Resumo – 4 Horas de Curitiba 2019

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E começou com o pé direito a temporada 2019 do Endurance Brasil. Com um grid repleto de protótipos e gran turismos de alto nível, a expectativa de que teríamos uma grande prova mais do que se confirmou. Antes de falar sobre a prova, entretanto, é importante ressaltar a bela homenagem dos pilotos e da própria Endurance Brasil ao piloto Luis Carlos “Cali” Crestani, que faleceu em fevereiro após uma difícil batalha contra um câncer. O gaúcho era uma das figuras carimbadas das provas do endurance a bordo do seu Tornado-Hayabusa #3, e que com certeza fará falta a cada etapa que for disputada.

Resultado do treino classificatório das 4 Horas de Curitiba

Durante o warm-up veio o primeiro susto, com um princípio de incêndio no AJR #13 de Pedro Queirolo e David Muffato, devido a um vazamento em uma mangueira de óleo. Por sorte incêndio foi controlado, e o carro pôde ser consertado alinhar normalmente no grid, pois o bólido dourado conseguiu pular muito bem na largado, chegando a primeira posição antes mesmo do fim da reta dos boxes. Quem também largou muito bem foi o AJR #5 da MC Tubarão, que pulou da sexta posição para a segunda, colado no carro da Império Racing. Já o AJR #65 não fez boa largada, caindo da pole para a oitava posição.

Na terceira volta ocorreu a primeira entrada do safety car, após o sul-mato-grossense Peter Feter deixar a pista e ficar preso na área de escape. Com isso, o pelotão foi reaproximado, com a relargada na sexta volta. O carro #65 voltou com tudo após a relargada, inclusive com uma ultrapassagem mais ousada forçando a Ferrari #19 para fora da pista e rendendo a primeira advertência por conduta antidesportiva.

Outro carro que também aproveitou a relargada para subir na classificação foi Ginetta G57, e na volta 19 a situação era a seguinte: em primeiro o AJR #13, seguido pelo Ginetta #20 com o #5 da MC Tubarão em terceiro e o AJR #65 em quarto. Nesse momento uma falha elétrica forçou o carro #5 a fazer uma parada não programada, tirando o bólido gaúcho da disputa. Quem também enfrentou problemas, foram as equipes Via Italia Racing e Team Ginetta Brasil.

No caso da Ferrari #19, um toque mais forte da Mercedes AMG GT3 #9 forçou uma longa parada para reparos, enquanto a Mercedes acabou desclassificada justamente por conta desse toque. Outro carro que foi desclassificado foi o Aldee Spyder #73 de Leandro Totti e José Vilela, por perder a janela de paradas obrigatórias. No caso da Ginetta #20, um toque com outro competidor causou uma quebra de suspensão, que tomou muito tempo para ser reparada.

Na categoria P2, o Predador #35 vinha em primeiro, mantendo um bom ritmo e a décima posição na classificação geral, porém uma falha mecânica fez com que o carro ficasse parado na pista, cedendo a liderança da P2 para o GeeBee #25. No final, o protótipo GeeBee também acabou abandonando devido à quebra de uma homocinética e com o abandono do MC Tubarão IX #32, nenhum carro da P2 completou a prova.

Voltando a ponta da prova, o AJR da Império Racing manteve-se na liderança até a segunda janela de pit-stops obrigatórios, quando um atraso na troca de pilotos permitiu que o carro #88 de Tarso Marques ganhasse a primeira posição na classificação geral. Ao mesmo tempo, na GT3 a dupla Xandy Negrão e Xandinho Negrão se firmava na liderança, ocupando a segunda posição na classificação geral, seguidos pelo Porsche #55 da Stuttgart, com o AJR #113 ficando para trás devido a um pneu furado, situação que se manteria até a última janela de pit stops, quando a Mercedes #09 conseguiu assumir a liderança na geral com cerca de 50 segundos de vantagem sobre o AJR #88. Nesse último stint, Vicente Orige veio inspirado, tirando entre 2 e 3 segundos por volta da Mercedes, até obter a ultrapassagem na volta 135. Depois disso a vitória parecia garantida, porém na volta 150 o carro #88 começou a virar acima de 1:22 economizando combustível, perdendo quase 5 segundos por volta em relação à Mercedes. Nessa hora era visível a preocupação da equipe JLM Racing nos boxes, principalmente quando Vicente Orige cruzou aquela que seria a última volta com menos de 3 segundos de vantagem. À menos de meia volta o carro alemão cresceu no retrovisor do protótipo brasileiro, e o vencedor foi definido por uma diferença de apenas 0,379 segundos, uma chegada bem apertada para uma prova de 4 horas de duração. Em terceiro chegou o AJR #13 e em quarto o Porsche #55, com o AJR #65 completando o pódium da classificação geral. Na categoria P3 a vitória ficou com o MRX-Volkswagen 8V de Gustavo e Rafael Simon, com o MRX-Volkswagen #34 da dupla Marcondes / Haag subindo ao lugar mais alto do pódio na P4. Entre os gran turismo, a vitória da GT3 Light ficou com o Aston Martin de Sérgio e Guilherme Ribas, com Alexandre Auler e Leandro Romera vencendo a classe GT4 e Arthur Caleffi / Ian Jenpsen Ely com a vitória na GT4 Light.

