GT Legends – Mazda Demio (DW)

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Se você cresceu entre os anos 1990 e 2000, é muito provável que tenha jogados os jogos da série Gran Turismo para PlayStation. Eu me enquadro nesse grupo, e mais do que o próprio jogo, sempre fui atraído pela grande variedade de carros, a maioria dos quais jamais havia ouvido falar. Numa época onde Internet ainda era algo restrito, ter acesso a informações sobre essa grande variedade de carros aguçava minha curiosidade, e com certeza teve um papel importante na minha decisão por cursar Engenharia Mecânica e me dedicar a área automotiva.

O tempo passou, e hoje informações sobre praticamente qualquer assunto são acessíveis através de alguns cliques, então resolvi partir numa jornada de pesquisa para conhecer mais a fundo alguns veículos que marcaram minha experiência nas diversas iterações da franquia Gran Turismo. O resultado dessa busca virá na forma de artigos, cobrindo as principais curiosidades técnicas, e comparando os modelos a veículos similares mais conhecidos, sejam eles nacionais ou importados.

Para iniciar, o primeiro modelo será o Mazda Demio de primeira geração, que era o prêmio da Sunday Cup, primeiro campeonato que podia ser disputado em Gran Turismo 1.

Mazda Demio (DW)

Primeiro é importante localizar o Demio na linha do tempo da história da Mazda. Em 1994 as vendas da marca haviam caído 31% em relação aos números de 1990, despencando de cerca de 1,4 milhões de carros por ano para cerca de 980 mil, principalmente devido a crise imobiliária que assolou o Japão nessa época. Ao mesmo tempo, o mercado ainda apresentava espaço para automóveis compactos, onde a Mazda tinha presença forte com o Revue, que era comercializado pela marca Autozam, criada no início dos anos 90 para vender kei cars e modelos compactos no mercado japonês.

Lançado em 1990, o Autozam Revue também foi vendido como Mazda 121 em mercados fora do Japão. Fonte: productioncar.com [1].

Percebendo que o perfil do consumidor desse tipo de carro estava mudando, o Demio foi desenvolvido sobre a plataforma DW da Mazda, uma evolução da plataforma D criada em 1986 e aplicada em diversos carros, como o próprio Revue. Com isso o tempo e custos de desenvolvimento puderam ser reduzidos, através do uso de diversos componentes já aplicados em outros modelos, e o time de engenharia pode se concentrar no design e arquitetura, que foi apresentado um ano antes do lançamento no mercado japonês no carro conceito BU-X apresentado no Salão de Tóquio de 1995.

Mazda BU-X sendo apresentado durante o Salão de Tóquio de 1995. O design já trazia traços da onda dos aventureiros urbanos que se popularizou no final da década. Fonte: teacup [2].

Comparando os dois modelos, a quebra de paradigma foi enorme, saindo de um pequeno sedã estilo bubble car (estilo de carros arredondados, muito comum na época), para um estilo mais quadrado, trazendo elementos das minivans para o segmento de hatchbacks.

O Demio de produção manteve as linhas gerais do conceito BU-X, mas de forma menos rebuscada. Fonte: silverdice.us [3].

O nome Demio foi derivado do latim meus, um pronome possessivo similar ao pronome “meu” do português, e a recepção não poderia ter sido melhor. Já no ano de lançamento recebeu o prêmio RJC de melhor carro do ano, e as vendas decolaram, chegando a mais de 100 mil unidades em ano de produção, o que o levou a ser chamado de “salvador da Mazda”, que enfrentava graves problemas financeiros após a crise econômica que assolou o Japão no início da década de 90. O pequeno carro foi vendido em diversos mercados com os mais variados nomes: Mazda 121 Metro na Austrália, Ford Festiva Mini Wagon no Japão, Mazda 121 na Europa, sendo fabricado no Japão, Espanha e na Colombia até 2005.

Fonte:carsguide.com.au [4].

Construção e desempenho

Comparado aos carros brasileiros da mesma época, o Demio apresenta construção e dimensões similares, a exceção da altura consideravelmente maior, e da capacidade do porta-malas, ambos motivados pelo design estilo minivan.

As dimensões e linhas gerais do Demio, por sinal, inspiraram diversos modelos que foram lançados na virada dos anos 2000, tanto no mercado japonês quanto em outros mercados.

