10 Carros que provam que o automobilismo brasileiro está renascendo

Algum tempo atrás, tivemos aqui no site uma lista com 10 protótipos mostrando que ainda existia vida no automobilismo brasileiro. Desde então, passaram-se quatro anos, e uma crise financeira muito pesada, mas ainda assim os fãs de automobilismo têm motivo de sobra para comemorar: novas categorias floresceram no país, e jovens projetistas e equipes tradicionais criaram máquinas impressionantes, capazes em muitos casos de fazer frente a modelos de renome internacional nas categorias das quais participam.

Aqui, abro um adendo pois infelizmente, algumas pessoas parecem apenas ver valor nas soluções internacionais. Não que seja errado existirem categorias como GT3, TCR ou Fórmula 3 no Brasil, e nem que eu esteja pregando o fechamento do país, até porque isso seria a contramão dos tempos em que vivemos. A verdade é que essas e outras categorias “padrão FIA” apresentam custos elevados, pois foram concebidas para o cenário europeu, considerando o poder aquisitivo e o parque fabril daquele continente. Aqui no Brasil, isso resulta que tudo precisa ser importado, implicando em maiores custos, seja devido aos elevados impostos de importação, seja devido ao custo/tempo logístico bem superior, que obriga equipes utilizando equipamento estrangeiro a manter estoques maiores de peças de reposição (sem falar no excesso de burocracia nas aduaneiras).

E é dessa necessidade de soluções voltadas à realidade brasileira que grande parte dos carros que vamos conhecer surgiram. Os construtores abaixo, cada um em sua realidade, merecem grande respeito e admiração pelo que já atingiram, e para mim são prova mais do que suficiente de que o automobilismo brasileiro tem sim futuro. Mas sem mais delongas, vamos ao Top 10 de hoje:

GT Race Cars: GeeBee R5

Um dos projetos para as provas de Endurance, o GeeBee R5 é o protótipo mais recente apresentado pela GT Race Cars, do paulista Jaime Gulinelli. Concebido para a categoria P3 da Endurance Brasil, o carro teve como piloto de testes o grande Maurizio Sala, outro daqueles injustiçados pela mídia brasileira, mas com extensa carreira internacional e que nas provas de longa duração pilotou máquinas icônicas como o Porsche 962 C, Mazda 787B, McLaren F1 GTR e Lotus Elise t1 em provas do campeonato japonês, FIA GT e nas 24 Horas de Le Mans.

O GeeBee R5 é um protótipo de construção tubular, equipado com motor Opel 2.0 e utilizando diversos componentes de carros de Fórmula 3. Desde 2016, o modelo já participou de uma edição dos 500 km de São Paulo e de diversas provas do campeonato paulista de Força Livre, sempre se mostrando muito competitivo. Para 2020 a equipe F/Promo Endurance Racing irá trazer o belo protótipo campineiro para as pistas do Império Endurance Brasil.

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Minelli Racing Cars: MG15

Após a queda de diversas categorias escola do automobilismo brasileiro, a Fórmula Inter surgiu em 2016 idealizada pelo empresário Marcos Galassi, para ser uma opção acessível de monoposto à jovens pilotos recém-saídos do kartismo. Para isso, diferente de outras categorias, o piloto não tem a posse do carro, pagando apenas pelo uso, com toda a infraestrutura sendo fornecida pela organização da categoria. O carro, chamado MG15, é resultado da junção do experiente construtor José Minelli da Minelli Racing Cars e jovens engenheiros da FEI, com mais de 900 horas de simulação CFD e estrutural. Com estrutura tubular, o monoposto paulista tem construção voltada para a segurança, com crash box dianteiro e traseiro, além de side pods estruturais em plano inclinado. O resultado final é um carro com apenas 490 kg (sem combustível), que equipado com um motor Ford Duratec 2.0 de 191 HP atinge tempos de volta inferiores a 1m50s em Interlagos.

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Metalmoro / JLM Racing: AJR

Apresentado em 2017, o AJR é a visão do piloto Juliano Moro para um protótipo de provas de endurance. Com aerodinâmica desenvolvida pela empresa Dynamic Flow Solutions e chassi desenvolvido pelo tradicional fabricante gaúcho Metalmoro. O primeiro carro foi apresentado com motorização Honda K20 Turbo e transeixo Xtrac direto da LMP3, além de novidades como freios de carbono. Após encontrar problemas de confiabilidade nas primeiras provas, o protótipo ganhou vida mesmo ao receber o motor Chevrolet LS3 V8 similar ao da Stock Car Brasil. O resultado é atualmente o protótipo mais veloz do país com 20 pole-positions nos 20 treinos classificatórios onde um AJR participou.

Em 2018, diversas equipes migraram para os AJR, com pelo menos 6 carros concluídos e uma grande variedade de motores: além de Honda K20 e Chevy LS3, surgiram modelos com motorização Honda K24 Turbo e Audi 2.0 Turbo, num ano que culminou com o título da categoria P1 do Império Endurance Brasil para o piloto Emilio Padrón. A temporada de 2019 foi a de consagração do AJR, trazendo atualizações aerodinâmicas a cada prova, incluindo a adoção de um sistema de asa móvel, estilo F1. Dois novos carros foram entregues, para um total de 8 protótipos, com a inclusão de uma nova motorização Nissan V6, inicialmente aspirada e agora com adoção de supercharger. O resultado dessa evolução constante: 6 vitórias na geral em 8 provas, com a dupla Nilson e José Roberto Ribeiro faturando os títulos nas categorias Geral e P1 do Império Endurance Brasil.

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Sigma Kart: Sigma P1

Apresentado em 2017, o Sigma P1 nasceu para as disputas das provas de longa duração nas pistas brasileiras. Concebido pelos engenheiros Evandro Flesh e Pedro Fetter, o carro nasceu a partir de um conceito inovador: a transmissão convencional foi dispensada, e em seu lugar foi utilizado um motor elétrico para preencher as lacunas de torque do motor Audi 4.2 V8 Turbo. Após a estréia nas 12 Horas de Tarumã de 2017, o time de engenheiros concluiu que, apesar de viável, o desenvolvimento do sistema híbrido tomaria muito tempo e recursos, decidindo por um caminho mais convencional, ao adotar um transeixo Xtrac de 6 marchas. Desde então o modelo recebeu duas atualizações (em 2018 e 2019), incluindo um sistema de DRS na asa traseira. Para 2020, a expectativa é de que um segundo Sigma venha para as pistas, com melhorias para colocá-lo na disputa da categoria P1 da Endurance Brasil.

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Fórmula Vee Brazil: Naja 01D

Outro monoposto nacional para categorias escola, o Naja 01D é uma evolução do modelo Naja 01 utilizado pela Fórmula Vee Brasil. À primeira vista, chama a atenção a barbatana dorsal, porém essa não é a única modificação do chassis: o carro como um todo sofreu um redesign, com foco na melhoria da proteção ao piloto, e substituindo conceitos antigos como a suspensão traseira “swing axle” e transmissão 4 marchas por uma suspensão traseira multilink e transmissão longitudinal de 5 marchas retirada do Volkswagen Gol. Equipado com motor VW EA111 1.6 de cerca de 120 cavalos, os bólidos projetados pelo experiente engenheiro Ricardo Divila em conjunto com a GT Race Cars se mostraram velozes, com um pódio já na primeira prova.

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Giaffone Racing: Buggy V8

Saindo do asfalto, outra revelação da engenharia automobilística brasileira é o Buggy V8 da Giaffone Racing. Responsável pela construção e suporte aos bólidos da Stock Car desde a virada do milênio, a empresa paulista começou a se aventurar nos rallies cross-country preparando os motores de protótipos como o Sherpa e o T-Rex. Com esse envolvimento inicial, a Giaffone percebeu que existia uma lacuna para modelos de custo inferior aos protótipos 4×4 nas competições nacionais, e partiu para o desenvolvimento de um buggy similar aos modelos da categoria T1.3 do mundial da FIA. A estreia do carro foi no Rally Caminhos da Neve em 2018, com vitória da dupla Reinaldo Varela / Gustavo Gugelmin, à qual se seguiram outras vitórias nos campeonatos Paraguaio e Brasileiro, frente a modelos consagrados como a Ford Ranger FIA T1 desenvolvida pela sul-africana Neil Woolridge Motorsports.