No final, minha opinião é que a prova mostrou um nível de amadurecimento da categoria, com pilotos e carros de linha disputando a prova. Além disso, nessa primeira etapa ficou evidente que um regulamento livre, porém bem desenhado, pode garantir equilíbrio e boas disputas entre bólidos tão diversos quanto os GT3 e P1. O único ponto negativo a ressaltar foram os problemas na transmissão ao vivo, principalmente nos primeiros 30 minutos de prova, mas que prontamente foram resolvidos pela empresa geradora de sinal. Esse é um problema que não tira o brilho da prova ou da categoria, mas que merece um maior cuidado nos próximos eventos. Agora resta aguarda a próxima etapa, que será realizada dia 25 de maio e irá marcar a estreia do Endurance Brasil em Goiás, que promete contar com a participação de novos bólidos que irão esquentar ainda mais a disputa.

Resultado final das 4 Horas de Curitiba 2019

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Endurance Brasil – 4 Horas de Curitiba 2019

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A abertura da temporada 2019 do Endurance Brasil será a prova 4 Horas de Curitiba, realizada no Autódromo Internacional Raul Boesel, localizado em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (conheça aqui as principais máquinas que farão parte do certame).

O circuito, inaugurado em 1967 tem 3.695 metros de extensão, com 11 curvas, que você pode conhecer de carona com Stuart Turvey, à bordo do protótipo Scorpion-Hayabusa Turbo.

Em 2018, os vencedores foram a dupla Daniel Serra e Chico Longo, a bordo da Lamborghini Huracàn GT3 já no formato de 4 Horas, porém a etapa de Curitiba teve diversas encarnações na história recente do Endurance, com provas de 4 Horas, 500 Km e até 800 km. Analisando o histórico recente das disputas do endurance no Paraná, fica evidente que os modelos GT têm vantagem, com 7 vitórias nas últimas 10 provas disputadas em solo paranaense, 4 delas com a dupla Chico Longo e Daniel Serra (e sempre com macchinas italianas). Dentre os competidores que estarão nas pistas esse ano, ao menos 5 duplas já venceram provas de endurance no autódromo paranaense, como podemos ver abaixo:

O recorde atual é 1:13.265 da pole-position do trio Carlos Kray, David Muffato e Vicente Orige, a bordo do protótipo AJR-Chevrolet V8, quebrando o recorde do endurance estabelecido em 2004 por Paulo Bonifácio e Alceu Feldmann com o protótipo ZF01-Chevrolet V8. Para efeito de comparação, o tempo é mais de 2 segundos mais rápido que a melhor volta de Maurizio Sandro Sala em 1996, a bordo da mítica McLaren F1 GTR. Abaixo temos um comparativo do tempo de volta da Endurance Brasil versus outras categorias de destaque.

Em 2019, a lista provisória de inscritos é a seguinte:

Categoria P1 (7 carros)

#4 Sigma P1-Audi V8 Turbo – Felipe Bertuol / Jindra Kaucher

#5 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Tiel Andrade / Andersom Toso / Júlio Martini

#11 Metalmoro AJR-Honda K24 Turbo – Emílio Padrón / Marcelo Vianna / Thiago Marques

#20 Ginetta G57-Chevrolet V8 – Wagner Ebrahim / Fábio Ebrahim / Pedro Aguiar

#57 Ginetta G57-Chevrolet V8 – pilotos a confirmar

#65 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Nilson Ribeiro / José Roberto Ribeiro

#88 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Carlos Kray / Vicente Orige / Tarso Marques

#110 Protótipo DTR-Honda Turbo – Eduardo Dieter / Francesco Ventre

#113 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Pedro Queirolo / David Muffato

#175 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Henrique Assunção / Alexandre Finardi / Luiz Otávio Floss / Marcelo Sant’Anna

Categoria GT3 (4 carros)

