O futurista ônibus chinês para 1200 pessoas

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O transporte coletivo em grandes centros urbanos é um grande desafio pelo mundo todo, e em muitos lugares a solução para esse problema tem sido a construção de linhas de metrô. Apesar de ser um meio de transporte rápido e eficiente, a necessidade de construir estações e túneis tornam essa opção muito cara e lenta para ser implantada. No Brasil foi criada uma solução de baixo custo, o BRT (Bus Rapid Transport), criado pelo arquiteto Jaime Lerner e implantado em 1974 na cidade de Curitiba. Desde então o sistema foi copiado por diversas outras cidades em vários países, apresentando baixo custo de instalação se comparado a outras opções, além de uma elevada velocidade de transporte por utilizar faixas exclusivas para trânsito.

Linha Verde BRT Curitiba, Estação Marechal Floriano. Fonte: Wikipedia [1].

Linha Verde BRT Curitiba, Estação Marechal Floriano. Fonte: Wikipedia [1].

Contudo, com o aumento da população são necessários mais ônibus para atender a população, e com isso também uma ampliação das vias exclusivas, o que acaba piorando os congestionamentos pela falta de espaço para novas vias. Na China, um novo passo foi dado nessa direção, com a criação do TEB (Transit Explore Bus). Criado pela empresa Shenzhen Huashi Future Parking Equipment, esse “ônibus” teria a largura de duas faixas de trânsito, e se deslocaria sobre o tráfego normal, permitindo que carros convencionais possam usufruir das vias exclusivas sem prejudicar o funcionamento do transporte público. A ideia foi apresentada pela primeira vez em 2010, com capacidade prevista de carregar 1.200 passageiros, a uma velocidade de 40 km/h. Concebido pelo engenheiro Song Youzhou, o TEB usará um sistema de propulsão elétrico utilizando a rede elétrica das cidades e painéis solares distribuídos pelo teto como fonte de energia. A previsão é que um TEB possa substituir 40 ônibus convencionais, reduzindo as emissões de CO2 em 2.640 toneladas por ano, resultando em uma melhora da qualidade do ar em grandes centros.

Conceito do TBE apresentado em 2010. Fonte: NY Times [2].

Conceito do TBE apresentado em 2010. Fonte: NY Times [2].

A ideia foi aprovada pelas autoridades chinesas, com um custo previsto na época de 7,4 milhões de dólares para um ônibus e uma linha completa de cerca de 40 quilômetros, equivalente a aproximadamente um décimo do investimento para uma linha de metrô com capacidade similar.  A construção ficaria a cargo da China South Locomotive and Rolling Stock Corporation, e deveria ter começado ainda em 2010, porém a falta de novidades sobre o projeto o promoveram a categoria de vapourware (produtos apresentados mas que nunca são produzidos, nem abandonados oficialmente, simplesmente sumindo no ar). Isso até maio de 2016, quando o canal New China TV divulgou o vídeo de uma maquete do projeto que foi apresentada durante a High Tech Expo em Pequim. Com 4,5 metros de altura, 7,8 metros de largura e mais de 60 metros de comprimento, a previsão de Song Youzhou era para que a primeira unidade começasse a ser testada entre o final de julho e o início de agosto.

Finalmente, no dia 2 de agosto o primeiro teste foi realizado, em um trecho de 300 metros montado na cidade de Qinhuangdao, onde um módulo do veículo rodou a uma velocidade de 10 km/h para avaliar arrasto aerodinâmico, sistemas de frenagem e consumo de energia.

A partir do vídeo disponibilizado, é possível ver algumas características interessantes do TEB:

Na traseira o TEB conta com o que parecem luzes de semáforo instaladas na posição onde normalmente se esperam as lanternas traseiras.

Na traseira o TEB conta com o que parecem luzes de semáforo instaladas na posição onde normalmente se esperam as lanternas traseiras.

Apesar de se apoiar em pneus de borracha, o TEB conta com o que parecem ser rodas guias que rodam em sulcos no asfalto, provavelmente para garantir que o veículo mantenha a trajetória perfeitamente linear, evitando esbarrões nos automóveis que estejam transitando sob o ônibus.

