GT Legends – Mazda Demio (DW)

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Se você cresceu entre os anos 1990 e 2000, é muito provável que tenha jogados os jogos da série Gran Turismo para PlayStation. Eu me enquadro nesse grupo, e mais do que o próprio jogo, sempre fui atraído pela grande variedade de carros, a maioria dos quais jamais havia ouvido falar. Numa época onde Internet ainda era algo restrito, ter acesso a informações sobre essa grande variedade de carros aguçava minha curiosidade, e com certeza teve um papel importante na minha decisão por cursar Engenharia Mecânica e me dedicar a área automotiva.

O tempo passou, e hoje informações sobre praticamente qualquer assunto são acessíveis através de alguns cliques, então resolvi partir numa jornada de pesquisa para conhecer mais a fundo alguns veículos que marcaram minha experiência nas diversas iterações da franquia Gran Turismo. O resultado dessa busca virá na forma de artigos, cobrindo as principais curiosidades técnicas, e comparando os modelos a veículos similares mais conhecidos, sejam eles nacionais ou importados.

Para iniciar, o primeiro modelo será o Mazda Demio de primeira geração, que era o prêmio da Sunday Cup, primeiro campeonato que podia ser disputado em Gran Turismo 1.

Mazda Demio (DW)

Primeiro é importante localizar o Demio na linha do tempo da história da Mazda. Em 1994 as vendas da marca haviam caído 31% em relação aos números de 1990, despencando de cerca de 1,4 milhões de carros por ano para cerca de 980 mil, principalmente devido a crise imobiliária que assolou o Japão nessa época. Ao mesmo tempo, o mercado ainda apresentava espaço para automóveis compactos, onde a Mazda tinha presença forte com o Revue, que era comercializado pela marca Autozam, criada no início dos anos 90 para vender kei cars e modelos compactos no mercado japonês.

Lançado em 1990, o Autozam Revue também foi vendido como Mazda 121 em mercados fora do Japão. Fonte: productioncar.com [1].

Percebendo que o perfil do consumidor desse tipo de carro estava mudando, o Demio foi desenvolvido sobre a plataforma DW da Mazda, uma evolução da plataforma D criada em 1986 e aplicada em diversos carros, como o próprio Revue. Com isso o tempo e custos de desenvolvimento puderam ser reduzidos, através do uso de diversos componentes já aplicados em outros modelos, e o time de engenharia pode se concentrar no design e arquitetura, que foi apresentado um ano antes do lançamento no mercado japonês no carro conceito BU-X apresentado no Salão de Tóquio de 1995.

Mazda BU-X sendo apresentado durante o Salão de Tóquio de 1995. O design já trazia traços da onda dos aventureiros urbanos que se popularizou no final da década. Fonte: teacup [2].

Comparando os dois modelos, a quebra de paradigma foi enorme, saindo de um pequeno sedã estilo bubble car (estilo de carros arredondados, muito comum na época), para um estilo mais quadrado, trazendo elementos das minivans para o segmento de hatchbacks.

O Demio de produção manteve as linhas gerais do conceito BU-X, mas de forma menos rebuscada. Fonte: silverdice.us [3].

O nome Demio foi derivado do latim meus, um pronome possessivo similar ao pronome “meu” do português, e a recepção não poderia ter sido melhor. Já no ano de lançamento recebeu o prêmio RJC de melhor carro do ano, e as vendas decolaram, chegando a mais de 100 mil unidades em ano de produção, o que o levou a ser chamado de “salvador da Mazda”, que enfrentava graves problemas financeiros após a crise econômica que assolou o Japão no início da década de 90. O pequeno carro foi vendido em diversos mercados com os mais variados nomes: Mazda 121 Metro na Austrália, Ford Festiva Mini Wagon no Japão, Mazda 121 na Europa, sendo fabricado no Japão, Espanha e na Colombia até 2005.

Fonte:carsguide.com.au [4].

