Explicando as categorias do automobilismo mundial – parte 2

No último artigo, conhecemos as principais disciplinas do automobilismo mundial. Hoje vamos conhecer a fundo as principais categorias de Fórmula a nível nacional e internacional, começando pelas categorias regidas pela FIA (Federação Internacional do Automobilismo).

Fórmula 1

A Fórmula 1 é o ápice do automobilismo mundial como categoria. É nela que os melhores pilotos competem nos carros que são os mais rápidos em um autódromo de asfalto. A origem do campeonato está no Campeonato Europeu de corridas de Grand Prix, disputado antes da Segunda Guerra Mundial, onde marcas como Alfa Romeo, Mercedes-Benz e Auto Union lutavam por vitórias em provas realizadas por toda a Europa. Como categoria, a F1 nasceu em 1946, com a primeira corrida disputada no mesmo ano, o Gran Premio del Valentino, disputado em Turim, Itália. O primeiro campeonato mundial foi disputado em 1950, e a categoria já empregou regulamentos técnicos dos mais variados.

Atualmente, cada equipe deve construir seu próprio carro, devendo inscrever dois carros por toda a temporada. Os carros são construídos com um monocoque em fibra de carbono, e tem peso de 660 kg sem piloto e combustível, e 740 kg incluindo o piloto. Os pneus são padronizados Pirelli, com 5 compostos de slicks para pista seca, além de pneus intermediários e de chuva para condições de pista molhada.

Desde de 2014, a motorização consiste de um motor 1.6l V6 Turbo associado a sistemas de recuperação de energia cinética (MGU-K) e térmica (MGU-H). Números de potência são mantidos como segredos industriais, porém acredita-se que em 2019 tanto Ferrari quanto Mercedes tenham superado a marca dos 1.000 cv de potência combinada do Powertrain.

O primeiro dos sistemas de recuperação de energia adotado foi o KERS (Kinectic Energy Recovery System – Sistema de Recuperação de Energia Cinética, em tradução livre), introduzido em 2009 e inicialmente opcional.

Com o regulamento de 2014, além do KERS, outro sistema chamado TERS (Thermal Energy Recovery System – Sistema de Recuperação de Energia Térmica) foi adotado. Pelo regulamento atual, a combinação dos dois sistemas pode recuperar até 4 MJ de energia por volta através da MGU-K, com potência máxima limitada a 120 kW (cerca de 160 cv). O resultado disso é que o sistema pode ser acionado em potência máxima por 33,3 segundos por volta, porém as equipes utilizam mapas com diversos níveis de potência para situações como ultrapassagens, saídas de curva ou voltas rápidas, de forma a otimizar a quantidade máxima de energia utilizável.

Após diversos acidentes fatais que marcaram a categoria até meados da década de 90, a F1 adotou uma abordagem quase neurótica com a segurança, o que, por sua vez, protegeu a vida de inúmeros pilotos desde então.

Atualmente, cada equipe deve homologar seu chassi em uma série de crash tests obrigatórios, e desde de 2018 o dispositivo HALO para proteção da cabeça do piloto.

Por anos, a F1 enfrentou críticas de que as corridas eram previsíveis e sem ultrapassagens. Em 2011 foi introduzido o DRS (Drag Reduction System­ – Sistema de Redução de Arrasto ou asa-móvel, como o sistema ficou conhecido no Brasil) para facilitar as ultrapassagens. O sistema consiste em uma articulação do elemento superior da asa traseira, que ao mover-se cria um vão, reduzindo o arrasto aerodinâmico e aumentando a velocidade em cerca de 10-15 km/h. O DRS, entretanto, não pode ser usado à vontade como o KERS, e seu uso é limitado à zonas demarcadas pela FIA em cada autódromo, e se pode ser acionado caso o carro em questão esteja a menos de 1 segundo do adversário à frente, esteja ele disputando posição ou levando uma volta.

Fórmula E

Com o movimento da indústria automotiva em direção à eletrificação, a FIA na pessoa do francês Jean Todt propôs a criação de uma categoria de monopostos voltada a modelos com propulsão exclusivamente elétrica. Dessa forma, nasceu em 2014 a Formula E, inicialmente com chassis e powertrain padronizadas. As provas são disputadas em circuitos de rua em diversas cidades ao redor do globo, e inicialmente a categoria ficou por ocorrer uma troca de carros no meio da corrida, devido ao alcance limitado das baterias então disponíveis. As temporadas são disputadas na transição entre um ano e outro, no formato 2014-2015.

A princípio, todas as equipes utilizavam carros idênticos, porém atualmente todas as equipes utilizam o mesmo chassis, o Spark-Renault SRT05e e pacote de baterias, com os times são livres para desenvolver os próprios motores, transmissões, inversores e sistema de arrefecimento. Os pneus são Michelin com sulcos, e padronizados entre todas as equipes para conter custos.