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Royal Racing Team: Spirit APW

Enquanto o automobilismo das regiões sul e sudeste recebem maior foco da mídia, o automobilismo da região nordeste é também merecedor de destaque, pela variedade de categorias e belas disputas proporcionadas. Em especial, merece destaque o automobilismo cearense, que a despeito de tdas as dificuldades e mesmo com o Autódromo Virgílo Távora correndo risco de dar lugar a algum empreendimento imobiliário (como alguns outros autódromos brasileiros) continua com as disputas do campeonato cearense de esporte-protótipos. Disputado por máquinas locais como o CTM e Spirit 1.8, nos últimos anos o certame vivenciou a chegada dos protótipos Aldee Spyder. Desenvolvido por Alexandre Romcy e Silvio Camelo, o Spirit APW surgiu em 2018 como uma nova roupagem para os CTM, voltado para provas de longa duração.

MESGAFERRE: Puma P052

Outra boa novidade dos últimos tempos é o retorno da Puma, pela mão dos empresários Fernando Mesquita e Reginaldo Galafazzi. Com o slogan “Nas pistas nascemos, pelas pistas voltaremos”, a dupla promete voltar com a icônica marca de esportivos brasileira. Para isso, dois modelos nasceram: o P052, voltado para as pistas e o P053, para as ruas. Sobre o P052, o modelo servirá de base para o desenvolvimento do modelo de rua, utilizando a experiência adquirida nas pistas. Com estrutura tubular e carroceria de fibra de vidro, o carro tem peso de apenas 570 kg, e hoje é movido por um motor EA111 1.6 de 120 cv. Apesar da pouca potência, e de estar utilizando pneus radiais, os pilotos de testes Gabriel Maia e Luiz Costa tem obtido bom desempenho do carro, que deve competir em categorias como Endurance Brasil e Força Livre Paulista.

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Roco Racing Cars: Roco 001

Uma das grandes novidades da temporada 2019 da Endurance Brasil foi o protótipo Roco 001, da Roco Racing Cars. Criado pelos pilotos Robbi Perez e José Cordova, o Roco foi desenvolvido para a categoria P3 e é baseado em um chassi Ralt RT34 de Fórmula 3, que recebeu nova carenagem cobrindo as rodas dianteiras e traseiras, além de uma nova asa traseira aproveitando a largura total do carro. Como mecânica, o Roco recebeu um motor Suzuki 1340 cc com preparação da Mecânica Overboost. O time estreou o carro nas 4 Horas de Goiânia, onde enfrentaram diversos problemas, típicos de um carro novo. Em seguida, voltaram para a etapa de Interlagos onde obtiveram a quinta colocação na classificação final, com participações ainda nas 500 Milhas de Londrina e nas 6 Horas de Curitiba, onde obtiveram a quarta colocação na categoria P3.

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Gear up Racing Engineering: DTR 01

Outro protótipo da nova geração, o DTR01 foi desenvolvido pela Gear up Racing em parceria com a equipe DTR Motorsports de Francesco Ventre e Eduardo Dieter. Tal como o Sigma, foi projetado por um grupo de engenheiros brasileiros, que fizeram parte do time de Fórmula SAE da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), e nasceu para substituir o MR18 da DTR. Partindo da mesma mecânica básica do antigo MR18 (motor Honda K20 + transeixo Xtrac), um novo chassi tubular foi construído, com aerodinâmica desenvolvida em CFD. A equipe fez sua estréia em competições nas 3 Horas de Santa Cruz do Sul de 2019, e mesmo enfrentando alguns problemas (normal para um projeto novo como esse), o DTR01 conseguiu como melhor volta um tempo de 1m14s918, muito próximo dos AJR e que seria suficiente para a sétima posição no grid de largada.

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Explicando as categorias do automobilismo mundial – parte 5

Após nosso tour pelas categorias de Fórmula do mundo, é hora de voltar os olhos para o que acontece aqui no Brasil. Nosso país tem uma longa tradição nas competições de monopostos, traçando suas raízes à antiga Mecânica Continental, que era uma espécie de Fórmula 1 brasileira, onde carros como Maserati e Ferrari da F1 recebiam potentes (e pesados) motores V8 americanos. No passado, tivemos competições de categorias como Fórmula Ford, Vee, Renault, Chevrolet entre outras, porém após anos de má gestão e desinteresse do público e de empresas, chegamos ao ponto em que o campeonato brasileiro de Fórmula 3 deixou de ser disputado. Contudo, o futuro promete, e desde 2015 diversas categorias têm ressurgido a nível nacional e regional, abrindo espaço para que novos talentos possam galgar os primeiros passos rumo às principais categorias do automobilismo mundial.

Fórmula 1.4

Regida pela Federação Gaúcha de Automobilismo, a Fórmula 1.4 é uma categoria que promete uma porta de entrada para os monopostos com custos acessíveis. O carro é baseado no monoposto da extinta Fórmula Júnior da CBA, mantendo o chassi tubular projetado por Edgardo Fernandez porém recebeu nova carenagem com aerodinâmica revisada e maior proteção lateral para o piloto. O motor é um Chevrolet 1.4 Família 1, com potência superior a 110 cv aliado a uma transmissão Hewland de 4 marchas. Com peso mínimo de 490 kg, o pacote resulta numa relação peso/potência próxima a 5 kg/cv.

Fórmula Inter

Regida pela Federação Paulista, a Fórmula Inter é uma categoria lançada em 2015, cuja primeira corrida foi realizada em dezembro de 2016. O nome é em homenagem ao autódromo de Interlagos, e para 2020 estão previstas 10 etapas por todo o Brasil, em Interlagos, Londrina, Cascavel, Goiânia e em uma pista gaúcha ainda a ser definida. Além disso, está previsto um round extra no oval do circuito de Rafaela, na Argentina.

O carro da F Inter, chamado Minelli MG15, foi inteiramente projetado e construído no Brasil por uma equipe de engenheiros da FEI com larga experiência em competições da Fórmula SAE em associação ao tradicional construtor de veículos de competição Minelli Racing. Com estrutura tubular, o modelo preza pela segurança, tendo crash box frontal e nas laterais, e foi todo projetado em CAD e com o auxílio de simulações computacionais de CFD e estruturais. O motor é um Ford Duratec preparado para render 191 HP, e o carro pesa apenas 490 kg (peso seco e sem piloto). Diferente de outras categorias, a F Inter trabalha num sistema de “aluguel” do carro, onde a organização da categoria disponibiliza todo o suporte técnico.

Fórmula Vee Brazil

A Fórmula Vee paulista segue a mesma receita básica de diversos campeonatos da categoria pelo mundo, com mecânica simples e custos acessíveis. Aqui a receita é o motor VW EA111 1.6 e existem duas opções de chassi: o Naja 01 e o Naja 01-D. Ambos utilizam suspensão dianteira original do Fusca/Brasília, porém o Naja 01 utiliza também a suspensão traseira de braços oscilantes dos modelos VW, e a transmissão de 4 marchas desses modelos. Já o Naja 01-D utiliza suspensão traseira multilink, com amortecedores da Twister e a transmissão de 5 marchas do VW Gol com motor longitudinal, enquanto a carenagem é livre. Apesar da potência relativamente baixa (111 cv), o baixo peso de 490 kg e os pneus são radiais Pirelli P1 garantem boas disputas e fazem com que o carro se torne divertido de guiar.

Fórmula 1.600 LDA

A Fórmula 1600 LDA é uma categoria escola chancelada pela LDA (Liga Desportiva Automobilista) e baseada no estado de São Paulo. O chassi utilizado é o Mangusto R5, projetado pela EBTech, e o motor utilizado é um Ford Zetec Rocam com cerca de 110 cv. A base é similar a um monoposto da Fórmula Vee, inclusive com utilização da transmissão dos modelos VW como Fusca e Brasília. Os pneus utilizados são Pirelli radiais, e o peso mínimo é de 590 kg com piloto.

Fórmula Academy SUDAM

A Fórmula Academy é uma categoria lançada em 2018 utilizando os chassis Signatech e motores E.torQ 1.8L da antiga Fórmula Futuro. Com chassi em fibra de carbono e um pacote de eletrônica embarcada avançada, a categoria está entre as mais avançadas do país. A categoria é promovida pelo empresário Linneu Linardi, com chancela da Codasur e CBA, com rodadas disputadas em autódromos do Brasil e Uruguai. Cada rodada é composta de duas provas, com custo de cerca de R$ 24.000 por rodada dupla. A categoria utiliza pneus slick Pirelli, e com potência de 150 HP os carros estão entre os Fórmula mais velozes em atividade pelo país.