#8 Mercedes-Benz AMG GT3 – Guilherme Figuerôa / Júlio Campos

#9 Mercedes-Benz AMG GT3 – Xandy Negrão / Xandynho Negrão

#19 Ferrari 488 GT3 – Chico Longo / Daniel Serra

#55 Porsche 911 GT3 R – Ricardo Maurício / Marcel Visconde

Categoria GT3 Light (3 carros)

#18 Lamborghini Gallardo LP560-4 GT3 – Fernando Poeta / Beto Giacomello

#63 Aston Martin Vantage V12 GT3 – Sérgio Ribas / Guilherme Ribas

#155 Ferrari 458 GT3 – Peter Feter / Ricardo Mendes

Categoria P2 (3 carros)

#25 GT Race Cars GeeBee R1-Chevrolet V8 – Ney Faustini / Ney de Sá Faustini

#32 MC Tubarão IX-Duratec Turbo – Mauro Kern / Paulo Sousa

#35 Predador-Audi Turbo – Jair Bana / Duda Bana

#37 Scorpion-Hayabusa Turbo – Stuart Turvey / Thiago Riberi

Categoria GT4

#3 Mercedes-Benz AMG GT4 – Alexandre Auler / Leandro Romera

#10 Chevrolet Cruze-Duratec Berta – Marcelo Losasso / Humberto Biazus

#14 Mercedes-Benz CLA 45 AMG – Junior Victorette / à confirmar

#16 Ginetta G55 GT4 – Ésio Vichiese / Renan Guerra / Kreis Jr

#22 Mercedes-Benz AMG GT4 – Leandro Ferrari / Flávio Abrunhoza

#27 Mercedes-Benz CLA 45 AMG – Paulo Varassin / André Varassin / Lorenzo Varrasin

#49 Mitisubishi – Gustavo Frigotto

#64 Audi RS3 TCR – Henry Visconde / Guilherme Salas / Márcio Basso

#21 Mercedes-Benz CLA 45 AMG – Arthur Caleffi / Ian Jepsen Ely

# TBA Fiat Linea Troffeo – Gustavo Kyrila / Cláudio Kirila

Categoria P3

#7 Metalmoro MRX-Honda 16V – Aldoir Sette / Marcelo Campagnolo

#44 Metalmoro MRX-Volkswagen 16V – Ruben Ghisleni / Ian Jepsen Ely /Daniel Claudino

#46 Protótipo Roco-Hayabusa – Robi Perez / à confirmar

#56 Metalmoro MRX-Volkswagen – Gustavo Simon / Rafael Simon

#72 Metalmoro MRX-Opel 16V – Carlos Antunes / Yuri Antunes

#75 Metalmoro MRX-Cosworth – Henrique Assunção / Fernando Fortes / Emilio Padron

#89 Radical SR3-Hayabusa – Renato Stumpf / Matheus Stumpf

Categoria P4

#34 Metalmoro MRX-Volkswagen 8V – Ricardo Haag / Mário Marcondes

#73 Aldee Spyder-Volkswagen 8V – José Vilela /Luiz Abbade

#74 Aldee Spyder-Volkswagen 8V – Alejandro Cignetti / à confirmar/

A programação para a edição 2019 das 4 Horas de Curitiba será a seguinte:

28 de março de 2019 – Quinta-feira

07h às 12h – Montagem das equipes
09h às 17h30 – Secretaria/Inscrições
11h às 12h – Briefing chefes de equipe
13h30 às 17h30 – Treino extra

29 de março de 2019 – Sexta-feira

08h às 19h – Secretaria/Inscrições/Combustível
08h30 às 09h30 – Treino livre oficial – Todas as categorias
09h45 às 10h45 – Treino livre oficial – Todas as categorias
11h às 12h – Treino livre oficial – Todas as categorias
13h às 14h – Treino livre oficial – Categorias P2, P3, P4 e GT4
14h15 às 15h15 – Treino livre oficial – Categorias P1 e GT3
15h30 às 15h45 – Treino classificatório P3 e P4
16h50 às 16h10 – Treino classificatório P2
16h15 às 16h30 – Treino classificatório GT4
16h35 às 16h50 – Treino classificatório GT3
16h55 às 17h10 – Treino classificatório P1
18h – Briefing Pilotos

30 de março de 2019 – Sábado

08h às 18h – Secretaria/Inscrições/Combustível/Pneus
09h às 11h30 – Vistoria Técnica nos boxes das equipes
09h30 às 10h – Warm-up Endurance
12h às 13h – Visitação e horário promocional
13h30 – Abertura de Box
13h40 – Fechamento de box
13h45 – Minuto de Silêncio em homenagem ao piloto Cali Crestani
13h50 – Hino Nacional com todas as equipes perfiladas atrás dos seus carros
13h55 – Placa de 5 minutos
14h – Largada Quatro Horas de Curitiba (transmissão ao vivo pelo Canal do Youtube do Endurance Brasil)
18h30 – Pódio

Você pode também acompanhar o live timing pelo Race Hero.