Os Formula E da temporada atual (2019-2020) têm potência estimada na casa dos 335 HP, com um peso mínimo de 900 kg, dos quais 385 kg são apenas o pacote de baterias. Durante os eventos, a potência total é limitada em 300 HP, porém existe a possibilidade de usar o Attack Mode (Modo de Ataque), que aumenta a potência em 35 HP. O uso desse sistema é limitado em áreas da pista definidas pela FIA. A quantidade e duração de ativações disponíveis por evento são informados pela FIA apenas 1 hora antes de cada corrida, criando mais um complicador para a definição da estratégia.

Outro sistema empregado pela categoria é o Fanboost. Nesse caso, os fãs podem votar através das redes sociais e os cinco pilotos mais votados recebem um incremento de potência de 5 segundos que pode ser utilizado durante a corrida).

Uma curiosidade dos Fórmula E atuais é que atualmente os monopostos da categoria não podem ser classificados como um fórmula ao pé da letra, já que possuem ambas as rodas dianteiras e traseiras cobertas para reduzir o arrasto aerodinâmico.

Fórmula 2

Enquanto a Fórmula tem origens claras, o mesmo não pode ser dito dos demais níveis das competições de monopostos da FIA. O atual formato do campeonato de Fórmula 2 da FIA foi concebido em 2017, sendo apenas uma mudança de nome da GP2, antiga categoria escola para a Fórmula 1.

A GP2, por sua vez, nasceu em 2005 após o fim do campeonato intercontinental da Fórmula 3000, e a Fórmula 3000 nasceu em 1985 como campeonato europeu, para servir como último degrau antes da Fórmula 1, após o colapso do Campeonato Europeu de Fórmula 2, devido aos elevados custos de competição. A primeira encarnação da F2 traçava suas origens nas voiturettes anteriores à Segunda Guerra Mundial, carros de competição similares aos carros de Grand Prix, porém com motores menores e menor peso mínimo.

Para complicar um pouco mais, entre 2009 e 2012, a FIA promoveu um campeonato de Fórmula 2 que nada tem a ver com a encarnação atual, utilizando carros fabricados pela Williams e motores Audi 1.8 Turbo.

Mas voltando à F2 atual, a categoria serve de suporte para diversas etapas do Mundial de Fórmula 1, além de ser o último degrau antes da categoria principal. Para conter custos e promover equilíbrio à competição, é utilizado um chassi único em fibra de carbono, chamado F2 2018 e construído pela italiana Dallara, sempre equipado com motores Mecachorme V634T, com potência de cerca de 620 HP. Atualmente o peso mínimo é de 755 kg (incluindo piloto), e os pneus são sempre Pirelli, similares em dimensão aos utilizados pela Fórmula 1 até a temporada de 2017.

O chassis é homologado com os mesmos critérios de segurança da F1, e desde de 2018 o dispositivo HALO para proteção da cabeça do piloto. Na área esportiva, um sistema DRS é empregado, utilizando as mesmas regras e zonas de aplicação da F1.

Fórmula 3

Como é de se esperar, a Fórmula 3 é o terceiro nível dos monopostos regulamentados pela FIA. Por muitos anos, a F3 permitiu a utilização de chassis de diversos fabricantes, que poderiam ser equipados com motores aspirados de 2.0 litros, baseados em motores de produção em série. Contudo, a partir de 2019 a FIA criou o FIA Formula 3 Championship com a fusão do Campenato Europeu de Fórmula 3 e do Campeonato FIA de GP3. Com isso, a categoria passou a ser disputada no formato monomarca, utilizando um novo carro, chamado Dallara F3 2019, (uma evolução do monoposto utilizado na extinta GP3), e o motor também é o mesmo Mecachrome V634 naturalmente aspirado dos antigos GP3. Com as novas regras, os carros da F3 passaram a ter um peso mínimo de 673 kg (incluindo o piloto), com potência máxima de 380 HP.

O regulamento anterior, entretanto, continua válido agora sob o nome de Fórmula 3 Regional sendo utilizado em campeonatos nacionais e regionais. Esses regulamentos variam ligeiramente de país para país, porém é comum o uso de chassis homologados como Fórmula 3 e motores com potência variando entre 200 HP e 270 HP.

Fórmula 4

Com os carros de F3 apresentando um desempenho cada vez mais elevado, em 2014 a FIA lançou a F4 para fechar o gap entre o kartismo e a Fórmula 3. Inicialmente, a categoria foi imaginada como monomarca, porém ao longo do tempo a FIA relaxou as regras permitindo a homologação de diversos fabricantes de chassi e motores. Ainda assim, o desempenho entre as diferentes opções é mantido equilibrado, e todos os carros devem ter monocoque construído em fibra de carbono, enquanto os motores devem ter quatro cilindros e cilindrada livre, porém com potência limitada a 160 HP. Com um peso mínimo de 570 kg, os Fórmula 4 atuais tem desempenho próximo ao dos Fórmula 3 de da década de 1990.