Apesar de se apoiar em pneus de borracha, o TEB conta com o que parecem ser rodas guias que rodam em sulcos no asfalto, provavelmente para garantir que o veículo mantenha a trajetória perfeitamente linear, evitando esbarrões nos automóveis que estejam transitando sob o ônibus.

As “pernas” do TEB são montadas em uma estrutura metálica treliçada, e também o assoalho do veículo é montado sobre uma estrutura treliçada em estilo ladder frame, e aparentemente os motores elétricos ficam montados diretamente nas rodas do veículo.

As “pernas” do TEB são montadas em uma estrutura metálica treliçada, e também o assoalho do veículo é montado sobre uma estrutura treliçada em estilo ladder frame, e aparentemente os motores elétricos ficam montados diretamente nas rodas do veículo.

A primeira linha teste deve entrar em operação em 2017, e segundo o vídeo governos de Brasil, França e Índia já demonstraram interesse pela tecnologia. Com certeza integrar esse tipo de veículo ao trânsito normal deverá ser um desafio, para garantir que nenhum veículo acima da altura máxima permitida entre nas faixas do TEB, em reeducar os motoristas para que não colidam com as laterais do veículo, nem tentem conversões proibidas.

Fontes:

Wassener, Betina; Deng, Andrea: “Straddling Bus” Offered as a Traffic Fix in China. Disponível em: http://www.nytimes.com/2010/08/18/business/global/18bus.html?_r=1. Data de acesso: 03/08/2016.

Lambert, Fred: Futuristic electric straddling bus concept is now a real full-scale prototype [Gallery]. Disponível em: http://electrek.co/2016/08/02/futuristic-electric-straddling-bus-full-scale-prototype/. Data de acesso: 03/08/2016.

Imagens:

[1]: Retirado de: Rede Integrada de Transporte. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_Integrada_de_Transporte. Data de acesso: 03/08/2016.

[2]: Retirado de: Wassener, Betina; Deng, Andrea: “Straddling Bus” Offered as a Traffic Fix in China. Disponível em: http://www.nytimes.com/2010/08/18/business/global/18bus.html?_r=1. Data de acesso: 03/08/2016.

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Tsar Pushka – o Canhão do Czar

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Tsar Pushka. Fonte: Wikipedia [1].

Tsar Pushka. Fonte: Wikipedia [1].

A fama dos russos por sua tecnologia e exageros militares é conhecida mundialmente. Isso vem já de muito tempo, e mesmo no século 16, o Czarado da Rússia era notável por usa tecnologia na fundição de bronze. Isso permitiu a criação de diversas armas, notáveis pelo grande calibre e rica ornamentação e que foram decisivas em diversas batalhas. O Tsar Pushka (em tradução livre, Canhão do Czar), foi o ápice desse desenvolvimento, criado pelo mestre da fundição em bronze Andrey Chokhov, no ano de 1586. Considerado pelo Guiness Book a maior bombarda do mundo (bombardas são canhões rudimentares, utilizados para disparar projeteis de metal ou pedra), as razões que levaram a criação dessa arma não são claras, porém com 5,94 metros, 39.312 kg e um calibre de 890 mm, sua simples existência deveria ser um fator de peso na hora de um exército decidir se iria ou não realizar um ataque a Moscou.

Tsar Pushka na frente Kremlin. Fonte: Wikipedia [1].

Tsar Pushka na Praça Ivanovskaya. Fonte: Wikipedia [1].

Inicialmente, o canhão foi posicionado na Praça Vermelha em uma estrutura especial com um ângulo de inclinação, de forma a proteger o flanco oriental do Kremlin. Por volta de 1706 ele foi movido para a frente do Arsenal do Kremlin, onde foi montado em uma carruagem de madeira. Durante um grande incêndio que atingiu Moscou essa carruagem foi destruída, e uma nova carruagem de metal foi construída em 1835. Posteriormente o canhão foi movido para a Praça Ivanovskaya, onde permanece até hoje.

Detalhe do leão entalhado na carruagem do Tsar Pushka. Fonte: Wikipedia [1].

Detalhe do leão entalhado na carruagem do Tsar Pushka. Fonte: Wikipedia [1].

