Endurance Brasil – 4 Horas de Goiânia

No dia 25 de maio será realizada a segunda etapa da Endurance Brasil 2019, que marca a primeira visita da categoria ao Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia. Depois de um final emocionante na prova de Curitiba (leia aqui o resumo da prova), as 4 Horas de Goiânia prometem um grande show de competividade, com novas máquinas e pilotos se juntando à disputa.

A pista goiana, inaugurada em 1974, têm 3.835 metros de extensão com 6 curvas à direita e 4 à esquerda, mesclando curvas de alta e de baixa. Nos últimos anos o autódromo não fez parte das diversas formas do campeonato brasileiro de endurance e não existe hoje uma referência de tempo de volta para a categoria, porém existe a expectativa de que o recorde da pista possa ser quebrado.

O campeonato até aqui:

Até o momento da publicação dessa postagem, a CBA ainda não havia divulgado a tabela de pontuação oficial da Endurance Brasil, porém fizemos abaixo uma tabela não-oficial, baseada nos resultados da etapa de Curitiba [UPDATE: atualizado em 21/05 com a classificação oficial do site da CBA]:

Na P1, a liderança fica com os vencedores da prova de Curitiba, o trio Vicente Orige / Carlos Kray e Tarso Marques, seguidos pelos AJR de Pedro Queirolo / David Muffato e Nilson Ribeiro /José Roberto Ribeiro. O Team Ginetta Brasil teve uma estreia aquém das expectativas, mas conseguiu garantir pontos que poderão se mostrar importantes para a disputa do campeonato. Quem também teve um início de temporada difícil foi o trio do AJR #11, de Emilio Padron, atual campeão da P1, que tiveram problemas durante a prova e não marcaram pontos. Outro que ficaram no zero, apesar de terem conseguido retornar para a prova de Curitiba, foi o trio da equipe MC Tubarão que não foi capaz de completar a distância mínima regulamentar (70% das voltas do vencedor), necessária para ter seu resultado computado para o campeonato.

Na GT3, liderança da dupla Xandy Negrão e Xandinho Negrão, seguidos por Marcel Visconde / Ricardo Maurício. [UPDATE] Após a divulgaçã da classificação, a dupla formada pelo o atual campeão Chico Longo e Daniel Serra aparentemente foi desclassificada da prova de Curitiba, apesar de na pista terem ficado em terceiro na prova de Curitiba. Até o momento não foram divulgados mais detalhes, repetindo a situação estranha que ocorreu após a desclassificação de Ricardo Zonta da rodada dupla da Stock Car do Velo Città na véspera da prova de Goiânia. Se a aparente punição for mantida, é mais um duro golpe após uma estreia aquém do esperado, já que a nova Ferrari 488 GT3 veio com a pompa de ser o carro pole-position da categoria GTD nas 24 Horas de Daytona. Mas quem se deu mal mesmo foi a dupla Guilherme Figuerôa e Julio Campos, que não marcaram pontos na etapa curitibana.

Na P2, nenhum dos carros conseguiu completar a prova de Curitiba, e a liderança está com a dupla Ney Faustini e Ney de Sá Faustini, que percorreram a maior distância na capital paranaense.


Na GT3 Light, domínio da dupla do Aston Martin #63, únicos a serem classificados na primeira etapa.

Na P3, o ano começa como terminou na antiga P3 (hoje P4), com a liderança dos atuais campeões Gustavo e Rafael Simon, com o protótipo MRX-Volkswagen, único modelo com motor 8V da categoria.

Na GT4, liderança da equipe da Mercedes #3, numa categoria que foi marcada pelo equilíbrio na primeira etapa. O Audi A3 TCR #64 dos atuais campeões da GT4 deve ter um ano difícil, pois na primeira etapa o carro da MC Tubarão se mostrou mais lento quando comparado às Mercedes e Ginetta GT4.

Na P4, a liderança é de Mário Marcondes e Ricardo Haag no único MRX da classe, seguidos por Alejandro Cignetti e Marcelo Miguel.

Na GT4 Light, a dupla da Mercedes CLA 45 AMG #21, Arthur Caleffi e Ian Jepsen Ely começa na liderança, seguidos pelo trio da outra Mercedes, de numeral 14.

O que podemos esperar da prova de Goiânia?

Após a primeira etapa parece claro que o balanço de performance estipulado no regulamento está funcionando. A prova na capital paranaense foi repleta de disputas do início ao fim, e tanto os carros da GT3 quanto os P1 estiveram equilibrados e com chances reais de vitória. A expectativa é novamente ver belas disputas pois, além das máquinas que já participaram em Curitiba, novas equipes prometem acirrar a luta pela vitória.

Na categoria P1, já está confirmada a estreia de mais um AJR, o carro #80 da equipe Kia Power Imports, que será pilotado por Alexandre Finardi e Rafael Suzuki. Esse bólido será o primeiro AJR a receber a motorização Nissan V6, com potência na casa dos 500 cv e que pode ser uma combinação muito competitiva, especialmente se o protótipo apresentar consumo de combustível mais moderado que os AJR com motor Chevrolet V8.

Depois de chegar a ser confirmado na etapa de abertura, o protótipo Sigma P1 pode aparecer na pista goiana, após receber uma pesada atualização aerodinâmica. Além da prometida revisão da asa dianteira (agora totalmente em fibra de carbono), a asa traseira foi reprojetada, com dois elementos e perfil variável. Novidade também é a parceria com a Nafta Motorsports, respeitada equipe paulista, que deve reforçar os esforços da equipe gaúcha. Resta ver o resultado das atualizações com o modelo na pista, e esperamos que já na próxima etapa.

Outro protótipo que pode estrear em Goiânia é o DTR P1-Honda Turbo. A equipe DTR Motorsports tem trabalhado duro na preparação do carro e, em treino realizado em Tarumã no dia 1º de maio, marcou um melhor tempo de 57,6 segundos, suficiente para colocar o carro na terceira posição do grid de largada da última prova gaúcha do Endurance Brasil em 2018. Se o carro vier, será forte candidato a disputar as primeiras posições da prova.

Caso todas as estreias se confirmem, a segunda etapa pode contar com a participação de 14 carros nas categorias principais (10 na categoria P1 e 4 carros da GT3), um grid impressionante para uma categoria que está apenas na sua quinta temporada.

Falando em GT3, já há algum tempo a imagem abaixo tem rodado a internet. Ao que tudo indica, se trata de um Huracan Super Trofeo Evo, que teria chegado em Campinas ainda em março, porém até o momento não surgiram novidades sobre se a macchina estava só de passagem pelo Brasil, ou se irá ficar e participar de competições no país. A versão Super Trofeo foi desenvolvida para a competição monomarca homônima, voltada a pilotos semiprofissionais. Apesar de mais potente que a versão GT3, com 620 cv, o modelo possui menor nível de downforce e é mais lento e amigável a pilotos menos experientes.

Na P2, o inglês Stuart Turvey vem treinado forte nas últimas semanas, e é outro que pode aparecer em Goiânia. No último ano o protótipo Scorpion se mostrou muito veloz em classificações e em ritmo de prova, e caso venha será um forte candidato a pole na P2. Resta saber se a confiabilidade, calcanhar de Aquiles da equipe em 2018, vai melhorar.

Algumas equipes também já estiveram treinando em Goiânia, como a equipe Via Italia Racing (Ferrar 488 GT3 #19) e a Stillux Racing (Ginetta G55 GT4 #16).

Novidades também na P3, com a estréia do protótipo Roco 001 Hayabusa de José Cordova e Robbi Perez e a LT Team subindo para a P3 com um MRX, conforme apurado pelo Velocidade Curitiba.

Por enquanto são essas as novidades para a segunda etapa da Império Endurance Brasil 2019, mas conforme a data da prova for se aproximando esse post será atualizado com todas as novidades.

Programação da Prova

24 de maio de 2019 – Sexta-feira

8h30 às 9h30 – Primeiro Treino Livre
9h45 às 10h45 – Segundo Treino Livre
11h às 12h – Terceiro Treino Livre
14h15 às 15h15 – Quarto Treino Livre
16h55 às 17h10 – Treino Classificatório

25 de maio de 2019 – Sábado

9h30 às 10h – Warm-up
12h às 13h – Visitação aos boxes
14h – Largada
18h30 – Pódio

Lista de Inscritos

A lista oficial de inscritos só deve sair na véspera da prova, mas conforme as novidades e confirmações forem surgindo a lista abaixo será atualizado

Categoria P1 (8 carros)
#4 Sigma P1-Audi V8 Turbo – Felipe Bertuol / Jindra Kaucher
#5 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Tiel Andrade / Andersom Toso / Júlio Martini / Marçal Muller
#11 Metalmoro AJR-Honda K24 Turbo – Emílio Padrón / Marcelo Vianna / Thiago Marques
#20 Ginetta G57-Chevrolet V8 – Wagner Ebrahim / Fábio Ebrahim / Pedro Aguiar
#65 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Nilson Ribeiro / José Roberto Ribeiro
#80 Metalmoro AJR-Nissan V6 – Alexandre Finardi / Rafael Suzuki
#88 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Carlos Kray / Vicente Orige / Tarso Marques
#110 Protótipo DTR-Honda K20 Turbo – Eduardo Dieter / Francesco Ventre
#113 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Pedro Queirolo / David Muffato
#175 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Henrique Assunção / Luiz Otávio Floss / Marcelo Sant’Anna

Categoria GT3 (4 carros)
#8 Mercedes-Benz AMG GT3 – Guilherme Figuerôa / Júlio Campos
#9 Mercedes-Benz AMG GT3 – Xandy Negrão / Xandinho Negrão
#19 Ferrari 488 GT3 – Chico Longo / Daniel Serra
#55 Porsche 911 GT3 R – Ricardo Maurício / Marcel Visconde

Categoria P2 (2 carros)
#25 GT Race Cars GeeBee R1-Chevrolet V8 – Ney Faustini / Ney de Sá Faustini
#32 MC Tubarão IX-Duratec Turbo – Mauro Kern / Paulo Sousa

Categoria GT3 Light (4 carros)
#18 Lamborghini Gallardo LP560-4 GT3 – Fernando Poeta / Beto Giacomello
#63 Aston Martin Vantage V12 GT3 – Sérgio Ribas / Guilherme Ribas
#100 Peugeot 408 Stock Car – Reinaldo Rena / Roberto Rossati
#155 Ferrari 458 GT3 – Peter Feter / Ricardo Mendes

Categoria P3 (7 a 8 carros)
#6 Metalmoro MRX-Volkswagen 16V – Leandro Totti / José Vilela
#7 Metalmoro MRX-Honda 20V – Aldoir Sette / Marcelo Campagnolo
#44 Metalmoro MRX-Volkswagen 16V – Ruben Ghisleni / à confirmar
#46 Roco 001-Hayabusa – Robbi Perez / Jose Cordova
#56 Metalmoro MRX-Volkswagen – Gustavo Simon / Rafael Simon (à confirmar)
#72 Metalmoro MRX-Opel 16V – Carlos Antunes / Yuri Antunes
#75 Metalmoro MRX-Cosworth – Henrique Assunção / Fernando Fortes / Emilio Padron
#89 Radical SR3-Hayabusa – Renato Stumpf / Matheus Stumpf