Onde acompanhar:

Fórmula 1: https://www.formula1.com/

Fórmula E: https://www.fiaformulae.com/

Fórmula 2: http://www.fiaformula2.com/

Fórmula 3: http://www.fiaformula3.com/ (campeonato FIA de Fórmula 3).

Explicando as categorias do automobilismo mundial – parte 1

Mesmo para os maiores fãs de automobilismo é difícil diferenciar a grande quantidade de categorias nos mais diversos campeonatos pelo mundo. Muita gente já ficou confusa tentando entender a diferença entre GT3 e GTE, ou imaginando se os carros de categorias como a DTM são realmente baseados em carros de rua. A verdade é que com diversas entidades organizando campeonatos em nível nacional e internacional, as nomenclaturas e definições das categorias ficam confusas, e não é raro encontrar nomes diferentes para categorias utilizando os mesmos carros, e nomes iguais para categorias utilizando carros diferentes.

Para jogar uma luz sobre o assunto, vamos primeiro conhecer as principais disciplinas de carros de competição em asfalto, conforme definição das principais entidades do automobilismo mundial.

Fórmula

Fórmulas são carros construídos especificamente para competições, e para serem classificados como tal devem ter algumas características chave:

  • Rodas descobertas, ou seja, sem para-lamas;
  • Monopostos, ou seja, com lugar para apenas o piloto;
  • Cockpit aberto.

A origem do nome Fórmula vem do padrão de nomenclatura estabelecido pela FIA para categorias de monopostos, como categoria principal dessa disciplina que é obviamente a Fórmula 1.

Esporte-protótipo

Esporte-protótipos, normalmente chamados apenas de protótipos, são carros construídos especialmente para competições, com as seguintes características:

  • Rodas cobertas;
  • Cockpit aberto ou fechado;
  • Usualmente carros com lugar para duas pessoas, ainda que em alguns regulamentos esse requisito não seja exigido.

A classificação de modelos como esporte-protótipos remonta ao Anexo J da FIA, tendo aparecido inicialmente na edição 1966 do regulamento. À época, eram definidos como carros especialmente construídos para provas de Sprint ou endurance, mas que fossem uma espécie de “prévia” para um futuro carro de produção. Desde então, o conceito evoluiu lentamente, ao ponto de que atualmente os modelos tenham pouco ou nada em comum com modelos de produção seriada.

Gran Turismo

Gran Turismo e um termo que vem do italiano, e como muitos outros do automobilismo não tem uma definição precisa. O mais próximo a um consenso na definição do termo é que carros Gran Turismo são carros de produção seriada, que possuem desempenho e conforto acima da média dos automóveis comuns e são capazes de cruzar grandes distâncias com conforto para os passageiros mas mantendo a capacidade de proporcionar emoções ao volante. No automobilismo, os Gran Turismo são carros de competição derivados de modelos de rua de alto desempenho. As principais características de um GT são:

  • Chassi derivado de modelo de fabricação seriada;
  • Carros de dois lugares, ou na configuração 2+2;
  • Requerem um número mínimo de unidades fabricadas em um determinado espaço de tempo para homologação.

Turismo

Tal como nos GTs, em automobilimo carros turismo são carros de rua que recebem variados níveis de modificações para transformá-los em carros de competição. Normalmente, carros de turismo são baseados em sedans, hatchbacks e peruas de produção em série, e tem requerimentos de maior número de unidades produzidas para que sejam homologados em relação aos Gran Turismos.

Silhouette

Carros silhouette são carros concebidos especialmente para competições, mas que devem ser visualmente semelhantes a algum modelo GT e/ou turismo, mantendo a silhueta de um modelo de produção em série, daí o nome da disciplina. Algumas das principais características de um modelo silhouette são as seguintes:

  • Design externo que lembre algum modelo de rua;
  • Pode ser requerido que o carro utilize motores do mesmo fabricante do carro que serviu de base para o design;
  • Em alguns casos pode ser exigido que algumas partes da carroceria sejam comuns ao modelo de base, tais como capô, teto ou portas.

Diversas categorias importantes podem ser enquadradas como silhouette, tais como a DTM, Super GT, Stock Car Brasil e a NASCAR.

Rally Dakar 2020 – parte 2

Depois de conhecer o trajeto do Dakar 2020 (aqui), é hora de conhecer as categorias e competidores da prova. Nesta edição, 351 veículos irão participar, divididos em 5 categorias principais:

  • Motocicletas;
  • Quadriciclos;
  • Carros;
  • UTV ou SSV (Side-by-Side Vehicles)
  • Caminhões.