O canhão atualmente está montada sobre uma carruagem de ferro de três rodas, ricamente adornada com diversos desenhos como a cabeça de um leão na parte dianteira, enquanto a arma em si também é ricamente decorada com diversas imagens, incluindo uma imagem equestre do Czar Fyodor Ivanovich e conta com oito suportes para transporte. Também fazem parte da decoração quatro esferas de metal feitas, de acordo com a lenda, em São Petesburgo como uma espécie de adição bem-humorada para representar a rivalidade amigável com Moscou. Essas esferas, contudo, são muito grandes e nunca foram criadas com objetivo de ser a munição do canhão, e após uma restauração realizada em 1980, especialistas da academia de artilharia russa o estudaram, e acreditam que pela sua estrutura que o projeto previa a utilização de projeteis similares aos de espingardas, numa quantidade total de 800 kg de projeteis feitos de rocha. Não existe notícia do uso do Tsar Pushka em batalhas, porém a presença de vestígios de pólvora em seu interior indicam que a arma foi disparada ao menos por uma vez.

Czar Fyodor Ivanovich em seu cavalo. Fonte: Wikipedia [1].

Czar Fyodor Ivanovich em seu cavalo. Fonte: Wikipedia [1].

Fontes:

Tsar Cannon. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Tsar_Cannon. Data de acesso: 18/07/2016.

Царь-пушка. Disponível em: https://ru.wikipedia.org/wiki/%D0%A6%D0%B0%D1%80%D1%8C-%D0%BF%D1%83%D1%88%D0%BA%D0%B0. Data de acesso: 18/07/2016.

Imagens:

[1]: Retirado de: Wikipedia. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Tsar_Cannon. Data de acesso: 18/07/2016.

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MegaBots vs. Kuratas: o alvorecer de uma nova era

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Você é fã de robôs gigantes? Curte animes de Mechas como a série Gundam? Pois então preparem-se, pois é provável que um de seus sonhos esteja prestes a se tornar realidade! Exatamente um ano atrás, no dia 30 de junho, o seguinte vídeo foi publicado no YouTube:

Eu particularmente me lembrei da minha infância, especialmente desse episódio do desenho Megas XLR:

O vídeo da MegaBots se tornou um hit na Internet com mais de 6,7 milhões de visualizações, foi um desafio dos americanos da MegaBots Inc. para os japoneses da Suidobashi Heavy Industries. Mais surpreendente ainda, foi a resposta dos japoneses, que veio duas semanas depois, no dia 5 de julho:

No vídeo os japoneses não só aceitaram o desafio como também estabeleceram as primeiras regras para o combate: a luta será travada corpo-a-corpo, até que o primeiro adversário caia. Passado um ano da publicação do vídeo original, vamos fazer uma análise completa dos competidores para servir de guia para essa que deverá ser uma batalha histórica.

O desafiante: MegaBots Mk II

Criada em 2014, a MegaBots Inc. nasceu da paixão dos norte-americanos Gui Cavalcanti, Matt Oehrlein e Brinkley Warren por ficção cientifica e robôs gigantes. Formada com o objetivo de estabelecer as bases para um novo eSport, a luta de robôs gigantes, a oportunidade perfeita surgiu quando os criadores ficaram sabendo da existência de outro Mecha pilotado por humanos, o Kuratas, e quando o desafio foi aceito foi lançada a pedra fundamental desse tipo de competição. Contudo, a primeira coisa a ficar clara foi a inferioridade técnica do robô estadunidense. O MK II não só era uma máquina mais lenta, pesada, mas sua construção também era mais primitiva que o rival japonês, e se tornou óbvio que o Mk II precisaria de uma atualização pesada se quisesse ser capaz de enfrentar o concorrente.