Fórmula Delta

Mais recente categoria de monopostos do Brasil, a Fórmula Delta é encabeçada pelo piloto e empresário gaúcho Mauro Kern, com suporte da Mitsubishi Motors. O carro utilizado é uma evolução do Minelli M3 de Fórmula Ford, com aerodinâmica revisada, além de uma revisão nos sistemas de proteção ao piloto incluindo a primazia na adoção do HALO entre os monopostos nacionais. Como Powertrain, outra novidade é a adoção de uma transmissão sequencial de 5 marchas de fabricação própria da Minelli, que trabalhará em conjunto q um motor Mitsubishi 2.0 MIVEC, com potência de 185 cv limitada pelo restritor da admissão. A expectativa é que o primeiro campeonato seja disputado em 2020, com 8 rodadas duplas em pistas como o Velo Città, Interlagos e Londrina.

Onde acompanhar

Fórmula 1.4: http://www.fgars.org/

Fórmula Inter: http://www.formulainter.com.br/

Fórmula Vee Brazil: https://www.fvee.com.br/

Fórmula 1.600 LDA: http://www.f1600.com.br/

Fórmula Academy SUDAM: http://f4sudamericana.com/pt/

Fórmula Delta: https://www.facebook.com/formuladelta/

Império Endurance Brasil: um guia das categorias

Numa época em que o automobilismo fica cada dia mais engessado e baseado em sistemas de balanço de performance, os fãs mais fervorosos sonham sobre como seria um campeonato onde imperasse a liberdade técnica, semelhante ao que campeonatos como Can-Am e Interserie foram no passado. Ainda que exista categoria Unlimited de Pikes Peak, que trouxe a vida carros como o Volkswagen ID.R e o Peugeot 208 Pikes Peak, essa é apenas uma das categorias de uma prova de cerca de 20 km, disputada uma vez ao ano. Outras categorias, como as de Time Attack, também permitem que os engenheiros pensem “fora da caixa”, mas ainda assim sem uma disputa roda a roda nas pistas.

Então, o que você pensaria se eu lhe dissesse que existe um campeonato dos sonhos como esse onde, além dos requisitos de segurança, apenas peso e cilindrada do motor são controlados?

Esse Campeonato não só existe, como é disputado aqui mesmo no Brasil. Organizado pela APE (Associação dos Pilotos de Endurance), o Império Endurance Brasil tem raízes em 2014, quando a APE passou a organizar o Campeonato Gaúcho de Endurance. Até então, campeonatos de provas de longa duração eram perenes no Brasil, oscilando entre períodos de baixa e pontos altos, como o início dos anos 2000 que viu máquinas como o Lister Storm de Alcides Diniz, o protótipo ZF-Riley & Scott dos Giaffone e o Audi TT DTM dos Negrão disputando as vitórias nas pistas.

  • Lister Storm GT

Sob a organização da APE, o que era um campeonato regional passou a crescer no cenário nacional, atraindo pilotos de diversos estados, até que outro ponto de inflexão foi atingido. A partir de 2017, a APE conseguiu um acordo de patrocínio máster com a Cervejaria Imperial, primeiro com a marca de energéticos Dopamina, e depois com a cerveja Império. Com esse suporte adicional, a cobertura do campeonato melhorou, com transmissões ao vivo pelos canais do YouTube e Facebook da categoria, atraindo ainda mais competidores. Como em outros campeonatos de endurance, as corridas contam com a participação de protótipos e GTs, num total de 8 categorias (4 por tipo de carro), além de uma categoria geral, compondo um grid bastante eclético. Para facilitar a identificação dos carros, protótipos devem obrigatoriamente utilizar faróis com lente branca, enquanto os GTs devem utilizar a cor amarela.

Entre os pilotos, cada prova é uma mistura de profissionais, amadores e gentleman drivers, com idade variando dos 20 a mais de 70 anos. Alguns nomes familiares que competiram na temporada 2019 são: Daniel Serra, Ricardo Maurício, Marcos Gomes, Alexandre Negrão, Sérgio Jimenez, David Muffato e Tarso Marques, entre muitos outros.

Essa combinação de máquinas e pilotos resulta em grande equilíbrio, onde ao menos 10 carros entram com chances reais de vitória a cada prova. Como testemunho da elevada competitividade da categoria, as oito provas da temporada 2019 tiveram quatro vencedores diferentes, divididos 6-2 entre protótipos e GTs. Mais ainda, apenas duas vezes o vencedor conseguiu aplicar uma volta sobre o segundo colocado, e o título da categoria geral foi decidido apenas na última da prova de encerramento do campeonato.

Para 2020, o Endurance Brasil promete emoções ainda maiores, com novos carros e pilotos se juntando em diversas categorias, bem como o anúncio de que as provas terão cobertura ao vivo pelos canais SporTV, em adição ao live streams do YouTube e Facebook.

Conhecendo as categorias

P1

Atuais campeões: Nilson Ribeiro / José Roberto Ribeiro (AJR #65)

  • #5 - Metalmoro JLM AJR - Chevrolet LS3 6.2 V8

Principal categoria entre os protótipos, a P1 também é a que tem os carros mais velozes da pista. Atualmente o campeonato é dominado pelos melhores protótipos construídos no país, porém carros importados como os Ginetta G57 e G58 e carros homologados como LMP3 também podem ser inscritos, ainda que nenhum LMP3 tenha sido confirmado até o momento, mesmo com os carros podendo competir sem restrições de potência do motor. Ainda assim, podemos esperar que dois modelos Ginetta G57 sejam inscritos pelo Team Ginetta Brasil. Mas os carros mais impressionantes do grid são mesmo os protótipos tubulares construídos localmente, como o AJR, Sigma e DTR. Em adição aos limites de peso e cilindrada, algumas opções de motores importados são proibidos, para evitar uma escalada de custos que possa ferir o equilíbrio financeiro e competitivo do campeonato.

Fora isso, a competição é do tipo Fórmula Libre, o que permite que conceitos como asa-móvel e trens de força híbrido podem ser explorados, sem necessidade de zonas de ativação e regulamentos complexos ditando como armazenar e utilizar energia. Além dessa liberdade técnica, a categoria permite que as equipes escolham os fornecedores de pneus como bem entenderem, algo que já saiu de cena da maioria das categorias automobilísticas de ponta. Atualmente, os competidores utilizam pneus fornecidos pela Michelin e Pirelli, que possuem faixas de trabalho e durabilidades diferentes, adicionando mais um fator à equação de cada prova.

GT3

Atuais campeões: Xandy Negrão / Xandinho Negrão (Mercedes AMG #9)

  • #8 Mercedes-Benz AMG GT3

Como o nome entrega, a GT3 é a categoria de carros que sejam assim homologados pela FIA ou por alguma entidade nacional. Ao contrário de outros campeonatos que utilizam esse tipo de carros, no Endurance Brasil os GT3 não sofrem um BoP, o que significa dizer que correm sem restritores de potência, com diferenciação apenas no peso mínimo. Carros que competem nessa categoria incluem Ferrari 488 (carro que obteve a pole-position da categoria GTD nas 24 Horas de Daytona), Porsche 911 GT3 R, Mercedes AMG e Lamgorghini Huracàn.

GT3 Light

Atuais campeões: Sérgio Ribas / Guilherme Ribas (Aston Martin #63)

  • #18 Lamborghini Gallardo LP560 GT3

Até 2018, todos os carros GT3 competiam dentro da mesma classe, até que a divisão Light foi criada em 2019. Destinada a carros construídos antes 2012, a GT3 Light foi criada após a organização perceber de que modelos mais antigos, muitos vindos da antiga GT Brasil, não eram capazes de acompanhar o ritmo dos modelos mais recentes. Competem nessa categoria carros como Ferrari 458, Aston Martin Vantage V12, Lamborghini Gallardo LP560 e LP600+, além de carros da Stock Car sem restritores na admissão.