Resumo do dia 28 de março

Com diversas equipes e carros estreando, o primeiro dia de treinos serviu para que muitos competidores acumulassem quilômetros com suas novas máquinas, como o AJR-Chevrolet #5 da equipe MC Tubarão, que completou 52 voltas, ou quase 1/3 de ma prova completa. O melhor tempo do dia ficou com outro AJR, o #65 da equipe NC Racing, com 1:13;069, estabelecendo o novo recorde extra-oficial da Endurance em Curitiba. Em segundo ficou o Ginetta G57 dos irmãos Ebrahim, a exatos 1s400 do protótipo nacional. Com o terceiro melhor tempo na geral, e primeiro da categoria GT3, ficou a Mercedes AMG GT3 #9 da família Negrão, seguidos a 4 décimos pela outra Mercedes GT3 de Guilherme Figuerôa e Julio Campos. O melhor carro fora das categorias P1 e GT3 foi o protótipo Predador-Audi Turbo dos pilotos da casa Jair Bana e Duda Bana, enquanto na GT4 o melhor tempo do dia ficou com a Ginetta G55 de Ésio Vichiesi e Renan Guerra. De qualquer forma, esses resultados não devem ser considerados como referência ainda, pois com as equipes focadas em set-up e simulações de consumo de combustível e pneus para a prova, os tempos podem e devem melhorar consideravelmente durante a tomada de tempo oficial.

Algumas ausências notáveis foram a Ferrari 48 GT3 de Chico Longo e Daniel Serra, a Lamborghini Gallardo da dupla Poeta/Giacomello e a confirmação de que os protótipos, Sigma P1 e Scorpion KTT estarão de fora da primeira etapa.

Resumo do dia 29 de março

As atividades começaram cedo no segundo dia de ação na pista paranaense. Durante os treinos livres o AJR #65 da família Ribeiro mostrou a mesma velocidade da temporada 2018, com a melhor volta em 1:12.821, com pneus ainda velhos. Quem finalmente apareceu foram os bólidos italianos que faltavam na GT3, a Lamborghini Gallardo #18 da Mottin Racing e a Ferrari 488 #19 da Via Italia Racing. Já pela manhã ficava claro que a disputa pela pole-position na classificação geral seria acirrada, com bons tempos postados pelos protótipos AJR e o Ginetta dos irmãos Ebrahim e também pela Ferrari #19.

Ginetta G57 #20 – Wagner Ebrahim / Fábio Ebrahim / Pedro Aguiar. Fonte: Divulgação Endurance Brasil.

Às 15h30 começou a sessão de treinos classificatórios, com os protótipos das categorias P3 e P4 sendo os primeiros a entrar na pista.

MRX #44 – Mario Marcondes / Ricardo Haag. Fonte: Divulgação Endrance Brasil.

Na P4, a pole ficou com o MRX-Volkswagen AP de Ricardo Haag e Mario Marcondes, seguido a menos de dóis décimos pelo Aldee Spyder de José Vilela e Leandro Totti.

MRX#75 – Henrique Assunção / Emilio Padron / Fernando Fortes. Fonte: Divulgação Endurance Brasil.

Na P3, foi confirmado o desempenho do carro campeão de 2018, o MRX-Cosworth de Henrique Assunção, Emilio Padron e Fernando Fortes, seguido pelo MRX-Volkswagen de Gustavo e Rafael Simon.

Predador #35 – Jair Bana / Duda Bana. Fonte: Divulgação Endurance Brasil.

Em seguida foi a vez dos protótipos da categoria P2 se classificarem, com a dupla Jair e Duda Bana confirmando o favoritismo à bordo do Predador #35, marcando o melhor tempo da pista até então em 1:17.081, com vantagem de 1,8 segundos sobre o MC Tubarão IX-Duratec Turbo de Paulo Sousa e Mauro Kern.

Mercedes AMG GT4 #3 – Alexandre Auler / Leandro Romera. Fonte: Divulgação Endrance Brasil.

Na sequência entraram as máquinas da GT4, onde a disputa prometia ser entre as Mercedes AMG da Scuderia 111 e a Ginetta G55 do Team Ginetta Brasil. Na pista a expectativa se confirmou, com a dupla Alexandre Auler / Leandro Romera liderando a categoria de Mercedes, com 1,5 segundos de vantagem sobre a outra Mercedes de Leandro Ferrari / Flavio Abrunhoza, e a Ginetta #22 em terceiro.