Categoria GT4 (5 carros)
#3 Mercedes-Benz AMG GT4 – Alexandre Auler / Leandro Romera
#16 Ginetta G55 GT4 – Ésio Vichiese / Kreis Jr
#22 Mercedes-Benz AMG GT4 – Leandro Ferrari / Flávio Abrunhoza
#64 Audi RS3 TCR – Henry Visconde / Guilherme Salas / Márcio Basso
#555 Ginetta G55 GT4 – Renan Guerra / Renato Braga

Categoria P4 (2 carros)
#34 Metalmoro MRX-Volkswagen 8V – Ricardo Haag / Mário Marcondes
#74 Aldee Spyder-Volkswagen 8V – Alejandro Cignetti / Marcelo Miguel

Categoria GT4 Light (4 carros)
#10 Chevrolet Cruze-Duratec Berta – Marcelo Losasso / Humberto Biazus #14 Mercedes-Benz CLA 45 AMG – Junior Victorette / Marcelo Karam / José Cordova
#21 Mercedes-Benz CLA 45 AMG – Arthur Caleffi / Ian Jepsen Ely
#164 Chevrolet Montana Stock Car – Marcos Phillip Alvez / Ricardo Cezar Alvarez

Resumo dia 23 de maio

Finalmente começaram as atividades da Endurance Brasil na capital goiana, com um treino extra para que os competidores possam se aclimatar à nova pista. O destaque do dia ficou com a Ginetta G57#20 dos irmãos Ebrahim e de Pedro Aguiar, que acumulou 72 voltas de treino e o melhor tempo da sessão em 1:18.099. Ainda na categoria P1, a segunda posição ficou com o AJR #88 da JLM Racing (à cerca de meio segundo), seguido pelos AJR #65 da NC Racing e o #5 da MC Tubarão, ambos a cerca de 1 segundo da Ginetta. O treino marcou também a reestreia do protótipo Sigma P1, que acumulou 43 voltas e um melhor tempo de 1:26.840.

Na GT3, o melhor tempo foi da Ferrari 488 #19 de Daniel Serra e Chico Longo, com o tempo de 1:19.753 (+ 1.653), com vantagem de mais de 1,5 segundo para as Mercedes AMG GT3 #8 e #9. Na GT3 Light, o único competidor a ir para a pista foi a Ferrari 458 #155 de Peter Feter e Ricardo Mendes, com um tempo de 1:24.762.

O melhor carro entre os demais foi o MRX #75 de Henrique Assunção, Emílio Padrón e Fernando Fortes (categoria P3). Na GT4, foram para a pista as duas Mercedes AMG e o Audi A3 da MC Tubarão. Apesar de já indicarem quais são alguns dos candidatos à pole-position, a sexta com certeza guarda diversas surpresas em todas as categorias. Isso porque as equipes começaram agora a entender qual o set-up ideal para a pista, e também porque várias ausências marcaram esse primeiro treino, entre elas as Ginetta G55 e o estreante protótipo Roco 001.

10 carros para ficar de olho em Pikes Peak em 2019

  • No dia 30 de junho será disputada a 97ª Edição do Pikes Peak International Hill Climb, a mais longa e famosa competição de subida de montanha do mundo. No ano passado Romain Dumas impressionou o mundo do automobilismo com sua quarta vitória, guiando o não menos impressionante Volkswagen I.D. R Pikes Peak, um protótipo de propulsão elétrica desenvolvido especialmente para a prova. A combinação foi tão efetiva que foi capaz de derrubar o tempo atingido em 2013 por Sébastian Loeb com seu Peugeot 208 T16 em cerca de 16 segundos, estabelecendo o recorde atual em 7m57s148. Abaixo vamos conhecer alguns dos principais destaques entre os participantes que irão disputar a corrida para as nuvens nesse ano:

1 – Simone Faggioli / Norma M20 SF PKP / Categoria: Pikes Peak Unlimited

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Resumo – 4 Horas de Curitiba 2019

E começou com o pé direito a temporada 2019 do Endurance Brasil. Com um grid repleto de protótipos e gran turismos de alto nível, a expectativa de que teríamos uma grande prova mais do que se confirmou. Antes de falar sobre a prova, entretanto, é importante ressaltar a bela homenagem dos pilotos e da própria Endurance Brasil ao piloto Luis Carlos “Cali” Crestani, que faleceu em fevereiro após uma difícil batalha contra um câncer. O gaúcho era uma das figuras carimbadas das provas do endurance a bordo do seu Tornado-Hayabusa #3, e que com certeza fará falta a cada etapa que for disputada.

Resultado do treino classificatório das 4 Horas de Curitiba

Durante o warm-up veio o primeiro susto, com um princípio de incêndio no AJR #13 de Pedro Queirolo e David Muffato, devido a um vazamento em uma mangueira de óleo. Por sorte incêndio foi controlado, e o carro pôde ser consertado alinhar normalmente no grid, pois o bólido dourado conseguiu pular muito bem na largado, chegando a primeira posição antes mesmo do fim da reta dos boxes. Quem também largou muito bem foi o AJR #5 da MC Tubarão, que pulou da sexta posição para a segunda, colado no carro da Império Racing. Já o AJR #65 não fez boa largada, caindo da pole para a oitava posição.

Na terceira volta ocorreu a primeira entrada do safety car, após o sul-mato-grossense Peter Feter deixar a pista e ficar preso na área de escape. Com isso, o pelotão foi reaproximado, com a relargada na sexta volta. O carro #65 voltou com tudo após a relargada, inclusive com uma ultrapassagem mais ousada forçando a Ferrari #19 para fora da pista e rendendo a primeira advertência por conduta antidesportiva.

Outro carro que também aproveitou a relargada para subir na classificação foi Ginetta G57, e na volta 19 a situação era a seguinte: em primeiro o AJR #13, seguido pelo Ginetta #20 com o #5 da MC Tubarão em terceiro e o AJR #65 em quarto. Nesse momento uma falha elétrica forçou o carro #5 a fazer uma parada não programada, tirando o bólido gaúcho da disputa. Quem também enfrentou problemas, foram as equipes Via Italia Racing e Team Ginetta Brasil.

No caso da Ferrari #19, um toque mais forte da Mercedes AMG GT3 #9 forçou uma longa parada para reparos, enquanto a Mercedes acabou desclassificada justamente por conta desse toque. Outro carro que foi desclassificado foi o Aldee Spyder #73 de Leandro Totti e José Vilela, por perder a janela de paradas obrigatórias. No caso da Ginetta #20, um toque com outro competidor causou uma quebra de suspensão, que tomou muito tempo para ser reparada.

Na categoria P2, o Predador #35 vinha em primeiro, mantendo um bom ritmo e a décima posição na classificação geral, porém uma falha mecânica fez com que o carro ficasse parado na pista, cedendo a liderança da P2 para o GeeBee #25. No final, o protótipo GeeBee também acabou abandonando devido à quebra de uma homocinética e com o abandono do MC Tubarão IX #32, nenhum carro da P2 completou a prova.

Voltando a ponta da prova, o AJR da Império Racing manteve-se na liderança até a segunda janela de pit-stops obrigatórios, quando um atraso na troca de pilotos permitiu que o carro #88 de Tarso Marques ganhasse a primeira posição na classificação geral. Ao mesmo tempo, na GT3 a dupla Xandy Negrão e Xandinho Negrão se firmava na liderança, ocupando a segunda posição na classificação geral, seguidos pelo Porsche #55 da Stuttgart, com o AJR #113 ficando para trás devido a um pneu furado, situação que se manteria até a última janela de pit stops, quando a Mercedes #09 conseguiu assumir a liderança na geral com cerca de 50 segundos de vantagem sobre o AJR #88. Nesse último stint, Vicente Orige veio inspirado, tirando entre 2 e 3 segundos por volta da Mercedes, até obter a ultrapassagem na volta 135. Depois disso a vitória parecia garantida, porém na volta 150 o carro #88 começou a virar acima de 1:22 economizando combustível, perdendo quase 5 segundos por volta em relação à Mercedes. Nessa hora era visível a preocupação da equipe JLM Racing nos boxes, principalmente quando Vicente Orige cruzou aquela que seria a última volta com menos de 3 segundos de vantagem. À menos de meia volta o carro alemão cresceu no retrovisor do protótipo brasileiro, e o vencedor foi definido por uma diferença de apenas 0,379 segundos, uma chegada bem apertada para uma prova de 4 horas de duração. Em terceiro chegou o AJR #13 e em quarto o Porsche #55, com o AJR #65 completando o pódium da classificação geral. Na categoria P3 a vitória ficou com o MRX-Volkswagen 8V de Gustavo e Rafael Simon, com o MRX-Volkswagen #34 da dupla Marcondes / Haag subindo ao lugar mais alto do pódio na P4. Entre os gran turismo, a vitória da GT3 Light ficou com o Aston Martin de Sérgio e Guilherme Ribas, com Alexandre Auler e Leandro Romera vencendo a classe GT4 e Arthur Caleffi / Ian Jenpsen Ely com a vitória na GT4 Light.

No final, minha opinião é que a prova mostrou um nível de amadurecimento da categoria, com pilotos e carros de linha disputando a prova. Além disso, nessa primeira etapa ficou evidente que um regulamento livre, porém bem desenhado, pode garantir equilíbrio e boas disputas entre bólidos tão diversos quanto os GT3 e P1. O único ponto negativo a ressaltar foram os problemas na transmissão ao vivo, principalmente nos primeiros 30 minutos de prova, mas que prontamente foram resolvidos pela empresa geradora de sinal. Esse é um problema que não tira o brilho da prova ou da categoria, mas que merece um maior cuidado nos próximos eventos. Agora resta aguarda a próxima etapa, que será realizada dia 25 de maio e irá marcar a estreia do Endurance Brasil em Goiás, que promete contar com a participação de novos bólidos que irão esquentar ainda mais a disputa.

Resultado final das 4 Horas de Curitiba 2019

Endurance Brasil – 4 Horas de Curitiba 2019

A abertura da temporada 2019 do Endurance Brasil será a prova 4 Horas de Curitiba, realizada no Autódromo Internacional Raul Boesel, localizado em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (conheça aqui as principais máquinas que farão parte do certame).

O circuito, inaugurado em 1967 tem 3.695 metros de extensão, com 11 curvas, que você pode conhecer de carona com Stuart Turvey, à bordo do protótipo Scorpion-Hayabusa Turbo.

