paul Dallenbahc and Mike Ryan, a prova promete ser extremamente disputada. O recorde de 8m13s878 estabelecido por Sébastian Loeb em 2013 ainda permanece, porém vários competidores estarão lá buscando se aproximar ou até mesmo superar essa marca.

1 – Romain Dumas / Norma MXX RD Limited

Imagem: RD Limited.

Em busca da terceira vitória na montanha, o francês Romain Dumas vem com tudo para a prova de 2017. Tentando se aproximar do recorde absoluto estabelecido pelo seu conterrâneo Sebastian Loeb, o carro de Dumas vem com aerodinâmica completamente revisada por quatro ex-membros do time de Fórmula SAE Rennteam Uni Stuttgart, com um grande splitter dianteiro e uma asa traseira ainda maior, além de diversos outros elementos como as rodas  traseiras parcialmente cobertas. Na parte mecânica o sistema de tração integral foi mantido, enquanto o motor Honda 2.0 que recebeu novos turbo e intercooler e os freios foram substituídos por discos de carbono. Com 770 kg e cerca de 570 HP, é grande a chance de que o francês obtenha mais uma vitória.

2 – Paul Gerrard / Lovefab Enviate Hypercar PP1800

Imagem: Lovefab.

Talvez o maior desafiante para Romain Dumas seja o americano Paul Gerrard. Com um longa carreira em diversas categorias ele faz sua estreia em Pikes Peak pilotando o Enviate Hypercar PP 1800 da empresa americana Lovefab. Criado especificamente para provas de subida de montanha, o Enviate é construído sobre um chassi tubular extremamente leve, com peso total de apenas 816 kg, que conta com um arranjo peculiar de suspensão: com configuração pullrod em ambas as extremidades, ela conta com um terceiro amortecedor central para compensar os efeitos das forças aerodinâmicas (Cody Loveland, proprietário da Lovefab, espera que o modelo produza entre 3 e 4 toneladas de downforce durante os picos de velocidade). Para mover esse conjunto foi escolhido um motor GM LQ9, equipado com uma turbina Garrett GTX3576, capaz de produzir mais de 700 HP durante a prova.

3 – Rodney Tu / Palatov D1 PPS

Imagem: Palatov.

Novamente correndo por fora vem o taiwanês Rodney Tu. Ele volta com o mesmo carro do ano passado, o leve e potente Palatov D1 PPS. Com a experiência de ter competido em 2016, e com  o bólido de 500 kg e 350 HP que já venceu a categoria Unlimited em 2012, o oriental pode surpreender durante a prova no domingo.

4 – Tony Quinn / Pace Innovations Ford Focus

Imagem: Speedcafe.

Em 2017 o neozelandês volta para mais uma participação em Pikes Peak. Seu “Ford Focus” com motor de 850 HP do Nissan GT-R é um carro sólido, e caso os favoritos apresentem problemas é um dos mais fortes candidatos a pintar como zebra para uma vitória na geral.

5 – David Rowe / EPS Motorsport Audi Quattro S1E2

Imagem: SpeedHunters.

Uma visão nostálgica nesse final de semana será proporcionada pelo australiano David Rowe. No domingo ele irá alinhar um Audi Quattro S1E2 bem parecido com o que Walter Röhrl levou a vitória na montanha americana em 1987. Isso porque diferente do original, o Audi de Rowe foi construído recentemente, carregando diversas das atualizações tecnológicas dos últimos 20 anos. O motor, por exemplo, continua sendo um Audi de 5 cilindros, mas agora derivado daquele que equipa o TT-RS e preparado para render cerca de 800 hp, que aliados a um peso de 1.000 kg tornam essa “réplica” modernizada um forte concorrente para a prova

6 – Rhys Millen / Hyundai Genesis Coupe

Imagem: Inautonews.

Após a vitória entre os carros elétricos e segunda posição na classificação geral em 2016, seria lógico imaginar que Rhys Millen voltaria a Pikes Peak com seu bólido Drive e0 PP100 de 1.190 kW! Porém, num ano onde por diversas razões os veículos elétricos praticamente desapareceram, ele volta na categoria Time Attack utilizando o Hyundai Genesis Coupe com o qual ele quebrou o recorde de Pikes Peak em 2012, com um tempo de 9:46.164. Apesar de não ser um veículo rápido o suficiente para conseguir a primeira posição geral, com certeza será um grande espetáculo ver um carro de drift com mais de 700 hp conquistar a montanha!

7 – Layne Schranz / Chevrolet SS NASCAR

Imagem: Layne Schranz.

Outro candidato a zebra para essa edição de 2017 é Layne Schranz. A bordo de seu Chevrolet SS Stock Car modificado, em 2016 o americano conseguiu a sexta posição na classificação geral, e com as ausências de diversos competidores de peso ele passa a ser um forte candidato na disputa por um lugar no top 5 da tabela de tempos.

8 – Rafael Paschoalin / Yamaha MT-07

Imagem: MotoX.

