Você já ouviu falar da Matra brasileira?

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Logo_Matra

Você já ouviu falar da montadora Matra? Provavelmente os pistonheads vão se lembrar da empresa francesa, que produziu belos carros esportivos e foi campeã de construtores da Fórmula 1 em 1969, além de ter vencido as 24 Horas de Le Mans por três vezes consecutivas.

Matra MS80 Cosworth, como o utilizado por Sir Jackie Stewart para ser campeão de pilotos em 1969. Fonte: Wikipedia.

Matra MS80 Cosworth, como o utilizado por Sir Jackie Stewart para ser campeão de pilotos em 1969. Fonte: Wikipedia [1].

O que poucos devem saber é que, aqui no Brasil, já tivemos a nossa própria Matra. Diferente da francesa, e sem nenhuma relação além do nome, a empresa brasileira foi fundada pelo produtor rural e empresário Nivaldo Rubens Trama e começou sua produção em 2001, com a Picape 2.5 TB-IC. Essa picape foi projetada visando um nicho que ficou carente com o fim da produção do Toyota Bandeirante, de veículos espartanos capazes de atender o uso nas condições mais severas.

O fim da produção do Bandeirante em 2001 deixou produtores rurais e mineradoras órfãos de uma picape robusta e capaz de enfrentar qualquer desafio. Fonte: mcastanho.com [2].

O fim da produção do Bandeirante em 2001 deixou produtores rurais e mineradoras órfãos de uma picape robusta e capaz de enfrentar qualquer desafio. Fonte: mcastanho.com [2].

Fruto de um investimento de cerca de US$1,5 milhão, que incluem uma linha de montagem estabelecida na cidade de Ibaiti, no norte pioneiro do Paraná, o modelo conta com muitos componentes encontrados em outros veículos, porém o chassi foi desenvolvido pela própria Matra, sobre o qual foi montada uma cabine inteiramente feita de fibra de vidro.

A fábrica da Matra em Ibaiti tinha capacidade para produzir até 1800 veículos por ano. Fonte: Montadoras brasileiras [3].

A fábrica da Matra em Ibaiti tinha capacidade para produzir até 1800 veículos por ano. Fonte: Montadoras brasileiras [3].

O visual é bem chamativo, se não curioso, principalmente pela exótica combinação da frente curta e acentuada com um cabine alta (2,24 metros). O painel de instrumentos tem moldura externa quadrada, e os mesmos se  limitam ao velocímetro, marcadores de nível de combustível e de temperatura e hodômetro total.

Fonte: Arquivo pessoal.

Fonte: Arquivo pessoal.

A visibilidade é boa devido a elevada altura e a ampla área envidraçada e o acabamento, apesar de rústico apresenta bom nível de isolamento acústico, principalmente levando-se em conta que o motor invade parte da cabine, ficando quase entre os bancos. O acabamento, pelo contrário, é um ponto negativo, apresentando encaixes imperfeitos e rebarbas por todo o habitáculo, mas pelo menos a limpeza pode ser realizada facilmente devido a cabine ser feita de fibra de vidro. O motor é uma unidade International Maxion HS Turbo Diesel com intercooler, 2.5 de 115 cv a 3800rpm e torque de 29 mkgf a 1600 rpm e a tomada de ar situa-se em posição elevada em relação ao solo, além de contar com um sistema de filtragem de ar projetado especificamente para terrenos empoeirados, garantindo maior vida útil para o motor. A transmissão é uma Eaton FS2305 igual a utilizada nos Land Rover Defender nacionais, mas com montagem invertida, de forma que primeira, terceira e quinta marchas são engatadas com a alavanca posicionada para trás, e segunda, quarta e ré com a alavanca para frente. O modelo estava disponível em versões de cabine simples, estendida e dupla, chassi curto e longo e tração 4×2 ou 4×4.

O interior é realmente bem espartano, contando apenas com o básico para motorista e passageiros. Fonte: Arquivo pessoal.

O interior é realmente bem espartano, contando apenas com o básico para motorista e passageiros. Fonte: Arquivo pessoal.

O desempenho do veículo é de certa forma surpreendente, sendo possível manter uma velocidade de cruzeiro de 70 km/h com alguma força de sobra para ultrapassagens. Acima de 80 km/h, entretanto, o veículo torna-se instável e apesar da boa empunhadura do volante o banco não segura bem o corpo do motorista, exigindo um certo esforço para guiar o veículo. Incomoda também a proximidade entre os pedais devido ao ressalto que acomoda parte do motor na cabine, mas se for observado o uso a que o veículo se destina esses são fatores de menor importância.