Construção e desempenho

Comparado aos carros brasileiros da mesma época, o Demio apresenta construção e dimensões similares, a exceção da altura consideravelmente maior, e da capacidade do porta-malas, ambos motivados pelo design estilo minivan.

As dimensões e linhas gerais do Demio, por sinal, inspiraram diversos modelos que foram lançados na virada dos anos 2000, tanto no mercado japonês quanto em outros mercados.

Também por causa da maior altura da carroceria, chama a atenção a elevada resistência ao rolamento a 100 km/h, motivada principalmente pela maior área frontal, já que o coeficiente aerodinâmico declarado está na média do veículos dessa categoria. Isso ajuda a explicar em parte a menor velocidade máxima, mesmo tendo um motor mais potente que qualquer similar brasileiro.

Já a aceleração, devido ao baixo peso, está em linha com os modelos brasileiros, apesar de também não ser um destaque.

O sistema de suspensão apresenta a solução típica encontrada em carros compactos, independente do tipo McPherson na dianteira e por eixo rígido na traseira, com o refino de discos de freio ventilados na dianteira e os tradicionais tambores na traseira. O grande diferencial é a atenção dada a segurança passiva, presente na forma de ABS e air-bag para motorista de série, algo que impensável no Brasil dos anos 1990.

Internamente, o Demio inovou o mercado de carros pequenos, trazendo características que até então não existiam no segmento. Versatilidade foi uma palavra-chave no desenvolvimento, com direito a bancos traseiros bipartidos e corrediços, com curso de deslizamento de 60 mm, permitindo otimizar o espaço no porta-malas ou para os passageiros.

Em vermelho detalhe da alavanca que permite o avançamento total do banco traseiro.

O sistema de rebatimento dos bancos traseiros do Demio, por sinal, merece atenção a parte. Além do sistema de rebatimento convencional, os encostos de cabeça podem ser retirados, e com o acionamento de uma pequena alavanca sob o banco traseiro esquerdo o conjunto todo pode ser avançado até praticamente encostar nos bancos dianteiros. Outro par de alavancas permite destravar o banco para dobrá-lo, de forma a liberar o máximo de espaço para cargas.

O resultado desse sistema: com os bancos traseiros completamente dobrados e avançados, o espaço para bagagens sobe para impressionantes 679 litros, e com o benefício de um fundo completamente plano, uma condição respeitável para um hatchback compacto.

Fonte: NetCarShow.com [5].

Além disso, os bancos dianteiros e traseiros podem ser totalmente reclinados, uma solução similar a presente na primeira geração do Renault Twingo de 1992.

Fonte: cars-data.com [6].

No painel, o estilo é típico dos compactos dos anos 90, com linhas arredondadas e abundância de plásticos duros. Os mostradores resumem-se ao mínimo, com velocímetro, hodômetro total e parcial, e marcadores de temperatura do líquido de arrefecimento e nível de combustível. No console central fica posicionado o rádio, um relógio digital e um pequeno porta-objetos, e logo abaico ficam os controles do ar-condicionado.

De série todas as versões vinham equipadas com ar-condicionado manual e rádio com CD player. O acabamento e o padrão dos materiais, contudo, não é nada surpreendente, sendo similar ao empregado em carros da mesma categoria no Brasil. Chama a atenção, porém, a presença de retrovisores com ajuste e rebatimento elétrico, algo que ainda hoje não é presente nos compactos nacionais.

Fonte: cars-data.com [6].

Motor

O Demio foi vendido com duas opções de motores da série B de motores Mazda.Essa família de motores foi lançada em 1985, e entre outros, engloba os motores que equiparam o Mazda MX-5/Roadster entre 1989 e 2005.

Adaptado de: b-parts.com [7].

O compacto, no entanto,  recebeu versões bem mais mansas, na forma dos motores B3-ME e B5-ME, respectivamente com 1,3 e 1,5 litros de deslocamento. Esses motores eram relativamente modernos em 1996, contando com blocos de ferro fundido, cabeçotes SOHC de alumínio, 16 válvulas e injeção eletrônica multiponto. O único senão era o fato de contar com distribuidor eletrônico, algo que mesmo no Brasil já se tornava obsoleto na época.