O brasileiro Rafael Pascholin também está de volta para 2017. Com a mesma motocicleta que utilizou ano passado ele vem buscando a vitória na categoria Middleweight, uma das mais disputadas entre as motos. Nos primeiros treinos ele têm se mostrado competitivo, e no momento tem o melhor tempo da classificação dentro da categoria.

9 – Robin Shute / Faraday Future FF91

Imagem: CleanTechnica

Se em 2016 os carros elétricos foram fortes candidatos a vitória geral em Pikes Peak, em 2017 eles praticamente desapareceram. A única exceção é a fabricante Faraday Future, que irá realizar a estréia do modelo FF91 nas prova americana. Vai ser interessante ver se os 783kW (1064 cv) do SUV/Crossover serão capazes de derrubar o recorde de 11m48s264 para carros elétricos de produção em série, estabelecido pelo Tesla Model S P90D em 2016.

10 – Bruno Fretin / Mitjet EXR LV03

Imagem: EXR Racing Series

Um outro competidor curioso da prova de 2017 será o francês Bruno Fretin, que competirá na categoria Unlimited com um Mitjet EXR LV03. Para quem nunca ouviu falar, esse modelo foi desenvolvido pela escola de pilotagem EXR como uma opção de carro de competição barato para pilotos amadores. Construído com estrutura tubular e carroceria de fibra de vidro, o carro pesa apenas 997 kg, e conta com um motor Nissan V6 de 3,5 litros de 330 HP. Com certeza não será um carro capaz de disputar a vitória, porém será interessante comparar seu desempenho com o Elan NP01 que disputou a prova em 2016, já que ambos são carros de competição razoavelmente acessíveis.

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O Exterminador dos Pampas

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Hoje a grande moda da indústria automobilística são os SUVs e os chamados “aventureiros urbanos”, veículos com acessórios off-road e suspensão elevada, mas que na maioria dos casos não apresentam capacidade sequer para enfrentar um trilha leve. Para os verdadeiros off-roaders, contudo, o real deal está em jipes como Troller, Wrangler e Engesa, que podem enfrentar as mais diversas condições de trilhas como trechos alagados e locais com geografia extremamente irregular. Para os mais hardcore nem isso é o suficiente, e nessa linha surgiram diversos modelos, geralmente derivados de veículos militares: os americanos tem o Hummer H1, os alemães o Unimog e os sul-africanos o Marauder, e todos apresentam características em comum: são grandes, ameaçadores e equipados com possantes motores diesel  que os tornam capazes de vencer qualquer obstáculo posto a sua frente.

De cima para baixo: Unimog, Hummer H1 e Paramount Marauder.

De cima para baixo: Unimog, Hummer H1 e Paramount Marauder.

No Brasil nunca tivemos algo do tipo disponível oficialmente, e o mais próximo que pode-se encontrar na indústria nacional são os caminhões EE-15 e EE-25 da extinta Engesa, que apesar de terem sido comercializados em versões civis são raros e não chegam a apresentar a mesma aura de seus pares internacionais.

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Engesa EE-15. Fonte: VAG [1].

Entretanto, para o empresário gaúcho André de Schuch d’Olyveira, proprietário da Tornado Máquinas de Pintura Industrial, a dificuldade fez a oportunidade para criar um veículo que ao mesmo tempo que pudesse rebocar qualquer coisa e vencer qualquer desafio pudesse ser utilizado para viajar confortavelmente em uma rodovia a 100 km/h. Tudo começou com um amigo do empresário que anos antes havia comprado o chassi de um caminhão Ford F-600 4×4, a cabine de um Engesa EE-15 e um motor diesel Deutz-Magirus V8 de 8,4 litros. Após sete anos sem completar o projeto, esse amigo entrou em contato com André que acabou adquirindo todos os itens.

O primeiro desenho do Exterminador foi apenas uma brincadeira de André com sua filha pequena.

O primeiro desenho do Exterminador foi apenas uma brincadeira de André com sua filha pequena. Fonte: Arquivo pessoal André d’Olyveira.

Porém, como ele iria conduzir o projeto, as coisas seriam feitas a seu modo. Os eixos originais do EE-15 deram lugar a eixos e transmissão da Mercedes-Benz. Aliás, diversos componentes utilizados no projeto são da marca alemã, pois nas palavras do próprio André uma das diretrizes era que “a manutenção precisava ser simples e barata”.

Chassi do Exterminador em fase de pintura.

Chassi do Exterminador em fase de pintura. Fonte: Arquivo pessoal André d’Olyveira.

Para a suspensão foram usados feixes de molas parabólicos (vindos de um ônibus Agrale na dianteira e da dianteira de uma caminhão Ford Cargo na traseira), buscando maior conforto e um curso mais longo para o uso fora-de-estrada.