MegaBots_Mk_II_ficha_técnica

A forma escolhida para lidar com esse desafio de colocar em pé de igualdade o competidor americano foi iniciar uma campanha de crowdfunding (clique aqui para acessar a campanha), e buscar parceiros técnicos na indústria americana. O chamado para a campanha veio na forma do vídeo abaixo, apelando para o nacionalismo dos Estados Unidos:

No vídeo eles apresentaram os parceiros que se dispuseram a transformar o sonho do robô de lutas americano em um competidor altamente capaz, a citar:

  • Autodesk: patrocinador principal desde o início do projeto, fornecendo softwares de design e acesso a equipamentos de fabricação mecânica de última geração;
  • Grant Imahara: ex-Mythbuster, assessor técnico para mídia e divulgação;
  • Trey Roski & Greg Munson:fundadores da BattleBots, liga estadunidense de lutas de robôs como assessores técnicos do time de engenharia;
  • IHMC Robotics: empresa da Flórida que tem a melhor colocação no desafio DARPA para robôs humanoides, que poderá desenvolver um sistema avançado de controle de equilíbrio dinâmico para garantir que o Mk II mantenha-se de pé com os golpes que receber (desde que a meta da campanha de financiamento coletivo seja atingida);
  • NASA: adoção de sistemas de segurança e proteção da NASA no cockpit para permitir que os pilotos possam lutar com mais liberdade sem sofrer tanto com os impactos da batalha;
  • FonCo Creative Services: empresa que poderá ficar responsável por criar uma pintura nível Hollywood para o MK II;
  • Howe&Howe Technologies: empresa americana especializada em plataformas robóticas e sistemas de tração por lagartas, que será responsável pela atualização e melhoria do sistema de locomoção do Mk II, incluindo a adoção de um sistema de suspensão e um motor mais potente para melhorar a mobilidade;

Até o momento, a campanha foi capaz de levantar cerca de US$ 550 mil, o que permitiu a Howe&Howe desenvolver uma nova plataforma de lagartas, que ao invés do motor Honda V-Twin de 24 HP é agora equipada com um motor turbodiesel V8 de 340 HP. Com isso a velocidade máxima foi elevada para 16 km/h e a resposta e força dos sistemas hidráulicos também poderá ser melhorada, pois a pressão de trabalho disponível foi elevada de 2500 para 4000 psi, com uma vazão de óleo dez vezes maior (120 GPM contra 12 GPM).

Nova plataforma de lagartas criada pela Howe&Howe Technologies. Fonte: Divulgação.

Nova plataforma de lagartas criada pela Howe&Howe Technologies. Fonte: Divulgação.

Quanto a construção, o Mk II é feito com aços similares aos empregados em equipamentos da construção civil, e sua proteção aos pilotos está sendo melhorada através do uso de placas de Hardox montada em suportes de borracha para isolar a estrutura dos impactos recebidos. Os tripulantes sentam em posição similar a um caça de dois lugares, com o “motorista” sentado na poltrona traseira e o atirador na dianteira. Essa configuração foi escolhida pela experiência dos construtores em jogos de Mechas, onde a habilidade de rotacionar o torso do robô implica que por muitas vezes o piloto está dirigindo de costas para a direção de deslocamento, com foco no alvo e acaba acertando obstáculos como árvores e construções. Devido ao posicionamento, o motorista do Mk II conta com diversas câmeras, similares as câmeras de ré utilizadas em automóveis para ajudar a ganhar visibilidade em todas as direções. Para o combate corpo-a-corpo, o sistema escolhido depende também do atingimento das metas de financiamento. Caso seja atingido o valor de US$ 750 mil serão desenvolvidos um grupo de armas modulares como garras, escudos, socos pneumáticos, canhões e lança-chamas (ver imagem abaixo para alguns exemplo possíveis).

Conceito da novas armas que estão sendo desenvolvidas para o Mk II. Fonte: Divulgação.

Conceito da novas armas que estão sendo desenvolvidas para o Mk II. Fonte: Divulgação.

O desafiado: Suidobashi Heavy Industries Kuratas

Primeira empresa no mundo a oferecer um robô controlado por humanos no mercado (ao preço módico de US$ 1.353.500), a Suidobahsi Heavy Industries nasceu em 2012 como o fruto do sonho do artista Kogo Kurata e do roboticista Wataru Yoshizaki em ter Mechas no mundo real. Por ser mais antigo, o Kuratas é um projeto mais maduro tecnologicamente, contando com head up display, travamento automático de alvo, como podemos ver no vídeo de demonstração do Kuratas:

