10 carros de Fórmula 1 que nunca disputaram um GP

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Chegar a Fórmula 1 é o sonho de todo aspirante a piloto que começa no kart, e aqueles que chegam a disputar um GP são considerados parte de uma elite. O que quase ninguém percebe é que, também para os chefe equipes, entrar na maior categoria do automobilismo é um grande desafio, e apesar das equipes do fim do pelotão receberem críticas pela falta de desempenho, sua simples presença no grid de largada já é uma grande vitória frente aqueles que sequer conseguiram participar de um GP. Por outro lado, grandes companhias se dão ao luxo de investir pequenas fortunas em carros que jamais serão utilizados para disputar uma prova. Nesse Top 10 vamos conhecer 10 carros recentes que foram construídos dentro dos regulamentos da F1 (ou quase) mas que jamais chegaram a competir em um GP:

1995 – Lola T95/30 Ford

Lola_T95-30_Ford

Após o fracasso do T93/30 equipado com motores Ferrari que sacramentou o fim das esperanças da Scuderia Italia na Fórmula 1, em 1994 a Lola resolveu criar uma mula para testar soluções enquanto procurava um patrocinador que a permitisse chegar a Fórmula 1 como equipe própria. O carro foi desenvolvido a partir de um modelo em escala de 40% de túnel de vento e foi equipado com um motor Cosworth ED V8, que se tornou a opção de escolha para pequenas equipes a partir de 1995, por ter baixo custo e ser de simples instalação. Os testes foram conduzidos pelo inglês Allan McNish entre os anos de 1994 e 1995, e o design do T95/30 chama a atenção pela ausência da tomada de ar superior, que já era a solução mais comum na época. Apesar disso o modelo nunca participou de nenhuma prova, e acabou vendido como item de coleção em 1997.

1996 – DAMS GD-01 Ford

DAMS_GD01

Fundada em 1988 pelo ex-piloto de Fórmula1 René Arnoux e pelo francês Jean-Paul Driot, a DAMS logo se tornou uma das forças competitivas da F3000, com pilotos campeões em 1990, 1993 e 1994. Driot desejava subir a categoria máxima do automobilismo, assim como outras equipes de F3000 e F2 haviam feito no passado, e estabeleceu uma parceria com a fabricante inglesa de carros de corrida Reynard para desenvolver seu monoposto de F1. O processo de construção do GD-01 começou em 1994, porém o progresso foi lento devido a falta de patrocínio. O design do carro era consideravelmente mais “robusto” que o de monopostos contemporâneos, com grandes tomadas de ar laterais para abrigar os radiadores de água e óleo e o motor era um Cosworth ED V8. O carro chegou a ser testado pelos pilotos Érik Comas e Jan Lammers no circuit de Paul Ricard, o que indicou que o carro iria necessitar de um programa de desenvolvimento mais profundo se quisesse ser capaz de se classificar dentro dos 107% do tempo da pole position requeridos para que um carro participe em um GP. Com a dificuldade encontrada pelo time de encontrar patrocínios para seguir com o programa de desenvolvimento, a DAMS perdeu o prazo para se inscrever para as temporada de 1996 e 1997, e as mudanças no regulamento para 1998 tornaram o GD-01 obsoleto antes mesmo de competir. O único carro construído hoje repousa na sede da equipe na região de Le Mans.

1996 – Dome F105 Mugen

Dome_F105

Fundada em 1975, a Dome é uma famosa equipe e construtora de carros de corrida japonesa. De posse de experiência na fabricação de monopostos de F3 e F3000, em 1995 os japoneses resolvera dar uma passo mais ousado. Nessa ano eles contrataram o ex-chefe de equipe da Minardi, Tadashi Sasaki, que além do seu know-how foi capaz de levar a transmissão e os antigos sistemas hidráulicos da Minardi para o projeto. Sob direção de Akiyoshi Oku (que havia sido o responsável pelo F104, o vitorioso carro de Fórmula 3000 da empresa), começaram os trabalhos de desenvolvimento no verão de 1995. Devido a sua parceria com a Mugen na F3000 japonesa, a Dome foi capaz também de conseguir um motor Mugen MF301 V10 igual ao utilizado pela Ligier em 1995. Durante 1996 diversas sessões de testes foram conduzidas em várias pistas, e após o encerramento da temporada de 1996 o piloto de testes da Dome, Naoki Hattori, conseguiu um tempo de 1m46s270, cerca de 7 segundos mais lento que a pole-position de 1m38s909 que Jacques Villeneuve havia estabelecido, poucos dias antes durante o GP do Japão. Esse tempo estava a apenas 0,3 segundos do corte de 107%, e provavelmente seria bem melhor com um piloto mais habilidoso que Hattori. Eventualmente os esforços da Dome acabaram por enfraquecer pela falta de patrocínio, e o carro está até hoje em exposição na sede da Dome no Japão.