Em 2018, os vencedores foram a dupla Daniel Serra e Chico Longo, a bordo da Lamborghini Huracàn GT3 já no formato de 4 Horas, porém a etapa de Curitiba teve diversas encarnações na história recente do Endurance, com provas de 4 Horas, 500 Km e até 800 km. Analisando o histórico recente das disputas do endurance no Paraná, fica evidente que os modelos GT têm vantagem, com 7 vitórias nas últimas 10 provas disputadas em solo paranaense, 4 delas com a dupla Chico Longo e Daniel Serra (e sempre com macchinas italianas). Dentre os competidores que estarão nas pistas esse ano, ao menos 5 duplas já venceram provas de endurance no autódromo paranaense, como podemos ver abaixo:

O recorde atual é 1:13.265 da pole-position do trio Carlos Kray, David Muffato e Vicente Orige, a bordo do protótipo AJR-Chevrolet V8, quebrando o recorde do endurance estabelecido em 2004 por Paulo Bonifácio e Alceu Feldmann com o protótipo ZF01-Chevrolet V8. Para efeito de comparação, o tempo é mais de 2 segundos mais rápido que a melhor volta de Maurizio Sandro Sala em 1996, a bordo da mítica McLaren F1 GTR. Abaixo temos um comparativo do tempo de volta da Endurance Brasil versus outras categorias de destaque.

Em 2019, a lista provisória de inscritos é a seguinte:

Categoria P1 (7 carros)

#4 Sigma P1-Audi V8 Turbo – Felipe Bertuol / Jindra Kaucher

#5 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Tiel Andrade / Andersom Toso / Júlio Martini

#11 Metalmoro AJR-Honda K24 Turbo – Emílio Padrón / Marcelo Vianna / Thiago Marques

#20 Ginetta G57-Chevrolet V8 – Wagner Ebrahim / Fábio Ebrahim / Pedro Aguiar

#57 Ginetta G57-Chevrolet V8 – pilotos a confirmar

#65 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Nilson Ribeiro / José Roberto Ribeiro

#88 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Carlos Kray / Vicente Orige / Tarso Marques

#110 Protótipo DTR-Honda Turbo – Eduardo Dieter / Francesco Ventre

#113 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Pedro Queirolo / David Muffato

#175 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Henrique Assunção / Alexandre Finardi / Luiz Otávio Floss / Marcelo Sant’Anna

Categoria GT3 (4 carros)

#8 Mercedes-Benz AMG GT3 – Guilherme Figuerôa / Júlio Campos

#9 Mercedes-Benz AMG GT3 – Xandy Negrão / Xandynho Negrão

#19 Ferrari 488 GT3 – Chico Longo / Daniel Serra

#55 Porsche 911 GT3 R – Ricardo Maurício / Marcel Visconde

Categoria GT3 Light (3 carros)

#18 Lamborghini Gallardo LP560-4 GT3 – Fernando Poeta / Beto Giacomello

#63 Aston Martin Vantage V12 GT3 – Sérgio Ribas / Guilherme Ribas

#155 Ferrari 458 GT3 – Peter Feter / Ricardo Mendes

Categoria P2 (3 carros)

#25 GT Race Cars GeeBee R1-Chevrolet V8 – Ney Faustini / Ney de Sá Faustini

#32 MC Tubarão IX-Duratec Turbo – Mauro Kern / Paulo Sousa

#35 Predador-Audi Turbo – Jair Bana / Duda Bana

#37 Scorpion-Hayabusa Turbo – Stuart Turvey / Thiago Riberi

Categoria GT4

#3 Mercedes-Benz AMG GT4 – Alexandre Auler / Leandro Romera

#10 Chevrolet Cruze-Duratec Berta – Marcelo Losasso / Humberto Biazus

#14 Mercedes-Benz CLA 45 AMG – Junior Victorette / à confirmar

#16 Ginetta G55 GT4 – Ésio Vichiese / Renan Guerra / Kreis Jr

#22 Mercedes-Benz AMG GT4 – Leandro Ferrari / Flávio Abrunhoza

#27 Mercedes-Benz CLA 45 AMG – Paulo Varassin / André Varassin / Lorenzo Varrasin

#49 Mitisubishi – Gustavo Frigotto

#64 Audi RS3 TCR – Henry Visconde / Guilherme Salas / Márcio Basso

#21 Mercedes-Benz CLA 45 AMG – Arthur Caleffi / Ian Jepsen Ely

# TBA Fiat Linea Troffeo – Gustavo Kyrila / Cláudio Kirila

Categoria P3

#7 Metalmoro MRX-Honda 16V – Aldoir Sette / Marcelo Campagnolo

#44 Metalmoro MRX-Volkswagen 16V – Ruben Ghisleni / Ian Jepsen Ely /Daniel Claudino

#46 Protótipo Roco-Hayabusa – Robi Perez / à confirmar

#56 Metalmoro MRX-Volkswagen – Gustavo Simon / Rafael Simon

#72 Metalmoro MRX-Opel 16V – Carlos Antunes / Yuri Antunes

#75 Metalmoro MRX-Cosworth – Henrique Assunção / Fernando Fortes / Emilio Padron

#89 Radical SR3-Hayabusa – Renato Stumpf / Matheus Stumpf

Categoria P4

#34 Metalmoro MRX-Volkswagen 8V – Ricardo Haag / Mário Marcondes

#73 Aldee Spyder-Volkswagen 8V – José Vilela /Luiz Abbade

#74 Aldee Spyder-Volkswagen 8V – Alejandro Cignetti / à confirmar/

A programação para a edição 2019 das 4 Horas de Curitiba será a seguinte:

28 de março de 2019 – Quinta-feira

07h às 12h – Montagem das equipes
09h às 17h30 – Secretaria/Inscrições
11h às 12h – Briefing chefes de equipe
13h30 às 17h30 – Treino extra

29 de março de 2019 – Sexta-feira

08h às 19h – Secretaria/Inscrições/Combustível
08h30 às 09h30 – Treino livre oficial – Todas as categorias
09h45 às 10h45 – Treino livre oficial – Todas as categorias
11h às 12h – Treino livre oficial – Todas as categorias
13h às 14h – Treino livre oficial – Categorias P2, P3, P4 e GT4
14h15 às 15h15 – Treino livre oficial – Categorias P1 e GT3
15h30 às 15h45 – Treino classificatório P3 e P4
16h50 às 16h10 – Treino classificatório P2
16h15 às 16h30 – Treino classificatório GT4
16h35 às 16h50 – Treino classificatório GT3
16h55 às 17h10 – Treino classificatório P1
18h – Briefing Pilotos

30 de março de 2019 – Sábado

08h às 18h – Secretaria/Inscrições/Combustível/Pneus
09h às 11h30 – Vistoria Técnica nos boxes das equipes
09h30 às 10h – Warm-up Endurance
12h às 13h – Visitação e horário promocional
13h30 – Abertura de Box
13h40 – Fechamento de box
13h45 – Minuto de Silêncio em homenagem ao piloto Cali Crestani
13h50 – Hino Nacional com todas as equipes perfiladas atrás dos seus carros
13h55 – Placa de 5 minutos
14h – Largada Quatro Horas de Curitiba (transmissão ao vivo pelo Canal do Youtube do Endurance Brasil)
18h30 – Pódio

Você pode também acompanhar o live timing pelo Race Hero.

Resumo do dia 28 de março

Com diversas equipes e carros estreando, o primeiro dia de treinos serviu para que muitos competidores acumulassem quilômetros com suas novas máquinas, como o AJR-Chevrolet #5 da equipe MC Tubarão, que completou 52 voltas, ou quase 1/3 de ma prova completa. O melhor tempo do dia ficou com outro AJR, o #65 da equipe NC Racing, com 1:13;069, estabelecendo o novo recorde extra-oficial da Endurance em Curitiba. Em segundo ficou o Ginetta G57 dos irmãos Ebrahim, a exatos 1s400 do protótipo nacional. Com o terceiro melhor tempo na geral, e primeiro da categoria GT3, ficou a Mercedes AMG GT3 #9 da família Negrão, seguidos a 4 décimos pela outra Mercedes GT3 de Guilherme Figuerôa e Julio Campos. O melhor carro fora das categorias P1 e GT3 foi o protótipo Predador-Audi Turbo dos pilotos da casa Jair Bana e Duda Bana, enquanto na GT4 o melhor tempo do dia ficou com a Ginetta G55 de Ésio Vichiesi e Renan Guerra. De qualquer forma, esses resultados não devem ser considerados como referência ainda, pois com as equipes focadas em set-up e simulações de consumo de combustível e pneus para a prova, os tempos podem e devem melhorar consideravelmente durante a tomada de tempo oficial.

Algumas ausências notáveis foram a Ferrari 48 GT3 de Chico Longo e Daniel Serra, a Lamborghini Gallardo da dupla Poeta/Giacomello e a confirmação de que os protótipos, Sigma P1 e Scorpion KTT estarão de fora da primeira etapa.

Resumo do dia 29 de março

As atividades começaram cedo no segundo dia de ação na pista paranaense. Durante os treinos livres o AJR #65 da família Ribeiro mostrou a mesma velocidade da temporada 2018, com a melhor volta em 1:12.821, com pneus ainda velhos. Quem finalmente apareceu foram os bólidos italianos que faltavam na GT3, a Lamborghini Gallardo #18 da Mottin Racing e a Ferrari 488 #19 da Via Italia Racing. Já pela manhã ficava claro que a disputa pela pole-position na classificação geral seria acirrada, com bons tempos postados pelos protótipos AJR e o Ginetta dos irmãos Ebrahim e também pela Ferrari #19.

Ginetta G57 #20 – Wagner Ebrahim / Fábio Ebrahim / Pedro Aguiar. Fonte: Divulgação Endurance Brasil.

Às 15h30 começou a sessão de treinos classificatórios, com os protótipos das categorias P3 e P4 sendo os primeiros a entrar na pista.

MRX #44 – Mario Marcondes / Ricardo Haag. Fonte: Divulgação Endrance Brasil.

Na P4, a pole ficou com o MRX-Volkswagen AP de Ricardo Haag e Mario Marcondes, seguido a menos de dóis décimos pelo Aldee Spyder de José Vilela e Leandro Totti.

MRX#75 – Henrique Assunção / Emilio Padron / Fernando Fortes. Fonte: Divulgação Endurance Brasil.

Na P3, foi confirmado o desempenho do carro campeão de 2018, o MRX-Cosworth de Henrique Assunção, Emilio Padron e Fernando Fortes, seguido pelo MRX-Volkswagen de Gustavo e Rafael Simon.

Predador #35 – Jair Bana / Duda Bana. Fonte: Divulgação Endurance Brasil.

Em seguida foi a vez dos protótipos da categoria P2 se classificarem, com a dupla Jair e Duda Bana confirmando o favoritismo à bordo do Predador #35, marcando o melhor tempo da pista até então em 1:17.081, com vantagem de 1,8 segundos sobre o MC Tubarão IX-Duratec Turbo de Paulo Sousa e Mauro Kern.