P2

Atuais campeões: Paulo Sousa / Mauro Kern (Tubarão IX #32)

  • #4 Sigma P1 - Audi 4.2 V8 Turbo

A categoria P2 é uma espécie de categoria legado, pois após 2018 ficou claro que a chegada de modelos como o AJR havia tornado obsoletos diversos protótipos de construção mais antiga. Com isso, um novo regulamento para a P1 foi revisado a partir de 2019, e o regulamento vigente até 2018 passou a ser utilizado para a P2. A principal diferença entre as categorias está na capacidade máxima do tanque de combustível, inferior na P2, porém as demais liberdades de projeto e construção são similares à P1. Competem pela P2 tanto carros com rodas aro 13, como o Predador, Tubarão e Scorpion, quanto carros com rodas aro 18 como GeeBee R1, Metalmoro MR18 e MCR Lamborghini. Teoricamente, qualquer carro de estrutura tubular construído antes de 2018 é elegível para a categoria, de forma que modelos como os Daytona Prototypes tubulares e Radical SR8 poderiam participar dessa categoria.

GT4

Atual campeão: Renan Guerra (Ginetta G55 #555)

  • #3 Mercedes-Benz AMG GT4

A GT4 é a categoria para carros com esse tipo de homologação, seja ela da FIA ou a nível nacional. No Endurance Brasil, é empregado o mesmo BoP aplicado originalmente pela entidade certificadora. Entre os modelos da categoria estão carros como Mercedes AMG, Ginetta G55 e McLaren 570S. Também participou de parte da temporada 2019 o BMW M3 GTR (E92) de Henry Visconde, um carro originalmente de rua e que foi preparado para competições aqui mesmo no Brasil.

P3

Atuais campeões: Carlos Antunes / Yuri Antunes (MRX #72)

  • #2 VBS 01 [Dallara F394] - Opel 2.0 16V

Essa é a classe para os protótipos menores, normalmente utilizando rodas de 13 polegadas e motores com cilindrada acima de 2.000 cm³, ou conjunto motor/transmissão de motocicletas com até 1.500 cm³, como o protótipo inglês Radical SR3. Não é incomum que carros dessa categoria sejam construídos utilizando componentes oriundos de monopostos da Fórmula 3, tais como transmissões, componentes de suspensão e até pneus, chegando ao ponto de um antigo chassi Ralt de F3 ser convertido para esporte-protótipo. Apesar de não disputarem a vitória na geral, os carros da P3 têm velocidade e confiabilidade suficiente para estar constantemente no top 10 da classificação geral. O modelo mais comum utilizado pelos competidores é o MRX da Metalmoro, um carro de desempenho já comprovado no cenário nacional, e que já conquistou diversas vitórias importantes.

GT4 Light

Atuais campeões: Júnior Victorette / Marcelo Karam (Mercedes CLA 45 AMG #14 / Audi RS3 TCR #14)

  • #10 Chevrolet Cruze - Berta 2.0 (Brasileiro de Turismo)

A categoria de entrada entre os GTs é mais uma categoria de carros de turismo do que gran turismo propriamente ditos. Entre os carros permitidos nessa classe estão modelos FIA TCR, Stock Cars com restritores, carros do Campeonato Brasileiro de Turismo, além de carros de categorias monomarca como o Trofeo Maserati, Mercedes-Benz Challenge e Trofeo Linea.

P4

Atuais campeões: Ricardo Haag / Mário Marcondes (MRX #34)

  • #40 Aldee RTT - Volkswagen 2.0 8V

Categoria de entrada entre os protótipos do Endurance Brasil, a P4 é focada em baixo custo. Para atingir esse objetivo, os motores são limitados a 2,1 litros e 2 válvulas por cilindro (normalmente motores AP), e os pneus devem obrigatoriamente ser Pirelli nacionais. A categoria permite a utilização de transmissões sequenciais importadas, porém com uma penalidade de peso em relação aos transeixos nacionais com trocas em H. Os carros mais comuns dentro dessa categoria são os protótipos Aldee Spyder, com modelos como MRX, MCR e Aldee RTT também participando sendo inscritos por alguns competidores.

Nota: os carros apresentados nessa postagem são uma coletânea dos modelos que participaram de provas nas temporadas 2018 e 2019, bem como alguns já anunciados para 2020. Não significa que todos estarão presentes, bem como existem novos carros que estão a caminho do campeonato. Próximo a primeira etapa teremos uma postagem com os principais competidores e possíveis novidades para a temporada 2020.

Explicando as categorias do automobilismo mundial – parte 5

Nessa série de postagens estamos conhecendo as diferentes categorias que compõe o automobilismo mundial. Começamos conhecendo as principais categorias de Fórmula, passando pelas categorias FIA, IndyCar e por outras categorias de ponta do automobilismo mundial. Ainda que a FIA e a IndyCar tenham sua própria ladeira de categorias, para permitir a formação de novos talentos para os grids das categorias principais, existem um grande espaço para que outras categorias com desempenho e custos mais limitados, que sirvam de porta de entrada para pilotos recém saídos do kartismo. Uma forma de exercer esse controle é através de categorias monomarca, onde motores, transmissões e em alguns casos até o chassi são padronizados, permitindo que o talento dos pilotos seja o grande fator decisivo nos resultados.

Fórmula Renault

A Fórmula Renault é na verdade um conjunto de categorias fundado em 1971, e uma principais categorias escola com maior reconhecimento internacionalmente. Diversos pilotos conhecidos passaram pela categoria, porém um dos grandes destaques é o finlandês Kimi Raikkonen, que fez a transição direta da F Renault 2.0 para a equipe Sauber de F1 em 2002.

Atualmente, duas categorias compõe a Fórmula Renault: a Fórmula Renault 1.6, com motor K4M de 140 HP e a Fórmula Renault 2.0, com chassi Tatuus e motor FR4 de 210 HP, porém no passado existiu a Fórmula Renault 3.5, com motores Zytek 3.5 de 530 HP, rivalizando com a F3000 e posteriormente a GP2 como último degrau antes da F1.

Fórmula Ford

A Fórmula Ford é uma categoria que se origina nos anos 60, na escola de pilotagem britânica de Jim Russell, como forma de proporcionar uma categoria acessível aos pilotos fazendo a transição do kartismo. Diferente de outras categorias escola, normalmente a Fórmula Ford permite a competição de diversos fabricantes de chassi, e ainda que os motores sejam iguais as equipes tem liberdade de escolher os preparadores.

Os carros de Fórmula Ford se diferenciam dos demais fórmulas por não utilizarem apêndices aerodinâmicos e utilizarem pneus radiais (similares aos de carros de rua), ao invés dos slicks de competição que outras categorias empregam. Diferente de outras categorias também, os Fórmula Ford ainda mantém construção tubular, não tendo migrado para os chassis de carbono para conter custos.

Campeonatos de Fórmula Ford são disputados por todo o mundo, e são uma das principais portas de entrada de jovens pilotos ao automobilismo. Daqui do Brasil, um certo Ayrton Senna iniciou sua carreira europeia vencendo o campeonato britânico de Fórmula Ford.

Fórmula Vee

A Fórmula Vee tem origem na década de 1960, quando Hubert Brundage, proprietário de uma concessionária VW nos Estados Unidos buscava uma forma de reforçar a marca com os clientes americanos. Para isso, alguns carros foram construídos e competiram em 1962, e já no ano seguinte o SCCA reconheceu a categoria. Desde então, a categoria se expandiu ganhando grande popularidade internacionalmente.

O carro de Fórmula V é um chassi tubular utilizando motor, transmissão, freios, suspensões e rodas originais ou modificados retirados do VW Fusca. Isso se traduz num custo baixíssimo e construção e manutenção do carro, e é um dos principais pilares da popularidade da categoria. Ao longo do tempo, a categoria evoluiu em cada localidade para se adaptar às necessidades de desempenho e disponibilidade de peças. Entre os pilotos que se destacaram com passagens pela categoria estão Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Niki Lauda e Keke Rosberg.

Explicando as categorias do automobilismo mundial – parte 4

Depois de conhecer as principais categorias regulamentadas pela FIA e pela Indy Series, é chegada a hora de conhecer outras categorias de fórmula de alto nível que competem pelo mundo, mas que são regidas e/ou organizadas por outras entidades.