Também por causa da maior altura da carroceria, chama a atenção a elevada resistência ao rolamento a 100 km/h, motivada principalmente pela maior área frontal, já que o coeficiente aerodinâmico declarado está na média do veículos dessa categoria. Isso ajuda a explicar em parte a menor velocidade máxima, mesmo tendo um motor mais potente que qualquer similar brasileiro.

Já a aceleração, devido ao baixo peso, está em linha com os modelos brasileiros, apesar de também não ser um destaque.

O sistema de suspensão apresenta a solução típica encontrada em carros compactos, independente do tipo McPherson na dianteira e por eixo rígido na traseira, com o refino de discos de freio ventilados na dianteira e os tradicionais tambores na traseira. O grande diferencial é a atenção dada a segurança passiva, presente na forma de ABS e air-bag para motorista de série, algo que impensável no Brasil dos anos 1990.

Internamente, o Demio inovou o mercado de carros pequenos, trazendo características que até então não existiam no segmento. Versatilidade foi uma palavra-chave no desenvolvimento, com direito a bancos traseiros bipartidos e corrediços, com curso de deslizamento de 60 mm, permitindo otimizar o espaço no porta-malas ou para os passageiros.

Em vermelho detalhe da alavanca que permite o avançamento total do banco traseiro.

O sistema de rebatimento dos bancos traseiros do Demio, por sinal, merece atenção a parte. Além do sistema de rebatimento convencional, os encostos de cabeça podem ser retirados, e com o acionamento de uma pequena alavanca sob o banco traseiro esquerdo o conjunto todo pode ser avançado até praticamente encostar nos bancos dianteiros. Outro par de alavancas permite destravar o banco para dobrá-lo, de forma a liberar o máximo de espaço para cargas.

O resultado desse sistema: com os bancos traseiros completamente dobrados e avançados, o espaço para bagagens sobe para impressionantes 679 litros, e com o benefício de um fundo completamente plano, uma condição respeitável para um hatchback compacto.

Fonte: NetCarShow.com [5].

Além disso, os bancos dianteiros e traseiros podem ser totalmente reclinados, uma solução similar a presente na primeira geração do Renault Twingo de 1992.

Fonte: cars-data.com [6].

No painel, o estilo é típico dos compactos dos anos 90, com linhas arredondadas e abundância de plásticos duros. Os mostradores resumem-se ao mínimo, com velocímetro, hodômetro total e parcial, e marcadores de temperatura do líquido de arrefecimento e nível de combustível. No console central fica posicionado o rádio, um relógio digital e um pequeno porta-objetos, e logo abaico ficam os controles do ar-condicionado.

De série todas as versões vinham equipadas com ar-condicionado manual e rádio com CD player. O acabamento e o padrão dos materiais, contudo, não é nada surpreendente, sendo similar ao empregado em carros da mesma categoria no Brasil. Chama a atenção, porém, a presença de retrovisores com ajuste e rebatimento elétrico, algo que ainda hoje não é presente nos compactos nacionais.

Fonte: cars-data.com [6].

Motor

O Demio foi vendido com duas opções de motores da série B de motores Mazda.Essa família de motores foi lançada em 1985, e entre outros, engloba os motores que equiparam o Mazda MX-5/Roadster entre 1989 e 2005.

Adaptado de: b-parts.com [7].

O compacto, no entanto,  recebeu versões bem mais mansas, na forma dos motores B3-ME e B5-ME, respectivamente com 1,3 e 1,5 litros de deslocamento. Esses motores eram relativamente modernos em 1996, contando com blocos de ferro fundido, cabeçotes SOHC de alumínio, 16 válvulas e injeção eletrônica multiponto. O único senão era o fato de contar com distribuidor eletrônico, algo que mesmo no Brasil já se tornava obsoleto na época.

Apesar disso, o desempenho nada deve a qualquer motor brasileiro da época (o motor Zetec-SE do Fiesta estava definitivamente um nível acima dos demais como concepção, porém este era importado da Europa e nunca foi nacionalizado no Brasil). A potência e torque desenvolvidos são impressionantes para a cilindrada, e como todo motor 16V sem mecanismos de variação de fase, tanto torque quanto potência máxima são atingidos em rotações consideravelmente elevadas.

Outra característica curiosa desse motor é o posicionamento da bomba de água. Sua voluta é integrada ao centro do bloco, porém diferente de motores como o FIRE da Fiat ou o Família 1 da GM, a bomba é acionada pela correia de auxiliares. Essa solução adiciona uma complicação a mais para a montagem e não apresenta nenhuma vantagem evidente, já que a troca da bomba d’água invariavelmente exige a retirada do sistema de sincronismo.