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O chassi do F600 foi mantido, sendo jateado e recebendo pintura PU com fundo epóxi, enquanto o design também deu algum trabalho, pois o objetivo era ter um veículo de grandes dimensões com proporções similares a um jipe convencional. Para isso a cabine do EE-15, que não é um primor em design, recebeu um pesado tratamento estético. Primeiro foi estendida para uma configuração de cabine dupla com a adoção de novas laterais cortadas com plasma, além de uma nova grade frontal aletada e novo capô. Além disso os para-lamas dianteiros foram alargados para comportar os pneus 540/65 R28 de 540 mm de largura, enquanto a traseira recebeu novos para-lamas e uma pequena caçamba, gerando um visual bem mais harmonioso que o caminhão da Engesa.

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Perto do Exterminador o Engesa parece mais um carro compacto. Fonte: Arquivo pessoal André d’Olyveira.

Já o motor, refrigerado a ar e que originalmente rendia 182 cv a 2.650 rpm recebeu uma preparação pesada, com novos bicos injetores e elementos na bomba, além de duas turbinas BorgWarner com pressão de 1,8 kg, elevando a potência para 300 cv a 3.100 rpm, números mais que suficientes para a proposta do jipe. A esse motor foi aliada uma transmissão do caminhão Mercedes 1113 com diferencial mais longo, do tipo utilizado por ônibus, de forma que a rotação para a velocidade de cruzeiro fica entre 1.140 e 1.430 rpm. A caixa de transferência Engesa foi mantida, porém as engrenagens foram alteradas para gerar uma relação de 1:1,3 quando a reduzida não está selecionada.

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Chassi já com o motor Deutz Magirus. Fonte: Arquivo pessoal André d’Olyveira [2].

Com toda essa potência e um peso na casa das 5 toneladas, o sistema de freios também teve que ser repensado. O Exterminado conta com freios a disco nas quatro rodas com estacionário nas rodas traseiras, acionados a ar e cujos discos foram projetados e fundidos especificamente para ele, aliados a pinças do caminhão Mercedes-Benz 709.

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Vista 3D do conjunto de freios projetado para o Exterminador. Fonte: Arquivo pessoal André d’Olyveira [2].

Como todo bom off-road, o Exterminador conta com um guincho mecânico REO de 80.000 libras, que fica quase invisível embutido no para-choque dianteiro, e outras peças também vem de modelos brasileiros como o tanque de combustível (F-1000) e o painel (adaptado de um caminhão Mercedes, mas com voltímetro, manômetro para os turbos, conta-giros e botões de acionamento para o guincho e sistema 4×4). O resultado final ficou incrível, com um design imponente e capacidade fora de estrada invejável, não devendo nada aos modelos citados no começo da postagem, e nas palavras do próprio André podemos ter uma idéia sobre como é o convívio com o Exterminador:

“Quanto a experiência de andar, posso te dizer que ficou muito mais estável no asfalto do que eu imaginava, incrivelmente confortável, com um freio maravilhoso e com uma capacidade de tração e de transpor obstáculos nunca vista.

De negativo, como ficou muito pesado, ele perdeu em agilidade, e sobre tudo em subidas de areia e lugares em que necessita embalar rapidamente. Ficou mais lento do que eu imaginava, mesmo com o motor 8.4 litros bi turbo.

No banhado, não encontramos nenhum lugar em que houvesse a necessidade de ligar a tração 4×4, só para transpor valetas e erosões.”

Porém, como nem tudo na vida dura para sempre, hoje o Exterminador encontra-se nas mãos de Odair Santini, proprietário da Oda Multimarcas em Caxias do Sul, enquanto o André dedica-se a um novo projeto: depois do Exterminador, agora ele está montando um Unimog U-416 com 700 HP!!!

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Fonte: Arquivo pessoal André d’Olyveira [2].

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Fonte: Arquivo pessoal André d’Olyveira [2].

Fontes:

Garcia, James. Exterminador, o maior do Brasil! Revista 4×44&Cia, edição 244, novembro de 2013.

Molas Hoesch – Perguntas frequentes: 5. O que significa mola parabólica. Disponível em: http://www.hoesch.com.br/index.php/tecnologia-perguntas/br/perguntas-frequentes. Data de acesso: 01/10/2016.

Imagens:

[1]: Retirado de: VAG – Velhos Amigos de Guerra. Disponível em: http://vag-df.wixsite.com/vag-df/vag-dfwixcom-c1b0d. Data de acesso: 03/10/2016.

[2]: Retirado de: Arquivo pessoal de André de Schuch d’Olyveira.

Informações adicionais:

Para aqueles que quiserem ver o Exterminador em ação, recomendo a reportagem do programa Mundo 4×4 do Canal Rural, no seguinte link: http://www.canalrural.com.br/videos/canalrural-taxonomies/mundo-4×4-apresenta-maior-jipe-brasil-22511.

Agradecimentos:

Gostaria de agradecer ao André de Schuch d’Olyveira pela disponibilidade e pronta resposta em atender ao meu contato e pelas informações e fotos que foram gentilmente cedidas para esta postagem.

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