Além das duplas metralhadoras rotativas e da mão mecânica controlada por Power Glove, o Kuratas conta ainda com o sistema de lançamento de projéteis  LOHAS em seu arsenal. Diferente dos americanos, os japoneses adotaram ma postura mais reservada para sua preparação que está sendo tocada como segredo de estado. Até o momento nenhuma informação sobre as modificações planejadas foi fornecida, dessa forma baseamos a ficha técnica do Kuratas nas informações e modelos já mostrados ao público:

Kuratas_ficha_técnica

A batalha

Até o momento não foram divulgados muitos detalhes do combate, mas segundo a discussão criada no reddit pela MegaBots ainda não existe decisão sobre o local, data ou as regras. O que foi divulgado é ambos os times estão trabalhando em conjunto para estabelecer o quanto antes o formato de disputa e parece estar decidido que a segurança dos pilotos será privilegiada, com reforços nos cockpits e a presença de um botão vermelho em cada veículo capaz de desativar ambos os competidores caso haja algum participante ferido. Baseado nas informações disponíveis até agora fizemos o quadro abaixo, mostrando as fraquezas e pontos fortes de cada competidor:

Megabots_vs_Kuratas_comparacao

De qualquer forma, assim que surgirem mais novidades essa página será atualizada e traremos uma cobertura desse que pode ser um dos grandes eventos do ano.

Link para o site dos competidores:

MegaBots Inc.

Suidobashi Heavy Industries

 

 

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Engenharia das coisas – Botijão de gás

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Com certeza você já teve contato com um botijão de gás, mas já parou para se perguntar quais são seus componentes, e como eles são feitos? Na postagem de hoje vamos explorar os principais componentes de um botijão, seu processo de fabricação e por fim dicas para sua correta instalação e uso.

Principais componentes:

Por serem equipamentos com elevada criticidade para a segurança da população, todos os botijões vendidos no Brasil devem ser fabricados segundo as prescrições da norma ABNT NBR 8640, que trata especificamente de recipientes transportáveis de aço para GLP. Além disso, outras normas tratam das formas corretas de instalação, características dos subcomponentes e da revalidação dos botijões após seu reuso.

Tipos de botijões disponíveis no Brasil [1]. Fonte: Supergásbras.

Tipos de botijões disponíveis no Brasil [1]. Fonte: Supergásbras.

Apesar de existirem diversos tipos e tamanhos do botijões de gás, nosso o foco será naquele é o mais comum em residências, o chamado botijão P13, com capacidade para 13 kg de GLP (gás liquefeito de petróleo).

Principais dimensões de um botijão P13 [2]. Fonte: Supergásbras.

Principais dimensões de um botijão P13 [2]. Fonte: Supergásbras.

Componentes:

Um botijão como recebemos em nossa casa é composto da seguinte maneira:

  • GLP

Conhecido também como gás de cozinha, é um dos subprodutos do refino do petróleo. Basicamente é composto de propano e butano. Essa mistura não é tóxica ao ser humano, porém se aspirada em grande quantidade tem efeito anestésico, e pelo GLP ter densidade maior que a do oxigênio, tende a ocupar todo o espaço, o que pode gerar óbitos por asfixia. Como os gases componentes são incolores e inodoros, é adicionada a substância Mercaptano para conferir o odor característico como forma de aviso em caso de vazamento. Num botijão cheio, 85% do volume é preenchido por GLP no estado líquido enquanto os 15% restantes estão em estado gasoso. Isso é feito para que o gás tenha espaço para expandir-se em caso de temperaturas ambientes elevadas.

  • Corpo

Responsável por conter o GLP e resistir as intempéries climáticas, é fabricado através de processo de estampagem e tem a seguinte estrutura:

Principais componentes do corpo de um botijão [3]. Fonte: Arquivo pessoal.

Principais componentes do corpo de um botijão [3]. Fonte: Arquivo pessoal.

As calotas superior e inferior devem ser fabricado em aço estampado que deve atender a norma ABNT NBR 7460, e a espessura deve ser tal que atenda o requisito 4.3 da norma NBR 8460:

“4.3 Espessura

4.3.1 Parede dos recipientes

4.3.1.1 O cálculo de espessura da parede do recipiente é baseado no princípio que a tensão nessa parede, quando o recipiente é submetido a pressão de trabalho, não pode exceder o menor dos seguintes valores:

  1. a) 0,60 da mínima resistência à tração do material empregado;
  2. b) 250 Mpa.

NOTA – Todos os valores acima são considerados à temperatura ambiente.

A tensão na parede do recipiente deve ser calculada pela equação:

onde:

  é a tensão na parede do recipiente, em Mpa;

P é a pressão de serviço de 1,7 Mpa;

D é o diâmetro externo, em milímetros;

d é o diâmetro interno, em milímetros;

E é o fator de eficiência de solda:

  • igual a 1 quando os recipientes forem construídos apenas com solda circunferencial;
  • igual a 1 quando todos os recipientes forem radiografados;
  • igual a 0,9 quando um recipiente em cada 50 for radiografado;
  • igual a 0,7 quando não houver radiografia.

4.3.1.2 A espessura da parede não deve ser inferior a 2,0 mm para recipiente com diâmetro igual ou superior a 120 mm.”

Além disso, é mandatório pela norma que o corpo seja soldado por solda de fusão e que após a solda seja realizado um processo de normalização ou alívio de tensões. A alça superior e a base também devem ser estampadas, e em material que seja compatível com o material das calotas.

  • Dispositivos de segurança
Detalhe dos componentes de segurança de um botijão de gás [4]. Fonte: Fogás.

Detalhe dos componentes de segurança de um botijão de gás [4]. Fonte: Fogás.

Flange

Peça soldada no topo do botijão onde serão montados os dispositivos de segurança. O flange deve ser construído também em aço, com dimensionamento conforme o requisito 4.3 da NBR 8460:

“4.3.2 Dimensionamento dos flanges

4.3.2.1 Os flanges devem ser dimensionados de forma que sua espessura supere, em qualquer ponto, a espessura

mínima calculada da parede do corpo do recipiente.

4.3.2.2 A menor área admitida para a menor seção transversal do flange, em um plano que contenha o eixo longitudinal do

recipiente, deve ser calculada pela seguinte fórmula:

onde:

A é a área da seção transversal, em milímetros quadrados;

e é a espessura mínima da parede do recipiente, calculada conforme 4.3.1, em milímetros;

  é o diâmetro da abertura roscada, considerando-se o da maior, quando houver mais de uma, em milímetros.”

Válvula de controle UVC-I

Válvula UVC-I em corte [5]. Fonte: Fogás.

Válvula UVC-I em corte [5]. Fonte: Fogás.

Dispositivo cuja função é permitir que o gás seja liberado somente quando o registro for montado no botijão, é fabricado em latão e conta com O’Ring de vedação.

Plugue-Fusível

Plugue-fusível em corte [5]. Fonte: Fogás.

Plugue-fusível em corte [5]. Fonte: Fogás.

Fabricado em latão, seu núcleo (região acinzentada na imagem acima) é fabricado em liga de chumbo-bismuto com ponto de fusão de 78°C. Sua função é derreter e permitir que o GLP escape caso a temperatura no botijão se torne muito elevada, de modo a evitar uma explosão pelo aumento de pressão.

Processo de fabricação

O processo de fabricação de botijões de gás é bem critico, devido ao risco que falhas em sua fabricação pode causar, e as principais etapas são definidas pela norma ABNT 8460. Melhor do que descrever, o vídeo a seguir mostra as diversas etapas, desde a estampagem até o envasamento do gás:

Cuidados na instalação

Muitas pessoas tem receio sobre como instalar e substituir botijões de gás em suas residências, porém as normativas garantem que esse procedimento seja seguro, desde que seguidas algumas orientações:

  • Primeiro o botijão deve ser instalado em local arejado e longe de fontes e calor;
  • O regulador de pressão utilizado deve ter o carimbo do INMETRO, que comprova que passou pelos testes de certificação necessários, e deve ser trocado a cada 5 anos, pois sofre desgaste natural e pode apresentar vazamentos com o tempo;
  • A mangueira também deve ter identificação do INMETRO, ser instalada de forma a não ficar próxima a lugares quentes (por exemplo, não deve ser passada por trás do fogão), e ser trocada dentro do prazo de validade conforme indicado em seu corpo;
Detalhe do regulador de pressão e mangueira de gás [6]. Fonte: Corpo de bombeiros do estado do Paraná.