Mercedes AMG GT4 #3 – Alexandre Auler / Leandro Romera. Fonte: Divulgação Endrance Brasil.

Na sequência entraram as máquinas da GT4, onde a disputa prometia ser entre as Mercedes AMG da Scuderia 111 e a Ginetta G55 do Team Ginetta Brasil. Na pista a expectativa se confirmou, com a dupla Alexandre Auler / Leandro Romera liderando a categoria de Mercedes, com 1,5 segundos de vantagem sobre a outra Mercedes de Leandro Ferrari / Flavio Abrunhoza, e a Ginetta #22 em terceiro.

Ferrari 488 GT3 #19 – Chico Longo / Daniel Serra. Fonte: Divulgação Via Italia Racing.

Nesse momento a expectativa era alta, pois entravam na pista as máquinas dos sonhos da GT3, fortes candidatas a pole geral. A Ferrari 488 de Daniel Serra e Chico Longo finalmente mostrou a que veio, marcando a melhor volta em 1:12.739 e quebrando o recorde da pole de 2018 por mais de 0,5 segundo. Na segunda posição da GT3 ficou a Mercedes #8 a quase 1,9 segundos, seguidos de perto pela Mercedes #9. Enquanto isso, na GT3 Light o Aston Martin #63 da dupla Sergio Ribas e Guilherme Ribas acabou não indo para a pista, com a primeira posição na categoria ficando para a Ferrari 458 de Peter Feter e Ricardo Mendes.

AJR #65 – Nilson Ribeiro / José Roberto Ribeiro. Fonte: Divulgação Endurance Brasil.

Por fim chegou a hora dos carros mais rápidos da P1 entrarem na pista, com a promessa de uma boa disputa entre o esquadrão de protótipos AJR e o Ginetta G57. Contudo, logo após a entrada na pista o AJR #65 mostrou suas garras, estabelecendo o incrível tempo de 1:11.619, baixando o tempo da pole de 2018 em 1,6 segundos, com um tempo apenas 4 décimos mais lentos que a última pole da Fórmula 3 Brasil em Curitiba. Restava a expectativa se algum dos outros carros poderia bater esse tempo, porém quem mais se aproximou foi outro AJR, o de numeral 88 do trio Carlos Krey, Vicente Orige e Tarso Marques, que obteve um tempo de 1:12.227 (um melhora de 1 segundo versus a pole desse mesmo carro em 2018. Na terceira posição ficou a Ginetta G57 #20, com melhor tempo de 1:12.621. Para quem temia que o protótipo inglês poderia desequilibrar a disputa nas pistas, agora parece que pelo menos no desempenho em uma volta os AJR e GT3 mais velozes são capazes de fazer frente a esse novo competidor. Quem também não veio para a pista no classificatório foi o AJR #175 da Império Racing, que pelos tempos marcados nos treinos livres poderia ter se classificado entre os sete primeiros.

Abaixo segue a tabela de classificação completa após o encerramento do treino classificatório:

Endurance Brasil – Temporada 2019

Para quem gosta de competições automobilísticas, as provas de longa duração são um prato cheio com sua grande variedade de máquinas e pilotos. Provas como as 24 Horas de Le Mans ou Daytona são muito conhecidas pelos fãs, mas você sabia que existe um campeonato brasileiro de endurance? E que esse campeonato conta com modelos de diversas montadoras como Ferrari, Porsche e Lamborghini, além de uma miríade de protótipos, a maioria deles fabricados aqui no Brasil? Pois bem, tal campeonato existe na forma do Endurance Brasil, nascido a partir do Campeonato Gaúcho de Endurance em 2014, e que desde então vem ganhando força a cada ano, mesmo com a difícil situação econômica do país. Em 2019, o campeonato terá 8 etapas, conforme o calendário provisório divulgado em 23 de janeiro pela organização:

Para quem ainda não conhece o campeonato, nessa temporada os competidores serão divididos em 7 categorias:

P1: São os protótipos mais velozes, que em condições normais são os favoritos a vencer as provas. Essa categoria inclui protótipos importados construídos dentro do regulamento FIA LMP3, modelos Ginetta G57 e G58 e protótipos nacionais com motores aspirados de até 7.000 cm³, ou turbocomprimidos com no máximo 4.200 cm³;

P2: Em 2019 a categoria P2 será reservada para os protótipos nacionais, com as mesmas configurações de motores e peso da categoria P1, porém com capacidade máxima permitida do tanque de combustível inferior aos da P1;

P3: Terceiro nível de protótipos da Endurance Brasil, a P3 é reservada para protótipos com motores aspirados multiválvulas de até 2.400 cm³ ou conjunto motor/transmissão de motocicletas e deverá ser povoada principalmente por modelos como o Metalmoro MRX e Radical SR3;

P4: Categoria de entrada dos protótipos, a P4 permite apenas protótipos equipados com motores de até 2.400 cm³, com no máximo duas válvulas por cilindro. Deve contar principalmente com protótipos MRX e Aldee Spyder;

GT3: Tal como o nome indica, essa categoria é reservada para modelos homologados dentro do regulamento FIA GT3, tais como Ferrari 488, Lamborghini Huracán, Porsche 911, entre outros, que tenham sido construídos após 2012;

GT3 Light: Categoria dedicada para modelos GT3 construídos antes de 2012 e protótipos JL09 (Stock Car) sem restrição;

GT4: Categoria para veículos FIA GT4, FIA TCR, Stock Car com restritor, Trofeo Linea, Maserati Trofeo entre outros modelos GT e Turismo que estejam em conformidade com o regulamento específico da categoria.

A temporada 2019 promete muito, com a chegada de novas máquinas em todas as categorias. Na categoria P1, o destaque entre os protótipos nacionais é o AJR, desenvolvido pela JLM Racing em parceria com a Metalmoro. O modelo, lançado em 2017, foi o detentor da pole-position em todas as provas da temporada de 2018 do Endurance Brasil, além da pole dos 500 km de Interlagos, porém obteve apenas duas vitórias na geral, nas etapas de Tarumã e Santa Cruz do Sul do campeonato brasileiro. No final da última temporada, Emílio Padròn conseguiu sagrar-se campeão da categoria P1 competindo com o AJR, que também foi o carro dos pilotos na terceira, quarta e quinta colocação. Já competiram carros com diversas opções de motorização, tais como Honda Turbo, Chevrolet V8 (o mesmo da Stock Car) e mais recentemente Audi Turbo, e em 2019 teremos mais uma opção, com o AJR-Nissan V6. Devido a velocidade demonstrada, os carros equipados com o motor americano têm competido com potência reduzida (de 550 HP em set-up de classificação para 450 HP nas provas), pois assim é possível otimizar o consumo de combustível, e consequentemente o número de paradas nos boxes. Devido a isso também, durante 2018 diversas equipes fizeram a mudança para o protótipo gaúcho (a destacar a equipe sul mato-grossense NC Racing e a gaúcha Mottin Racing), e para 2019 outras equipes também vão de AJR, incluindo a tradicional MC Tubarão e as equipes Império Racing e Kia Power Imports, o que pode nos levar a um total de até oito AJRs nas pistas.

Emilio Padrón / Marcelo Vianna – Metalmoro AJR-Honda K24 Turbo #11

Henrique Assunção / Fernando Ohashi / Luiz Otávio Floss – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #117

Nilson Ribeiro / José Roberto Ribeiro – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #65

Carlos Kray / Vicente Orige / Tarso Marques – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #88

Oswaldo Sheer / Eduardo Sheer / Sergio Jimenez – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #26 Correção: O carro 26 que foi da família Sheer em 2018 agora é o #5 da equipe MC Tubarão.

Tiel Andrade / Julio Martini / Andersom Toso– Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #5

Alexandre Finardi / Rafael Suzuki / Marcelo Campagnolo / Nélson Silva Jr – Metalmoro AJR-Nissan V6 #80

Mottin Racing (pilotos a serem confirmados) – Metalmoro AJR-Audi 2.0 Turbo #46

Marcelo Sant’Anna / Pedro Queirolo / David Muffato – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #13

O grande desafio para as equipes competindo com o AJR deve ser o Team Ginetta Brasil, que irá participar do certame com dois Ginetta G57 P2-Chevrolet, modelo com monocoque de fibra de carbono, downforce equivalente ao de um protótipo LMP2 e um motor Chevrolet LS3 6.2 V8 de 575 HP, e que têm como pilotos confirmados os irmãos Fábio e Wagner Ebrahim. Desde de sua estréia em 2016, o protótipo do fabricante inglês se mostrou uma máquina muito veloz com vitórias em provas da VdeV Endurance Series, NASA (National Auto Sport Association), FARA (Formula & Automobile Racing Association), 24 Hours Series by Creventic e no campeonato sul-africano de endurance, e isso tem grande chance se repetir em território brasileiro.

Team Ginetta Brasil (pilotos a serem confirmados) – Ginetta G57-Chevrolet V8 #57

Wagner Ebrahim / Fabio Ebrahim – Ginetta G57-Chevrolet V8 #20

Entre os demais protótipos, vale destacar o gaúcho Sigma P1-Audi V8 Turbo, da dupla Jindra Kraucher e Felipe Bertuol. Com potência superior a 600 cv, o protótipo começou a ser projetado em 2014 como um carro híbrido ao estilo LMP1, que inicialmente tinha a proposta de ser um carro sem transmissão convencional (apenas embreagem e diferencial), com motores elétricos suprindo torque em baixas rotações. Em 2018, porém, o modelo foi repensado para uma configuração mais convencional, com transmissão X-trac sequencial, reestreando na quinta etapa do campeonato de 2018, em Santa Cruz do Sul, com tempos de volta próximos aos de carros como Ferrari 458 GT3 e Aston Martin V12 Vantage GT3. Depois disso o time gaúcho se ausentou do campeonato, e vêm trabalhando em melhorias no downforce dianteiro, no sistema de arrefecimento e redução de peso para acompanhar o ritmo dos ponteiros.

Jindra Kaucher / Felipe Bertuol – Sigma P1-Audi V8 Turbo #4

De São Paulo teremos o protótipo GeeBee R1-Chevrolet V8 (cria de Jaime Gulinelli da GT Race Cars e que já pertenceu a Dimas Pimenta, quando se chamava Dimep GT-R1). Apesar de ser um projeto um pouco mais antigo, com a primeira versão estreando nas pistas em 2008, o carro da dupla de pai e filho Ney Faustini/Ney de Sá Fausitini mostrou-se uma máquina confiável durante a temporada de 2018, e mesmo sem ter o ritmo dos AJR obteve dois terceiros lugares na categoria P1, dentre as 5 etapas em que participou, provando a máxima de que para terminar uma corrida em primeiro, primeiro é preciso terminar a corrida. Para a temporada 2019 a Absoluta Racing está trabalhando com a GT Race Cars em um novo protótipo de cabine fechada, o GeeBee DP1, porém ainda sem data de estreia divulgada.

Ney Faustini / Ney Faustini Jr – GT Race Cars GeeBee DP1-Chevrolet V8 #25

Mais um que deve estrear em 2019 é o DTR P1-Honda Turbo, da equipe DTR Motorsports. Esse protótipo vem sendo desenvolvido desde 2017, e irá substituir o MR18-Honda Turbo da equipe, que foi abandonado após um acidente na etapa de Santa Cruz do Sul do Endurance Brasil 2017.

E. Dieter / F. Ventre – DTR P1-Honda Turbo #110

Entre os protótipos com rodas aro 13, teremos o Scorpion-Hayabusa Turbo da KTT Racing, pilotado pelo inglês Stuart Turvey e pelo brasileiro Thiago Riberi. Diversos problemas impediram o pequeno protótipo de completar as provas na temporada passada, mas sempre que esteve na pista o modelo demonstrou grande velocidade, com bons tempos nas tomadas de classificação e grandes desempenhos dos pilotos, e pode surpreender máquinas mais potentes com seu baixo peso e agilidade.

Stuart Turvey / Thiago Riberi – Veloztech Scorpion-Hayabusa Turbo #37

Por fim, mas não por último, temos que lembrar do protótipo Predador-Audi Turbo da dupla Jair Bana e Duda Bana. Construído pela família Bana sob a tutela de Almir Donato (criador do Aldee Spyder, um dos mais bem-sucedidos protótipos nacionais), o Predador vem recebendo melhorias continuamente desde sua criação, sempre se mostrando competitivo frente a modelos mais modernos e potentes. A temporada 2018 não foi de todo ruim, com um terceiro lugar na categoria P1 em Interlagos como ponto alto. No final do ano o modelo da Bana Racing apareceu nas 500 Milhas de Londrina com nova pintura, obtendo a pole-position com um dos melhores tempos de volta da história do autódromo paranaense, e vem com a promessa de melhorias para se manter competitivo frente aos novos concorrentes.

Jair Bana / Duda Bana – Predador-Audi 2.0 Turbo #35

Outra novidade programada para estrear nas 4 Horas do Velo Città é o Pegaso R, protótipo que está sendo desenvolvido pelos alunos do Curso de Engenharia Mecânica da UNIP-Ribeirão Preto, capitaneado pelo piloto e promotor de automobilismo Andrey Valerio através de sua equipe AV Motorsports. O projeto nasceu após Valerio acompanhar uma das etapas do Endurance Brasil em 2018, e está sendo viabilizado através parcerias com a UNIP e diversos fornecedores de componentes, tais como Pro Tune (sistema de injeção e controle motor), Volcano (rodas). O carro de estrutura tubular prevê um motor V6 de 450 cv, cujo fornecedor ainda não foi revelado, aliado uma transmissão Hewland sequencial de 6 marchas. O único piloto já divulgado é o próprio Andrey Valerio, que vêm se preparando com treinos em simuladores antes do shake down do modelo.

Andrey Valerio – AV Motorsports Pegaso R #07

Mudando agora para a categoria GT3, a Via Italia Racing, equipe de Chico Longo, campeão da GT3 e geral em 2018, vai mudar de carro nessa temporada. A Lamborghini Huracàn GT3 com a qual Longo e Daniel Serra correram vai dar lugar a outro bólido italiano, uma Ferrari 488 GT3, modelo já consagrado pelo mundo como um dos melhores GT3 da atualidade, inclusive com uma vitória nas 12 Horas de Bathrust em 2017. O carro da Via Italia, em particular, já estreou com o pé direito na temporada 2019, com a pole position da categoria GTD nas 24 Horas de Daytona, uma das provas mais tradicionais do endurance mundial. A macchina italiana é outra que chega com pinta de favorita, não só pelas vitórias na categoria GT3, mas também por vitórias na classificação geral.

Chico Longo / Daniel Serra – Ferrari 488 GT3 #19

Para tentar desbancar os atuais campeões, a Scuderia 111 volta com o mesmo line-up que fechou o ano passado, duas Mercedes AMG GT3, a #09 com Xandy e Xandinho Negrão (bicampeões do Campeonato Brasileiro de Endurance em 2004 e 2005) e a #08 com Guilherme Figuerôa e Julio Campos. Se 2018 viu um começo lento das Mercedes, principalmente antes da chegada dos pneus com composto específico para o modelo, 2019 promete boas brigas dos bólidos alemães pelas vitórias e pole-positions, já que o modelo coleciona vitórias em provas e campeonatos importantes pelo mundo, tais como as 24 Horas de Nurburgring (2016), 12 Horas de Sebring (2017) e na categoria GT300 do campeonato japônes Super GT (2017 e 2018).

Xandy Negrão / Xandinho Negrão – Mercedes-Benz AMG GT3 #09

Guilherme Figueiroa / Julio Campos – Mercedes-Benz AMG GT3 #08

Outro que vêm correndo atrás do prejuízo é o Porsche 911 GT3 R  “de fábrica” da Stuttgart, guiado por Ricardo Maurício e Miguel Paludo. Campeões de 2017, a dupla volta com esperança de um ano melhor, após um 2018 sem nenhuma vitória na geral nem na categoria. Se a dupla é vencedora, o 911 GT3 geração 991 também é um modelo vencedor, sendo o carro dos atuais vencedores das tradicionais provas 24 Horas de Nurburgring e 12 Horas de Bathrust.

Ricardo Maurício / Miguel Paludo – Porsche 911 GT3 R #55

Além deles, teremos o Aston Martin V12 Vantage de Sérgio Ribas e Guilherme Ribas, que mostrou muita velocidade no final da temporada 2018, a Ferrari 458 GT3 (a 458 é considerada o carro mais vitorioso desde de a implementação da GT3 pela SRO) de Ricardo Mendes e Claudio Ricci, e a Lamborghini Gallardo LP560 da Mottin Racing, competindo pelas mãos de Beto Giacomello e Fernando Poeta, vice-campeões da categoria P1 de 2018 e campeões de 2017 com o protótipo MCR Grand Am-Lamborghini V10 (que infelizmente deve ficar de fora da competição na temporada que se inicia).

Ricardo Mendes / Claudio Ricci – Ferrari 458 GT3 #155

Sérgio Ribas / Guilherme Ribas – Aston Martin V12 Vantage GT3 #63

Beto Giacomello / Fernando Poeta – Lamborghini Gallardo LP560 GT3 #18

Ao longo da temporada, iremos trazer a cobertura de todas as provas e novidades dessa que é a categoria mais veloz do automobilismo brasileiro.

10 carros para ficar de olho em Pikes Peak em 2017

No próximo domingo (25/06), irá ser disputada a 95ª edição da Subida Internacional de Montanha de Pikes Peak (veja aqui os resultados da edição 2016), e mesmo com a ausência de alguns participantes importantes como Nobuhiro “Monster” Tajima, Paul Dallenbahc and Mike Ryan, a prova promete ser extremamente disputada. O recorde de 8m13s878 estabelecido por Sébastian Loeb em 2013 ainda permanece, porém vários competidores estarão lá buscando se aproximar ou até mesmo superar essa marca.

1 – Romain Dumas / Norma MXX RD Limited

Imagem: RD Limited.

Em busca da terceira vitória na montanha, o francês Romain Dumas vem com tudo para a prova de 2017. Tentando se aproximar do recorde absoluto estabelecido pelo seu conterrâneo Sebastian Loeb, o carro de Dumas vem com aerodinâmica completamente revisada por quatro ex-membros do time de Fórmula SAE Rennteam Uni Stuttgart, com um grande splitter dianteiro e uma asa traseira ainda maior, além de diversos outros elementos como as rodas  traseiras parcialmente cobertas. Na parte mecânica o sistema de tração integral foi mantido, enquanto o motor Honda 2.0 que recebeu novos turbo e intercooler e os freios foram substituídos por discos de carbono. Com 770 kg e cerca de 570 HP, é grande a chance de que o francês obtenha mais uma vitória.

2 – Paul Gerrard / Lovefab Enviate Hypercar PP1800

Imagem: Lovefab.

Talvez o maior desafiante para Romain Dumas seja o americano Paul Gerrard. Com um longa carreira em diversas categorias ele faz sua estreia em Pikes Peak pilotando o Enviate Hypercar PP 1800 da empresa americana Lovefab. Criado especificamente para provas de subida de montanha, o Enviate é construído sobre um chassi tubular extremamente leve, com peso total de apenas 816 kg, que conta com um arranjo peculiar de suspensão: com configuração pullrod em ambas as extremidades, ela conta com um terceiro amortecedor central para compensar os efeitos das forças aerodinâmicas (Cody Loveland, proprietário da Lovefab, espera que o modelo produza entre 3 e 4 toneladas de downforce durante os picos de velocidade). Para mover esse conjunto foi escolhido um motor GM LQ9, equipado com uma turbina Garrett GTX3576, capaz de produzir mais de 700 HP durante a prova.

3 – Rodney Tu / Palatov D1 PPS

Imagem: Palatov.

Novamente correndo por fora vem o taiwanês Rodney Tu. Ele volta com o mesmo carro do ano passado, o leve e potente Palatov D1 PPS. Com a experiência de ter competido em 2016, e com  o bólido de 500 kg e 350 HP que já venceu a categoria Unlimited em 2012, o oriental pode surpreender durante a prova no domingo.

4 – Tony Quinn / Pace Innovations Ford Focus

Imagem: Speedcafe.

Em 2017 o neozelandês volta para mais uma participação em Pikes Peak. Seu “Ford Focus” com motor de 850 HP do Nissan GT-R é um carro sólido, e caso os favoritos apresentem problemas é um dos mais fortes candidatos a pintar como zebra para uma vitória na geral.

5 – David Rowe / EPS Motorsport Audi Quattro S1E2

Imagem: SpeedHunters.

Uma visão nostálgica nesse final de semana será proporcionada pelo australiano David Rowe. No domingo ele irá alinhar um Audi Quattro S1E2 bem parecido com o que Walter Röhrl levou a vitória na montanha americana em 1987. Isso porque diferente do original, o Audi de Rowe foi construído recentemente, carregando diversas das atualizações tecnológicas dos últimos 20 anos. O motor, por exemplo, continua sendo um Audi de 5 cilindros, mas agora derivado daquele que equipa o TT-RS e preparado para render cerca de 800 hp, que aliados a um peso de 1.000 kg tornam essa “réplica” modernizada um forte concorrente para a prova

6 – Rhys Millen / Hyundai Genesis Coupe

Imagem: Inautonews.

Após a vitória entre os carros elétricos e segunda posição na classificação geral em 2016, seria lógico imaginar que Rhys Millen voltaria a Pikes Peak com seu bólido Drive e0 PP100 de 1.190 kW! Porém, num ano onde por diversas razões os veículos elétricos praticamente desapareceram, ele volta na categoria Time Attack utilizando o Hyundai Genesis Coupe com o qual ele quebrou o recorde de Pikes Peak em 2012, com um tempo de 9:46.164. Apesar de não ser um veículo rápido o suficiente para conseguir a primeira posição geral, com certeza será um grande espetáculo ver um carro de drift com mais de 700 hp conquistar a montanha!

7 – Layne Schranz / Chevrolet SS NASCAR

Imagem: Layne Schranz.

Outro candidato a zebra para essa edição de 2017 é Layne Schranz. A bordo de seu Chevrolet SS Stock Car modificado, em 2016 o americano conseguiu a sexta posição na classificação geral, e com as ausências de diversos competidores de peso ele passa a ser um forte candidato na disputa por um lugar no top 5 da tabela de tempos.

8 – Rafael Paschoalin / Yamaha MT-07

Imagem: MotoX.

O brasileiro Rafael Pascholin também está de volta para 2017. Com a mesma motocicleta que utilizou ano passado ele vem buscando a vitória na categoria Middleweight, uma das mais disputadas entre as motos. Nos primeiros treinos ele têm se mostrado competitivo, e no momento tem o melhor tempo da classificação dentro da categoria.

9 – Robin Shute / Faraday Future FF91

Imagem: CleanTechnica

Se em 2016 os carros elétricos foram fortes candidatos a vitória geral em Pikes Peak, em 2017 eles praticamente desapareceram. A única exceção é a fabricante Faraday Future, que irá realizar a estréia do modelo FF91 nas prova americana. Vai ser interessante ver se os 783kW (1064 cv) do SUV/Crossover serão capazes de derrubar o recorde de 11m48s264 para carros elétricos de produção em série, estabelecido pelo Tesla Model S P90D em 2016.

10 – Bruno Fretin / Mitjet EXR LV03

Imagem: EXR Racing Series

Um outro competidor curioso da prova de 2017 será o francês Bruno Fretin, que competirá na categoria Unlimited com um Mitjet EXR LV03. Para quem nunca ouviu falar, esse modelo foi desenvolvido pela escola de pilotagem EXR como uma opção de carro de competição barato para pilotos amadores. Construído com estrutura tubular e carroceria de fibra de vidro, o carro pesa apenas 997 kg, e conta com um motor Nissan V6 de 3,5 litros de 330 HP. Com certeza não será um carro capaz de disputar a vitória, porém será interessante comparar seu desempenho com o Elan NP01 que disputou a prova em 2016, já que ambos são carros de competição razoavelmente acessíveis.

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Os carros mais rápidos da história em Goodwood

Para os aficionados por todas as formas de automobilismo, talvez a grande “Meca” seja o Goodwood Festival of Speed. Realizado desde 1993, o evento reúne estrelas de todas as modalidades de automobilismo, tanto as que estão na ativa quanto os grandes heróis do passado. Em 2016, por exemplo, estiveram presentes pilotos como: René Arnoux, Jenson Button, Emerson Fittipaldi, Jochen Mass, Stirling Moss, Riccardo Patrese, John Surtees, Mark Webber, Derek Bell. Mais do que isso, quem vai ao evento tem a oportunidade de ver máquinas de todas as eras e vertentes do automobilismo, como carros de Grupo C, F1, WRC, LMP, Indy, NASCAR, Pikes Peak, Grupo B, além de máquinas de sonho como Bugatti Chiron, McLaren P1, LaFerrari. Um dos pontos altos do é a competição de hillclimb, disputada em uma pista de 1,16 milhas construída especialmente para o evento. Vamos apresentar aqui os 20 tempos mais rápidos já registrados oficialmente no evento, e no caso de pilotos que participaram em mais de uma edição com o mesmo carro apenas o melhor tempo será contado.

25. Olivier Hancock – LEC CRP1 Cosworth (2015) – 47s26

 Ollie Hancock, LEC CRP1-Cosworth, 2015

Desenvolvido para a temporada de 1977, o CRP1 foi o único carro genuinamente projetado pela LEC Refrigeration, equipe patrocinada pela empresa de sistemas de refrigeração homônima. Desenhado por Mike Pilbeam e pilotado por Mike Earle e David Purley, disputou sem marcar pontos 5 provas do campeonato mundial de 1977, e seu momento mais memorável foi o acidente no GP da Inglaterra, em Silverstone, onde Purley atingiu um muro e sofreu o que foi considerada por anos a maior desaceleração à qual um ser humano sobreviveu, com estimados 179,8 g de desaceleração. Ambos os carros foram restaurados e hoje participam de competições históricas. Em 2015 Olivier Hancock cravou um tempo de 47s26 e a sétima colocação no shootout.

24. James Littlejohn – LEC CRP1 Cosworth (2015) – 47s19

 James Littlejohn, LEC CRP1-Cosworth, 2015

Dirigindo o outro LEC CRP1, o inglês James Littlejohn conseguiu ser 7 centésimos mais rápido que Olivier Hancock e obteve a 6ª colocação no shootout de 2015.

23. Michel Lyons – Hesketh 308E Cosworth (2015) – 47s17

Michael Lyons, Hesketh 308E-Cosworth

Também de 1977, o 308E foi o último carro criado pela Hesketh antes de sua falência em 1978. O modelo sofreu para passar a pré-classificação durante as temporadas de 1977 e 78, se retirando do mundial de F1 sem marcar pontos. Projetado por Frank Dernie e Nigel Stroud. O 308E foi um projeto bem convencional, com monocoque de alumínio, motor Cosworth DFV e uma transmissão Hewland. O carro ficou conhecido por ostentar patrocínio da revista masculina Penthouse, e ainda participou de diversas provas do campeonato britânico de Fórmula 1 onde apresentou resultados medianos. O tempo de Lyons em 2015 o colocou na 5ª colocação do shootout, com apenas 2 centésimos de segundo de vantagem para o LEC CRP1 de James Littlejohn.

22. Roger Wills – Williams FW05 Cosworth (2010) – 47s15

Roger Wills, Williams FW05 Cosworth, 2010

Segundo carro construído pela esquadra de Frank Williams, o FW05 foi desenvolvido para a temporada de 1976 usando como base um Hesketh 308C de 1975 comprado por 450.000 libras esterlinas, que foi redesenhado pelo inglês Harvey Postlethwaite. Equipado com o powertrain padrão da época (motor Cosworth DFV + transmissão Hewland DG400), o carro foi pilotado por diversos pilotos, incluindo Jacky Ickx e Arturo Merzario, porém falhou em marcar pontos na temporada. Em 2010 Roger Wills o pilotou com esmero pelas 1,16 milhas da pista em Goodwood para vencer o shootout.

21. Kenny Brack – McLaren P1 LM (2016) – 47s07

Kenny Brack, McLaren P1 LM, 2016

Criado em 2015 para celebrar os 20 anos da vitória do McLaren F1 em Le Mans, o McLaren P1 GTR nasceu como um carro apenas para as pistas. Alguns proprietários, desejando usar seus bólidos também nas ruas, recorreram a empresa inglesa Lanzante Motorsports para converter os P1 GTR em carros de rua. Vendo esse movimento a McLaren decidiu produzir cinco novos carros chamados P1 LM, seguindo as especificações dos carros convertidos pela Lanzante. Inscrito com esperanças de vencer o shootout, o sueco Kenny Brack levou o P1 LM pela pista de Goodwood em um tempo de 47s07, e apesar de ter ficado em segundo lugar garantiu aquele que seria o recorde da pista para um carro de rua até então.

20. Jeremy Smith – March 2-4-0 Cosworth (2015) – 47s05

Jeremy Smith, March 2-4-0 Cosworth, 2015

Após o relativo sucesso do Tyrrell P34 na temporada de 1976, o projetista Robin Herd da March Engineering começou a flertar com a idéia de carros de 6 rodas. Após analisar o design do P34 e chegar à conclusão que as grandes rodas traseiras ainda deveriam ser responsáveis por cerca de 40% do arrasto aerodinâmico total, ele criou o conceito 2-4-0, que usava quatro rodas menores similares as dianteiras na traseira, de forma a não perder tração. O carro foi construído usando como base um March 761 em 1976 e testado durante 1977, porém a necessidade de maiores investimentos para uma transmissão mais robusta fez com que a March cancelasse o programa. Em 1979, o piloto inglês de hillclimb Roy Lane reviveu o conceito utilizando um March 771, e a transmissão desenvolvida pela March, mas acabou revertendo para as quatro rodas convencionais após enfrentar problemas de falta de confiabilidade. Em 2015, Jeremy Smith dirigiu o March 2-4-0 no shootout e garantiu a quarta posição na classificação.

19. Anthony Reid – Chevron GT3 (2012) – 46s46

Anthony Reid, Chevron GT3, 2012

Em 2010 a Chevron apresentou seu primeiro carro de corridas desde a década de 1960, o GR8. Baseado no esportivo de rua B8 GT, era equipado com um motor Cosworth 2.0 e foi produzido até 2011. Em 2012, o modelo GT3 foi apresentado, baseado no chassi do GR8, porém equipado com um motor 3.5 de 420 HP. Projetado levando em conta o regulamento GT3 da época, o carro tem sido usado em diversas competições como o campeonato britânico de GT. No ano de sua apresentação a Chevron inscreveu o carro em diversos eventos de hillclimb como forma de divulgar o novo modelo. Nas mãos de Anthony Reid, piloto oficial da fábrica, o GT3 cravou um tempo de 46s46 no shootout de 2012 e garantiu uma emocionante vitória, frente a oponentes utilizando carros de Grupo C e Fórmula 1.

18. Jörg Weidinger – BMW E36 Judd V8 (2018) – 46s43

O BMW E36 da foto começou a vida como um pacato 320i 1990, com o qual o piloto alemão Georg Plasa começou a competir em 1999. Inicialmente o carro recebeu um motor S14 de quatro cilindros de um M3 E30, que foi preparado para render cerca de 400 HP. Devido a elevada potência, o motor sempre operava muito acima do próprio limite, exigindo pesada manutenção após cada evento. Em 2003, Plasa resolveu o problema ao adquirir e instalar no BMW um motor Judd KV675 V8, o mesmo que equipava carros da categoria LMP2 da época. Exceto pelo monobloco original, todas as partes possíveis foram ou eliminadas ou reconstruídas em fibra de carbono, resultando em um carro de 895 kg e 560 HP. Com esse modelo, Georg venceu seis vezes o campeonato europeu de Hill Climb. Após a morte do piloto, na Cuppa Bruno Carotti em 2011 ao volante de outro carro, o E36 foi adquirido por Klaus Wohlfarth, fundador da KW Suspensions, e desde então foi reformado para voltar a sua condição original. Em 2018, Jörg Weidinger obteve um tempo de 46s43, ficando com a terceira posição na classificação geral e como o melhor carro com motor de combustão interna do ano.