Fonte: 2carpros.com [8].

Mazdaspeed Demio A-spec

Chegamos agora a parte final desse post. Em 1999 a Mazda tomou para si a operação da Mazdaspeed, uma empresa especializada na preparação e venda de acessórios para veículos Mazda. Nesse mesmo ano, foi lançado o Demio A-spec, modelo mais acessível da gama da preparadora.

Fonte: iheartjapanesecars [9].

Baseado na versão GL-X, podia receber kits aerodinâmicos, molas e amortecedores mais rígidos, barras estabilizadoras, novos coletores de descarga, filtro de ar, cabos de vela e acabamento interno personalizado.

O acabamento do interior da versão A-spec difere pouco da versão GL-X, porém consegue trazer um ar mais jovial e esportivo ao modelo.

Esse era o modelo que se ganhava como prêmio da Sunday Cup do Gran Turismo 1, e que apesar de não ter um desempenho tão marcante nas pistas virtuais, com certeza está vivo na memória daqueles que jogaram GT1.

Em 2003 uma nova geração do Demio foi lançada, mantendo os pontos fortes mas se aprimorando frente a competidores mais modernos como Honda Fit e Mitsubishi Colt. Hoje o Demio (ou Mazda 2 fora do Japão) se encontra em sua quarta geração, e continua sendo um dos pilares da estratégia comercial da Mazda globalmente, estando presente em todos os continentes onde a montadora nipônica está presente.

Fontes:

Mazda Demio, disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Mazda_Demio. Data de acesso: 02/11/2017.

Used Mazda 121 Review: 1996-2002, disponível em: https://www.carsguide.com.au/car-reviews/used-car-review-mazda-121-metro-1996-2002-13288. Data de acesso: 06/11/2017.

マツダスピード A-SPEC(ラスト), disponível em: http://demio.ti-da.net/e1775761.html. Data de acesso: 09/11/2017.

マツダ 1996 デミオ(DW型), disponível em: http://www.wald-licht.com/~oldcar/96_m_demio_01.html. Data de acesso: 08/11/2017.

マツダ・デミオ, disponível em: https://ja.wikipedia.org/wiki/%E3%83%9E%E3%83%84%E3%83%80%E3%83%BB%E3%83%87%E3%83%9F%E3%82%AA. Data de acesso: 10/11/2017.

1996 Mazda Demio, disponível em: http://mazda-demio.info/specs/1996_aug/specs_gl-x/. Data de acesso: 08/11/2017.

Comparativo entre Volkswagen Gol, Fiat Palio, Ford Fiesta e Chevrolet Corsa, disponível em: http://www.carrosnaweb.com.br/resultcompara.asp?modelos=243-6403-236-228. Data de acesso: 03/11/2017.

Comparativo entre Honda Fit, Ford Fiesta, Volkswagen Fox e Chevrolet Meriva, disponível em: http://www.carrosnaweb.com.br/resultcompara.asp?modelos=436-539-8136-383. Data de acesso: 04/11/2017.

Imagens:

[1]: Retirado de: Mazda Autozam Revue, disponível em: http://www.productioncars.com/gallery.php?car=9198&make=Mazda&model=Autozam. Data de acesso: 08/11/2017.

[2]: Retirado de: フェスティバミニワゴンに乗ってる, disponível em: http://green.ap.teacup.com/festivaminiwagon/6.html. Data de acesso: 08/11/20177.

[3]: Retirado de: 2000 Mazda Demio, disponível em: http://silverdice.us/2000-mazda-demio/26855/. Data de acesso: 05/11/2017.

[4]: Retirado de: Used Mazda 121 Review: 1996-2002, disponível em: https://www.carsguide.com.au/car-reviews/used-car-review-mazda-121-metro-1996-2002-13288. Data de acesso: 06/11/2017.

[5]: Retirado de: Mazda Demio (2000), disponível em: https://www.netcarshow.com/mazda/2000-demio/. Data de acesso: 09/11/2017.

[6]: Retirado de: Mazda Demio 1.3 Comfort 2000 – 2003, disponível em: http://www.cars-data.com/en/mazda-demio-1.3-comfort-specs/21877. Data de acesso: 07/11/2017.

[7]: Adaptado de: Complete Engine MAZDA DEMIO (DW) 1.5 16V, disponível em: https://www.b-parts.com/en/store/products/84870/Kompletter-Motor–MAZDA-DEMIO-DW-15-16V-75hp-B5-E-2000-2001-2002-2003. Data de acesso: 08/11/2017.