Ferrari 488 GT3 #19 – Chico Longo / Daniel Serra. Fonte: Divulgação Via Italia Racing.

Nesse momento a expectativa era alta, pois entravam na pista as máquinas dos sonhos da GT3, fortes candidatas a pole geral. A Ferrari 488 de Daniel Serra e Chico Longo finalmente mostrou a que veio, marcando a melhor volta em 1:12.739 e quebrando o recorde da pole de 2018 por mais de 0,5 segundo. Na segunda posição da GT3 ficou a Mercedes #8 a quase 1,9 segundos, seguidos de perto pela Mercedes #9. Enquanto isso, na GT3 Light o Aston Martin #63 da dupla Sergio Ribas e Guilherme Ribas acabou não indo para a pista, com a primeira posição na categoria ficando para a Ferrari 458 de Peter Feter e Ricardo Mendes.

AJR #65 – Nilson Ribeiro / José Roberto Ribeiro. Fonte: Divulgação Endurance Brasil.

Por fim chegou a hora dos carros mais rápidos da P1 entrarem na pista, com a promessa de uma boa disputa entre o esquadrão de protótipos AJR e o Ginetta G57. Contudo, logo após a entrada na pista o AJR #65 mostrou suas garras, estabelecendo o incrível tempo de 1:11.619, baixando o tempo da pole de 2018 em 1,6 segundos, com um tempo apenas 4 décimos mais lentos que a última pole da Fórmula 3 Brasil em Curitiba. Restava a expectativa se algum dos outros carros poderia bater esse tempo, porém quem mais se aproximou foi outro AJR, o de numeral 88 do trio Carlos Krey, Vicente Orige e Tarso Marques, que obteve um tempo de 1:12.227 (um melhora de 1 segundo versus a pole desse mesmo carro em 2018. Na terceira posição ficou a Ginetta G57 #20, com melhor tempo de 1:12.621. Para quem temia que o protótipo inglês poderia desequilibrar a disputa nas pistas, agora parece que pelo menos no desempenho em uma volta os AJR e GT3 mais velozes são capazes de fazer frente a esse novo competidor. Quem também não veio para a pista no classificatório foi o AJR #175 da Império Racing, que pelos tempos marcados nos treinos livres poderia ter se classificado entre os sete primeiros.

Abaixo segue a tabela de classificação completa após o encerramento do treino classificatório:

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Os carros mais curiosos que já disputaram as 24 Horas de Le Mans

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Como aqueles que são aficionados por automobilismo já devem saber, no próximo final de semana será dada a largada para a 84ª edição das 24 Horas de Le Mans, a mais tradicional e importante prova do automobilismo mundial. Para que ainda não a conhece, essa prova foi criada em 1923, numa época onde os Grandes Prêmios eram a modalidade de automobilismo mais popular na Europa. Ao invés de focar em qual companhia era capaz de fazer o carro mais rápido, nas 24 Horas de Le Mans os fabricantes deveriam se concentrar em ter os carros mais eficientes, de forma a ter um equilíbrio entre desempenho e confiabilidade. Disputada no circuito de La Sarthe, em um circuito que mistura trechos de um autódromo com estradas que ligam as cidades de Le Mans, Mulsanne e Arnage, é a maior prova de resistência do automobilismo, e faz parte da Tripla Coroa do Automobilismo, sendo considerada junto as 500 Milhas de Indianapolis e ao Grande Prêmio de Mônaco o ápice da carreira de um piloto de automóveis. Nos próximos dias iremos entrar em uma contagem regressiva, apresentando algumas curiosidades sobre a prova e seus participantes.

E para começar, nada melhor que os mais curiosos carros a terem participado na história da prova, como poderemos ver nesse top 10:

10º Cadillac Series 61 Coupe De Ville “Le Monstre” (1950)

Cadillac_Le_Monstre

Quando o americano Briggs Swift Cunninham  resolveu participar da edição de 1950 de Le Mans, resolveu utilizar os possantes motores OHV V8 da Cadillac. Sua idéia inicial era utilizar esse motores com carrocerias Ford, mas com a organização considerando a proposta inadequada para o espirito de Le Mans por lembrarem demais um hot rod, Cunninham resolveu comprar dois Cadillacs Series 61 Coupe De Ville Series 61. O primeiro manteve a carroceria original, mas para o segundo Briggs buscou o apoio do engenheiro aerodinâmico Howard Weinman, que desenhou um corpo novo, todo em alumínio, muito mais aerodinâmico e baixo do que aquele do carro de rua, mas com a aparência de gosto no mínimo duvidoso, que levou a imprensa francesa a apelidar o modelo de Le Monstre, ou O Monstro. Apesar do apelido e de os carros não terem passado por teste nenhum até o momento da corrida, ambos terminaram a prova, com o Le Monstre recebendo a bandeirada na 11ª posição.