17. Jeremy Smith – Penske PC22 Chevrolet (2017) – 46s22

O Penske PC22 foi projetado por Nigel Bennett para a temporada 1993 da Fórmula Indy, onde foi pilotado por Emerson Fittipaldi e Paul Tracy. Durante o ano a Penske obteve 8 vitórias, incluindo as 500 Milhas de Indianápolis pelas mãos de Fittipaldi, e também o segundo e terceiro lugares no campeonato de pilotos para Fittipaldi e Tracy, respectivamente. No shootout de 2017, Jeremy Smith perdeu a vitória por apenas 9 centésimos de segundo para o veterano Justin Law.

16. Justin Law – Jaguar XJR12D (2017) – 46s13

O Jaguar XJR-12 foi o modelo da TWR/Jaguar desenvolvido para a temporada de 1990, com vitórias nas 24 Horas de Daytona e Le Mans. Em 1991, o modelo se tornou inelegível para o Campeonato Mundial de Esporte-Protótipos (devido a mudança de regulamento, que forçava o uso de motores 3.5 similares aos dos F1 da época), mas continuou competindo nos Estados Unidos nas provas da IMSA, porém sem obter grandes vitórias. O modelo em questão é um dos últimos construídos, e foi o vencedor do shootout de 2017 conduzido por Justin Law.

15. Jonathan Palmer – Williams FW08B Cosworth (1995) – 46s06

Jonathan Palmer Williams FW08B Cosworth

Última tentativa de criar um carro de seis rodas para a Fórmula 1, o FW08B foi desenvolvido em 1982 usando como base o vitorioso FW07, visando melhorar a tração numa época onde as equipes começavam a migrar para os motores turbo. Segundo algumas fontes o carro teve um desempenho excelente, e o piloto inglês Jonathan Palmer afirmou que era impossível dizer que o carro possuía dois pares de rodas traseiras pelo seu comportamento na pista. Contudo a FIA baniu expressamente os carros de seis rodas a partir de 1983 e o projeto foi abandonado. O próprio Palmer voltaria a pilotar a máquina em 1995 para obter a vitória com um tempo de 46s06, então o recorde da pista.

14. Rod Millen – Toyota Celica “Pikes Peak” (2015) – 45s88

Rod Millen, Toyota Celica "Pikes Peak"

Construído com uma estrutura tubular, carroceria de fibra de carbono e equipado com um motor utilizado nos carros do IMSA GTP da Toyota (versão norte-americana do Grupo C), de 2,1 litros e cerca de 850 HP, o Celica Pikes Peak Special foi pilotado por Rod Millen em Pikes Peak no ano de 1994, quebrando o recorde da pista em cerca de 40 segundos e estabelecendo o recorde para o traçado totalmente sem pavimentação. Esse recorde foi tão absoluto que só foi quebrado 13 anos depois pelo japonês Nobuhiro Tajima, numa época onde o traçado já era parcialmente pavimentado. Após 21 anos de sua vitória histórica, o americano voltou a competir com sua máquina, cravando o terceiro tempo e subindo ao pódio em 2015.

13. Michael Bartels – Maserati MC12 “Goodwood Cent 100” (2014) – 45s82

Michael Bartels, Maserati MC12 "Goodwood Cent 100", 2014

Desenvolvida para o retorno da Maserati às pistas no campeonato de FIA GT1 a partir do chassi da Ferrari Enzo, o MC12 representou também a ressurreição dos especiais de homologação que reinaram em Le Mans na segunda metade da década de 1990. Apesar de sua entrada não ter sido permitida na prova francesa, o carro dominou o campeonato de FIA GT1 garantindo o campeonato de construtores para a Maserati em 2005 e 2007, e apenas equipes utilizando o carro foram campeãs entre 2005 e 2010. Para o centenário da marca em 2014, um chassi reserva foi utilizado para criar o MC12 “Goodwood Cent 100”, que recebeu uma pintura comemorativa das vitórias da marca nas pistas. Como não precisava mais utilizar os restritores especificados pelo regulamento de GT1, o time da Maserati retrabalhou o motor para atingir uma potência de 766 cv. Nas mãos do ex-piloto de fábrica Michael Bartels, o MC12 cravou o segundo lugar, perdendo apenas para o monstruoso Peugeot 208 T16 de Sebastian Loeb.

12. Jean-Phillippe Dayraut – Midjet Mini Pikes Peak (2015) – 45s51

Jean-Phillippe Dayraut, Midjet Mini Pikes Peak, 2015

Outra máquina que competiu em Pikes Peak, o carro do francês só tem a aparência de um Mini. Com estrutura tubular e carroceria de fibra de carbono, o bólido é equipado com um motor central retirado de um GT-R e preparado para render cerca de 900 HP, que aliados ao baixo peso de 950 kg o tornam em um pequeno foguete das pistas. Em 2015 o piloto tentou a sorte no evento inglês, perdendo apenas para o igualmente monstruoso Impreza “Gobstopper II” de Olly Clark.

11. Martin Strelton – Tyrrell P34B Cosworth (2000) – 45s05

Martin Strelton, Tyrrell P34B Cosworth, 2000

Numa época onde praticamente todas as equipes utilizavam o mesmo motor (o Cosworth DFV), o projetista Derek Gardner da Tyrrell viu que a única forma de ganhar velocidade frente aos rivais seria reduzindo o arrasto aerodinâmico. Percebendo que boa parte desse arrasto vinha da interação das rodas dianteiras com o ar, ele criou o conceito do P34, trocando as duas rodas dianteiras convencionais por quatro pequenas rodas de 10”. Único carro de seis rodas a competir na F1, a estréia do P34 foi em 1976 e levaram a Tyrrell a terceira posição no campeonato de construtores, atrás apenas de Ferrari e McLaren. Para 1978, o modelo foi atualizado para sua especificação B, porém o desinteresse da Goodyear em desenvolver os pequenos pneus dianteiros resultou numa queda de desempenho do modelo, e desde a virada do milênio o carro tem tido grande sucesso nas provas de F1 históricos após a fabricante Avon desenvolver pneus dianteiros adequados para o modelo. Um dos que pilotaram o P34 nessa época foi o inglês Martin Strelton, que em 2000 guiou seu P34B para a vitória no shootout.

10. Jonathan Palmer – Williams FW07B Cosworth (1996) – 45s00

Jonathan Palmer, Williams FW07B Cosworth, 1996

Primeiro carro da Williams a explorar o chamado efeito-solo, o FW07 foi projetado por Patrick Head utilizando os mesmos princípios introduzidos por Colin Chapman no Lotus 78. Terminando com o vice-campeonato para a Williams em 1979, o modelo foi atualizado para a temporada de 1980 recebendo a denominação FW07B. A evolução aerodinâmica foi tão grande nesse período que as asas dianteiras puderam ser completamente eliminadas, e a dupla Alan Jones e Carlos Reutemann garantiram o primeiro título de construtores para a Williams. O carro voltou a ser revisado para se adequar ao regulamento de 1981, com e eliminação das saias móveis e continuou dominante, garantindo mais um título para o construtor inglês. No Festival of Speed de 1996 o inglês Jonathan Palmer guiou o carro para a vitória, estabelecendo um novo recorde para a pista.

9. Olly Clark – Subaru Impreza “Gobstopper II” (2015) – 44s91

Olly Clark, Subaru Impreza Gobstopper 2, 2015

Disputado em diversos países, campeonatos do tipo Time Attack, onde os participantes competem entre si pela melhor volta, tem se tornado cada vez mais comuns. No campeonato britânico a categoria mais veloz é a Pro Class, que permite praticamente qualquer modificação. O inglês Olly Clark preparou uma máquina incrível para essa categoria, começando com uma estrutura tubular e uma carroceria baseada no Impreza Hatch WRC, porém com teto, capô e para-lamas em fibra de carbono. A aerodinâmica foi desenvolvida no túnel de vento do MIRA, com asas dianteiras e traseiras capazes de fazer inveja a um carro de Pikes Peak. O motor foi desenvolvido a partir de um motor EJ20 normal da Subaru, porém com potência na casa dos 900 cv aliado a uma transmissão sequencial Zytek. Desde então o carro vem dominando sua categoria na Inglaterra, e Olly Clark também se sagrou vencedor do shootout de Goodwood nos anos de 2015 e 2016.

8. Gary Ward – Leyton House CG901B Judd (2009) – 44s64

Gary Ward, Leyton House CG901 Judd, 2009

Primeira máquina desenhada por Adrian Newey a aparecer nessa lista, o CG901 foi o carro desenvolvido para utilizar o motor Judd EV 3.5 V8. Após um início de temporada decepcionante, uma variação B foi introduzida no meio da temporada para corrigir falhas de design induzidas por dados errados fornecidos pelo túnel de vento da equipe. A configuração B apresentou desempenho muito melhor, por muitas vezes sendo mais rápida que carros de equipes mais bem financiadas, tendo como o melhor resultado o segundo lugar do italiano Ivan Capelli no GP da França. O bom desempenho garantiu a sétima colocação para o time no Mundial de construtores daquele ano, e uma quantia significativa de dinheiro a mais. Em 2012 o inglês Gary Ward pilotou um desses modelos no shootout, sendo derrotado apenas pelo Jaguar XJR8/9 de Justin Law.

7. Sebastien Loeb – Peugeot 208 T16 Pikes Peak (2015) – 44s60

Sebastien Loeb, Peugeot 208 T16 Pikes Peak, 2014

Após abandonar a disputa pelas 24 Horas de Le Mans, a Peugeot ficou sem um programa de automobilismo a nível mundial. Com um orçamento apertado, o time francês montou um pequeno Frankenstein para disputar o Pikes Peak International Hill Climb em 2013: em uma estrutura tubular foi montada uma carroceria de fibra de carbono lembrando o recém-lançado 208, e itens como suspensão, freios e até a asa traseira foram emprestadas do 908 HDi de Le Mans, enquanto o motor foi tomado de empréstimo do protótipos Pescarolo, uma unidade 3.2 V6 biturbo, que sem as restrições atinge 875 HP. Com um pacote desses e o experiente piloto de ralis Sebastian Loeb ao volante, os franceses venceram no Colorado, estabelecendo um recorde de 8m13s878, que só foi quebrado pelo Volkswagen IDR de Romain Dumas, numa iniciativa muito mais dispendiosa. Ainda em 2013 o carro também foi inscrito para Goodwood, dessa vez pilotado por Gregory Guilvert, que conseguiu apenas o segundo lugar. Em 2014, Loeb novamente se reuniu com o 208 em Goodwood, e muitos esperavam que o recorde oficial da pista pudesse ser quebrado. Apesar de vencer de forma absoluta, o tempo de Loeb ainda ficou 3 segundos acima do recorde, e foi suficiente apenas para o quinto lugar de todos os tempos.

6. Anthony Reid – Williams FW07B Cosworth (2008) – 44s58

Anthony Reid, Williams FW07B Cosworth, 2008

Em 2008 o inglês Anthony Reid conquistou Goodwood abordo do Williams FW07B, mesmo carro que em 1996 havia sido levado a vitória por Jonathan Palmer, e estabeleceu o melhor tempo de um carro de Fórmula 1 clássico na pista.

5. Justin Law – Jaguar XJR8/9 (2009) – 44s40

Justin Law, Jaguar XJR8/9, 2009

Criado como uma evolução dos Jaguar XJR6 que haviam competido em 1986, o XJR8 foi lançado em 1987 para disputar o Campeonato Mundial de Endurance. Equipado com um motor V12 de 7 litros, derivado do utilizado pelo Jaguar XJS, o JR8 foi dominante na temporada de 1987, vencendo 8 das 10 provas e garantindo os títulos de pilotos e construtores para a Jaguar. Contudo, a glória máxima em Le Mans não veio, e para 1988 o modelo foi revisado e se tornou o XJR9, que foi capaz de vencer as 24 Horas de Daytona, as 24 Horas de Le Mans e o campeonato mundial de endurance de 1988. Para 1989 o modelo continuo a competir, porém já estava ultrapassado e foi incapaz de obter vitórias nessa temporada. Além de seu histórico em competições, o modelo serviu de base para o primeiro superesportivo da Jaguar, o XJR-15, lançado em 1990. O britânico Justin Law passou a utilizar o modelo para competir no Goodwood Festival of Speed, com vitórias em 2003, 2008, 2009 e 2012. Em 2009, Law fez a corrida de sua vida para atingir um tempo de 44s40 e a vitória em um dos shootouts mais apertados da história.

4.Peter Dumbreck – Nio EP9 (2018) – 44s32

O NIO EP9 é a primeira criação da NIO, marca de carros elétricos da empresa chinesa NextEV. Resultado de um desenvolvimento de 18 meses empregando o know-how do time de Fórmula E da NIO, o EP9 tem um chassi monocoque em fibra de carbono, feito de acordo com as especificações da categoria LMP1. Além disso, possui um motor elétrico em cada roda, somando um total de 1.360, layout permitiu a implementação de um sistema avançado de torque vectoring, através do controle preciso de cada um dos motores. Se isso já não bastasse, o EP9 possui um sistema de suspensão ativa e também conta com uma asa traseira com três ajustes: estacionado, low drag e high drag, capaz de gerar até 2.447 kg de downforce a 240 km/h. Desde então, o modelo vem colecionando recordes de diversas pistas, incluindo o recorde de Nürburgring para veículos elétricos. Em 2018, ficou na segunda colocação em um shootout apertado, perdendo por menos de meio segundo para o Volkswagen I.D. R Pikes Peak de Romain Dumas.

3. Romain Dumas – Volkswagen I.D. R Pikes Peak (2018) – 43s86

Em 2017 a reputação do grupo Volkswagen foi manchada pelo Dieselgate, escândalo de emissões onde foi revelado que diversos veículos equipados com motores diesel do grupo utilizavam estratégias de calibração capazes de mascarar os resultados nos testes homologativos. Com isso, a empresa alemã resolveu mudar sua abordagem ao desenvolvimento de veículos, apresentando um plano agressivo de hibridização e eletrificação de sua gama de veículos, resultando na linha I.D., de veículos puramente elétricos. Para divulgar essa nova iniciativa, uma das formas escolhidas foi investir em automobilismo, e hoje, a única competição onde carros elétricos são capazes de enfrentar os de motores de combustão interna são provas de hillclimb. O carro ficou pronto em 250 dias, consistindo de um monocoque de fibra de carbono com aerodinâmica desenvolvida em túnel de vento, movido por dois motores elétricos (um em cada eixo), produzindo uma potência total de 680 HP, com modestos 1.100 kg de peso total. Em 2018, o carro pilotado por Romain Dumas quebrou o recorde de Pikes Peak estabelecido por Sebastian Loeb em mais de 16 segundos, e três semanas depois o carro estava na Europa para disputar o evento de Goodwood. A expectativa era que o recorde histórico de Nick Heidfeld pudesse ser quebrado, já que nos treinos o piloto francês havia conseguido um tempo de 43s05. Contudo, no dia do shootout esse tempo não foi repetido, mas mesmo assim Dumas sagrou-se o vencedor do evento de 2018.

2. Graeme Wright Jr – Gould GR51 Cosworth (2003) – 42s90

Baseado no chassis de fibra de carbon de um Ralt F3 totalmente customizado para eventos de hillclimb, o GR51 foi dominantes nas  temporadas  de 2001 e 2002 do campeonato britânico, garantindo o título nos dois anos para o escocês Graeme Wright Jr. Equipado com um motor Opel-Cosworth de DTM cuja cilindrada foi aumentada de 2,5 litros para 2,8 e uma transmissão Arrows de F1, Wright Jr. levou o carro para uma vitória absoluta no shootout de 2003, e garantindo sua posição como segundo mais veloz na pista.

1. Nick Heidfeld – McLaren MP4/13 Mercedes-Benz (1999) – 41s60

Primeiro carro criado por Adrian Newey para a McLaren (e segundo a aparecer nessa lista), O MP4/13 foi o carro a ser derrotado na temporada de 1998 da F1. Em um ano onde mudanças no regulamento introduziram carros mais estreitos e os famigerados pneus com sulcos, o carro garantiu o campeonato de construtores para a McLaren e o de pilotos para o finlandês Mika Häkkinen. Em 1999 o alemão Nick Heidfeld, então piloto de testes da McLaren, posicionou seu carro na linha de largada para aquela que seria uma das suas melhores atuações. Pilotando no limite em todas as curvas ele cruzou a linha de chegada com um tempo de 41s60, com 8 segundos de vantagem para os concorrentes e que retirou uma salva de palmas do público presente. Essa corrida, contudo, foi considerada muito arriscada para uma pista estreita e sem áreas de escape apropriadas, com a própria McLaren admitindo que não deveria ter aprovado a corrida. Por causa disso também foi proibida a cronometragem de carros de Fórmula 1 modernos, e desde então nenhum competidor foi capaz de se aproximar do recorde estabelecido.

Finalmente, a primeira vitória da Minardi!

Quem diria que, depois de 10 anos fora da Fórmula 1, finalmente um carro da Minardi se consagraria vencedor de uma prova sancionada pela FIA, e mais do que isso, num dos circuitos mais importantes do mundo, em Monza. Você pode estar se perguntando como isso é possível, já que o bólido italiano já não se enquadra nos regulamentos atuais da Fórmula 1, mas o fato é na Europa é disputado um campeonato chamado BOSS GP (BOSS = Big Open Single Seaters) onde competem carros que já disputaram categorias como Fórmula 1, Indy, ChampCar, GP2, Fórmula 3000 e outras, numa espécie de vale-tudo de monopostos de ponta do automobilismo mundial.

O grid da BOSS GP é bem variado com carros como Dallara GP2/11 (branco), Benetton B197 (azul e branco), Forti FG03 (verde). Fonte: Divulgação BOSS GP.

O grid da BOSS GP é bem variado com carros como Dallara GP2/11 (branco), Benetton B197 (azul e branco), Forti FG03 (verde). Fonte: Divulgação BOSS GP.

No último fim de semana foi disputado o Peroni Race Weekend, terceira etapa do campeonato 2016 da BOSS GP, no formato de duas baterias. No sábado foi disputada a primeira, com pole do holandês Klaas Zwart com um Jaguar R5, seguido de Ingo Gerstl em um Toro Rosso STR-1, Chris Höher em um Dallara GP2 e com o também holandês Frits van Eerd em seu Minardi PS04B. Antes mesmo do início da prova o carro de Zwart teve problemas, o que o obrigou a largar dos pits,  e logo na largada um acidente com vários carros obrigou a entrada do safety-car. Quando o carro de segurança estava prestes a entrar nos pits, uma chuva torrencial começou a cair, o que levou a interrupção da prova, de forma que o resultado final foi a vitória de Klaas Zwart, com van Eerd em segundo e Höher em terceiro.

Ingo Gerstl correndo para a vitória na primeira bateria em Monza. Fonte: Divulgação BOSS GP.

Ingo Gerstl correndo para a vitória na primeira bateria em Monza. Fonte: Divulgação BOSS GP.

No domingo a segunda bateria foi realizada, com Gerstl em primeiro, van Eerd em segundo e Höher em terceiro, e logo no início quem abandonou foi o Toro Rosso STR-1 de Ingo Gerstl. Com isso o caminho ficou livre para van Eerd que começou a abrir vantagem para o pelotão. Segundos depois aconteceu um dos acidentes mais impressionantes do ano, entre o Benetton B197 de Wolfgang Jordan e o Panoz DP01 ChampCar de Peter Milavec. Além dos dois, Bernd Herndholfer não viu o Jaguar R5 de Klaas Zwart parando devido ao acidente e ambos os pilotos também já ficaram de fora.

Livre dos incidentes iniciais, van Eerd seguiu liderando a prova com o francês Christopher Brenier o seguindo de perto com seu Panoz DP09 da extinta Fórmula Superliga, para uma vitória apertada com margem de apenas 0s450. Fechando o pódio chegou herói local Salvatore de Plano com um Dallara GP2. Com isso, pela primeira vez um carro da Minardi foi vencedor em uma corrida oficial da FIA, de uma forma que condiz com os ideais de perseverança e trabalho duro pelo qual a pequena italiana é reconhecida e amada por seus fãs.

O holândes van Eerd comemorando a vitória na segunda bateria, seguido pelo francês Christopher Brenier. Fonte: Divulgação BOSS GP.

O holândes van Eerd comemorando a vitória na segunda bateria, seguido pelo francês Christopher Brenier. Fonte: Divulgação BOSS GP.

Fontes:

Van Eerd gets maiden victory at Monza – Brenier back on top. Disponível em: http://bossgp.com/van-erd-gets-maiden-victory-at-monza-brenier-back-on-top/. Acessado em: 07/07/2016.

Gerstl and Höher win red flagged race. Disponível em: http://bossgp.com/gerstl-and-hoher-win-red-flagged-race/. Acessado em: 07/07/2016.

Zwart and Höher get Monza pole. Disponível em: http://bossgp.com/zwart-and-hoher-get-monza-pole/. Acessado em: 07/07/2016.

Resultados Pikes Peak 2016

E no último domingo tivemos a realização da 94ª Subida de Montanha de Pikes Peak, no centésimo aniversário da prova. Apenas uma semana após vencer as 24 Horas de Le Mans, novamente quem esteve no topo do podium foi o piloto francês Romain  Dumas. Com um tempo de 8m51s445, ele sagrou-se o mais rápido na montanha, derrubando o favoritismo dos carros elétricos, com um tempo 6s5 mais rápido que o norte-americano Rhys Millen. Na verdade os cinco primeiros colocados ficaram entre aqueles que nós citamos como favoritos para a prova (leia aqui para saber mais sobre pilotos e máquinas). Mas sem mais delongas, confiram abaixo os mais rápidos nessa edição do Pikes Peak International Hill Climb:

 

Os resultados completos podem ser encontrados nesse link.