[8]: Retirado de: 1994 Mazda 121 car overheating, disponível em: https://www.2carpros.com/questions/1994-mazda-121-car-overheating. Data de acesso: 06/11/2017.

[9]: Retirado de: 96-02 1st gen Mazda Demio (DW3W/DW5W), disponível em: https://iheartjapanesecars.wordpress.com/2016/03/09/96-02-1st-gen-mazda-demio-dw3w-dw5w/. Data de acesso: 07/11/2017.

 

 

 

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Os melhores carros do Grupo C

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Após a crise do petróleo na década de 1970, a organização das 24 Horas de Le Mans aproveitou o espirito de incentivo a economia de combustível e criou uma nova categoria que limitava a quantidade de combustível disponível para completar a prova a 5 reabastecimentos para uma distância de 1000 km, com a capacidade máxima do tanque fixada em 100 litros. Para 1982, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) resolveu adotar os mesmos princípios para aquela que seria a classe máxima para carros esportes, o Grupo C. Com provas disputadas entre 1982 e 1994 utilizando essas regras, a era de ouro da provas de longa duração aconteceu, com a popularidade das provas de Grupo C rivalizando com  a da Fórmula 1. Essa era deu origem a alguns dos mais incríveis carros de corrida da história, e veremos abaixo 10 dos mais incríveis que surgiram nesse período:

10º Porsche 956 (1982-1986)

Porsche_956

Criado para atender as regras recém estabelecidas para o Grupo C, o 956 veio para substituir o bem-sucedido Porsche 936 do antigo Grupo 6. Foi o primeiro a utilizar uma transmissão de dupla-embreagem e o primeiro Porsche a contar com efeito-solo e com um monocoque de alumínio, era equipado com o motor Type-935, um seis cilindros boxer de 2,65 litros de 635 cavalos projetado originalmente para carros de Fórmula Indy. Aproveitando-se da experiência com o Porsche 917k/81 utilizado pela Kremer para o desenvolvimento aerodinâmico e já tendo testado o novo motor no Porsche 936 vencedor das 24 Horas de Le Mans em 1981, a Porsche chegou para a temporada de 1982 com um veículo extremamente veloz e confiável. Foi o carro vencedor das 24 Horas de Le Mans em 1982, 83, 84 e 85. Junto a sua evolução, o Porsche 962, é considerado por muitos o maior carro de corrida da história.

9º Lancia LC2 (1983-1991)

Lancia_LC2

No inicio da década de 1980, a grande rival da Porsche nas provas de endurance era a Lancia. Com a obrigatoriedade de que os carros atendessem ao regulamento do Grupo C para somar pontos no campeonato mundial de endurance de 1983, a Lancia se viu forçada a desenvolver um novo modelo para substituir o LC1, construído conforme o regulamento do antigo Grupo 6. Sem possuir um motor adequado para o novo regulamento, eles se aproveitaram de estar sob a mesma bandeira do Grupo Fiat para utilizar com base para o motor o recém lançado V8 de 3 litros que equipava a Ferrari 308 GTBi QV. Para torna-lo competitivo, a cilindrada foi reduzida para 2,6 litros e dois turbocompressores KKK foram adicionados. Já o chassi foi desenhado em conjunto pelas italianas Abarth e Dallara, um monocoque de alumínio com carroceria de kevlar e fibra de carbono. Os carros competiram em 42 provas pela equipe oficial Martini Racing, e apesar de mais potentes e velozes que os Porsche 956 (nesse período, conquistaram 13 pole-positions), os modelos italianos sempre sofreram com problemas de confiabilidade a conseguiram apenas 3 vitórias. Após 1986, a Lancia resolveu focar nas competições de rally, porém alguns LC2 continuaram a participar de provas nas mãos de equipes privadas, sem atingir sucesso.