BOSS GP

A BOSS GP é uma categoria para monopostos baseada na Europa, com origem na BOSS Formula Series de 1995, e que também já teve o nome EuroBOSS. O nome BOSS é uma sigla para Big Open Single Seaters (em tradução livre, Grandes Monopostos abertos). Atualmente, a BOSS GP tem três subcategorias:

  • Open Class: carros de Fórmula 1 construídos a partir de 1996, Lotus T125, Rodin FZED e IndyCars construídos a partir de 2008;
  • Formula Class: carros de GP2 e Fórmula 2, A1GP, Fórmula Acceleration 1 e World Series by Renault V8
  • Prestige Class: Fórmula 300 construídos a partir de 2002, World Series by Renault V6 e World Series by Nissan.

A categoria é centrada em gentleman drivers, normalmente empresários de sucesso que desejam competir no automobilismo e experimentar a experiência de pilotar monopostos de ponta. Dito isso, para competir os pilotos devem ter determinado nível de habilidade para que não sejam um perigo para os demais competidores e para si mesmos. Eventualmente, jovens pilotos participam da categoria para ganhar experiência em monopostos de alta performance antes de galgar para categorias como a F2.

Os competidores utilizam pneus Pirelli com compostos especialmente desenvolvidos para a categoria, e os carros devem seguir o regulamento de sua categoria original, ainda que adaptações sejam permitidas para a utilização de motores como os Mecachrome V8 e Judd V10 já que peças para carros de F1 clássicos são difíceis de se encontrar. Os carros mais velozes da categoria normalmente são mais rápidos até mesmo que os pilotos da F2, e hoje a BOSS GP é a categoria mais rápida baseada no continente Europeu.

Super Formula

A Super Formula é a principal categoria de monopostos japonesa, e tem origem no All-Japan Formula 2000 Championship. Por anos a categoria seguiu os regulamentos FIA, primeiro da Fórmula 2 e posteriormente da Fórmula 3000. Isso durou até 2006, quando a categoria passou a utilizar um regulamento técnico e carros próprios. O carro atual, o SF19 é um composto por um monocoque de fibra de carbono construído pela italiana Dallara, ao qual podem ser montados motores Toyota ou Honda 2.0 Turbo de quatro cilindros, com potência de 543 HP. Esses motores são derivados dos motores NRE dessas montadoras para a categoria GT500 do Super GT, porém preparados para render uma potência menor. Os pneus são sempre Yokohama.

Como segurança, o SF19 é construído com padrões similares aos da F1, e marca a introdução do HALO na Super Formula. Do ponto de vista esportivo, os competidores dispõem de um sistema chamado OTS (sigla para OverTake System, ou sistema de ultrapassagem), que proporciona um aumento de 5% de potência por um período de 20 segundos. Os pilotos têm direito a utilizar o OTS por 5 vezes durante as provas, e um sistema de LED no carro indica quando o sistema foi acionado.

S5000

A S5000 é um campeonato australiano que deve começar a ser disputado em 2020, a partir da fusão de dois campeonatos: a Formula Thunder 5000 e a Super5000. Ambos os campeonatos tinham o objetivo de marcar o renascimento da Fórmula 5000, categoria que teve muito sucesso durante os anos 70 e início dos 80, utilizando monopostos antigos de outras categorias e carros desenvolvidos especificamente para a Fórmula 5000, com a cilindrada do motor limitada a 5.000 cm³.

O carro atual da S5000 é baseado no monocoque Ligier de Fórmula 3. A esse monocoque é montado um motor Ford Coyote 5.0 V8, preparado pela empresa InnoV8, com potência de 560 HP. A suspensão e pacote aerodinâmico foram desenvolvidos pela Borland Racing Developments e fabricados pela Garry Rogers Motorsport. Os pneus são de marca única da americana Hoosier Racing Tire. Até o momento, apenas uma prova inaugural foi disputada, em formato de rodada dupla, com participação de Rubens Barrichello, e em 2020 é previsto um campeonato com 6 etapas, a primeira delas em Melbourne servindo como prova de suporte ao Grande Prêmio da Austrália de Fórmula 1.

Onde acompanhar

BOSS GP: https://www.bossgp.com/

Super Formula: https://superformula.net/sf2/en/

S5000: https://www.s5000.com.au/

Explicando as categorias do automobilismo mundial – parte 3

Na última semana conhecemos as principais categorias de monopostos regulamentadas pela FIA (veja aqui). Ainda que a entidade exerça influência globalmente sobre o automobilismo, um país sempre teve seu próprio estilo de automobilismo, com regras e categorias únicas no mundo: os Estados Unidos da América. Devido ao seu tamanho, não apenas geográfico mas também econômico, a terra do Tio Sam sempre manteve categorias distintas do restante do mundo, valorizando as tradições do automobilismo local, principalmente as disputas em circuitos ovais. Após anos de disputas internas que quase viram a Indy e a Champ Car irem à falência, a união voltou a reinar nas competições de monopostos norte-americanas, que hoje têm como entidade regulamentadora a Indy Racing League, que opera sob o nome fantasia INDYCAR. Hoje iremos conhecer um pouco da história e características das principais categorias de “fórmulas” dos Estados Unidos.

IndyCar Series

Se a Fórmula 1 traça suas origens nas competições de Grand Prix do pré-guerra, a IndyCar Series tem suas origens nas provas disputadas em ovais nos Estados Unidos, principalmente nas 500 Milhas de Indianápolis. No início, as provas automobilísticas americanas eram sancionadas pela AAA (American Automobile Association­), porém após o acidente das 24 Horas de Le Mans de 1955 a entidade abandonou esse tipo de atividade. No vácuo gerado, o então proprietário do Indianapolis Motor Speedway, Tony Hulman, formou a USAC (United States Auto Club), que passou a sancionar o que então era conhecido por “Championship Auto Racing”.

Isso durou até 1978, quando após anos de críticas à gestão da USAC, os proprietários de equipes formaram a CART (Championship Auto Racing Teams), para rivalizar com a USAC na organização de competições automobilísticas de monopostos, e já em 1982, o campeonato da CART era reconhecido como o campeonato norte-americano de monopostos. Um dos objetivos da CART era trazer uma gestão mais profissional à Indy, o que acabou atraindo o interesse de diversos fabricantes, que por sua vez aumentou os custos e praticamente expulsou as pequenas equipes.

Após um período de prosperidade, novamente houve uma ruptura, promovida por Tony George, proprietário do autódromo de Indianapolis. Em 1996, ele fundou a IRL (Indy Racing League), levando consigo algumas equipes e a prova das 500 Milhas de Indianapolis. Por anos, os EUA conviveram com duas categorias de monopostos de ponta, a CART e a IRL, porém em 2008 as categorias voltaram a se fundir, após anos de grids cada vez menores e o receio de que nenhuma das categorias teria participantes suficientes após a crise financeira de 2008.

Atualmente, a categoria permite o uso de apenas um chassi em fibra de carbono, o Dallara DW12 que está em uso desde a temporada 2012 da categoria. O nome DW é em homenagem a Dan Wheldon, que foi o piloto de teste durante o desenvolvimento do carro e morreu em um acidente na última prova da temporada 2011, antes da estréia do novo carro. Atualmente é utilizado um kit aerodinâmico introduzido em 2018, o UAK18 (Universal Aero Kit 2018), porém a célula de sobrevivência é a mesma do carro apresentado em 2012. O motor utilizado é sempre um V6 2.2 litros bi-turbo, e atualmente Honda e Chevrolet fornecem para as equipes do grid. O peso mínimo e potência máxima (definida pela pressão máxima permitida para os turbos) variam dependendo do tipo de circuito, com o peso variando entre 721 kg e 739 kg e a potência entre 575 HP a 675 HP.

Além disso, para aumentar a competitividade a categoria possui um sistema chamado push-to-pass, que permite que o motor produza cerca de 60 HP a mais com a liberação de mais 200 rpm além do limite estabelecido de 10.300 rpm e aumento da pressão de abertura da válvula wastegate.

Os pneus são padronizados Firestone, com dois compostos de slicks disponíveis para circuitos mistos, além de pneus intermediários e de chuva. Para os ovais, os compostos são diferentes conforme as características da pista, com a curiosidade de que os pneus traseiros direitos ligeiramente maiores que os esquerdos para ajudar com a estabilidade em curvas. A partir de 2020 será adotado o Aeroscreen, solução de proteção ao piloto concorrente ao HALO desenvolvida pela Red Bull Advanced Technologies.