9º Nardi Bisilero 750 LM (1955)

Nardi_Bisilero

Em 1955 Le Mans era dominada por potentes carros como Jaguar D-Type e Mercedes 300 SLR, porém os italianos Mario Damonte, Carlo Mollino e Enrico Nardi tomaram um cominho totalmente diferente: ao invés de criar um carro pesado e com um grande motor, criaram um pequeno modelo com motor de quatro cilindros de 734 cm³. Seu design ao melhor estilo catamarã tinha o piloto e o tanque de combustível de um lado e o motor e transmissão do outro. Além disso, contava com freios a tambor nas quatro rodas e um freio aerodinâmico central acionado por pedal. A aposta dos italianos era que poderiam enfrentar as grandes marcas utilizando um carro leve (apenas 450 kg) e mais simples, porém o tiro saiu pela culatra quando o pequeno carro foi tirado da pista ainda durante os treinos pelo deslocamento de ar de um Jaguar que o ultrapassava. Infelizmente o carro não pode ser reconstruído a tempo de participar da prova e hoje encontra-se no Museu Nacional de Ciência e Tecnologia Leonardo Da Vinci, em Milão.

8º Rover-BRM (1963-1965)

Rover_BRM

No início da década de 1960, a grande onda da indústria automotiva era utilizar turbinas ao invés de motores a combustão interna. Tentando seguir o mesmo caminho que a indústria aeronáutica seguia, surgiram diversos projetos como o famoso Chrysler Turbine. Outra empresa que trabalhava nessa proposta era a britânica Rover, que havia apresentado o protótipo de carro a turbina Jet1 alguns anos antes. O ponto crucial para que o modelo se tornasse realidade foi a participação da equipe de Fórmula 1 BRM, que disponibilizou para a Rover o chassis do carro que Richie Ginther usou para disputar o GP de Mônaco de 1962. Sobre esse chassi foram montados a turbina e uma transmissão de uma velocidade, além de uma carroceria tipo spyder feita em alumínio. O carro correu então em Le Mans no ano de 1963 sob a categoria de carro experimental, chegando em 8º na classificação final. Para 1964 uma nova carroceria, dessa vez um coupe fechado foi criada e o motor recebeu atualizações, porém por razões não divulgadas a Rover desistiu de competir. Para 1965, finalmente o modelo foi inscrito na classe de protótipos com motores de até 2 litros, com uma dupla de pilotos de fazer inveja a qualquer equipe: Graham Hill e Jackie Stewart. Sofrendo de problemas durante toda a corrida devido a danos sofridos pelas pás da turbina após um erro de Hill, a equipe ainda conseguiu terminar a corrida em décimo lugar na classificação geral, e em oitavo na categoria de protótipos.

7º Dodge Charger NASCAR (1976)

Charger_NASCAR_Le_Mans

Após o boom de popularidade vivido nos anos 60 e inicio dos anos 70, em muito pelas rivalidades Ferrari-Ford e Ford-Porsche, veio a crise do petróleo que fez com que as 24 Horas de Le Mans começassem a perder um pouco a popularidade. Como forma de tentar combater essa tendência, a ACO passou convidar esportistas de destaque das mais diversas categorias pelo mundo a trazer suas máquinas para competir. Isso culminou em 1976 com a participação de Hershell McGriff e seu filho Doug McGriff com um Dodge Charger retirado direto das competições de NASCAR. Além dele, nesse mesmo ano competiu também um Ford Torino da categoria americana guiado pelos americanos Richard Brooks e Dick Hutcherson e o francês Marcel Mignot. Nos treinos classificatórios o melhor colocado foi o Charger, e mesmo com seu possante motor Wedge 426, conseguiu apenas a 47ª posição com um tempo de 4:29.700 (56.1 segundos mais lento que o Alpine A442 que largou na pole. Durante a corrida, ambos os carros abandonaram, pois afinal não haviam sido criados para enfrentar as dificuldades de uma prova tão longa.