8º Porsche 962 (1985-1994)

Porsche_962

Enquanto a FIA ainda começava a implantar o Grupo C no continente europeu, nos Estados Unidos a IMSA passou a adotar já em 1981, um regulamento muito similar para sua categoria máxima, a GTP. As diferenças em relação ao Grupo C eram a inexistência da limitação da quantidade de combustível e mais algumas diferenças menores. Interessada no marketing que poderia ganhar ao vencer em terras norte-americanas, a Porsche tentou inscrever seu modelo 956 para as provas do IMSA, tendo a entrada negada justamente por quebrar uma dessas regras menores, relativa ao quesito segurança, que dizia que os pés do piloto deveriam ficar posicionados atrás do eixo dianteiro do carro. Para poder competir, uma variação do 956 foi criada, o 962. Além disso outra modificações foram feitas na estrutura para torná-la mais rígida, e devido a questões de regulamento o motor 2.6 biturbo foi substituído por um 2.8 com apenas um turbocompressor. Para as provas na Europa a Porsche também passaria a utilizar esse modelo, com a designação 962C e com motores 3.2 biturbo, vencendo as 24 Horas de Le Mans em 1986 e 1987. Com o fim do apoio oficial de fábrica e já começando a sentir o peso da idade, diversas equipes independentes passaram a desenvolver atualizações e melhorias para o 962, mantendo o modelo competitivo até 1994, quando venceu sua última prova, os 1000 km de Fuji.

7º Sauber C9 Mercedes-Benz (1987-1990)

Sauber_C9

Se hoje o nome Sauber é associado a Fórmula 1, na década de 1980 a equipe suíça era um dos nomes mais fortes do mundo dos esporte-protótipos. Em associação com a Mercedes-Benz, o time de Peter Sauber reviveu a lenda das flechas de prata. Na estréia em 1987 o carro se mostrou pouco confiável e os resultados foram decepcionantes, e para 1988 o time veio mais forte, conseguindo o segundo lugar no campeonato mundial de endurance, mas em Le Mans o time acabou por desistir da competição temerário por problemas com seus pneus Michelin. Em 1989, novamente o time manteve o C9, dessa vez com um revisado motor M119 5.0 V8 turbo capaz de entregar 720 cv, que garantiu a primeira fila para o time, atingindo uma velocidade máxima de 398 km/h na reta Mulsanne (o que levou a adoção de duas chicanes a partir de 1990, devido a preocupação com as velocidades cada vez maiores). A prova transcorreu de forma tranquila, e terminou com uma dobradinha do time suíço-germânico. O C9 ainda disputaria o resto da temporada de 1989 garantindo o título para a Sauber e as duas primeiras provas da temporada de 1990, quando foi substituído pelo agora Mercedes-Benz C11.

6º Spice SE88C Cosworth (1988-1990)

Um ano após o estabelecimento do Grupo C, os custos para competir já se tornavam elevados, com montadoras como Porsche e Ford gastando quantidades consideráveis de dinheiro para desenvolver sues modelos. Para permitir que as equipes privadas pudessem continuar a competir, a FIA estabeleu um novo conjunto de regras, para carros mais leves e com motores menores, que pudessem ser mais baratos de fabricar e manter. Chamada de C Junior (depois mudado para C2), essa categoria viu disputas de vários pequenos fabricantes, em sua maioria europeus. A fabricante mais bem sucedida foi a Spice Engineering, que começou como equipe correndo com carros Tiga, e passou a construir seus próprios modelos em 1986. Sempre equipados com motores Cosworth DFL (uma evolução dos vitoriosos DFV que competiram na F1 entre 1967 e 1983), o modelo mais vitorioso foi sem duvidas o SE88C, criado para a temporada de 1988 que venceu os campeonatos Mundiais da categoria em 1988 e 1989, além de vencer, também em sua classe, as 24 Horas de Le Mans de 1988.

5º WM P88 Peugeot (1988)

WM_P88

Formada por dois engenheiros da Peugeot, a pequena construtora independente WM entrou para a prova de 1988 com um único objetivo: atingir a maior velocidade já registrada na longa reta Mulsanne. Apesar de não ser uma equipe de fábrica, ela contava com algum apoio da Peugeot, na forma de motores PRV V6 de 2850 cm³ (gerando cerca de 850 hp) e acesso a ferramentas de desenvolvimento aerodinâmico. O recém-apresentado P88 teve um baixo desempenho na classificação, ficando apenas com a 36ª posição. Durante a prova o modelo apresentou diversos problemas, e após um pit-stop de três horas voltou para a pista e estabeleceu um novo recorde de velocidade com incríveis 405 km/h, abandonando logo em seguida por superaquecimento. Apesar de não ter atingido nenhum resultado expressivo em corridas, o modelo atingiu seu objetivo de ter o recorde de velocidade na pista francesa.