IndyLights

Segundo nível do automobilismo norte-americano, a IndyLights foi criada em 1986 pela CART, inicialmente utilizando um chassis March similar ao da Fórmula 3000 com modificações para as disputas em ovais. Essa série foi cancelada em 2001, e já em 2002 a IRL criou a sua própria categoria escola, a Infiniti Pro Series, utilizando um chassi Dallara e motor Infiniti preparado pela TWR (Tom Walkinshaw Racing). Com a fusão da IRL e CART, a categoria voltou a ser chamada IndyLights a partir de 2009.

Atualmente, a IndyLights utiliza um chassi padrão, o Dallara IL15, carro com monocoque em fibra de carbono e peso mínimo estabelecido em 635 kg sem o piloto. Para manter os custos sob controle, apenas um motor é permitido, um AER P63 2.0 Turbo com 450 HP e 50 HP adicionais disponíveis com a utilização do push-to-pass. Os pneus são padronizados do fabricante americano Cooper Tires, com pneus para pista seca e molhada disponíveis.

Indy Pro 2000

A Indy Pro 2000 tem suas origens no Pro Mazda Championship, criado em 2013 para substituir o Star Mazda Championship que era disputado desde 1980. Com a Mazda deixando de patrocinar a categoria em 2018, ela recebeu a nomenclatura atual.

Atualmente a categoria permite o uso de apenas um chassi, o Tatuus PM-18, que é uma derivação do chassi de Fórmula 4 desenvolvido pela empresa italiana, com algumas melhorias de suspensão e chassi para aumentar a segurança em provas disputadas em ovais. O motor é um Mazda 2.0 aspirado com cerca de 275 HP, e o peso mínimo é de 500 kg sem piloto e combustível. Tal como na IndyLights, os pneus são sempre Cooper Tires.

Campeonato Nacional de F2000 dos Estados Unidos (US F2000)

Categoria de entrada do Road to Indy, a F2000 foi estabelecida pela IndyCar em 2010. Inicialmente, era utilizado um chassi Elan DP08, de construção tubular e que traça suas origens nos monopostos da Fórmula Continental da SCCA. Desde 2017, é utilizado um chassi Tatuus, chamado USF-17, baseado no chassis F4-T014 do mesmo fabricante. Quanto a motorização, é utilizado um motor Mazda MZR 2.0 aspirado com potência de 175 HP. Tal como a IndyPro, os pneus são sempre Cooper Tires, e caso seja desejo do competidor, o mesmo carro pode ser atualizado para o modelo PM-18, reduzindo os custos na transição para a Indy Pro 2000.

Onde acompanhar

IndyCar Series: https://www.indycar.com/

IndyLights: https://www.indylights.com/

Indy Pro 2000: https://www.indypro2000.com/

USF2000: https://www.usf2000.com/

1000 Milhas do Brasil 2020

A temporada que se inicia promete muito para o Endurance brasileiro. Enquanto aguardamos a divulgação do calendário 2020 da Endurance Brasil, a pré-temporada promete muito com o retorno da prova mais tradicional do automobilismo nacional, as Mil Milhas Brasileiras. Realizada pela primeira vez em 1956, a prova foi inspirada pela Mille Miglia italiana, por iniciativa de Wilson Fittipaldi (pai de dos pilotos Emerson e Wilson Fittipaldi) e de Eloy Gogliano, presidente do Centauro Motor Clube. Durante sua história a prova foi realizada sempre no Autódromo de Interlagos, à exceção de duas edições: a de 1997, realizada no Autódromo de Brasília, e a de 1999, realizada no Autódromo de Curitiba, e a última edição foi realizada 12 anos atrás, com vitória de Max Wilson, Raul Boesel e Marcel Visconde.

Polêmica com o Centauro Motor Clube

Faltando cinco dias para a realização das Mil Milhas Brasil 2020, é hora de conhecermos as categorias da prova. O regulamento técnico e desportivo foi todo baseado no regulamento do Império Endurance Brasil de 2019, o que parece uma decisão bem lógica: ao mesmo tempo em que simplifica o trabalho do organizador ao adotar uma fórmula que faz sucesso no momento, permite atrair pilotos e equipes do brasileiro.

Categorias de Esporte-protótipos

Categorias de carros Turismo e Gran Turismo

Programação da Prova

Dia 12 de Fevereiro de 2020 – Quarta feira

08h00 às 18h00 – Acesso das equipes aos Boxes reservados Montagens gerais
14h00 às 17h00 – Secretaria – procedimentos administrativos Inscrições Combustível

Dia 13 de Fevereiro de 2020 – Quinta feira

08h00 às 22h00 – Secretaria / Inscrições / Combustível
08h00 às 12h00 – Vistoria nos boxes – Todas as Categorias
11h00 – Briefing – Pilotos e Equipes
13h00 às 14h00 – Treino Livre – Todas as Categorias
15h00 às 16h00 – Treino Livre – Todas as Categorias
17h00 às 18h00 – Treino Livre – Todas as Categorias
20h00 às 22h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias

Dia 14 de Fevereiro de 2020 – Sexta feira

08h00 às 22h00 – Secretaria / Inscrições / Combustível
13h00 às 14h00 – Treino Livre – Todas as Categorias
14h30 às 14h55 – Classificação – PN 1 e PN 2
15h00 às 15h25 – Classificação – TN 1 e TN 2 e TN3
15h30 às 15h55 – Classificação – P2, P3 E P4
16h00 às 16h25 – Classificação – GT4
16h30 às 16h55 – Classificação – GT3
17h00 às 17h25 – Classificação – P1
19h00 às 20h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias
21h00 às 22h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias

Dias 15 e 16 de Fevereiro de 2020 – Sábado e Domingo

13h00 – Abertura da Secretaria Combustível
14h00 às 18h40 – Evento Suporte – Fórmula Vee
20h00 às 20h30 – Warm Up – Todas as Categorias
20h45 às 21h45 – Torneio Interlagos de Regularidade
21h00 às 22h30 – VISITAÇÃO AOS BOXES
23h30 – Abertura de Boxes
23h45 – Fechamento dos Boxes
23h50 – Execução Hino Nacional Brasileiro (Todas as Equipes perfiladas atrás de seus carros)
23h55 – Placa de 5 minutos
00h00 – LARGADA 1000 MILHAS DO BRASIL 2020
19h00 às 20h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias
21h00 às 22h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias
11h00 – Pódio para todas as Categorias

Lista de Inscritos

Categoria GT3 (1 carro)
#19 Ferrari 488 GT3 ou Lamborghini Huracàn GT3 – Chico Longo / ? (Via Itália Racing)
#77 Chevrolet Vectra Stock Car – Esdras Soares / Juarez Soares / Leandro de Almeida (2 Go Racing)

Categoria P2 (1 carro)
#32 MC Tubarão IX-Duratec Turbo – Mauro Kern / Paulo Sousa / Geciel de Andrade

Categoria GT3 Light (1 carro)
#25 Chevrolet Cobalt Stock Car – Ney Faustini / Ney de Sá Faustini / Marcos Phillip (Absoluta Racing)

Categoria P3 (3 carros)
#9 GT Race Cars GeeBee R3-Opel 16V – ? (F/Promo Endurance)
#56 Metalmoro MRX-Honda 20V – Rafael Simon / Gustavo Simon / Rafael Cardoso / Sérgio Cardoso (Motorcar Racing)
#72 Metalmoro MRX-Opel 16V – Carlos Antunes / Yuri Antunes / Lucas Marotta / Mauro Auricchio (Dobilas Racing)
#91 Metalmoro MCR-Volkswagen 8V – Marcelo Servidone / Jorge Machado / Nenê Finotti (LF Servidone Racing)

Categoria GT4
#16 Ginetta G55 GT4 – Esio Vichiesi / Renan Guerra / Stuart Turvey (Stillux Racing Team)
#20 Mercedes-Benz AMG GT4 – Leandro Ferrari / Flávio Abrunhoza / Marcelo Brisac / Renato Braga (Autlog Racing)

Categoria P4 (2 carros)
#17 PW1 Spyder-Volkswagen 8V – ? (HT Guerra)
#73 Aldee Spyder-Volkswagen 8V – José Vilela / Sergio “Pipa” Cardoso / Tinoco Soares (LT Team)
#74 Aldee Spyder-Volkswagen 8V – Sérgio Martinez / Eduardo Almeida / Luiz César Oliveira (LT Team)

Categoria TN3 (1 carro)
#9 Chevrolet Omega Stock Car – Ciro Paciello / Evandro Camargo / Álvaro Vilhena (Big Power)

Treino Classificatório

O treino classificatório das 1000 Milhas foi realizado em bateria única com todos os carros na pista. O grid, apesar de magro (12 carros), tem boa qualidade técnica com diversos carros e pilotos vencedores no Endurance Brasil e em provas importantes como as 12 Horas de Tarumã e as 500 Milhas de Londrina. No final, a pole ficou com um dos favoritos à vitória, o protótipo Tubarão IX de Paulo Sousa, Mauro Kern e Tiel de Andrade, com um tempo de 1m36s460, e que poderia ser melhor caso não houvesse ocorrido um problema na ignição durante os treinos. Outro dos favoritos entre os protótipos, o MRX #56 sequer classificou após uma quebra do diferencial, problema já resolvido. Abaixo você vê o grid completo, com os tempos da tomada de classificação

Onde acompanhar

A largada da prova será transmitida ao vivo pela Fox Sport, à partir das 00h do dia 15/fev, e também haverá cobertura pela Facebook da prova. A cronometragem está a cargo da Cronomap, e o live timing pode ser acompanhado também pelo Race Hero e pelo Race Monitor.