Apesar disso, o desempenho nada deve a qualquer motor brasileiro da época (o motor Zetec-SE do Fiesta estava definitivamente um nível acima dos demais como concepção, porém este era importado da Europa e nunca foi nacionalizado no Brasil). A potência e torque desenvolvidos são impressionantes para a cilindrada, e como todo motor 16V sem mecanismos de variação de fase, tanto torque quanto potência máxima são atingidos em rotações consideravelmente elevadas.

Outra característica curiosa desse motor é o posicionamento da bomba de água. Sua voluta é integrada ao centro do bloco, porém diferente de motores como o FIRE da Fiat ou o Família 1 da GM, a bomba é acionada pela correia de auxiliares. Essa solução adiciona uma complicação a mais para a montagem e não apresenta nenhuma vantagem evidente, já que a troca da bomba d’água invariavelmente exige a retirada do sistema de sincronismo.

Fonte: 2carpros.com [8].

Mazdaspeed Demio A-spec

Chegamos agora a parte final desse post. Em 1999 a Mazda tomou para si a operação da Mazdaspeed, uma empresa especializada na preparação e venda de acessórios para veículos Mazda. Nesse mesmo ano, foi lançado o Demio A-spec, modelo mais acessível da gama da preparadora.

Fonte: iheartjapanesecars [9].

Baseado na versão GL-X, podia receber kits aerodinâmicos, molas e amortecedores mais rígidos, barras estabilizadoras, novos coletores de descarga, filtro de ar, cabos de vela e acabamento interno personalizado.

O acabamento do interior da versão A-spec difere pouco da versão GL-X, porém consegue trazer um ar mais jovial e esportivo ao modelo.

Esse era o modelo que se ganhava como prêmio da Sunday Cup do Gran Turismo 1, e que apesar de não ter um desempenho tão marcante nas pistas virtuais, com certeza está vivo na memória daqueles que jogaram GT1.

Em 2003 uma nova geração do Demio foi lançada, mantendo os pontos fortes mas se aprimorando frente a competidores mais modernos como Honda Fit e Mitsubishi Colt. Hoje o Demio (ou Mazda 2 fora do Japão) se encontra em sua quarta geração, e continua sendo um dos pilares da estratégia comercial da Mazda globalmente, estando presente em todos os continentes onde a montadora nipônica está presente.

Fontes:

Mazda Demio, disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Mazda_Demio. Data de acesso: 02/11/2017.

Used Mazda 121 Review: 1996-2002, disponível em: https://www.carsguide.com.au/car-reviews/used-car-review-mazda-121-metro-1996-2002-13288. Data de acesso: 06/11/2017.

マツダスピード A-SPEC(ラスト), disponível em: http://demio.ti-da.net/e1775761.html. Data de acesso: 09/11/2017.

マツダ 1996 デミオ(DW型), disponível em: http://www.wald-licht.com/~oldcar/96_m_demio_01.html. Data de acesso: 08/11/2017.

マツダ・デミオ, disponível em: https://ja.wikipedia.org/wiki/%E3%83%9E%E3%83%84%E3%83%80%E3%83%BB%E3%83%87%E3%83%9F%E3%82%AA. Data de acesso: 10/11/2017.

1996 Mazda Demio, disponível em: http://mazda-demio.info/specs/1996_aug/specs_gl-x/. Data de acesso: 08/11/2017.

Comparativo entre Volkswagen Gol, Fiat Palio, Ford Fiesta e Chevrolet Corsa, disponível em: http://www.carrosnaweb.com.br/resultcompara.asp?modelos=243-6403-236-228. Data de acesso: 03/11/2017.

Comparativo entre Honda Fit, Ford Fiesta, Volkswagen Fox e Chevrolet Meriva, disponível em: http://www.carrosnaweb.com.br/resultcompara.asp?modelos=436-539-8136-383. Data de acesso: 04/11/2017.