6º Porsche 917K/81 Kremer (1981)

Porsche_917K_81

Que o Porsche 917 foi um dos mais incríveis carros de corrida já criados todos os fãs de automobilismo sabem. O que poucos sabem é que, 10 anos após vencer Le Mans pela última vez, um 917 voltou ao circuito francês para disputar as 24 horas. Isso porque a Kremer Racing, equipe especializada em correr com Porsches modificados viu uma brecha no regulamento de 1981, que permitiria a participação de um carro fechado dentro do regulamento do Grupo 6 (esse ano era o ano de transição entre o antigo regulamento Grupo 6 e o recém criado Grupo C). Aproveitando essa brecha, os irmãos Erwin e Manfred Kremer juntaram diversos componentes dos Porsche 917 com o objetivo de preparar um modelo capaz de vencer a prova. Tocado em tempo recorde, o projeto contou com apoio da Porsche que forneceu os desenhos originais, com a construção de um novo carro com atualizações aerodinâmicas, reforços no chassi para aguentar as novas cargas aerodinâmicas e atualização da geometria de suspensão para se adaptar ao desempenho dos novos compostos de borracha. Chegada a prova, a falta de velocidade daquele que já havia sido o carro mais veloz de Le Mans era clara, com uma velocidade máxima na casa de 300 km/h na reta Mulsanne, resultando no carro classificar-se na 18º posição. Durante a corrida o desempenho não foi muito melhor, com um abandono na sétima hora de prova. Teria sido o canto do cisne para o 917, mas a Kremer resolveu inscrevê-lo ainda para os 1000km de Brands Hatch, última etapa do mundial de endurance de 1981. Lá, devido a uma combinação de talento pessoal dos pilotos (Bob Wolleck e Henri Pescarolo) e chuvas torrenciais, o 917 chegou a liderar a prova até abandonar a prova na volta 43 com problemas de suspensão.

5º Eagle 700 GTP (1990)

Eagle_700_GTP

Numa época onde motores turbocomprimidos eram praticamente a norma em Le Mans (com exceção dos Jaguar V12), a Eagle Performance resolveu apostar no melhor estilo americano: compraram um Corvette GTP que havia corrido as temporadas de 1988 e 1989 do IMSA e instalaram nele um motor V8 de 10,2 litros, o maior a ser inscrito para uma 24 Horas de Le Mans. Devido a necessidade de instalar o novo motor e adaptar o carro para as características únicas da pista francesa, o modelo redesenhado ficou conhecido como Eagle 700 GTP. Contudo, o carro sofreu com problemas elétricos no dia do teste classificatório para as equipes privadas, o que impediu que se classifica-se para a prova, para nunca mais ser visto em competições.

4º Toyota Supra GT 500 (1995-1996)

Toyota_Supra_JGTC

Na metade da década de 90, após o desmantelamento do Grupo C, os organizadores das 24 Horas de Le Mans resolveram que seria uma boa idéia trazer de volta os carros GT para as pistas, carros esportivos modificados que foram a alma do inicio da prova francesa. Aproveitando o embalo, as montadoras japonesas resolveram entrar com seus modelos de rua na nova categoria GT1. A Toyota, aproveitando o desenvolvimento do Supra para o campeonato japonês de turismo (JGTC), pensou que seria possível vencer a categoria com seu modelo, porém o que a montadora não contava é que modelos como McLaren F1 GTR e Ferrari F40 GTE também participariam. Comparados aos modelos de Nissan (Skyline GT-R) e Honda (NSX), o Toyota se mostrou competitivo, porém era cerca de 15 segundos mais lentos que os modelos europeus. Apesar disso, em 1995 o modelo japonês foi capaz de se classificar no meio de grid (30º posição), e terminar a prova na 14ª posição. Para 1996 o Supra veio revisado, porém a evolução da competição foi muito maior, e mesmo com as melhoras pode apenas classificar-se em 36º, não terminando a prova após envolver-se em um acidente. Em 1997 a Toyota tirou um ano sabático para voltar com tudo com um carro criado especificamente para o desafio de Le Mans, o Toyota TS020 GT-One.

3º Panoz Esperante GTR-1 Q9 “Sparky” (1998)

Panoz_Q9

Se hoje sistemas de regeneração de energia são o padrão nos carros top de Le Mans, o primeiro carro a competir com esse tipo de solução surgiu a quase dez anos atrás. Derivado do Panoz Esperante GTR-1 que competiu nos anos de 1997 e 1998. A idéia era adicionar um motor elétrico de 150 hp ao veículo, para recuperar energia nas frenagens e então utilizá-la para ajudar o motor a combustão a reacelerar o veículo, economizando combustível o que por sua vez diminuiria a necessidade de pit stops. Infelizmente, o modelo desenvolvido em parceria com a britânica Zytek sofria gravemente de sobrepeso pesando 1100 kg contra os 890 kg do modelo convencional, pois na época a tecnologia das baterias ainda não estava num ponto onde pudessem ser alocadas em um pacote suficientemente leve, o que levou a decisão de não leva-lo para as 24 Horas de Le Mans. Meses depois o carro ainda competiria na pri meira edição da Petit Le Mans, conseguindo um respeitável 12º posto, mas o modelo jamais voltou a competir depois disso.