1999 – Honda RA099

Honda RA099

Tendo competido pela última vez como construtora na década de 1960, na virada dos anos 2000 a Honda se preparava para voltar como equipe completa, e não mais apenas como fornecedora de motores. Para seu retorno, contratou o inglês Harvey Postlethwaite (ex-projetista de Ferrari e Tyrrell), e o carro foi construído pela italiana Dallara. Os testes foram conduzidos na pista de Jerez pelo holandês Jos Verstappen, que obteve tempos de volta promissores (no nível das equipes intermediárias), porém a morte prematura de Postlethwaite por um ataque cardíaco fulminante durante um dos treinos fez com que a Honda abandonasse o projeto indefinidamente. Eventualmente a Honda voltaria a F1 em 2006 após a compra da equipe BAR.

2001 – Toyota TF101

Toyota_TF101

Após bater na trave nas 24 Horas de Le Mans em 1999, a Toyota voltou seus olhos para o Mundial de Fórmula 1. Planejando entrar na disputa em 2002, a montadora japonsea desenvolveu o TF101 para servir de mula de testes em 2001. Nas mãos do finlandês Mika Salo e do inglês Allan McNish, o carro acumulou 3.000 voltas (equivalentes a 22.967 km) de testes por 11 das pistas que faziam parte do campeonato mundial de Fórmula 1. Projetado inicialmente por André de Cortanze, posteriormente o desenvolvimento foi liderado pelo austríaco Gustav Brunner, e eventualmente deu origem ao modelo TF102 que estreiou na F1 em 2002.

2003 – AGS SH03 Cosworth

AGS_SH03_Cosworth

Após sair da Fórmula 1 em 1991, a AGS passou a oferecer cursos de pilotagem com carros de alto desempenho, incluindo seus antigos monopostos de F1. Com o tempo, contudo, os carros começaram a ficar defasados frente a concorrência, e difíceis de manter. De posse do know-how obtido na área de cursos especializados, a equipe francesa resolveu construir um novo monoposto que se enquadrasse no regulamento da F1 da época, num processo desenvolvimento que correu entre 2001 e 2003. Com apenas 520 kg e equipado com um motor Cosworth DFR-S V8 de 3,5 litros de 650 HP a 11.500 rpm, foram construídas 5 unidades, 2 com dois lugares e 3 monopostos, que desde então são utilizados para treinamentos em circuitos como Paul Ricard na França.

2003 – McLaren MP4/18 Mercedes-Benz

McLaren_MP4-18_Mercedes-Benz

Após uma temporada frustrante em 2002, quando a Ferrari dominou completamente o campeonato, Adrian Newey passou a trabalhar em um carro que mais do que uma evolução, representasse uma revolução. Criado com packaging bem apertado para melhorar a eficiência aerodinâmica, o carro acabou por se mostrar frágil, primeiro ao falhar duas vezes nos testes de impacto laterais da FIA e depois pelos problemas de refrigeração gerados pela redução da área ocupada pelos radiadores. Com a evolução do modelo MP4/17 se mostrando competitiva durante a temporada de 2003, a McLaren acabou abandonando a idéia de trocar um modelo que estava sendo competitivo por um que ainda não era 100% confiável. Eventualmente o MP4/18 foi evoluído para o MP4/19 que a equipe inglesa utilizou em 2004.