Dentro de cada categoria, existem ainda as subdivisões, que vamos conhecer abaixo:

MOTOCICLETAS

Para competir nas categorias de motocicletas, os pilotos têm de cumprir um requisito mínimo de já haver completado uma prova do Campeonato Mundial Cross-country da FIM ou alguma competição classificada como Dakar Series. Como equipamento, as motocicletas tem motores limitados a no máximo 450 cm³. Em 2020, 147 veículos estão inscritos na categoria, com os competidores divididos por nível de experiência em G1 (pilotos de elite) e G2 (demais pilotos):

  • G1.1 A.S.O. Elite: motocicletas limitadas a 450 cm³, cujos pilotos são classificados na lista de pilotos de elite a A.S.O.
  • G2.1 Super Production: Categoria para os demais pilotos, utilizando motocicletas que se enquandram no regulamento FIM para Rallies Cross Country na categoria 450 cc. Estas motocicletas são baseadas em modelos de rua, onde os principais componentes (chassi, motor e balança devem ser comuns aos modelos de produção)
  • G2.2 Marathon: similar a categoria G2.1, porém os seguintes componentes não podem ser substituídos até o fim da competição: motor (bloco, cabeçote e camisas), chassi, garfo e balança traseira.

Principais competidores:

KTM 450 Rally: seguramente os favoritos, com a KTM vencendo todas as edições disputadas desde 2001. Os pilotos favoritos são Toby Price (atual campeão FIM Cross Country), Matthias Walkner (vencedor do Dakar em 2018 e segundo colocado em 2017 e 2019) e Sam Sunderland (vencedor do Dakar 2017).

Husqvarna FR 450 Rally: ficar de olho em Pablo Quintanilla e Andrew Short.

Yamaha WR 450 F Rally: vem com um grande contingente pela equipe de fábrica, com Adrian van Beveren, Xavier De Soultrait, Franco Caimi e Jamie McCanney.

QUADRICICLOS

Os quadriciclos também devem seguir os regulamentos da FIM, e tem velocidade máxima limitada a 130 km/h. Os 23 veículos inscritos nesta categoria estão divididos da seguinte forma:

  • G3.1 2WD < 750 cm³: quadriciclos derivados de modelos de produção em série, com motores monocilíndricos limitados a 750 cm³ e tração em apenas duas rodas;
  • G3.2 4WD < 900 cm³: quadriciclos derivados de modelos de produção em série, com motores mono e bicilíndricos limitados a 900 cm³ e tração integral nas quatro rodas.

Principais competidores:

Yamaha Raptor 700: os favoritos entre os quadriciclos são os vencedores de 2018, Ignazio Cazales e de 2015, Rafal Sonik, ambos utilizando o mesmo equipamento.

CARROS

Os carros compõem a categoria mais veloz do Dakar. Diferente de motos e quadriciclos onde o piloto também é o responsável pela navegação, nos carros o piloto é acompanhado por um navegador, que é o responsável por analisar o mapa e os pontos de referência da etapa e guiar o piloto pelo trajeto. Os 87 veículos inscritos são subdivididos em T1 para protótipos FIA de estrutura tubular e T2 para carros de rua adaptados:

  • T1.1: protótipos de chassi tubular e carroceria em fibra de vidro, carbono e kevlar. São carros construídos especificamente para provas Cross-Country, que normalmente recebem carrocerias inspiradas em carros de rua como Toyota Hilux e Ford Ranger. A categoria T1.1 é dedicada a modelos com motores à gasolina sem sistemas de sobrealimentação e tração integral nas quatro rodas.
  • T1.2: similar à categoria T1.1, porém para carros equipados com motores turbodiesel. Nesse caso, um fator de correção de 1.7 é aplicado sobre a cilindrada para equivalência, ou seja, um veículo equipado com motor 3.0 Diesel é equiparado a um veículo com motor 5.1 gasolina aspirado.
  • T1.3: categoria dos chamados buggies, protótipos também tubulares mas com tração em apenas duas rodas. Na categoria T1.3, ficam os carros equipados com motores à gasolina sem sobrealimentação.
  • T1.4: similar à categoria T1.3, porém para carros equipados com motores turbodiesel. Um fator de equivalência de 1.7 é utilizado para equiparar os modelos de motor Diesel aos de motor a gasolina.
  • T1.5: veículos 2WD em conformidade aos regulamento SCORE (organizadora de provas como o Baja 1000) das seguintes categorias: Trophy Truck Spec, Trophy Truck e Buggy Class 1.
  • T2.1: veículos de produção adaptados em série homologados no grupo T2 da FIA para veículos Cross Country com motores à gasolina.
  • T2.2: veículos de produção adaptados em série homologados no grupo T2 da FIA para veículos Cross Country com motores Diesel.
  • T2.C: veículos de produção em série adaptados cuja homologação no grupo T2 expirou.