2º DeltaWing (2012)

DeltaWing

Nascido como proposta para um novo modelo de Indycar, o DeltaWing é o resultado do pensamento não ortodoxo de Ben Bowlby. Para criar o DeltaWing, ele desconsiderou todos os conceitos então aplicados em carros de corrida, partindo para um conceito em delta, sem aerofólios onde todo o downforce é gerado pelos difusores sob o carro, gerando um competidor com metade do peso (475 kg), metade da potência (290 hp) e metade do consumo de combustível, com o mesmo desempenho de um carro convencional. Apesar dos organizadores da Indy terem escolhido uma proposta mais ortodoxa da italiana Dallara, Bowlby se associou a Don Panoz (parceiro no gerenciamento do projeto), Duncan Dayton (equipe Highcroft Racing), Dan Gurney (construtor do carro através da All American Racers) e a Nissan (fornecedora do motor) para inscrever o projeto dentro da recém criada Garagem 56, uma vaga para carros inovadores disputarem as 24 Horas de Le Mans como convidados e provarem para o mundo a viabilidade de novas tecnologias. Até o dia do primeiro treino os críticos julgavam que o carro seria incapaz de fazer curvas pela sua construção não convencional, com as bitolas dianteiras estreitas e 72,5% do peso apoiado sobre os eixos traseiros, porém durante a classificação o DeltaWing conseguiu a 29º posição no grid de largada, bem no meio dos carros da classe LMP2 e mostrou excelente dirigibilidade e velocidade, porém na corrida foi atingido pelo Toyota TS030 de Kazuki Nakajima e não foi capaz de retornar a prova. Depois disso o modelo disputou a American Le Mans Series e vem disputando a United SportsCar Championship na categoria P1, com resultados razoáveis mas com vários problemas de confiabilidade.

1º Nissan GT-R LM Nismo (2015)

Nissan_GT-R_LM_NISMO

Se o DeltaWing havia sido uma proposta que rasgava o livro de regras e foi inscrita como veículo experimental, para 2015 Bowlby veio com uma idéia que seguia o livro de regras a risca. Considerando ser impossível vencer a Audi, Toyota e Porsche fazendo um carro igual ao delas (não ao menos se gastar uma fortuna em desenvolvimento) a idéia no GT-R LM Nismo  (leia mais aqui) foi aproveitar que o regulamento permite maior liberdade na construção das asas dianteiras que na das traseiras, de forma a reduzir o arrasto aerodinâmico gerado e atingir maiores velocidades nas retas (um dos fatores primordiais para uma volta rápida em Le Mans, dadas as longas retas do circuito francês) Porém isso significaria deslocar o centro de pressão aerodinâmica para a dianteira do carro, e para manter o equilíbrio seria necessário também deslocar o centro de massa para frente. A forma de fazer isso foi adotar uma configuração de motor dianteiro, e para a surpresa de todos, não apenas o motor como a tração era dianteira. Fazendo isso o projetista pretendia ter um carro mais controlável em altas velocidades e para enfrentar as imprevisíveis condições de Le Mans, mesmo que ao custo de um carro com maior tendência a sair de dianteira. O motor, uma unidade Cosworth V6 3.0 com 500 cavalos tracionava a dianteira, enquanto era previsto um sistema híbrido baseado em volantes inerciais que deveria gerar mais 750 cv e enviar para as rodas traseiras. O carro deveria disputar a temporada de 2015 do WEC, contudo problemas de desenvolvimento (principalmente no sistema híbrido) fizeram com que o Nissan fosse estrear apenas nas 24 Horas de Le Mans. Mesmo sem contar com os sistemas de regeneração de energia (o que os tornava praticamente um carro de LMP2), durante os treinos os modelos da montadora nipônica atingiram as maiores velocidades nos trechos de reta, e se classificaram nas últimas posições na categoria LMP1, e pouco a frente dos LMP2, mostrando que o conceito era válido, mesmo que de difícil execução. Durante a corrida os três carros inscritos sofreram com problemas de confiabilidade, e apenas o número 22 terminou, mas sem completar o numero mínimo de voltas necessário para ser classificado oficialmente. Durante 2015 o time de Ben Bowlby tentou resolver os problemas com o sistema hibrido do modelo, porém em dezembro a Nissan cancelou o projeto e o carro jamais poderá mostrar todo o seu potencial.

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