Imagens:

[1]: Retirado de: Mazda Autozam Revue, disponível em: http://www.productioncars.com/gallery.php?car=9198&make=Mazda&model=Autozam. Data de acesso: 08/11/2017.

[2]: Retirado de: フェスティバミニワゴンに乗ってる, disponível em: http://green.ap.teacup.com/festivaminiwagon/6.html. Data de acesso: 08/11/20177.

[3]: Retirado de: 2000 Mazda Demio, disponível em: http://silverdice.us/2000-mazda-demio/26855/. Data de acesso: 05/11/2017.

[4]: Retirado de: Used Mazda 121 Review: 1996-2002, disponível em: https://www.carsguide.com.au/car-reviews/used-car-review-mazda-121-metro-1996-2002-13288. Data de acesso: 06/11/2017.

[5]: Retirado de: Mazda Demio (2000), disponível em: https://www.netcarshow.com/mazda/2000-demio/. Data de acesso: 09/11/2017.

[6]: Retirado de: Mazda Demio 1.3 Comfort 2000 – 2003, disponível em: http://www.cars-data.com/en/mazda-demio-1.3-comfort-specs/21877. Data de acesso: 07/11/2017.

[7]: Adaptado de: Complete Engine MAZDA DEMIO (DW) 1.5 16V, disponível em: https://www.b-parts.com/en/store/products/84870/Kompletter-Motor–MAZDA-DEMIO-DW-15-16V-75hp-B5-E-2000-2001-2002-2003. Data de acesso: 08/11/2017.

[8]: Retirado de: 1994 Mazda 121 car overheating, disponível em: https://www.2carpros.com/questions/1994-mazda-121-car-overheating. Data de acesso: 06/11/2017.

[9]: Retirado de: 96-02 1st gen Mazda Demio (DW3W/DW5W), disponível em: https://iheartjapanesecars.wordpress.com/2016/03/09/96-02-1st-gen-mazda-demio-dw3w-dw5w/. Data de acesso: 07/11/2017.

 

 

 

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10 Carros que provam que o endurance ainda não morreu no Brasil

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Há vários anos o automobilismo brasileiro vem sofrendo com falta de investimentos e descasos dos órgãos competentes. Talvez o grande marco dessa crise tenha sido o fim da Mil Milhas Brasileiras, que teve sua última etapa realizada em 2008. Mesmo assim iniciativas isoladas em diversos estados tem mantido o endurance vivo, e o maior sinal disso são os protótipos, carros construídos especificamente para as pistas como aqueles que disputam as 24 Horas de Le Mans. Na lista de hoje, veremos 10 protótipos que provam que ainda existe lenha na fogueira do automobilismo brasileiro:

PW1 Spyder

Fonte: Velocidade Online [1].

Fonte: Velocidade Online [1].

Descendente direto do Aldee Spyder criado por Almir José Donato (campeão brasileiro de velocidade), o Aldee foi produzido entre 1999 e 2003. Construído com chassi tubular, carroceria em fibra de vidro e motor central (a maioria equipados como o conjunto de motor e câmbio do finado Gol GTI 16V preparados para render 220 cv, porém versões com outros propulsores chegaram a competir). Em 2003 o piloto Peter William Januário comprou os direitos de fabricação do Spyder, e passou a vendê-lo sob a marca PW1 a partir de 2004, e até hoje mais de 200 foram produzidos. Por ser um modelo rápido e de baixo custo, o Spyder se tornou figurinha carimbada nas provas brasileiras de endurance, e sua vitória mais emblemática foi nas Mil Milhas Brasileiras de 1999, quando um modelo equipado com motor VW 2.0 venceu a prova frente a uma concorrência pesada, que incluía até mesmo um Porsche 911 GT2. Além dessa prova, o Spyder coleciona 13 vitórias nas 500 Milhas de Londrina e diversas outras em provas de campeonatos pelo país todo. Desde 2010 é disputado também o Campeonato Brasileiro de Spyder Race, único campeonato nacional de carros tipo protótipo. Link para o fabricante: http://www.spyderrace.com.br/spyderrace.php?start=Yes.