Principais competidores:

Toyota Hilux Overdrive: Com um total de 16 carros inscritos na classe T1.1, 4 da equipe de fábrica Toyota Gazoo Racing e 6 da equipe semi-oficial Overdrive Toyota, a montadora japonesa vem como favorita para a vitória. Entre os pilotos Toyota, estão entre os favoritos as duplas Nasser Al-Attiyah (QAT) / Matthieu Baumel (FRA) e Giniel de Villiers (ZAF) / Alex Haro Bravo (ESP), que já venceram o Dakar em edições passadas. Quem deve roubar a atenção entre os competidores da Toyota, entretanto, é o estreante Fernando Alonso, que competirá em parceria com Marc Coma.

Mini John Cooper Works X-Raid: o principal desafiante ao poderio da Toyota serão os modelos Mini desenvolvidos pela equipe X-Raid, que estarão representados por 9 carros na competição.

A abordagem, entretanto, será diferente da montadora japonesa, com 4 carros Mini John Cooper Works Rally e 3 Mini All4 Racing na categoria T1.2 e 2 buggys Mini John Cooper Works Buggy na categoria T1.4.

Os grandes favoritos da equipe X-Raid Mini sem dúvida são Stephane Peterhansel (FRA) / Paulo Fiuza (POR) e Carlos Sainz (ESP) / Lucas Cruz (ESP), ambos pilotando carros da T1.4.

Correndo por fora estarão a francesa Peugeot com dois carros da equipe PH-Sport, conduzidos por Pierre Lachaume / Jean Michel Polato (Peugeot 2008 DKR) e Sheikh Khalid Al Qassimi / Xavier Panseri (Peugeot 3008 DKR), ambos da classe T1.4.

Os chineses também estarão presentes em peso, com 7 carros. Destaque para as equipes de fábrica: a sino-alemã Borgward retorna com dois carros BX7 DKR EVO, buscando quebrar o domínio de Toyota e Mini, e a montadora Geely vem com o buggy Geely SMG da categoria T1.3.

Mas a maior equipe oriental em número de participantes é Qian’na Jiu Jiang Landsail Racing Club, que faz sua estréia no Dakar com 3 veículos. Apesar de nunca ter participado de nenhum Dakar, a equipe tem longa experiência em competições Cross-Country como o Silk Road Rally, onde os chineses competiram na categoria T1 com um modelo silhouette da limousine Hongqi L5, o carro oficial do presidente chinês Xi Jinping.

Outras equipes presentes são a MP-Sports com sua Ford F150 Raptor RS Cross Country, a Rebellion em parceria com a empresa RD Limited de Romain Dumas com o protótipo RD Limited DXX da classe T1.1, o construtor Sodicars com carros nas categorias T1.1 (BV8 e Springbok) e T1.3 (BV2), MD Rallye Sport com o Buggy Optimus Evo 3 (T1.3) e a Ssangyong, com o buggy Korando DKR da classe T1.3. Por fim, vale destacar um tímido retorno da Mitsubishi com um Eclipse Cross na categoria T1.2, uma iniciativa com apoio da Mitsubishi Espanha.

UTVS

Os UTVs são a classe mais recente do Dakar, tendo se juntado a disputa apenas em 2017. São veículos de estrutura tubular de certa forma intermediários entre um quadriciclo e um protótipo da categoria T1. Os principais competidores utilizam modelos Can-Am e Polaris, e desde a estréia os brasileiros se destacaram na categoria, com vitória da dupla Leandro Torres / Lourival Roudan em 2017 e Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin em 2018. A categoria é dividida em duas classes:

  • T3.P: veículos derivados de UTVs de produção em série, de acordo com o Artigo 286 do Anexo J da FIA;
  • T3.S: UTVs de produção em série adaptados para competição, de acordo com o Artigo 286a do Anexo J da FIA.

Principais competidores:

Entre os UTVs, a disputa muito provavelmente será entre participantes utilizando equipamento da Can-Am, que dominou o top 10 da última edição. Entre os favoritos estão os brasileiros Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin, vencedores da edição 2018 e pilotos oficiais da Can-Am. Também de Can-Am, o vencedor de 2019, o chileno Francisco “Checo” Lopez retorna com copilotagem de Juan Pablo Latrach Vinagre.

CAMINHÕES

Os peso-pesados do Dakar, na década de 1980 os caminhões chegaram a rivalizar com os automóveis em velocidade. A tripulação dos caminhões é composta por três pessoas, com um mecânico se juntando ao piloto e co-piloto. Atualmente, por segurança, tem a velocidade máxima limitada a 140 km/h, e são organizados em três classes:

  • T4.1: caminhões derivados de modelos de produção em série, de acordo com o Artigo 287 do Anexo J da FIA. Devido ao peso de utilizar o chassis de caminhões de série, não são muito aptos a enfrentar terrenos como dunas, e têm se tornado cada vez mais raros;
  • T4.2: caminhões protótipos construídos sobre chassis tubulares, conforme regulamento específico da ASO;
  • T4.3: caminhões de apoio a outros competidores, funcionando como uma espécie de oficina móvel. Veículos inscritos nessa categoria devem estar homologados nas categorias T4.1 ou T4.2.

Principais competidores:

Nos caminhões o favoritismo é todo da russa Kamaz, com o trio Eduard Nikolaev, Evgenni Nikolaev e Vladimir Rybakov chegando com três vitórias nas edições 2017, 2018 e 2019 do Dakar, sempre a bordo do Kamaz K43509.

A principal marca com capacidade para desafiar os russos é a italiana Iveco, com o modelo Powerstar Evo 3.

Rally Dakar 2020 – parte 1

Começa o ano de 2020 agitado, com a primeira grande competição automobilísitica: o Rally Dakar.

Inicialmente disputado entre Paris e Dakar (capital do Senegal), a partir de 2009 a prova passou a ser disputada na América do Sul passando por países como Argentina, Paraguai e Chile. Para 2020, nova mudança de escapas, com o Dakar sendo realizado completamente dentro da Arábia Saudita, partindo de Jedá com a chegada em Qiddyah, num total de 7.800 km divididos em 12 etapas.

Fonte: divulgação.

05/jan – 1ª Etapa – Jedá – Al-Wajh

Distância Total: 752 km / Trecho Cronometrado: 319 km

Fonte: Divulgação.

A etapa de abertura está sendo chamada de mini-Dakar, pois contará com trechos velozes, trechos sinuosos, areia e cascalho.

06/jan – 2º Etapa – Al Wajh – Neom

Distância Total: 401 km / Trecho Cronometrado: 367 km

Composta principalmente por trechos de terra (65%) e cascalho (30%). Também marca a primeira etapa da Super Maratona para motocicletas e quadriciclos.

Fonte: Divulgação.

07/jan – 3ª Etapa – NEOM – NEOM

Distância Total: 489 km / Trecho Cronometrado: 405 km

Esta etapa forma uma espécie de circuito, com largada e chegada na megacidade de NEOM. A cidade faz parte do plano Vision 2030 do governo da Arábia Saudita, e promete ser um marco de desenvolvimento com maior liberdade para as mulheres e inovações integradas ao planejamento da cidade como a integração de sistemas autônomos de condução de veículos e logística, energia baseada em matrizes eólica e solar, entre outros. Conheça aqui maiores detalhes desse projeto.

O trecho do Rally levará os competidores à fronteira com a Jordânia num trajeto predominantemente de areia e com a maior elevação da competição, saindo do nível do mar até uma altitude máxima de 1.400 metros.

Fonte: Divulgação.

08/jan – 4ª Etapa – NEOM – Al’Ula

Distância Total: 676 km / Trecho Cronometrado: 453 km

Nesta etapa o terreno estará dividido entre areia, terra, asfalto e cascalho, e a navegação promete ser parte importante do desafio. Ao longo do trajeto, o destaque da paisagem local serão os templos do Reino Nabateu.

Fonte: Divulgação.

09/jan – 5ª Etapa – Al’Ula – Ha’il

Distância Total: 563 km / Trecho Cronometrado: 353 km

Primeira etapa com predominância de areia, os pilotos e navegadores precisarão de muita habilidade para vencer as dunas e colinas arenosas que fazem parte do trajeto.

Fonte: Divulgação.

10/jan – 6ª Etapa – Ha’il  – Riyadh

Distância Total: 830 km / Trecho Cronometrado: 478 km

Primeiro trecho 100% em terreno arenoso, deve privilegiar os competidores com experiência nesse tipo de terreno.

Fonte: Divulgação.

11/jan – Descanso dos competidores

12/jan – 7ª Etapa  – Riyadh – Wadi Al Dawasir

Distância Total: 741 km / Trecho Cronometrado: 546 km

Após um merecido dia de descanso, os competidores irão enfrentar o trecho mais longo de todo o rally, com muita areia e longos trechos de dunas. Os navegadores também deverão se manter atentos em diversos momentos para não se perder.

13/jan – 8ª Etapa  – Wadi Al Dawasir – Wadi Al Dawasir

Distância Total: 713 km / Trecho Cronometrado: 474 km

Outra etapa com largada e chegada no mesmo local, esta será a etapa mais veloz, com uma reta de 40 km de pé embaixo. A paisagem será repleta de cânions, montanhas e contrastes de cores.

Fonte: Divulgação.

14/jan – 9ª Etapa  – Wadi Al Dawasir – Haradh

Distância Total: 891 km / Trecho Cronometrado: 415 km

Essa etapa servirá de preparação para a entrada dos competidores no deserto Rub’ al-Khali, também chamado de Empty Quarter, ou quarta parte vazia, por ocupar cerca de 25% da área da Arábia Saudita. É o maior deserto do mundo, com clima considerado hiper-árido e temperaturas variando de 12°C de mínima à 51°C de máxima.

Fonte: Divulgação.

15/jan – 10ª Etapa  – Haradh – Shubataytah

Distância Total: 608 km / Trecho Cronometrado: 534 km

Esta será uma etapa maratona, onde será permitida ajuda somente entre competidores. Os últimos 30 km serão disputados pelas dunas do deserto Rub’ al-Khali, que podem chegar até 250 metros de altura.

Fonte: Divulgação.

16/jan – 11ª Etapa  – Shubataytah – Haradh

Distância Total: 744 km / Trecho Cronometrado: 379 km

Mais uma etapa disputada no “Empty Quarter”, com 80 km de dunas.

Fonte: Divulgação.

17/jan – 12ª Etapa  – Haradh – Qiddiya

Distância Total: 447 km / Trecho Cronometrado: 374 km

Os últimos 100 km prometem grandes desafios aos navegadores, e podem até mesmo mudar o resultado final. Uma seção especial de 20 km irá definir os vencedores do troféu Qiddiya antes do pódio da classificação final. Qiddiya é um mega-pólo de entretenimento, esportes e artes que faz parte do projeto Vision 2030 do governo da Arábia Saudita. A construção do complexo foi iniciada em 2019, e o projeto prevê atrações tais como parques temáticos, arenas esportivas das mais diversas modalidades e uma arena automobilística com pistas de arrancada, rallycross e rally de velocidade, kartódromo e um autódromo de nível internacional que pleiteia sediar um futuro Grande Prêmio de Fórmula 1 da Arábia Saudita. Conheça aqui mais detalhes sobre o parque de Qiddiya.

Na segunda parte dessa publicação, iremos conhecer as categorias e alguns dos principais competidores da 42ª Edição do Rally Dakar.

MCR Grand-Am

Lamborghinis de corrida foram por muitos anos um tabu dentro da marca de Sant’Agata Bolognese. Desde que o fabricante de tratores passou a produzir esportivos, o foco sempre foi em desenvolver carros esportivos que fossem superiores aos da Ferrari, e Ferruccio Lamborghini via o automobilismo como algo que drenava muitos recursos da empresa. Isso fez com que a empresa se mantivesse afastada das pistas de corrida, com o primeiro carro de competição oficialmente desenvolvido pela fábrica apenas em 1996, o Lamborghini Diablo SV-R da categoria monomarca Super Trofeo. Entretanto, isso não impediu que ao longo da história diversas equipes e indíviduos com maior poderio financeiro adaptassem os bólidos italianos (ou partes deles) para competições.

No Brasil, tivemos no passado o Fúria-Lamborghini de Jayme Silva, que utilizava motor e câmbio de um Lamborghini Miura que sofreu perda total após um acidente e, mais recentemente, tivemos o MCR Grand Am, protótipo desenvolvido para a categoria GP1 do Endurance Brasil, numa história que começa com o piloto gaúcho Fernando Poeta, então proprietário de dois modelos Lamborghini Gallardo GT3 e que teve a idéia de desenvolver um protótipo utilizando a grande quantidade de componentes sobressalentes dos GTs que possuía.

Lamborghini Gallardo LP560-4 GT3 de Fernando Poeta. Fonte: Endurance Brasil (1).

O projeto do bólido ficou a cargo do experiente engenheiro Luiz Fernando Cruz, fundador da MCR Race Cars e projetista de diversos carros vencedores nas Fórmulas Ford e Renault, Campeonato Brasileiro de Endurance, Sports 2000 e OSS britânicos, 12 Horas de Tarumã, entre outras provas e campeonatos.

Já a construção do carro foi realizada na oficina do preparador Noel Teixeira, com suporte da tradicional equipe gaúcha Mottin Racing, de Luciano Mottin, que também foi responsável por pelo suporte de pista do protótipo nas provas dos campeonatos gaúcho e brasileiro de endurance.