Corrida

A expectativa para as Mil Milhas era que o protótipo Tubarão IX disparace na dianteira, enquanto os Mercedes e Ginetta GT4 seguiriam de longe, esperando que algum problema atrasasse o protótipo gaúcho. E foi isso que aconteceu: com cerca de 1 hora de prova o carro #32 de Geciel de Andrade foi para os boxes com um problema mecânico, deixando a disputa para os modelos GT4. Sofrendo uma quebra de correia dentada, o motor do Tubarão sofreu que não puderam ser reparados, resultando no abandono da prova.

Ainda assim a prova não caiu na monotonia: por cerca de 6 horas os carros #16 e #22 se alternaram na liderança, porém um problema nos freios fez com que o Mercedes perdesse muito tempo no boxes, e o GT inglês abriu uma confortável vantagem de 6 voltas. A equipe Autlog ainda conseguiu descontar 1 volta da desvantagem, porém entrando na hora final da prova ficou claro que apenas um problema mecânico tiraria a vitória da Ginetta. No fim da prova, se confirmaram como campeões das Mil Milhas 2020 o trio composto por Esio Vichiesi, Renan Guerra e Stuart Turvey, seguidos por Leandro Ferrari, Flávio Abrunhoza, Marcelo Brisac e Renato Braga.

Na terceira colocação ficou o MRX #56 de Rafael Simon, Gustavo Simon, Rafael Cardoso e Maninho Cardoso. Em quarto lugar veio o valente Spyder #73 da equipr LT Team, com José Vilela, Pipa Cardoso e Tinoco Soares. Fechou o pódio na geral o Omega Stock Car #9 da equipe Big Power, pilotado por Ciro Paccielo, Evandro Camargo e Álvaro Vilhena (resultado que poderia ser melhor caso a equipe não tivesse preciso trocar o diferencial durante a parte noturna da prova).

Abaixo você confere o resultado final das 1000 Milhas do Brasil 2020:

O retorno das Mil Milhas infelizmente não teve o brilho que a história da prova merece. Não acredito que o problema tenha sido uma falha da organização, pois os principais pontos para uma prova de sucesso foram proporcionados:

  • Regulamento: foi utilizado como base o regulamento do Império Endurance Brasil, categoria da modalidade que têm apresentado grids muito bons já há vários anos, incluindo categorias para modelos de turismo e protótipos que competem em outras categorias como a Turismo Nacional ou Força Livre Paulista;
  • Organização: ao menos aparentemente a prova teve uma organização bem conduzida, contando com bons eventos de suporte como a Fórmula Vee e um torneio de regularidade disputado em conjunto com as Mil Milhas;
  • Cobertura: também foi proporcionada cobertura ampla pela internet, com transmissão ao vivo pelo portal High Speed, Facebook e YouTube, além da transmissão da primeira e última horas de prova pelo canal Fox Sports 2;
  • Tempo: entre a divulgação do regulamento e data da prova e a realização das 1000 Milhas se passaram praticamente 4 meses e meio, tempo razoável para que as equipes pudessem se organizar e buscar patrocínios (ainda que nesse ponto eu concorde que um prazo maior teria feito bem para equipes menores pudessem se programar para uma prova que, seguramente, tem custo bem elevado).

Infelizmente me parece que o que faltou mesmo foi comprometimento de equipes e pilotos com a prova, talvez por que não acreditassem que as Mil Milhas sairiam do papel. Mesmo com as dificuldades e o grid magro, foi importante que a prova retornasse ao calendário do automobilismo brasileiro, e fica a torcida para que a Elione Queiroz e todo o time que trabalhou para as Mil Milhas 2020 não percam o ânimo e de que a prova volte a ser realizada em 2021. Com certeza, com mais tempo para que as equipes menores possam se preparar e após o exemplo de boa organização que a prova desse ano foi, em 2021 as Mil Milhas terão um grid à altura da história da principal prova do automobilismo brasileiro.

Categorias das Mil Milhas Brasil 2020 – Turismo e Gran Turismo

Outra tradição das Mil Milhas é a participação de modelos classificados como Turismo ou Gran Turismo. Com grids ecléticos, compostos por modelos comuns nas ruas brasileiras como Fusca e Gol até esportivos de marcas como Porsche e Ferrari, as Mil Milhas sempre propiciaram que equipes amadoras pudessem disputar lado a lado com equipes que contam com grandes recursos e em algumas vezes até mesmo apoio de montadoras.

Na edição 2020, o regulamento conta com seis categorias, quatro delas com regulamento similar ao do Império Endurance Brasil 2019, mais duas específicas para a prova.

GT3

Na categoria GT3 competem carros com homologação no regulamento FIA GT3, utilizado internacionalmente em provas tradicionais como as 24 Horas de Spa e as 12 Horas de Bathrust. Nela se espera a participação de modelos que disputam o Endurance Brasil como Ferrari 488, Lamborghini Huracàn, Mercedes AMG e Porsche 911.

GT3 Light

Lamborghini Gallardo LP560-4 GT3 de Fernando Poeta. Fonte: Endurance Brasil (1).

A categoria GT3 Light é destinada também a modelos GT3, porém fabricados até 2012. Hoje no país existem diversos modelos que aptos a competir na categoria, como Lamborghini Gallardo LP600+ e LP560, Ferrari 458, Aston Martin Vantage e Ford GT. Além disso, é possível que modelos Stock Car sem utilização de restritor também engrossem o grid dessa categoria, como o Cobalt #25 de Ney Faustini e o Vectra #77 de Esdras Soares.

GT4

Tal como a GT3, a GT4 é destinada a modelos homologados dentro do regulamento FIA GT4. Em 2019, o grid do Endurance Brasil contou com modelos Mercedes AMG e Ginetta G55, disputa que deve se repetir nas Mil Milhas.

GT4 Light

A GT4 Light é a categoria destinada a modelos com performance inferior aos GT4. Nessa categoria se enquadram carros FIA TCR, do antigo Trofeo Linea, Mercedes CLA 45 AMG Racing Series e também modelos da Stock Car com emprego de restritores. Além disso, podem participar modelos GT3 fabricados antes de 2008, modelos Maserati Trofeo e modelos do Brasileiro de Marcas.

TN1

A TN1 é a categoria com menor desempenho, para carros de fabricação nacional ou Mercosul com motores aspirados de até 2.000 cm³. Deverão participar modelos que competem na Turismo Nacional e nos regionais de Marcas, e eventualmente até mesmo algum valente Fusca.

TN2

A TN2 é para carros também de fabricação nacional ou Mercosul, com motores de até 2.000 cm³ e sobrealimentados, como alguns Ford Focus e Volkswagen Gol que competem no gaúcho de Super Turismo.

TN3

Uma novidade de última hora foi a inclusão da categoria TN3, que não constava no regulamento divulgado inicialmente. O regulamento específico não foi divulgado, mas tudo indica que a TN3 é destinada a carros de fabricação nacional ou Mercosul com motores de cilindrada superior a 2.000 cm³.