MetalMoro MRX

Fonte: Correio do Povo [2].

Fonte: Correio do Povo [2].

Tradicional fabricante de karts do Rio Grande do Sul, a MetalMoro foi fundada como oficina mecânica por Ademir Moro em 1968. Em 199 lançou seu primeiro protótipo em parceria com o projetista Luiz Fernando Cruz, que trabalhou nas décadas de 1980 e 1990 na Swift em projetos de monopostos de Fórmula Ford e Renault. Logo na estreia em 1999, o MCR (Moro-Cruz Racing) venceu as 12 Horas de Tarumã com vantagem de 11 voltas para o segundo colocado. Seguindo a combinação de chassi tubular e carroceria de fibra de vidro, ele representa para o automobilismo gaúcho o que o Spyder representa para os paulistas. Em 2009 a MetalMoro apresentou um sucessor para o MCR, o MRX, preparado para receber motores e transmissões de procedências diveras. Desde então o modelo se tornou um sucesso, com diversas vitórias nas categorias para protótipos com motores 2.0, e por muitas vezes vencendo provas na classificação geral. Uma combinação comum para esses carros é a utilização dos motores Ford Duratec aliados a transmissões sequenciais importadas. Link para o fabricante: http://www.metalmoro.com.br/novosite/mrx/.

Spirit AR3

Fonte: Carros e Corridas [3].

Fonte: Carros e Corridas [3].

Criado pelo cearense Alexandre Romcy usando como base os monopostos da Fórmula V 1.8, o Spirit nasceu para ser uma opção de carro barato, veloz e confiável para o automobilismo cearense. O modelo tem estrutura tubular, com carroceria fechada de fibra de vidro, com suspensão independente na dianteira e eixo rígido na traseira. Diferente dos outros modelos da lista, é equipado com pneus Michelin XTAF 185x65x14 ranhurados, e usa um motor AP800 com injeção eletrônica de 120 cv e transmissão de 4 marchas dos VW refrigerados a ar. Apesar de mais lento que os Spyder e MRX, sua importância para o automobilismo cearense é equivalente aos desses modelos, e desde seu lançamento tem sido o modelo dominante no campeonato cearense de protótipos.

Veloztech Scorpius

Fonte: Veloztech [4].

Fonte: Veloztech [4].

A Veloztech nasceu em 1999 fabricando os protótipos da categoria ESPRON, idealizada por Nelson Piquet com carros projetados pelo cearense Pedro Virgilio Barbosa. Com essa experiência a empresa desenvolveu o protótipo Scorpius, em parceria com a equipe Kira Racing e a faculdade Oswaldo Cruz, um carro de chassi tubular, carroceria de fibra de vidro equipado com motor GM 2.0 16V aspirado de 250 cv e câmbio Hewland-Lotus de 5 marchas. O modelo já foi campeão do Paulista de Velocidade de 2006 e sua maior vitória foi nas 300 Milhas de Interlagos.

Predador

Fonte: Federação Paranaense de Automobilismo [5].

Fonte: Federação Paranaense de Automobilismo [5].

Diferente dos modelos que vimos até agora, o Predador é um projeto exclusivo criado pelos pilotos Jair e Carlos Eduardo Bana. Após competirem com modelos Aldee Spyder por algum tempo (chegando a vencer as Mil Milhas Brasileiras em 1999), pai e filho se juntaram ao criador do Aldee, Almir Donato, para criar um novo protótipo. De construção convencional, o modelo foi equipado com um motor GM 2.0 16V turbo, com potência na casa dos 230 cv, e sempre foi um dos protótipos mais velozes do país, capaz de competir em pé de igualdade com os melhores MRX e Spyder. A grande vitória do Predador foi nas 500 Milhas de Londrina de 2010, onde a família Bana pode vencer a prova “em casa”. Recentemente o motor GM foi substituído por um Audi 2.0 20V Turbo, e o carro continua sendo um dos mais velozes das provas que participa.