2006 – Honda RA106 “Bonneville 400”

Honda_RA106_Bonneville_400

No seu ano de retorno a F1 como equipe oficial, os japoneses da Honda não estavam satisfeitos com o retorno de marketing obtido. Apesar de terem demonstrado um desempenho muito bom, com a quarta colocação no campeonato de construtores, a Honda apareceu com uma estratégia inovadora para conseguir maior visibilidade na mídia. Em julho de 2006, a equipe oficial de F1 se deslocou para o deserto de sal de Bonneville para participar da Speed Week. O carro era o mesmo utilizado durante a temporada, e totalmente dentro do regulamento, porém com a asa traseira substituída por uma barbatana para reduzir o arrasto aerodinâmico e melhorar a estabilidade em altas velocidades, além de um para-quedas para ajudar na redução da velocidade. Com o objetivo de atingir 400 km/h, o time treinou testando o melhor set-up durante todo o evento, porém a média de duas passagens no quilômetro lançado não ultrapassou a marca de 397,481 km/h. Apesar de não ter atingido o objetivo dos 400 km/h, o modelo da Honda carrega até hoje o recorde de maior velocidade alcançada por um carro de Fórmula 1.

2010 – Toyota TF110

Toyota_TF110

Planejado para a temporada de 2010, o TF110 foi desenhado e duas unidades construídas, porém o carro acabou não sendo utilizado quando a montadora japonesa abandonou a F1 no final de 2009 devido a crise financeira. O sérvio Zoran Stefanović ainda tentou utilizar o carro na sua tentativa fracassada de participar do Mundial de 2010, chegando a apresentar um dos chassis renomeado como Stefan S-01 e pintado no vermelho tradicional da Sérvia, porém a FIA negou a entrada do time sérvio. No final de 2010 também a equipe Hispania tentou fechar um acordo para o uso do monoposto da Toyota na temporada de 2011 após o rompimento com a italiana Dallara, e chegou-se a cogitar que a Pirelli utilizaria o TF110 como base para testes dos compostos de pneus para seu retorno a F1 em 2011. Nenhum desses planos deu frutos, e a única ação de pista que o carro completou foi um shakedown realizado pelo japonês Kazuki Nakajima na sede da Toyota Racing em Colônia, na Alemanha.

2010 – Lotus Exos T125 Cosworth

Lotus_Exos_T125_Cosworth

Desde 2005 a Ferrari vinha colhendo os lucros do seu programa XX, que consiste em carros de ultra desempenho que são disponibilizados para que clientes extremamente ricos participem de corridas com apoio oficial da fábrica. Outras montadoras perceberam o filão, e em 2010 a Lotus apresentou o carro de track day  definitivo. Chamado T125, o bólido tinha o objetivo de disponibilizar o desempenho de um carro de Fórmula 1 a 25 afortunados pilotos que se dispusessem a investir US$ 1 milhão. Equipado com um motor Cosworth V8 de 3,5 litros, o carro tem 650 HP a 10.800 rpm aliados a um peso de apenas 656 kg, suficientes para um desempenho bem próximo de um F1 da mesma época (como comparação, o T125 fez um tempo de 1m03s8 na pista do Top Gear, contra um tempo de 0m59s0 que foi atingido por um Renault R24 de 2004 e equipado com motor V10 e cerca de 150 HP adicionais). Além do veículo, os compradores teriam acesso ao Exos Experience, um clube com diversas provas disputadas onde, além de competir com apoio da Lotus Motorsports, os felizardos proprietários tem acesso ao treinamento de pilotos profissionais para melhorar seu desempenho na pista.

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Revoluções por minuto: inovações no mundo dos motores – Parte 1

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Nos últimos anos a pressão por fontes de energia renováveis e redução nas emissões de poluentes é a grande pauta da indústria. Nesse contexto, os motores estão no centro das atenções e novas tecnologias têm sido exploradas tanto no âmbito de materiais quanto no de processos de fabricação, buscando reduzir massa  e também atingir uma maior eficiência energética, através da exploração de novos conceitos de funcionamento. Para iniciar essa série de posts, o escolhido é um projeto da década de 80 que foi recentemente ressuscitado, e que provavelmente ainda está anos a frente de nosso tempo.