Veja também

Categorias de protótipos da 1000 Milhas do Brasil 2020

Cobertura da prova

Categorias das Mil Milhas Brasil 2020 – Esporte-Protótipos

Começando pelos carros esporte-protótipos, que estão de certa forma estão presentes desde o início da categoria. Ainda que o termo esporte-protótipo tenha nascido apenas 10 anos após a realização das primeiras Mil Milhas, as carreteras que dominaram os primeiros anos da prova podem ser consideradas uma espécie de “prólogo”, com sua mecânica híbrida e soluções criativas, como a Carretera #18 de Camilo Chistófaro. Em anos posteriores, competiram nas Mil Milhas protótipos icônicos como o Bino Mark II, Fúria, e o Fitti-Porsche, modelos exóticos como o Caçador de Estrelas de Bica Votnamis ou o AM02 de José Lino, passando por modelos nacionais os Aldee RTT e Spyder, Metalmoro MCR e MRX, e até modelos internacionais como o protótipo ZF01 (um Riley & Scott MkIII disfarçado) ou o Peugeot 908 HDi vencedor das Mil Milhas 2007.

Para a edição 2020, os protótipos estarão dividos em 6 categorias:

P1

A categoria P1 é a mais veloz do endurance brasileiro. Nela são permitidos protótipos de fabricação nacional como Metalmoro AJR, DTR01 e Sigma P1, e também os modelos Ginetta G57 P2 e G58, além de protótipos FIA LMP3 como Ligier JSP3 e Norma M30. Para manter os custos sob controle, são proibidas motorizações utilizadas em categorias como LMP1, LMP2, IndyCar, F3000, entre outras. São seguramente os carros mais rápidos do Brasil, e estão entre os favoritos, porém a temporada 2019 da Endurance Brasil nos mostrou que nas etapas mais longas os protótipos podem pecar por falta de confiabilidade.

P2

A categoria P2 é reservada para carros de fabricação mais antiga, que deixaram de ser competitivos após a chegada de carros como os AJR e Ginetta G57. O regulamento dessa categoria reflete o da categoria P1 vigente até 2018. Ainda assim são carros muito velozes e que podem surpreender em uma prova longa. Estão entre os carros elegíveis para a categoria o protótipo Predador da família Bana, o GeeBee R1 de Ney Faustini, o Scorpion-KTT, o Tubarão IX, o Sigma P1 e carros como os Metalmoro MR18 e MCR Grand-Am que atualmente estão parados, entre outros carros. Também na P2 é vetada a utilização de diversos motores para evitar uma escalada de custos.

P3

Fonte: Correio do Povo [2].

A categoria P3 é reservada para os protótipos com motores aspirados de até 2.400 cm³. Nesta categoria se enquadram carros como os Metalmoro MRX e alguns Aldee Spyder, além dos protótipos como motores Hayabusa como Radical SR3, Tornado e Roco 001. São carros mais lentos, mas fortes candidatos a um top 10 na prova.

P4

Categoria de protótipos de menor desempenho das utilizadas pelo Endurance Brasil, a P4 recebe principalmente os protótipos Metalmoro MRX e Aldee Spyder, normalmente equipados com motores AP 2.0 8V.

PN1

Fonte: Carros e Corridas [3].

A categoria PN1 é específica das 1000 Milhas do Brasil, reservada para protótipos nacionais com motor até 2.0. A principal diferença para a P4 é o peso mínimo, bem superior. Entendo que os principais candidatos para essa categoria são os protótipos Aldee RTT e protótipos cearenses como Spirit 1.8, CTM 2000 e Super Turismo.

PN2

A PN2 é outra categoria específica das 1000 Milhas, para protótipos nacionais com motores sobrealimentados até 2.000 cm³. Provavelmente deve receber modelos Aldee Syder e RTT com motorização turbo, que não se enquadrem no regulamento da P2.

Veja também

Categorias de turismo da 1000 Milhas do Brasil 2020

Cobertura da prova

Polêmica envolvendo as Mil Milhas 2020

A realização edição 2020 das Mil Milhas começa com polêmicas envolvidas, já que a organização está a cabo da promotora Elione Queiroz da Angeli & Queiroz Assessoria e Comunicação, e com aval da FASP (Federação Paulista de Automobilismo), sem envolvimento do Centauro Motor Clube, que apesar do evento vir sendo divulgado desde setembro de 2019, divulgou o seguinte comunicado no dia 06 de dezembro de 2019:

“COMUNICADO OFICIAL


São Paulo, 06 de dezembro de 2019

O tradicional CENTAURO MOTOR CLUBE fundado em 1949, idealizador das mais importantes Provas do Automobilismo BRASILEIRO, entre elas as MIL MILHAS DE INTERLAGOS e/ou MIL MILHAS BRASILEIRAS, provas essas realizadas desde o ano de 1956, tomou conhecimento nesta última semana sobre a realização da prova MIL MILHAS em 2020 no Autódromo de Interlagos.

Importante ressaltar, que se trata de uma prova não vinculada ao CENTAURO MOTOR CLUBE, tampouco, faz parte da HISTÓRIA DA TRADICIONAL PROVA REALIZADA PELO CLUBE, posto que, temos por certo, que é uma tentativa de PLAGIO da nossa tradicional prova MIL MILHAS DE INTERLAGOS e/ou MIL MILHAS BRASILEIRAS.

Nesse sentido, temos conhecimento que a entidade que está organizando essa nova edição de prova, se quer tem direitos ou propriedade sobre a marca, tendo em vista que a CENTAURO MOTOR CLUBE detém o registro da marca desde 1966, bem como, é o titular do Decreto nº: 39.705, de 08 de agosto de 2000, incluído no calendário oficial de eventos automobilístico do Estado de São Paulo.

O que nos causa surpresa é que o Autódromo de Interlagos através de sua administração pela Secretaria de Turismo da Cidade de São Paulo, conhecedor dos nossos direitos de propriedade, por interesses financeiros e escusos está sendo conivente com os organizadores, não tomando as devidas providências de proibir a realização da prova com a marca plagiada.

Contudo, importante tornar público que para o ano de 2020, o CENTAURO MOTOR CLUBE firmou parceria com a LIGA DESPORTIVA DE AUTOMOBILISMO, entidade séria que está fazendo um trabalho competente em prol do AUTOMOBILISMO BRASILEIRO para a realização da TRADICIONAL MIL MILHAS realizada desde 1956 pelo CENTAURO MOTOR CLUBE, onde toda mídia especializada no BRASIL comprova este notícia de primeira mão, além de LEIS e DECRETOS devidamente especificados.

Portanto, é com muito orgulho que tornamos público que no ano de 2020 a 37ª Edição das MIL MILHAS será realizada pela LIGA DESPORTIVA DE AUTOMOBILISMO, com total APOIO do CENTAURO MOTOR CLUBE, sendo uma Prova Regional aberta, com largada á meia-noite.

Firmamos o presente.

Diretoria”

Verdade seja dita, o Centauro Motor Clube é parte integral da história das Mil Milhas Brasileiras com envolvimento na fundação da competição, porém também é verdade que a entidade por anos falhou em realizar de novos eventos. Não cabe aqui criticar o Centauro por isso, pois bem sei das dificuldades envolvidas na realização de competições automobilísticas no Brasil.

Ainda assim, não é surpresa que um promotor se interesse em trazer de voltas as Mil Milhas em uma época onde as competições de longa duração voltam a ganhar força no país, e no momento vivemos a possibilidade de que, após um hiato de 12 anos (o maior da história), poderemos ver a realização de duas “Mil Milhas”, uma a promovida pela Angeli & Queiroz Assessoria e Comunicação e com apoio da FASP, e outra promovida pelo Centauro Motor Clube, com apoio da LDA. Com essa prospectiva, teremos novamente um cenário daqueles onde a politicagem (ou falta de bom senso) de uma ou ambas as partes podem gerar mais perdas do que ganhos para o esporte como um todo, quando comparados a um mundo onde houvesse a união para a realização de uma prova única e possivelmente mais forte.

Entretanto, não desejo me delongar nesse assunto, principalmente por não possuir muitas informações sobre o caso, mas deixo aberto o espaço no site para que ambas as partes exponham seus pontos de vista caso assim desejem. Deixo nas referências sobre as polêmicas das Mil Milhas.

Veja também

Cobertura da prova

Referências

https://centauromotorclube.com.br/

http://legislacao.prefeitura.sp.gov.br/leis/decreto-39705-de-8-de-agosto-de-2000

https://www.canaljudicial.com.br/auction/offerDetail.htm?offer_id=643843&auction_id=20916#descricao_detalhada