Tornado LFC

Fonte: Correio do Povo [6].

Fonte: Correio do Povo [6].

Outro protótipo criado por Luiz Fernando Cruz, o Tornado segue a linha dos protótipos equipados com motores de motocicletas, como Radical SR3 e Palatov D1. No caso do brasileiro, o motor é central e retirado diretamente de uma Suzuki Hayabusa, com 1.340 cm³ e 178 HP, aliado a transmissão original da Hayabusa que transmite a força para  as rodas traseiras através de um sistema de corrente e um diferencial criado especificamente para o Tornado. Assim, o carro ficou bem leve (440 kg sem piloto e combustível), o que se traduz em menor consumo de pneus e combustível, além de um desempenho no nível dos rivais. Desde 2007 as unidades produzidas tem participado ativamente das provas de endurance do sul do Brasil, sendo sempre um favoritas em sua categoria.

DIMEP GT R1

Fonte: Blog do Passatão [8].

Fonte: Blog do Passatão [7].

Depois de uma séria de modelos com motores de menor cilindrada, vamos partir agora para os protótipos grandes, carros maiores e equipados com motores de maior potência, capazes de fazer frente aos GTs de Ferrari e Lamborghini que disputam nossas provas de endurance. O primeiro da lista foi criado em São Paulo pelo engenheiro Jaime Gulinelli, da empresa GT Race Cars, com a consultoria de Ricardo Divila, o grande projetista de carros de corrida brasileiro, que hoje trabalha para a Nissan Motorsports. O carro foi criado para o piloto Dimas Pimenta, com estrutura tubular, carroceria em fibra de vidro e carbono e crash box dianteiro em fibra de carbono, algo que até então era inédito em carros de competição nacionais. O modelo está equipado com um motor Chevrolet V8 6.0 de 600 cv (retirado do Corvette que Dimas usou na década de 90 em várias provas), aliado a uma transmissão Xtrac sequencial de 6 marchas. Hoje é o carro nacional mais rápido em Interlagos, e nas mão de Dimas Pimenta disputou diversas etapas do campeonato brasileiro de endurance e da finada Top Series. Desde então o modelo apareceu somente como carro de demonstração para a divulgação das 6 Horas de São Paulo de 2013, sendo pilotado pelo grande Emerson Fittipaldi em voltas de demonstração. Link para o fabricante: http://www.gtcars.com.br/.

MetalMoro MR18

Fonte: MetalMoro [8].

Fonte: MetalMoro [8].

Com a experiência adquirida com os protótipos MCR e MRX, em 2014 a MetalMoro apresentou um novo protótipo para as provas de endurance, com chassi tubular de aço cromo-molibdênio capaz de receber motores de maior potência e utilizando pneus com rodas de 18 polegadas, similares aos dos carros de GT. Além disso, a MetalMoro conseguiu fechar em 2015 um contrato com a Xtrac para utilizar a transmissão desenvolvida para os protótipos de LMP3 no MR18. Até o momento três carros foram feitos, com motores Audi 20V Turbo, Hartley V8 e Honda 2.0 Turbo, todos  com potência na casa dos 450 cv, e após alguns problemas principalmente com as transmissões antes do acordo com a Xtrac, os MR18 hoje estão sempre entre os favoritos das provas dos campeonatos gaúcho e brasileiro de endurance, com a primeira vitória na geral nos 500 km de Santa Cruz do Sul. Link para o fabricante: http://www.metalmoro.com.br/novosite/mr18/.

MC Tubarão X

Fonte: Blog do Passatão [9].

Fonte: Blog do Passatão [9].

Tradicional equipe do sul do país, a MC competições fez história no automobilismo gaúcho com seus protótipos Tubarão. Inicialmente derivados da mecânica Stock Car, os modelos passaram a contar com chassis próprios e potentes motores V8 montados na dianteira, sendo um show a parte nas provas em que participaram. Em 2010 passou a usar modelos baseados no chassis MetalMoro MRX altamente customizados pelo time técnico da equipe, até que em 2014 voltaram com um novo protótipo. Diferente dos Tubarões VIII e IX, o Tubarão X foi construído sobre um chassi tubular criado pela própria MC Competições, com motor Chevrolet V8 7.0 de Corvette montado em posição central. Desde então o time da MC tem participado de diversas competições, culminando na vitória nos 800 km de Curitiba em 2015.

MCR Grand-Am V10

Fonte: Twitter MCR Race Cars [10].

Fonte: Twitter MCR Race Cars [10].

Projeto mais recente de Luiz Fernando Cruz, agora em parceria com a equipe Motti Racing foi construído conforme o manual dos Daytona Prototypes que competem no IMSA WeatherTech, e segue a tradicional receita de chassi de aço tubular, com suspensão tipo push rod mas conta com o powertrain mais incrível dessa lista: um motor Lamborghini 5.2 V10 de 600 cv de aliado a uma transmissão Hollinger sequencial de 6 marchas. O carro estreou com um terceiro lugar nas 3 Horas de Tarumã no último dia 25, e promete dar trabalho nas próximas provas dos campeonatos gaúcho e brasileiro de endurance.

Imagens

[1]: Retirado de: Spyder Race Brasil. Disponível em: http://www.velocidadeonline.com/index.php?option=com_content&view=article&id=18209:spyder-race-brasil&catid=36:outros&Itemid=79. Data de acesso: 08/08/2016.

[2]: Retirado de: Júnior, Nildo: Top Series: Ferrari de Serra/Longo vence em Curitiba. Disponível em: http://www.correiodopovo.com.br/blogs/pitlane/2012/06/8553/top-series-ferrari-de-serralongo-vence-em-curitiba/. Data de acesso: 08/08/2016.

[3]: Retirado de: Tibúrcio Frota espera manter a liderança na Spirit. Disponível em: http://www.carrosecorridas.com.br/2012/07/tiburcio-frota-espera-manter-lideranca-na-spirit/. Data de acesso: 10/08/2016.

[4]: Retirado de: Veloztech Engenharia de Competição. Disponível em: http://www.veloztechengenharia.com/#!scorpius/c1bqr. Data de acesso: 08/08/2016.

[5]: Retirado de: Aparecido, Luiz: Calendário paranaense fecha com as 500 Milhas de Londrina. Disponível em: http://fpra.com.br/site/2015/11/27/calendario-paranaense-fecha-com-as-500-milhas-de-londrina/. Data de acesso: 09/08/2016.

[6]: Retirado de: Júnior, Nildo: Campeão das 12 Horas de vence a competitiva Três Horas de Tarumã. Disponível em: http://www.correiodopovo.com.br/blogs/pitlane/2013/04/16049/campeao-das-12-horas-vence-a-fantastica-tres-horas-de-taruma/. Data de acesso: 09/08/2016.

[7]: Retirado de: Amaral, Nilton: Top Series: Sem surpresa, Aston é pole. Tubarão tem quebra mas volta amanhã. Disponível em: http://blogdopassatao.blogspot.com.br/2012/10/top-series-sem-surpresa-aston-e-pole.html. Data de acesso: 10/08/2016.

[8]: Retirado de: MR18. Disponível em: http://www.metalmoro.com.br/novosite/mr18/. Data de acesso: 10/08/2016.

[9]: Retirado de: Amaral, Nilton: Conheça o Tubarão X V8, que treinou hoje no Velopark!. Disponível em: http://blogdopassatao.blogspot.com.br/2014/11/conheca-o-tubarao-x-v8-que-treinou-hoje.html. Data de acesso: 10/08/2016.

[10]: Retirado de: Twitter MCR Race Cars. Disponível em: https://twitter.com/MCRRaceCars/status/744308762379456514. Data de acesso: 10/08/2016.

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