Detalhe do regulador de pressão e mangueira de gás [6]. Fonte: Corpo de bombeiros do estado do Paraná.

  • Durante a instalação do regulador de pressão no botijão não deve ser usada nenhuma ferramenta, pois apenas a força da mão é suficiente para o aperto. O uso de ferramentas pode acarretar em um torque excessivo que pode causar espanamento da rosca e vazamento de gás;
  • Caso se desconfie de algum vazamento, a melhor forma de verificar é aplicar água com sabão sobre o botijão com uma esponja, caso exista vazamento irão se formar pequenas bolhas na espuma;
  • Caso se identifique o vazamento pelo forte odor característico, não se deve acender nenhuma luz, deve-se apenas proceder ao local do botijão com calma, abrindo portas com cuidado para evitar possíveis faíscas, e abrindo as janelas também com calma para permitir que o ambiente seja arejado.

Essa foi a primeira postagem da série engenharia das coisas, onde pretendo postar de forma simples como são projetados e fabricados objetos e equipamentos do nosso dia a dia.

Fontes:

Liquefied Petroleum Gas. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Liquefied_petroleum_gas. Data de acesso: 04/06/2016.

Acidentes domésticos em pequenas instalações de gás LP. Disponível em: http://pt.slideshare.net/robincristo/acidentes-domsticos-e-em-pequenas-instalaes. Data de aceso: 04/06/2016.

Macedo, Marcelo. Ciclo de vida do botijão. Disponível em: http://www.sindigas.org.br/Download/Arquivo/marcelomacedo_634184430647260000.pdf. Data de acesso: 05/06/2016.

Cuidados com o gás de cozinha ou GLP. Disponível em: http://www.bombeiros.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=24. Data de acesso: 06/06/2016.

Imagens:

[1]: Retirado de: Acidentes domésticos em pequenas instalações de gás LP. Disponível em: http://pt.slideshare.net/robincristo/acidentes-domsticos-e-em-pequenas-instalaes. Data de aceso: 04/06/2016.

[2]: Adaptado de: Acidentes domésticos em pequenas instalações de gás LP. Disponível em: http://pt.slideshare.net/robincristo/acidentes-domsticos-e-em-pequenas-instalaes. Data de aceso: 04/06/2016.

[3]: Arquivo pessoal.

[4]: Adaptado de: Macedo, Marcelo. Ciclo de vida do botijão. Disponível em: http://www.sindigas.org.br/Download/Arquivo/marcelomacedo_634184430647260000.pdf. Data de acesso: 05/06/2016.

[5]: Retirado de: Macedo, Marcelo. Ciclo de vida do botijão. Disponível em: http://www.sindigas.org.br/Download/Arquivo/marcelomacedo_634184430647260000.pdf. Data de acesso: 05/06/2016.

[6]: Retirado de: Cuidados com o gás de cozinha ou GLP. Disponível em: http://www.bombeiros.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=24. Data de acesso: 06/06/2016.

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CAMANF – Um americano naturalizado brasileiro

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coroa_naval_nova_0Você sabia que o Brasil já teve uma indústria militar variada? Talvez isso seja surpresa para muitos, mas durante o auge da ditadura militar na década de 1970, as Forças Armadas incentivaram fortemente o desenvolvimento de tecnologia local, o que deu origem a diversos projetos curiosos e interessantes. Um deles é o CAMANF, um caminhão anfíbio projetado a pedido da Marinha Brasileira e que será o tema da postagem de hoje. Continuar lendo

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Nivelando o conhecimento

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Se você já leu a página contando a história do blog (se ainda não, pode ler aqui) já sabe que a inspiração veio de uma visita ao Museu de Artes e Ofícios em Belo Horizonte, onde vi a niveladora que dá nome ao blog e também é a ilustração do cabeçalho. Como tema da primeira postagem, nada mais justo que homenageá-la, e para isso comecei uma pesquisa para identificar qual o modelo, época em que foi fabricada e quais suas características mais curiosas. Continuar lendo

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