Parte 1: Polimotor

Se há poucos anos as sobrancelhas ainda se levantavam no mercado brasileiro quando se falava em motores com bloco de alumínio, o que você pensaria ao ouvir falar em um motor fabricado de plástico? Motores são máquinas térmicas conhecidas por não serem lá muito eficientes, pois como regra geral podemos dizer que para cada cavalo de potência gerado, outro deverá ser dissipado pelo sistema de arrefecimento sob forma de calor. Com temperaturas na faixa de 250 a 300 °C sendo atingidas, poucas pessoas pensariam em polímeros como alternativa viável de material de construção, porém esse não foi o credo do engenheiro Matty Holtzberg, que começou a oferecer componentes como varetas de válvula, bielas e retentores de mola no mercado de preparação de automóveis dos EUA. Suas peças atingiram relativo sucesso entre os entusiastas, o que o levou a estabelecer uma meta mais ousada: desenvolver um motor com tantos componentes quanto possível em plástico. Para isso foi fundada a Polimotor Research Inc., e como base para o projeto Holtzberg escolheu o motor T-88 LL23 2.3 OHC que equipava o Ford Pinto (no Brasil, esse mesmo motor equipou os Maverick 4 cilindros). Na época esse era um dos motores pequenos mais fáceis de ser encontrado nos Estados Unidos, e foi escolhido como forma de baratear os primeiros testes de blocos e cabeçotes, ao utilizar-se componentes como eixos virabrequim e comando de válvulas da Ford (como referência, ao evitar o desenvolvimento de um virabrequim prototipal, a economia gerada era de cerca de 80 mil dólares por peça).

Na década de 80 a popularidade do motor foi grande, chegando a ser destaque na famosa revista Popular Science. Apesar da manchete, Matty Holtzberg afirma que a Ford não teve participação no projeto.

Na década de 80 a popularidade do motor foi grande, chegando a ser destaque na famosa revista Popular Science. Apesar da manchete, Matty Holtzberg afirma que a Ford não teve participação no projeto. Fonte: Popular Science [1].

Esse motor, chamado informalmente de Polimotor 1 possuía componentes como bloco, cabeçote, varetas, bielas e saias de pistão feitas de uma resina criada pela Amoco Chemicals Co., o Torlon, uma poliamida-imida, com elevadas propriedades de moldabilidade, resistência e a ataques químicos, além de excepcionalmente alta resistência ao calor.

Vista em corte da primeira versão do Polimotor. Fonte: [1].

Vista em corte da primeira versão do Polimotor. Fonte: Popular Science [1].

Após o sucesso dos primeiros testes, faltava convencer o público e as montadoras da robustez do conceito. Para esse fim, foi desenvolvido o Polimotor Model 234, uma versão DOHC baseada no design do motor do Ford Pinto (e que curiosamente – ou não – divide algumas semelhanças com o motor Cosworth BDA, outra variação sobre a família Ford T-88). Esse motor foi instalado em um chassi Lola T616 para disputar a categoria C2 do IMSA Camel GT Championship, e pesando cerca de 69 kg, o motor era cerca de 50% mais leve que um Cosworth equivalente, com potência máxima de 318 hp a 9.200 rpm, e corte de giros em 14.000 rpm. Durante a fase de desenvolvimento foram testados bielas e virabrequins de Torlon, além de pistões compósitos com saias poliméricas e topos de alumínio. Contudo, o motor que competiu utilizava virabrequim e bielas de aço forjado, e pistões convencionais de alumínio, mas ainda assim contava com diversos componentes poliméricos: a curiosa solução de cárter integrado ao bloco do motor, com camisas de ferro fundido (similares as utilizadas em motores com bloco de alumínio), cabeçote com insertos metálicos para as câmaras de combustão, hastes das válvulas de admissão, tuchos, pinos de pistão, tampa de válvulas, engrenagem de eixo comando e virabrequim.

Imagem do Polimotor utilizado no IMSA. Fonte: [2].

Imagem do Polimotor utilizado no IMSA. Fonte: Duddha.me [2].

O patrocínio foi providenciado pela Amoco, que na época estava interessada em divulgar as capacidades do recém desenvolvido Torlon, e a estréia da equipe Polimotor research se deu em julho de 1984, nas 6 Horas de Watkings Glenn. O carro classificou-se em uma distante 41ª posição, e no dia da corrida ocorreu uma falha no motor antes mesmo que o carro pudesse completar uma volta. Depois disso vieram as 500 Milhas em Road America, que resultaram em 59ª posição no grid de largada, e novamente em abandono por razões não identificadas. Em 1984 a equipe ainda participaria da prova de 500 km em Watkins Glen, resultando novamente em abandono.