Nestas duas imagens é possível ver as diferenças entre o modelo 2001 (azul) e os modelos fabricados a partir de 2002(verde). Fonte: Arquivo pessoal.

Nestas duas imagens é possível ver as diferenças entre o modelo 2001 (azul) e os modelos fabricados a partir de 2002(verde). Fonte: Arquivo pessoal.

Em 2002, o veículo sofreu uma revisão na cabine, além de pequenas alterações estéticas. Inicialmente estava disponível em versões de cabine simples e estendida com freios a tambor nas quatro rodas, sendo que a versão chassi curto já vinha com caçamba, enquanto a versão chassi longo  poderia ser equipada opcionalmente com caçamba de alumínio, de madeira ou baú. A versão cabine dupla foi lançada na 10.ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow) em 2003, assim como a opção de freios a disco nas rodas dianteiras.

A opção de cabine dupla foi lançada durante o Agrishow em 2003. Fonte: Montadoras brasileiras [3].

A opção de cabine dupla foi lançada durante o Agrishow em 2003. Fonte: Montadoras brasileiras [3].

Após três anos foram produzidas 116 picapes, das quais 46 foram exportadas para a Argentina e o Uruguai, e em 2004, a empresa contava com 23 pontos de venda, distribuídos por oito estados e tinha planos para lançar um chassi para microônibus e um caminhão com capacidade para quatro toneladas em 2005, porém a empresa fechou as portas ainda em 2004, pois com planos de vender 500 unidades nos três primeiros anos o negocia havia se tornado inviável. Segundo o próprio Nivaldo, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo: “Era um mercado segmentado demais. Não conseguimos vencer a concorrência das picapes tradicionais”. Após o encerramento da produção todo o maquinário foi vendido para um grupo amazonense e transferido para Manaus.

Fontes:

Matra lança linha 2002 do seu versátil picape. Disponível em: http://www.parana-online.com.br/editoria/policia/news/18072/. Acessado em: 16/09/2010.

Matra lança na Agrishow nova picape cabine dupla. Disponível em: http://www.parana-online.com.br/canal/automoveis/news/47132/?noticia=MATRA+LANCA+NA+AGRISHOW+NOVA+PICAPE+CABINE+DUPLA. Acessado em: 16/09/2010.

Matra, outro fabricante nacional. Disponível em: http://bestcars.uol.com.br/nasser/113n-2.htm. Acessado em: 16/09/2010.

Dutra, Roberto. Um esquisitão em via pública. Disponível em: http://www2.uol.com.br/tododia/ano2004/marco/070304/veiculos.htm. Acessado em: 16/09/2010.

Olegário Concessionário Matra veículos. Disponível em: http://www.olegario.com.br/matra.php. Acessado em: 16/09/2010.

Matra. Disponível em: http://www.geocities.ws/montadorasbrasileiras/matra/matra.htm. Acessado em 16/09/2010.

Durou três anos o sonho de montar picapes em Ibaiti. Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/durou-3-anos-o-sonho-de-montar-picapes-em-ibaiti-a78xt975xhfedp8lijjmysuha. Acessado em 03/07/2016.

Imagens:

[1]: Retirado de: Wikipedia.

[2]: Retirado de: Toyota Bandeirante …um bravo e velho guerreiro 4×4… Disponível em: http://mcastanho.com/jipesoujeeps/toyotabandeirante.html. Acessado em 03/07/2016.

[3]: Retirado de: Matra. Disponível em: http://www.geocities.ws/montadorasbrasileiras/matra/matra.htm. Acessado em 16/09/2010.

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular 2016 – Parte 1

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Como muitos já devem ter visto, recentemente o INMETRO divulgou a tabela do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) 2016. Para quem ainda não sabe, esse programa visa que todos os carros vendidos até 2017 recebam etiquetas similares aquelas encontradas nos eletrodomésticos, para guiar os consumidores sobre o quão econômico são os modelos em relação as opções disponíveis no mercado, se tornando uma ferramenta de grande valor para os público. Mas, apesar da importância, a maioria das pessoas não sabe muito sobre como esses testes são realizados, o que leva a uma certa desinformação, principalmente pelos “engenheiros” de Internet. Continuar lendo

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn