Explicando as categorias do automobilismo mundial – parte 5

Nessa série de postagens estamos conhecendo as diferentes categorias que compõe o automobilismo mundial. Começamos conhecendo as principais categorias de Fórmula, passando pelas categorias FIA, IndyCar e por outras categorias de ponta do automobilismo mundial. Ainda que a FIA e a IndyCar tenham sua própria ladeira de categorias, para permitir a formação de novos talentos para os grids das categorias principais, existem um grande espaço para que outras categorias com desempenho e custos mais limitados, que sirvam de porta de entrada para pilotos recém saídos do kartismo. Uma forma de exercer esse controle é através de categorias monomarca, onde motores, transmissões e em alguns casos até o chassi são padronizados, permitindo que o talento dos pilotos seja o grande fator decisivo nos resultados.

Fórmula Renault

A Fórmula Renault é na verdade um conjunto de categorias fundado em 1971, e uma principais categorias escola com maior reconhecimento internacionalmente. Diversos pilotos conhecidos passaram pela categoria, porém um dos grandes destaques é o finlandês Kimi Raikkonen, que fez a transição direta da F Renault 2.0 para a equipe Sauber de F1 em 2002.

Atualmente, duas categorias compõe a Fórmula Renault: a Fórmula Renault 1.6, com motor K4M de 140 HP e a Fórmula Renault 2.0, com chassi Tatuus e motor FR4 de 210 HP, porém no passado existiu a Fórmula Renault 3.5, com motores Zytek 3.5 de 530 HP, rivalizando com a F3000 e posteriormente a GP2 como último degrau antes da F1.

Fórmula Ford

A Fórmula Ford é uma categoria que se origina nos anos 60, na escola de pilotagem britânica de Jim Russell, como forma de proporcionar uma categoria acessível aos pilotos fazendo a transição do kartismo. Diferente de outras categorias escola, normalmente a Fórmula Ford permite a competição de diversos fabricantes de chassi, e ainda que os motores sejam iguais as equipes tem liberdade de escolher os preparadores.

Os carros de Fórmula Ford se diferenciam dos demais fórmulas por não utilizarem apêndices aerodinâmicos e utilizarem pneus radiais (similares aos de carros de rua), ao invés dos slicks de competição que outras categorias empregam. Diferente de outras categorias também, os Fórmula Ford ainda mantém construção tubular, não tendo migrado para os chassis de carbono para conter custos.

Campeonatos de Fórmula Ford são disputados por todo o mundo, e são uma das principais portas de entrada de jovens pilotos ao automobilismo. Daqui do Brasil, um certo Ayrton Senna iniciou sua carreira europeia vencendo o campeonato britânico de Fórmula Ford.

Fórmula Vee

A Fórmula Vee tem origem na década de 1960, quando Hubert Brundage, proprietário de uma concessionária VW nos Estados Unidos buscava uma forma de reforçar a marca com os clientes americanos. Para isso, alguns carros foram construídos e competiram em 1962, e já no ano seguinte o SCCA reconheceu a categoria. Desde então, a categoria se expandiu ganhando grande popularidade internacionalmente.

O carro de Fórmula V é um chassi tubular utilizando motor, transmissão, freios, suspensões e rodas originais ou modificados retirados do VW Fusca. Isso se traduz num custo baixíssimo e construção e manutenção do carro, e é um dos principais pilares da popularidade da categoria. Ao longo do tempo, a categoria evoluiu em cada localidade para se adaptar às necessidades de desempenho e disponibilidade de peças. Entre os pilotos que se destacaram com passagens pela categoria estão Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Niki Lauda e Keke Rosberg.

Explicando as categorias do automobilismo mundial – parte 4

Depois de conhecer as principais categorias regulamentadas pela FIA e pela Indy Series, é chegada a hora de conhecer outras categorias de fórmula de alto nível que competem pelo mundo, mas que são regidas e/ou organizadas por outras entidades.

BOSS GP

A BOSS GP é uma categoria para monopostos baseada na Europa, com origem na BOSS Formula Series de 1995, e que também já teve o nome EuroBOSS. O nome BOSS é uma sigla para Big Open Single Seaters (em tradução livre, Grandes Monopostos abertos). Atualmente, a BOSS GP tem três subcategorias:

  • Open Class: carros de Fórmula 1 construídos a partir de 1996, Lotus T125, Rodin FZED e IndyCars construídos a partir de 2008;
  • Formula Class: carros de GP2 e Fórmula 2, A1GP, Fórmula Acceleration 1 e World Series by Renault V8
  • Prestige Class: Fórmula 300 construídos a partir de 2002, World Series by Renault V6 e World Series by Nissan.

A categoria é centrada em gentleman drivers, normalmente empresários de sucesso que desejam competir no automobilismo e experimentar a experiência de pilotar monopostos de ponta. Dito isso, para competir os pilotos devem ter determinado nível de habilidade para que não sejam um perigo para os demais competidores e para si mesmos. Eventualmente, jovens pilotos participam da categoria para ganhar experiência em monopostos de alta performance antes de galgar para categorias como a F2.

Os competidores utilizam pneus Pirelli com compostos especialmente desenvolvidos para a categoria, e os carros devem seguir o regulamento de sua categoria original, ainda que adaptações sejam permitidas para a utilização de motores como os Mecachrome V8 e Judd V10 já que peças para carros de F1 clássicos são difíceis de se encontrar. Os carros mais velozes da categoria normalmente são mais rápidos até mesmo que os pilotos da F2, e hoje a BOSS GP é a categoria mais rápida baseada no continente Europeu.

Super Formula

A Super Formula é a principal categoria de monopostos japonesa, e tem origem no All-Japan Formula 2000 Championship. Por anos a categoria seguiu os regulamentos FIA, primeiro da Fórmula 2 e posteriormente da Fórmula 3000. Isso durou até 2006, quando a categoria passou a utilizar um regulamento técnico e carros próprios. O carro atual, o SF19 é um composto por um monocoque de fibra de carbono construído pela italiana Dallara, ao qual podem ser montados motores Toyota ou Honda 2.0 Turbo de quatro cilindros, com potência de 543 HP. Esses motores são derivados dos motores NRE dessas montadoras para a categoria GT500 do Super GT, porém preparados para render uma potência menor. Os pneus são sempre Yokohama.

Como segurança, o SF19 é construído com padrões similares aos da F1, e marca a introdução do HALO na Super Formula. Do ponto de vista esportivo, os competidores dispõem de um sistema chamado OTS (sigla para OverTake System, ou sistema de ultrapassagem), que proporciona um aumento de 5% de potência por um período de 20 segundos. Os pilotos têm direito a utilizar o OTS por 5 vezes durante as provas, e um sistema de LED no carro indica quando o sistema foi acionado.

S5000

A S5000 é um campeonato australiano que deve começar a ser disputado em 2020, a partir da fusão de dois campeonatos: a Formula Thunder 5000 e a Super5000. Ambos os campeonatos tinham o objetivo de marcar o renascimento da Fórmula 5000, categoria que teve muito sucesso durante os anos 70 e início dos 80, utilizando monopostos antigos de outras categorias e carros desenvolvidos especificamente para a Fórmula 5000, com a cilindrada do motor limitada a 5.000 cm³.

O carro atual da S5000 é baseado no monocoque Ligier de Fórmula 3. A esse monocoque é montado um motor Ford Coyote 5.0 V8, preparado pela empresa InnoV8, com potência de 560 HP. A suspensão e pacote aerodinâmico foram desenvolvidos pela Borland Racing Developments e fabricados pela Garry Rogers Motorsport. Os pneus são de marca única da americana Hoosier Racing Tire. Até o momento, apenas uma prova inaugural foi disputada, em formato de rodada dupla, com participação de Rubens Barrichello, e em 2020 é previsto um campeonato com 6 etapas, a primeira delas em Melbourne servindo como prova de suporte ao Grande Prêmio da Austrália de Fórmula 1.

Onde acompanhar

BOSS GP: https://www.bossgp.com/

Super Formula: https://superformula.net/sf2/en/

S5000: https://www.s5000.com.au/

Explicando as categorias do automobilismo mundial – parte 3

Na última semana conhecemos as principais categorias de monopostos regulamentadas pela FIA (veja aqui). Ainda que a entidade exerça influência globalmente sobre o automobilismo, um país sempre teve seu próprio estilo de automobilismo, com regras e categorias únicas no mundo: os Estados Unidos da América. Devido ao seu tamanho, não apenas geográfico mas também econômico, a terra do Tio Sam sempre manteve categorias distintas do restante do mundo, valorizando as tradições do automobilismo local, principalmente as disputas em circuitos ovais. Após anos de disputas internas que quase viram a Indy e a Champ Car irem à falência, a união voltou a reinar nas competições de monopostos norte-americanas, que hoje têm como entidade regulamentadora a Indy Racing League, que opera sob o nome fantasia INDYCAR. Hoje iremos conhecer um pouco da história e características das principais categorias de “fórmulas” dos Estados Unidos.

IndyCar Series

Se a Fórmula 1 traça suas origens nas competições de Grand Prix do pré-guerra, a IndyCar Series tem suas origens nas provas disputadas em ovais nos Estados Unidos, principalmente nas 500 Milhas de Indianápolis. No início, as provas automobilísticas americanas eram sancionadas pela AAA (American Automobile Association­), porém após o acidente das 24 Horas de Le Mans de 1955 a entidade abandonou esse tipo de atividade. No vácuo gerado, o então proprietário do Indianapolis Motor Speedway, Tony Hulman, formou a USAC (United States Auto Club), que passou a sancionar o que então era conhecido por “Championship Auto Racing”.

Isso durou até 1978, quando após anos de críticas à gestão da USAC, os proprietários de equipes formaram a CART (Championship Auto Racing Teams), para rivalizar com a USAC na organização de competições automobilísticas de monopostos, e já em 1982, o campeonato da CART era reconhecido como o campeonato norte-americano de monopostos. Um dos objetivos da CART era trazer uma gestão mais profissional à Indy, o que acabou atraindo o interesse de diversos fabricantes, que por sua vez aumentou os custos e praticamente expulsou as pequenas equipes.

Após um período de prosperidade, novamente houve uma ruptura, promovida por Tony George, proprietário do autódromo de Indianapolis. Em 1996, ele fundou a IRL (Indy Racing League), levando consigo algumas equipes e a prova das 500 Milhas de Indianapolis. Por anos, os EUA conviveram com duas categorias de monopostos de ponta, a CART e a IRL, porém em 2008 as categorias voltaram a se fundir, após anos de grids cada vez menores e o receio de que nenhuma das categorias teria participantes suficientes após a crise financeira de 2008.

Atualmente, a categoria permite o uso de apenas um chassi em fibra de carbono, o Dallara DW12 que está em uso desde a temporada 2012 da categoria. O nome DW é em homenagem a Dan Wheldon, que foi o piloto de teste durante o desenvolvimento do carro e morreu em um acidente na última prova da temporada 2011, antes da estréia do novo carro. Atualmente é utilizado um kit aerodinâmico introduzido em 2018, o UAK18 (Universal Aero Kit 2018), porém a célula de sobrevivência é a mesma do carro apresentado em 2012. O motor utilizado é sempre um V6 2.2 litros bi-turbo, e atualmente Honda e Chevrolet fornecem para as equipes do grid. O peso mínimo e potência máxima (definida pela pressão máxima permitida para os turbos) variam dependendo do tipo de circuito, com o peso variando entre 721 kg e 739 kg e a potência entre 575 HP a 675 HP.

Além disso, para aumentar a competitividade a categoria possui um sistema chamado push-to-pass, que permite que o motor produza cerca de 60 HP a mais com a liberação de mais 200 rpm além do limite estabelecido de 10.300 rpm e aumento da pressão de abertura da válvula wastegate.

Os pneus são padronizados Firestone, com dois compostos de slicks disponíveis para circuitos mistos, além de pneus intermediários e de chuva. Para os ovais, os compostos são diferentes conforme as características da pista, com a curiosidade de que os pneus traseiros direitos ligeiramente maiores que os esquerdos para ajudar com a estabilidade em curvas. A partir de 2020 será adotado o Aeroscreen, solução de proteção ao piloto concorrente ao HALO desenvolvida pela Red Bull Advanced Technologies.

IndyLights

Segundo nível do automobilismo norte-americano, a IndyLights foi criada em 1986 pela CART, inicialmente utilizando um chassis March similar ao da Fórmula 3000 com modificações para as disputas em ovais. Essa série foi cancelada em 2001, e já em 2002 a IRL criou a sua própria categoria escola, a Infiniti Pro Series, utilizando um chassi Dallara e motor Infiniti preparado pela TWR (Tom Walkinshaw Racing). Com a fusão da IRL e CART, a categoria voltou a ser chamada IndyLights a partir de 2009.

Atualmente, a IndyLights utiliza um chassi padrão, o Dallara IL15, carro com monocoque em fibra de carbono e peso mínimo estabelecido em 635 kg sem o piloto. Para manter os custos sob controle, apenas um motor é permitido, um AER P63 2.0 Turbo com 450 HP e 50 HP adicionais disponíveis com a utilização do push-to-pass. Os pneus são padronizados do fabricante americano Cooper Tires, com pneus para pista seca e molhada disponíveis.

Indy Pro 2000

A Indy Pro 2000 tem suas origens no Pro Mazda Championship, criado em 2013 para substituir o Star Mazda Championship que era disputado desde 1980. Com a Mazda deixando de patrocinar a categoria em 2018, ela recebeu a nomenclatura atual.

Atualmente a categoria permite o uso de apenas um chassi, o Tatuus PM-18, que é uma derivação do chassi de Fórmula 4 desenvolvido pela empresa italiana, com algumas melhorias de suspensão e chassi para aumentar a segurança em provas disputadas em ovais. O motor é um Mazda 2.0 aspirado com cerca de 275 HP, e o peso mínimo é de 500 kg sem piloto e combustível. Tal como na IndyLights, os pneus são sempre Cooper Tires.

Campeonato Nacional de F2000 dos Estados Unidos (US F2000)

Categoria de entrada do Road to Indy, a F2000 foi estabelecida pela IndyCar em 2010. Inicialmente, era utilizado um chassi Elan DP08, de construção tubular e que traça suas origens nos monopostos da Fórmula Continental da SCCA. Desde 2017, é utilizado um chassi Tatuus, chamado USF-17, baseado no chassis F4-T014 do mesmo fabricante. Quanto a motorização, é utilizado um motor Mazda MZR 2.0 aspirado com potência de 175 HP. Tal como a IndyPro, os pneus são sempre Cooper Tires, e caso seja desejo do competidor, o mesmo carro pode ser atualizado para o modelo PM-18, reduzindo os custos na transição para a Indy Pro 2000.

Onde acompanhar

IndyCar Series: https://www.indycar.com/

IndyLights: https://www.indylights.com/

Indy Pro 2000: https://www.indypro2000.com/

USF2000: https://www.usf2000.com/

1000 Milhas do Brasil 2020

A temporada que se inicia promete muito para o Endurance brasileiro. Enquanto aguardamos a divulgação do calendário 2020 da Endurance Brasil, a pré-temporada promete muito com o retorno da prova mais tradicional do automobilismo nacional, as Mil Milhas Brasileiras. Realizada pela primeira vez em 1956, a prova foi inspirada pela Mille Miglia italiana, por iniciativa de Wilson Fittipaldi (pai de dos pilotos Emerson e Wilson Fittipaldi) e de Eloy Gogliano, presidente do Centauro Motor Clube. Durante sua história a prova foi realizada sempre no Autódromo de Interlagos, à exceção de duas edições: a de 1997, realizada no Autódromo de Brasília, e a de 1999, realizada no Autódromo de Curitiba, e a última edição foi realizada 12 anos atrás, com vitória de Max Wilson, Raul Boesel e Marcel Visconde.

Polêmica com o Centauro Motor Clube

Faltando cinco dias para a realização das Mil Milhas Brasil 2020, é hora de conhecermos as categorias da prova. O regulamento técnico e desportivo foi todo baseado no regulamento do Império Endurance Brasil de 2019, o que parece uma decisão bem lógica: ao mesmo tempo em que simplifica o trabalho do organizador ao adotar uma fórmula que faz sucesso no momento, permite atrair pilotos e equipes do brasileiro.

Categorias de Esporte-protótipos

Categorias de carros Turismo e Gran Turismo

Programação da Prova

Dia 12 de Fevereiro de 2020 – Quarta feira

08h00 às 18h00 – Acesso das equipes aos Boxes reservados Montagens gerais
14h00 às 17h00 – Secretaria – procedimentos administrativos Inscrições Combustível

Dia 13 de Fevereiro de 2020 – Quinta feira

08h00 às 22h00 – Secretaria / Inscrições / Combustível
08h00 às 12h00 – Vistoria nos boxes – Todas as Categorias
11h00 – Briefing – Pilotos e Equipes
13h00 às 14h00 – Treino Livre – Todas as Categorias
15h00 às 16h00 – Treino Livre – Todas as Categorias
17h00 às 18h00 – Treino Livre – Todas as Categorias
20h00 às 22h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias

Dia 14 de Fevereiro de 2020 – Sexta feira

08h00 às 22h00 – Secretaria / Inscrições / Combustível
13h00 às 14h00 – Treino Livre – Todas as Categorias
14h30 às 14h55 – Classificação – PN 1 e PN 2
15h00 às 15h25 – Classificação – TN 1 e TN 2 e TN3
15h30 às 15h55 – Classificação – P2, P3 E P4
16h00 às 16h25 – Classificação – GT4
16h30 às 16h55 – Classificação – GT3
17h00 às 17h25 – Classificação – P1
19h00 às 20h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias
21h00 às 22h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias

Dias 15 e 16 de Fevereiro de 2020 – Sábado e Domingo

13h00 – Abertura da Secretaria Combustível
14h00 às 18h40 – Evento Suporte – Fórmula Vee
20h00 às 20h30 – Warm Up – Todas as Categorias
20h45 às 21h45 – Torneio Interlagos de Regularidade
21h00 às 22h30 – VISITAÇÃO AOS BOXES
23h30 – Abertura de Boxes
23h45 – Fechamento dos Boxes
23h50 – Execução Hino Nacional Brasileiro (Todas as Equipes perfiladas atrás de seus carros)
23h55 – Placa de 5 minutos
00h00 – LARGADA 1000 MILHAS DO BRASIL 2020
19h00 às 20h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias
21h00 às 22h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias
11h00 – Pódio para todas as Categorias

Lista de Inscritos

Categoria GT3 (1 carro)
#19 Ferrari 488 GT3 ou Lamborghini Huracàn GT3 – Chico Longo / ? (Via Itália Racing)
#77 Chevrolet Vectra Stock Car – Esdras Soares / Juarez Soares / Leandro de Almeida (2 Go Racing)

Categoria P2 (1 carro)
#32 MC Tubarão IX-Duratec Turbo – Mauro Kern / Paulo Sousa / Geciel de Andrade

Categoria GT3 Light (1 carro)
#25 Chevrolet Cobalt Stock Car – Ney Faustini / Ney de Sá Faustini / Marcos Phillip (Absoluta Racing)

Categoria P3 (3 carros)
#9 GT Race Cars GeeBee R3-Opel 16V – ? (F/Promo Endurance)
#56 Metalmoro MRX-Honda 20V – Rafael Simon / Gustavo Simon / Rafael Cardoso / Sérgio Cardoso (Motorcar Racing)
#72 Metalmoro MRX-Opel 16V – Carlos Antunes / Yuri Antunes / Lucas Marotta / Mauro Auricchio (Dobilas Racing)
#91 Metalmoro MCR-Volkswagen 8V – Marcelo Servidone / Jorge Machado / Nenê Finotti (LF Servidone Racing)

Categoria GT4
#16 Ginetta G55 GT4 – Esio Vichiesi / Renan Guerra / Stuart Turvey (Stillux Racing Team)
#20 Mercedes-Benz AMG GT4 – Leandro Ferrari / Flávio Abrunhoza / Marcelo Brisac / Renato Braga (Autlog Racing)

Categoria P4 (2 carros)
#17 PW1 Spyder-Volkswagen 8V – ? (HT Guerra)
#73 Aldee Spyder-Volkswagen 8V – José Vilela / Sergio “Pipa” Cardoso / Tinoco Soares (LT Team)
#74 Aldee Spyder-Volkswagen 8V – Sérgio Martinez / Eduardo Almeida / Luiz César Oliveira (LT Team)

Categoria TN3 (1 carro)
#9 Chevrolet Omega Stock Car – Ciro Paciello / Evandro Camargo / Álvaro Vilhena (Big Power)

Treino Classificatório

O treino classificatório das 1000 Milhas foi realizado em bateria única com todos os carros na pista. O grid, apesar de magro (12 carros), tem boa qualidade técnica com diversos carros e pilotos vencedores no Endurance Brasil e em provas importantes como as 12 Horas de Tarumã e as 500 Milhas de Londrina. No final, a pole ficou com um dos favoritos à vitória, o protótipo Tubarão IX de Paulo Sousa, Mauro Kern e Tiel de Andrade, com um tempo de 1m36s460, e que poderia ser melhor caso não houvesse ocorrido um problema na ignição durante os treinos. Outro dos favoritos entre os protótipos, o MRX #56 sequer classificou após uma quebra do diferencial, problema já resolvido. Abaixo você vê o grid completo, com os tempos da tomada de classificação

Onde acompanhar

A largada da prova será transmitida ao vivo pela Fox Sport, à partir das 00h do dia 15/fev, e também haverá cobertura pela Facebook da prova. A cronometragem está a cargo da Cronomap, e o live timing pode ser acompanhado também pelo Race Hero e pelo Race Monitor.

Corrida

A expectativa para as Mil Milhas era que o protótipo Tubarão IX disparace na dianteira, enquanto os Mercedes e Ginetta GT4 seguiriam de longe, esperando que algum problema atrasasse o protótipo gaúcho. E foi isso que aconteceu: com cerca de 1 hora de prova o carro #32 de Geciel de Andrade foi para os boxes com um problema mecânico, deixando a disputa para os modelos GT4. Sofrendo uma quebra de correia dentada, o motor do Tubarão sofreu que não puderam ser reparados, resultando no abandono da prova.

Ainda assim a prova não caiu na monotonia: por cerca de 6 horas os carros #16 e #22 se alternaram na liderança, porém um problema nos freios fez com que o Mercedes perdesse muito tempo no boxes, e o GT inglês abriu uma confortável vantagem de 6 voltas. A equipe Autlog ainda conseguiu descontar 1 volta da desvantagem, porém entrando na hora final da prova ficou claro que apenas um problema mecânico tiraria a vitória da Ginetta. No fim da prova, se confirmaram como campeões das Mil Milhas 2020 o trio composto por Esio Vichiesi, Renan Guerra e Stuart Turvey, seguidos por Leandro Ferrari, Flávio Abrunhoza, Marcelo Brisac e Renato Braga.

Na terceira colocação ficou o MRX #56 de Rafael Simon, Gustavo Simon, Rafael Cardoso e Maninho Cardoso. Em quarto lugar veio o valente Spyder #73 da equipr LT Team, com José Vilela, Pipa Cardoso e Tinoco Soares. Fechou o pódio na geral o Omega Stock Car #9 da equipe Big Power, pilotado por Ciro Paccielo, Evandro Camargo e Álvaro Vilhena (resultado que poderia ser melhor caso a equipe não tivesse preciso trocar o diferencial durante a parte noturna da prova).

Abaixo você confere o resultado final das 1000 Milhas do Brasil 2020:

O retorno das Mil Milhas infelizmente não teve o brilho que a história da prova merece. Não acredito que o problema tenha sido uma falha da organização, pois os principais pontos para uma prova de sucesso foram proporcionados:

  • Regulamento: foi utilizado como base o regulamento do Império Endurance Brasil, categoria da modalidade que têm apresentado grids muito bons já há vários anos, incluindo categorias para modelos de turismo e protótipos que competem em outras categorias como a Turismo Nacional ou Força Livre Paulista;
  • Organização: ao menos aparentemente a prova teve uma organização bem conduzida, contando com bons eventos de suporte como a Fórmula Vee e um torneio de regularidade disputado em conjunto com as Mil Milhas;
  • Cobertura: também foi proporcionada cobertura ampla pela internet, com transmissão ao vivo pelo portal High Speed, Facebook e YouTube, além da transmissão da primeira e última horas de prova pelo canal Fox Sports 2;
  • Tempo: entre a divulgação do regulamento e data da prova e a realização das 1000 Milhas se passaram praticamente 4 meses e meio, tempo razoável para que as equipes pudessem se organizar e buscar patrocínios (ainda que nesse ponto eu concorde que um prazo maior teria feito bem para equipes menores pudessem se programar para uma prova que, seguramente, tem custo bem elevado).

Infelizmente me parece que o que faltou mesmo foi comprometimento de equipes e pilotos com a prova, talvez por que não acreditassem que as Mil Milhas sairiam do papel. Mesmo com as dificuldades e o grid magro, foi importante que a prova retornasse ao calendário do automobilismo brasileiro, e fica a torcida para que a Elione Queiroz e todo o time que trabalhou para as Mil Milhas 2020 não percam o ânimo e de que a prova volte a ser realizada em 2021. Com certeza, com mais tempo para que as equipes menores possam se preparar e após o exemplo de boa organização que a prova desse ano foi, em 2021 as Mil Milhas terão um grid à altura da história da principal prova do automobilismo brasileiro.

Categorias das Mil Milhas Brasil 2020 – Turismo e Gran Turismo

Outra tradição das Mil Milhas é a participação de modelos classificados como Turismo ou Gran Turismo. Com grids ecléticos, compostos por modelos comuns nas ruas brasileiras como Fusca e Gol até esportivos de marcas como Porsche e Ferrari, as Mil Milhas sempre propiciaram que equipes amadoras pudessem disputar lado a lado com equipes que contam com grandes recursos e em algumas vezes até mesmo apoio de montadoras.

Na edição 2020, o regulamento conta com seis categorias, quatro delas com regulamento similar ao do Império Endurance Brasil 2019, mais duas específicas para a prova.

GT3

Na categoria GT3 competem carros com homologação no regulamento FIA GT3, utilizado internacionalmente em provas tradicionais como as 24 Horas de Spa e as 12 Horas de Bathrust. Nela se espera a participação de modelos que disputam o Endurance Brasil como Ferrari 488, Lamborghini Huracàn, Mercedes AMG e Porsche 911.

GT3 Light

Lamborghini Gallardo LP560-4 GT3 de Fernando Poeta. Fonte: Endurance Brasil (1).

A categoria GT3 Light é destinada também a modelos GT3, porém fabricados até 2012. Hoje no país existem diversos modelos que aptos a competir na categoria, como Lamborghini Gallardo LP600+ e LP560, Ferrari 458, Aston Martin Vantage e Ford GT. Além disso, é possível que modelos Stock Car sem utilização de restritor também engrossem o grid dessa categoria, como o Cobalt #25 de Ney Faustini e o Vectra #77 de Esdras Soares.

GT4

Tal como a GT3, a GT4 é destinada a modelos homologados dentro do regulamento FIA GT4. Em 2019, o grid do Endurance Brasil contou com modelos Mercedes AMG e Ginetta G55, disputa que deve se repetir nas Mil Milhas.

GT4 Light

A GT4 Light é a categoria destinada a modelos com performance inferior aos GT4. Nessa categoria se enquadram carros FIA TCR, do antigo Trofeo Linea, Mercedes CLA 45 AMG Racing Series e também modelos da Stock Car com emprego de restritores. Além disso, podem participar modelos GT3 fabricados antes de 2008, modelos Maserati Trofeo e modelos do Brasileiro de Marcas.

TN1

A TN1 é a categoria com menor desempenho, para carros de fabricação nacional ou Mercosul com motores aspirados de até 2.000 cm³. Deverão participar modelos que competem na Turismo Nacional e nos regionais de Marcas, e eventualmente até mesmo algum valente Fusca.

TN2

A TN2 é para carros também de fabricação nacional ou Mercosul, com motores de até 2.000 cm³ e sobrealimentados, como alguns Ford Focus e Volkswagen Gol que competem no gaúcho de Super Turismo.

TN3

Uma novidade de última hora foi a inclusão da categoria TN3, que não constava no regulamento divulgado inicialmente. O regulamento específico não foi divulgado, mas tudo indica que a TN3 é destinada a carros de fabricação nacional ou Mercosul com motores de cilindrada superior a 2.000 cm³.

Veja também

Categorias de protótipos da 1000 Milhas do Brasil 2020

Cobertura da prova

Categorias das Mil Milhas Brasil 2020 – Esporte-Protótipos

Começando pelos carros esporte-protótipos, que estão de certa forma estão presentes desde o início da categoria. Ainda que o termo esporte-protótipo tenha nascido apenas 10 anos após a realização das primeiras Mil Milhas, as carreteras que dominaram os primeiros anos da prova podem ser consideradas uma espécie de “prólogo”, com sua mecânica híbrida e soluções criativas, como a Carretera #18 de Camilo Chistófaro. Em anos posteriores, competiram nas Mil Milhas protótipos icônicos como o Bino Mark II, Fúria, e o Fitti-Porsche, modelos exóticos como o Caçador de Estrelas de Bica Votnamis ou o AM02 de José Lino, passando por modelos nacionais os Aldee RTT e Spyder, Metalmoro MCR e MRX, e até modelos internacionais como o protótipo ZF01 (um Riley & Scott MkIII disfarçado) ou o Peugeot 908 HDi vencedor das Mil Milhas 2007.

Para a edição 2020, os protótipos estarão dividos em 6 categorias:

P1

A categoria P1 é a mais veloz do endurance brasileiro. Nela são permitidos protótipos de fabricação nacional como Metalmoro AJR, DTR01 e Sigma P1, e também os modelos Ginetta G57 P2 e G58, além de protótipos FIA LMP3 como Ligier JSP3 e Norma M30. Para manter os custos sob controle, são proibidas motorizações utilizadas em categorias como LMP1, LMP2, IndyCar, F3000, entre outras. São seguramente os carros mais rápidos do Brasil, e estão entre os favoritos, porém a temporada 2019 da Endurance Brasil nos mostrou que nas etapas mais longas os protótipos podem pecar por falta de confiabilidade.

P2

A categoria P2 é reservada para carros de fabricação mais antiga, que deixaram de ser competitivos após a chegada de carros como os AJR e Ginetta G57. O regulamento dessa categoria reflete o da categoria P1 vigente até 2018. Ainda assim são carros muito velozes e que podem surpreender em uma prova longa. Estão entre os carros elegíveis para a categoria o protótipo Predador da família Bana, o GeeBee R1 de Ney Faustini, o Scorpion-KTT, o Tubarão IX, o Sigma P1 e carros como os Metalmoro MR18 e MCR Grand-Am que atualmente estão parados, entre outros carros. Também na P2 é vetada a utilização de diversos motores para evitar uma escalada de custos.

P3

Fonte: Correio do Povo [2].

A categoria P3 é reservada para os protótipos com motores aspirados de até 2.400 cm³. Nesta categoria se enquadram carros como os Metalmoro MRX e alguns Aldee Spyder, além dos protótipos como motores Hayabusa como Radical SR3, Tornado e Roco 001. São carros mais lentos, mas fortes candidatos a um top 10 na prova.

P4

Categoria de protótipos de menor desempenho das utilizadas pelo Endurance Brasil, a P4 recebe principalmente os protótipos Metalmoro MRX e Aldee Spyder, normalmente equipados com motores AP 2.0 8V.

PN1

Fonte: Carros e Corridas [3].

A categoria PN1 é específica das 1000 Milhas do Brasil, reservada para protótipos nacionais com motor até 2.0. A principal diferença para a P4 é o peso mínimo, bem superior. Entendo que os principais candidatos para essa categoria são os protótipos Aldee RTT e protótipos cearenses como Spirit 1.8, CTM 2000 e Super Turismo.

PN2

A PN2 é outra categoria específica das 1000 Milhas, para protótipos nacionais com motores sobrealimentados até 2.000 cm³. Provavelmente deve receber modelos Aldee Syder e RTT com motorização turbo, que não se enquadrem no regulamento da P2.

Veja também

Categorias de turismo da 1000 Milhas do Brasil 2020

Cobertura da prova

Polêmica envolvendo as Mil Milhas 2020

A realização edição 2020 das Mil Milhas começa com polêmicas envolvidas, já que a organização está a cabo da promotora Elione Queiroz da Angeli & Queiroz Assessoria e Comunicação, e com aval da FASP (Federação Paulista de Automobilismo), sem envolvimento do Centauro Motor Clube, que apesar do evento vir sendo divulgado desde setembro de 2019, divulgou o seguinte comunicado no dia 06 de dezembro de 2019:

“COMUNICADO OFICIAL


São Paulo, 06 de dezembro de 2019

O tradicional CENTAURO MOTOR CLUBE fundado em 1949, idealizador das mais importantes Provas do Automobilismo BRASILEIRO, entre elas as MIL MILHAS DE INTERLAGOS e/ou MIL MILHAS BRASILEIRAS, provas essas realizadas desde o ano de 1956, tomou conhecimento nesta última semana sobre a realização da prova MIL MILHAS em 2020 no Autódromo de Interlagos.

Importante ressaltar, que se trata de uma prova não vinculada ao CENTAURO MOTOR CLUBE, tampouco, faz parte da HISTÓRIA DA TRADICIONAL PROVA REALIZADA PELO CLUBE, posto que, temos por certo, que é uma tentativa de PLAGIO da nossa tradicional prova MIL MILHAS DE INTERLAGOS e/ou MIL MILHAS BRASILEIRAS.

Nesse sentido, temos conhecimento que a entidade que está organizando essa nova edição de prova, se quer tem direitos ou propriedade sobre a marca, tendo em vista que a CENTAURO MOTOR CLUBE detém o registro da marca desde 1966, bem como, é o titular do Decreto nº: 39.705, de 08 de agosto de 2000, incluído no calendário oficial de eventos automobilístico do Estado de São Paulo.

O que nos causa surpresa é que o Autódromo de Interlagos através de sua administração pela Secretaria de Turismo da Cidade de São Paulo, conhecedor dos nossos direitos de propriedade, por interesses financeiros e escusos está sendo conivente com os organizadores, não tomando as devidas providências de proibir a realização da prova com a marca plagiada.

Contudo, importante tornar público que para o ano de 2020, o CENTAURO MOTOR CLUBE firmou parceria com a LIGA DESPORTIVA DE AUTOMOBILISMO, entidade séria que está fazendo um trabalho competente em prol do AUTOMOBILISMO BRASILEIRO para a realização da TRADICIONAL MIL MILHAS realizada desde 1956 pelo CENTAURO MOTOR CLUBE, onde toda mídia especializada no BRASIL comprova este notícia de primeira mão, além de LEIS e DECRETOS devidamente especificados.

Portanto, é com muito orgulho que tornamos público que no ano de 2020 a 37ª Edição das MIL MILHAS será realizada pela LIGA DESPORTIVA DE AUTOMOBILISMO, com total APOIO do CENTAURO MOTOR CLUBE, sendo uma Prova Regional aberta, com largada á meia-noite.

Firmamos o presente.

Diretoria”

Verdade seja dita, o Centauro Motor Clube é parte integral da história das Mil Milhas Brasileiras com envolvimento na fundação da competição, porém também é verdade que a entidade por anos falhou em realizar de novos eventos. Não cabe aqui criticar o Centauro por isso, pois bem sei das dificuldades envolvidas na realização de competições automobilísticas no Brasil.

Ainda assim, não é surpresa que um promotor se interesse em trazer de voltas as Mil Milhas em uma época onde as competições de longa duração voltam a ganhar força no país, e no momento vivemos a possibilidade de que, após um hiato de 12 anos (o maior da história), poderemos ver a realização de duas “Mil Milhas”, uma a promovida pela Angeli & Queiroz Assessoria e Comunicação e com apoio da FASP, e outra promovida pelo Centauro Motor Clube, com apoio da LDA. Com essa prospectiva, teremos novamente um cenário daqueles onde a politicagem (ou falta de bom senso) de uma ou ambas as partes podem gerar mais perdas do que ganhos para o esporte como um todo, quando comparados a um mundo onde houvesse a união para a realização de uma prova única e possivelmente mais forte.

Entretanto, não desejo me delongar nesse assunto, principalmente por não possuir muitas informações sobre o caso, mas deixo aberto o espaço no site para que ambas as partes exponham seus pontos de vista caso assim desejem. Deixo nas referências sobre as polêmicas das Mil Milhas.

Veja também

Cobertura da prova

Referências

https://centauromotorclube.com.br/

http://legislacao.prefeitura.sp.gov.br/leis/decreto-39705-de-8-de-agosto-de-2000

https://www.canaljudicial.com.br/auction/offerDetail.htm?offer_id=643843&auction_id=20916#descricao_detalhada

Explicando as categorias do automobilismo mundial – parte 2

No último artigo, conhecemos as principais disciplinas do automobilismo mundial. Hoje vamos conhecer a fundo as principais categorias de Fórmula a nível nacional e internacional, começando pelas categorias regidas pela FIA (Federação Internacional do Automobilismo).

Fórmula 1

A Fórmula 1 é o ápice do automobilismo mundial como categoria. É nela que os melhores pilotos competem nos carros que são os mais rápidos em um autódromo de asfalto. A origem do campeonato está no Campeonato Europeu de corridas de Grand Prix, disputado antes da Segunda Guerra Mundial, onde marcas como Alfa Romeo, Mercedes-Benz e Auto Union lutavam por vitórias em provas realizadas por toda a Europa. Como categoria, a F1 nasceu em 1946, com a primeira corrida disputada no mesmo ano, o Gran Premio del Valentino, disputado em Turim, Itália. O primeiro campeonato mundial foi disputado em 1950, e a categoria já empregou regulamentos técnicos dos mais variados.

Atualmente, cada equipe deve construir seu próprio carro, devendo inscrever dois carros por toda a temporada. Os carros são construídos com um monocoque em fibra de carbono, e tem peso de 660 kg sem piloto e combustível, e 740 kg incluindo o piloto. Os pneus são padronizados Pirelli, com 5 compostos de slicks para pista seca, além de pneus intermediários e de chuva para condições de pista molhada.

Desde de 2014, a motorização consiste de um motor 1.6l V6 Turbo associado a sistemas de recuperação de energia cinética (MGU-K) e térmica (MGU-H). Números de potência são mantidos como segredos industriais, porém acredita-se que em 2019 tanto Ferrari quanto Mercedes tenham superado a marca dos 1.000 cv de potência combinada do Powertrain.

O primeiro dos sistemas de recuperação de energia adotado foi o KERS (Kinectic Energy Recovery System – Sistema de Recuperação de Energia Cinética, em tradução livre), introduzido em 2009 e inicialmente opcional.

Com o regulamento de 2014, além do KERS, outro sistema chamado TERS (Thermal Energy Recovery System – Sistema de Recuperação de Energia Térmica) foi adotado. Pelo regulamento atual, a combinação dos dois sistemas pode recuperar até 4 MJ de energia por volta através da MGU-K, com potência máxima limitada a 120 kW (cerca de 160 cv). O resultado disso é que o sistema pode ser acionado em potência máxima por 33,3 segundos por volta, porém as equipes utilizam mapas com diversos níveis de potência para situações como ultrapassagens, saídas de curva ou voltas rápidas, de forma a otimizar a quantidade máxima de energia utilizável.

Após diversos acidentes fatais que marcaram a categoria até meados da década de 90, a F1 adotou uma abordagem quase neurótica com a segurança, o que, por sua vez, protegeu a vida de inúmeros pilotos desde então.

Atualmente, cada equipe deve homologar seu chassi em uma série de crash tests obrigatórios, e desde de 2018 o dispositivo HALO para proteção da cabeça do piloto.

Por anos, a F1 enfrentou críticas de que as corridas eram previsíveis e sem ultrapassagens. Em 2011 foi introduzido o DRS (Drag Reduction System­ – Sistema de Redução de Arrasto ou asa-móvel, como o sistema ficou conhecido no Brasil) para facilitar as ultrapassagens. O sistema consiste em uma articulação do elemento superior da asa traseira, que ao mover-se cria um vão, reduzindo o arrasto aerodinâmico e aumentando a velocidade em cerca de 10-15 km/h. O DRS, entretanto, não pode ser usado à vontade como o KERS, e seu uso é limitado à zonas demarcadas pela FIA em cada autódromo, e se pode ser acionado caso o carro em questão esteja a menos de 1 segundo do adversário à frente, esteja ele disputando posição ou levando uma volta.

Fórmula E

Com o movimento da indústria automotiva em direção à eletrificação, a FIA na pessoa do francês Jean Todt propôs a criação de uma categoria de monopostos voltada a modelos com propulsão exclusivamente elétrica. Dessa forma, nasceu em 2014 a Formula E, inicialmente com chassis e powertrain padronizadas. As provas são disputadas em circuitos de rua em diversas cidades ao redor do globo, e inicialmente a categoria ficou por ocorrer uma troca de carros no meio da corrida, devido ao alcance limitado das baterias então disponíveis. As temporadas são disputadas na transição entre um ano e outro, no formato 2014-2015.

A princípio, todas as equipes utilizavam carros idênticos, porém atualmente todas as equipes utilizam o mesmo chassis, o Spark-Renault SRT05e e pacote de baterias, com os times são livres para desenvolver os próprios motores, transmissões, inversores e sistema de arrefecimento. Os pneus são Michelin com sulcos, e padronizados entre todas as equipes para conter custos.

Os Formula E da temporada atual (2019-2020) têm potência estimada na casa dos 335 HP, com um peso mínimo de 900 kg, dos quais 385 kg são apenas o pacote de baterias. Durante os eventos, a potência total é limitada em 300 HP, porém existe a possibilidade de usar o Attack Mode (Modo de Ataque), que aumenta a potência em 35 HP. O uso desse sistema é limitado em áreas da pista definidas pela FIA. A quantidade e duração de ativações disponíveis por evento são informados pela FIA apenas 1 hora antes de cada corrida, criando mais um complicador para a definição da estratégia.

Outro sistema empregado pela categoria é o Fanboost. Nesse caso, os fãs podem votar através das redes sociais e os cinco pilotos mais votados recebem um incremento de potência de 5 segundos que pode ser utilizado durante a corrida).

Uma curiosidade dos Fórmula E atuais é que atualmente os monopostos da categoria não podem ser classificados como um fórmula ao pé da letra, já que possuem ambas as rodas dianteiras e traseiras cobertas para reduzir o arrasto aerodinâmico.

Fórmula 2

Enquanto a Fórmula tem origens claras, o mesmo não pode ser dito dos demais níveis das competições de monopostos da FIA. O atual formato do campeonato de Fórmula 2 da FIA foi concebido em 2017, sendo apenas uma mudança de nome da GP2, antiga categoria escola para a Fórmula 1.

A GP2, por sua vez, nasceu em 2005 após o fim do campeonato intercontinental da Fórmula 3000, e a Fórmula 3000 nasceu em 1985 como campeonato europeu, para servir como último degrau antes da Fórmula 1, após o colapso do Campeonato Europeu de Fórmula 2, devido aos elevados custos de competição. A primeira encarnação da F2 traçava suas origens nas voiturettes anteriores à Segunda Guerra Mundial, carros de competição similares aos carros de Grand Prix, porém com motores menores e menor peso mínimo.

Para complicar um pouco mais, entre 2009 e 2012, a FIA promoveu um campeonato de Fórmula 2 que nada tem a ver com a encarnação atual, utilizando carros fabricados pela Williams e motores Audi 1.8 Turbo.

Mas voltando à F2 atual, a categoria serve de suporte para diversas etapas do Mundial de Fórmula 1, além de ser o último degrau antes da categoria principal. Para conter custos e promover equilíbrio à competição, é utilizado um chassi único em fibra de carbono, chamado F2 2018 e construído pela italiana Dallara, sempre equipado com motores Mecachorme V634T, com potência de cerca de 620 HP. Atualmente o peso mínimo é de 755 kg (incluindo piloto), e os pneus são sempre Pirelli, similares em dimensão aos utilizados pela Fórmula 1 até a temporada de 2017.

O chassis é homologado com os mesmos critérios de segurança da F1, e desde de 2018 o dispositivo HALO para proteção da cabeça do piloto. Na área esportiva, um sistema DRS é empregado, utilizando as mesmas regras e zonas de aplicação da F1.

Fórmula 3

Como é de se esperar, a Fórmula 3 é o terceiro nível dos monopostos regulamentados pela FIA. Por muitos anos, a F3 permitiu a utilização de chassis de diversos fabricantes, que poderiam ser equipados com motores aspirados de 2.0 litros, baseados em motores de produção em série. Contudo, a partir de 2019 a FIA criou o FIA Formula 3 Championship com a fusão do Campenato Europeu de Fórmula 3 e do Campeonato FIA de GP3. Com isso, a categoria passou a ser disputada no formato monomarca, utilizando um novo carro, chamado Dallara F3 2019, (uma evolução do monoposto utilizado na extinta GP3), e o motor também é o mesmo Mecachrome V634 naturalmente aspirado dos antigos GP3. Com as novas regras, os carros da F3 passaram a ter um peso mínimo de 673 kg (incluindo o piloto), com potência máxima de 380 HP.

O regulamento anterior, entretanto, continua válido agora sob o nome de Fórmula 3 Regional sendo utilizado em campeonatos nacionais e regionais. Esses regulamentos variam ligeiramente de país para país, porém é comum o uso de chassis homologados como Fórmula 3 e motores com potência variando entre 200 HP e 270 HP.

Fórmula 4

Com os carros de F3 apresentando um desempenho cada vez mais elevado, em 2014 a FIA lançou a F4 para fechar o gap entre o kartismo e a Fórmula 3. Inicialmente, a categoria foi imaginada como monomarca, porém ao longo do tempo a FIA relaxou as regras permitindo a homologação de diversos fabricantes de chassi e motores. Ainda assim, o desempenho entre as diferentes opções é mantido equilibrado, e todos os carros devem ter monocoque construído em fibra de carbono, enquanto os motores devem ter quatro cilindros e cilindrada livre, porém com potência limitada a 160 HP. Com um peso mínimo de 570 kg, os Fórmula 4 atuais tem desempenho próximo ao dos Fórmula 3 de da década de 1990.

Onde acompanhar:

Fórmula 1: https://www.formula1.com/

Fórmula E: https://www.fiaformulae.com/

Fórmula 2: http://www.fiaformula2.com/

Fórmula 3: http://www.fiaformula3.com/ (campeonato FIA de Fórmula 3).

Explicando as categorias do automobilismo mundial – parte 1

Mesmo para os maiores fãs de automobilismo é difícil diferenciar a grande quantidade de categorias nos mais diversos campeonatos pelo mundo. Muita gente já ficou confusa tentando entender a diferença entre GT3 e GTE, ou imaginando se os carros de categorias como a DTM são realmente baseados em carros de rua. A verdade é que com diversas entidades organizando campeonatos em nível nacional e internacional, as nomenclaturas e definições das categorias ficam confusas, e não é raro encontrar nomes diferentes para categorias utilizando os mesmos carros, e nomes iguais para categorias utilizando carros diferentes.

Para jogar uma luz sobre o assunto, vamos primeiro conhecer as principais disciplinas de carros de competição em asfalto, conforme definição das principais entidades do automobilismo mundial.

Fórmula

Fórmulas são carros construídos especificamente para competições, e para serem classificados como tal devem ter algumas características chave:

  • Rodas descobertas, ou seja, sem para-lamas;
  • Monopostos, ou seja, com lugar para apenas o piloto;
  • Cockpit aberto.

A origem do nome Fórmula vem do padrão de nomenclatura estabelecido pela FIA para categorias de monopostos, como categoria principal dessa disciplina que é obviamente a Fórmula 1.

Esporte-protótipo

Esporte-protótipos, normalmente chamados apenas de protótipos, são carros construídos especialmente para competições, com as seguintes características:

  • Rodas cobertas;
  • Cockpit aberto ou fechado;
  • Usualmente carros com lugar para duas pessoas, ainda que em alguns regulamentos esse requisito não seja exigido.

A classificação de modelos como esporte-protótipos remonta ao Anexo J da FIA, tendo aparecido inicialmente na edição 1966 do regulamento. À época, eram definidos como carros especialmente construídos para provas de Sprint ou endurance, mas que fossem uma espécie de “prévia” para um futuro carro de produção. Desde então, o conceito evoluiu lentamente, ao ponto de que atualmente os modelos tenham pouco ou nada em comum com modelos de produção seriada.

Gran Turismo

Gran Turismo e um termo que vem do italiano, e como muitos outros do automobilismo não tem uma definição precisa. O mais próximo a um consenso na definição do termo é que carros Gran Turismo são carros de produção seriada, que possuem desempenho e conforto acima da média dos automóveis comuns e são capazes de cruzar grandes distâncias com conforto para os passageiros mas mantendo a capacidade de proporcionar emoções ao volante. No automobilismo, os Gran Turismo são carros de competição derivados de modelos de rua de alto desempenho. As principais características de um GT são:

  • Chassi derivado de modelo de fabricação seriada;
  • Carros de dois lugares, ou na configuração 2+2;
  • Requerem um número mínimo de unidades fabricadas em um determinado espaço de tempo para homologação.

Turismo

Tal como nos GTs, em automobilimo carros turismo são carros de rua que recebem variados níveis de modificações para transformá-los em carros de competição. Normalmente, carros de turismo são baseados em sedans, hatchbacks e peruas de produção em série, e tem requerimentos de maior número de unidades produzidas para que sejam homologados em relação aos Gran Turismos.

Silhouette

Carros silhouette são carros concebidos especialmente para competições, mas que devem ser visualmente semelhantes a algum modelo GT e/ou turismo, mantendo a silhueta de um modelo de produção em série, daí o nome da disciplina. Algumas das principais características de um modelo silhouette são as seguintes:

  • Design externo que lembre algum modelo de rua;
  • Pode ser requerido que o carro utilize motores do mesmo fabricante do carro que serviu de base para o design;
  • Em alguns casos pode ser exigido que algumas partes da carroceria sejam comuns ao modelo de base, tais como capô, teto ou portas.

Diversas categorias importantes podem ser enquadradas como silhouette, tais como a DTM, Super GT, Stock Car Brasil e a NASCAR.