Detalhe da instalação do Polimotor. Fonte: duddha.me [3].

Detalhe da instalação do Polimotor. Fonte: duddha.me [2].

Para 1985 o time voltou, mas o resultado nas duas primeiras provas repetiu aquilo que havia ocorrido no ano anterior. Contudo, em maio veio a prova de 2 Horas em Lime Rock, de menor duração e também com poucos inscritos (cinco na categoria Lights onde o time da Polimotor competia). Dessa vez o carro finalmente conseguiu chegar ao fim (a 19 voltas do vencedor da categoria, diga-se de passagem), mas vale salientar que foi um dos três que conseguiu finalizar a prova, garantindo o primeiro pódio para um carro equipado com motor plástico. Após essa prova vieram os 500 Km de Mid-Ohio, que voltaram a resultar em abandono (mas que ainda assim foi a 5ª posição em 8 inscritos). A última prova da qual a Polimotor participou foram as 500 Milhas em Road America, e dessa vez tudo correu surpreendentemente  bem: nos treinos a equipe conseguiu classificar o carro em 4º dentro da categoria, e no final da prova também pode atingir a 4ª colocação, a apenas 6 voltas do vencedor da categoria Lights. Mesmo com esses resultados e a grande exposição na mídia, a verdade é que nenhum fabricante de automóveis se interessou pelo conceito, o que acabou levando o conceito do Polimotor para a gaveta das boas idéias que acabam não se realizando. Após sua aposentadoria, a Amoco utilizou o T616 em programas de recrutamento em universidades até 1996, e hoje o modelo se encontra em uma coleção particular, mas sem seu motor de plástico.

Lola T616 equipado com o Polimotor na pista. Fonte: drive2.ru [4].

Lola T616 equipado com o Polimotor na pista. Fonte: drive2.ru [3].

Histórico em competições:

1984
CORRIDA  PILOTO POSIÇÃO
1 Hora de Lime Rock Não compareceu
6 Horas de Watkins Glenn  Peter Kuhn  Abandonou
500 Milhas de Road America Peter Kuhn Abandonou
500 Quilômetros de Watkins Glenn Peter Kuhn 35º (15º na categoria GTP)
1985
500 Quilômetros de Road Atlanta Tim Coconis / Peter Argetsinger Abandonou
600 Quilômetros de River Side Tim Coconis Abandonou
2 Horas de Lime Rock Peter Argetsinger 11º (3º na categoria GTP Lights)
500 Quilômetros de Mid-Ohio  Peter Argetsinger / Michael Argetsinger Abandonou
500 Milhas de Road America Peter Argetsinger / Herm Johnson 17º (4º na categoria GTP Lights)

Polimotor 2

Porém, esse hiato no conceito de motores de plástico durou até 2015, quando a multinacional do setor químico Solvay (que entre outras, é hoje proprietária da Amoco), resolveu que ressuscitar o projeto do motor em plástico seria uma plataforma ideal para marketing da sua nova linha de polímeros.

Polimotor 2, dessa vez desenvolvido com o apoio da Solvay. Fonte: [3].

Polimotor 2, dessa vez desenvolvido com o apoio da Solvay. Fonte: Solvay [4].

Para tanto eles chamaram Matty Holtzberg para novamente liderar o projeto, que terá como ponto de partida o bloco original, mas dessa vez com um turbocompressor, e com sistema de injeção eletrônica em substituição ao sistema Kugelfischer de injeção mecânica que era usado na década de 80. O objetivo da Solvay é utilizar o máximo de componentes fabricados com os polímeros da empresa, tais como bombas de água e de óleo, corpo da borboleta, coletor de admissão, galeria de combustível, engrenagens do sistema de sincronismo e tubulações de arrefecimento.