Jaguar XJR9 (1988-1989)

Jaguar_XJR9

Desenvolvido pela Tom Walkinshaw Racing (TWR) para a Jaguar, o XJR9 era uma evolução do XJR8 que competiu em 1987. Equipado com um motor V12 de 7 litros, derivado do utilizado pelo Jaguar XJS, possuía um dos sons mais belos dos carros de seu tempo. Porém, mais do que soar bem, era um excelente carro de corrida que foi capaz de vencer as 24 Horas de Daytona, as 24 Horas de Le Mans e o campeonato mundial de endurance de 1988. Para 1989 o modelo continuo a competir, porém já estrava ultrapassado e foi incapaz de obter vitórias nessa temporada. Além de seu histórico em competições, o modelo serviu de base para o primeiro superesportivo da Jaguar, o XJR-15, lançado em 1990.

Nissan R90CK (1990)

Nissan_R90CK

Desenvolvido como evolução do R89C de 1989, o R90CK difere dos outros modelos até agora presentes na lista, já que não venceu nenhuma das provas que disputou. O motivo pelo qual é lembrado, contudo, foi a heroica volta realizada por Martin Brundle durante os treinos de classificação de Le Mans. Devido a um problema nas válvulas de alívio do turbocompressor, o motor passou acima de 1100 cavalos, tornando o carro praticamente incontrolável. Mesmo com os avisos do time para que parasse o carro, Brundle resolveu seguir em frente e numa demonstração de perícia garantiu a pole-position com uma margem de 6 segundos para o Porsche 962C que ficou na segunda colocação.

Mazda 787B (1991)

Mazda_787B

O único carro japonês a vencer em Le Mans, o Mazda 787B na verdade nunca foi dos mais velozes do grupo. Na época a FIA estava movendo o Campeonato Mundial de Endurance do antigo regulamento de motor livre com limite de combustível para a prova para um novo, onde deveriam ser usados motores similares aos da Fórmula 1 na época, aspirados com 3.5 litros. Como forma de tornar a transição suave, foi permitido que os carros que se enquadravam no antigo regulamento continuassem a competir, porém com um aumento no peso mínimo o que os tornava menos competitivos frente aos novos modelos. Contudo, a Mazda foi capaz de convencer a FISA que os 787 deveriam correr com um peso mínimo inferior, de 830 kg em relação aos outros competidores. Dessa forma, a equipe participou do campeonato de 1991 sem grandes resultados, porém em Le Mans o chefe de equipe ordenou que os pilotos do carro 55 (um dos três enviados para a França) corressem como se estivessem em uma corrida curta, sem se preocupar com conservar o carro ou economia de combustível. Para a surpresa de todos, o carro se manteve sem problemas durante toda a prova e sagrou-se vencedor ao final da prova, guiado pelo inglês Johnny Herbert.

Peugeot 905B (1992-1993)

Peugeot_905B

Aproveitando as mudanças no regulamento que entrariam em vigor em 1991, com a adoção de motores similares aos da Fórmula 1, a Peugeot decidiu que era hora de tentar a sorte no campeonato mundial de endurance. Sob a direção de Jean Todt, foi criado o Peugeot 905, que fez sua estréia na temporada de 1990. Mesmo sendo mais lento que os antigos modelos do Grupo C, o modelo demonstrou potencial por ser o mais rápido dentre os carros que se enquadravam nas novas regras. Apesar da expectativa de sucesso para 1991, o aparecimento do Jaguar XJR-14 tornou o 905 totalmente obsoleto de uma hora para outra. Para contra atacar isso, o time da Peugeot trabalhou em uma versão totalmente atualizada da aerodinâmica, mantendo o mesmo chassi de fibra de carbono construído pela Dassault. Conhecido como 905B, o modelo terminou a temporada vencendo as provas de Magny-Cours e do México, garantindo a segunda colocação no Mundial para a montadora francesa. Para 1992, a Peugeot voltou com força total, dessa vez enfrentando competição apenas da Toyota no mundial e o ano terminou com vitória nas 24 Horas de Le Mans  e o titulo do campeonato mundial de endurance. Com o mundial não sendo realizado em 1993 devido a falta de interessados, a Peugeot focou em preparar o 905 para as 24 Horas de Le Mans, onde os carros da montadora francesa fecharam as três primeiras colocações. O motor V10 ainda foi utilizado na Fórmula 1 entre os anos de 1994 e 2000 por equipes como McLaren, Jordan e Prost, e ainda equiparam Arrows e Minardi sob o nome Asiatech, um consórcio asiático liderado por Enrique Scalabroni que comprou os direitos sobre os motores franceses.

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