Nessa nova versão, a meta é atingir entre 420 e 450 hp a 8000 rpm, com um peso na faixa de 63-67 kg (para efeito de comparação, um motor 1.0 3 cilindros da nova geração, com bloco de alumínio pesa cerca de 90 kg). Apesar do ganho em peso, o conceito de motor plástico apresenta uma grande desvantagem em relação aos convencionais: para que funcione com confiabilidade o sistema de arrefecimento tem que ser mais robusto que o normal, o que implica em perdas aerodinâmicas em relação a outras aplicações. A Solvay pretende instalar o motor em um protótipo Norma M20, que então passará por vários testes durante 2016 até que possa estrear em competição.

Norma M20 que deverá receber o Polimotor 2 ainda em 2016. Fonte: Solvay [3].

Norma M20 que deverá receber o Polimotor 2 ainda em 2016. Fonte: Solvay [4].

Fontes:

Magda, Mike; Plastic Race Engine Returns as Polimotor 2 Project Underway, disponível em: http://www.enginelabs.com/news/plastic-race-engine-returns-as-polimotor-2-project-underway/. Acessado em: 05/04/2016.

#Tech – Polimotor or Plastic and Racing Engine, disponível em: https://duddha.me/2014/07/21/polimotor-plastic-and-racing-engine/.Acessado em: 06/04/2016.

Keebler, Jack; Ford’s impossible plastic engine, disponível em: https://books.google.com.br/books?id=FzCnbu4xM0YC&pg=PA71&lpg=PA71&dq=popular+science+polimotor&source=bl&ots=-ZIZcXc33f&sig=nwGq9e8HiwThD4L1Xs6O7OBoa_0&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwiQvryI2ffLAhWJthoKHVNiAroQ6AEIIzAA#v=onepage&q=popular%20science%20polimotor&f=false. Acessado em: 08/04/2016.

McCosh, Dan; Automotive Newsfront, disponível em: https://books.google.com.br/books?id=4DkGrUmHwRYC&pg=PA16&lpg=PA16&dq=popular+science+polimotor&source=bl&ots=N4__zgAMSo&sig=KOhlBaU5K0DoWTEuf8aesu2t0gs&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwiQvryI2ffLAhWJthoKHVNiAroQ6AEIJzAB#v=onepage&q=popular%20science%20polimotor&f=false. Acessado em 08/04/2016.

Bob Roemer tells the story of the IMSA T616-Polimotor, the racing car with the plastic engine!, disponível em: http://www.lolaheritage.co.uk/scrapbook/004/004.htm. Acessado em 08/04/2016.

The all plastic rececar engine, Polimotor 2, to us Solvay 3D printing powders, disponível em: http://www.tctmagazine.com/3D-printing-news/the-all-plastic-racecar-engine-polimotor-2-to-be/. Acessado em 09/04/2016.

Solvay materials fuel breakthrough innovation of “Polimotor 2” all-plastic car engine, disponível em: http://www.solvay.com/en/media/press_releases/20150518-Polimotor.html. Acessado em: 09/04/2016.

Histórico de competições extraído de Racing Sports Cars: http://www.racingsportscars.com/cars/search-archive.html?make=Lola&eng=Polimotor. Acessado em: 14/04/2016.Imagens

[1]: Retirado de: Keebler, Jack; Ford’s impossible plastic engine, disponível em: https://books.google.com.br/books?id=FzCnbu4xM0YC&pg=PA71&lpg=PA71&dq=popular+science+polimotor&source=bl&ots=-ZIZcXc33f&sig=nwGq9e8HiwThD4L1Xs6O7OBoa_0&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwiQvryI2ffLAhWJthoKHVNiAroQ6AEIIzAA#v=onepage&q=popular%20science%20polimotor&f=false. Acessado em: 08/04/2016.

[2]: Retirado de: #Tech – Polimotor or Plastic and Racing Engine, disponível em: https://duddha.me/2014/07/21/polimotor-plastic-and-racing-engine/.Acessado em: 06/04/2016.

[3]: Retirado de: https://www.drive2.ru/b/953074/. Acessado em 18/04/2016.

[4]: Retirado de: Solvay materials fuel breakthrough innovation of “Polimotor 2” all-plastic car engine, disponível em: http://www.solvay.com/en/media/press_releases/20150518-Polimotor.html. Acessado em: 09/04/2016.

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