MCR durante a fase de construção e acertos. Fonte: Racecarpress (2)

O trabalho de desenvolvimento começou em 2014, época em que o regulamento do Endurance Brasil permitia apenas protótipos de estrutura tubular. A estrutura foi projetada em CAD, utilizando como base o regulamento IMSA para os Daytona Prototypes, então única categoria internacional a adotar esse tipo de construção. Partindo do powertrain de um Lamborghini Gallardo LP 560 GT3 (motor 5.2 V10 e transmissão Höllinger sequencial de seis marchas), o chassi tubular e a carenagem em fibra de vidro foram construídos. Com tanque de 100 litros de capacidade, o bólido acabou superando os 900 kg de peso mínimo da categoria GP1, batendo os 940 kg sem piloto.

MCR Grand-Am V10 ainda na fase de treinos. Fonte: Diário Motorsport (3)

A montagem foi completada em 2016, e inicialmente cogitava-se estrear já na primeira prova da temporada. O carro chegou a participar dos treinos das Três Horas de Santa Cruz do Sul (segunda etapa da Copa Brasil de Endurance e terceira do campeonato gaúcho), porém a equipe optou por postegar a estreia, como explicou o engenheiro Luiz Cruz:

“Agradeço a todas as manifestações dos amigos e comunico que a equipe decidiu adiar a estréia do protótipo para a próxima etapa, porém vai correr amanhã com a Lamborghini GT3. Não foi possível ajustar alguns detalhes durante o pouco tempo das sessões oficiais, bem como os 4 pilotos inscritos não conseguiram treinar o suficiente com o novo carro.”

Dessa forma, a estreia oficial ocorreu mesmo nas Três Horas de Tarumã, com pilotagem do trio Fernando Poeta, Andersom Toso e Fernando Fortes. Nos treinos, o MCR classificou-se na quinta posição, com um tempo de 1m02s, e completou a prova com a terceira posição na classificação geral, com uma volta de desvantagem para os vencedores. Esse resultado deu o tom do que seria sina do MCR Grand-Am: em todas as provas em que participou, o modelo jamais marcou a pole-position, porém sempre se mostrou um carro confiável e com bom ritmo de prova.

Protótipo MCR Grand-Am nas 3 Horas de Tarumã em 2016. Fonte: Endurance Brasil (1).

Ainda em 2016, a temporada culminou com a vitória nas 12 Horas de Tarumã, conduzido pelo sexteto Fernando Poeta/Fernando Fortes/Marcelo Santanna/Andersom Toso/Pedro Queirolo e Henrique Assunção.

Bandeira quadriculada selando a vitória da Mottin Racing nas 12 Horas de Tarumã de 2016. Fonte: Mottin Racing (4).

O ano 2017 viu a competição da categoria GP1 ficar mais acirrada, com a chegada de carros como o AJR e o Porsche 911 GT3 R. Nesse mesmo ano, a Mottin Racing recebeu patrocínio do energético Dopamina, numa temporada que teve como ponto alto a vitória na etapa de Guaporé do Campeonato Gaúcho de Endurance. A boa confiabilidade novamente foi crucial, e a temporada culminou com o vice-campeonato do certame gaúcho para Fernando Poeta.

Vitória de Fernando Poeta e Fernando Fortes em Guaporé na temporada 2017. Fonte: Mottin Racing (4)

Já pelo campeonato brasileiro, o MCR V10 apresentou alguns problemas nas primeiras etapas, e teve como melhor resultado o segundo lugar da categoria GP1 nos 500 km de São Paulo, o que deixou a equipe de fora da disputa pelo título na temporada 2017.

Para a temporada 2018, a Mottin Racing retornou ao Endurance Brasil, agora competindo na categoria P1 contra uma a nova geração de protótipos AJR. Mesmo sem vencer nenhuma prova na geral ou na categoria P1, o time composto por Claudio Ricci, Fernando Poeta e Beto Giacomello conseguiu utilizar a confiabilidade do MCR para angariar cinco pódios em sete etapas, com o terceiro lugar no campeonato brasileiro para o trio de piloto, e também com o título de campeões da categoria P1 no Campeonato Gaúcho de Endurance.

Análise Técnica

Chassis do MCR Lamborghini. Fonte: Racecarpres (1).

Como mencionado anteriormente, o chassi do MCR Grand Am é de estrutura tubular em aço carbono, utilizando perfis quadrados nas estruturas dianteira e traseira, enquanto a gaiola de proteção utiliza tubos de perfil circular, tal como prevê o Anexo J da FIA.

Visto de frente, o MCR Lamborghini tem uma mistura de elementos dos Daytona e Le Mans Prototypes. Isso porque a cabine (1) é bem larga, ao estilo dos protótipos americanos, porém o restante do design tem inspiração mais europeia, como o bico elevado (2). Nas provas em que competiu, o bólido recebeu diversas combinações de dive planes na dianteira: quando em testes, eram utilizadas duas aletas na lateral dos para-lamas, porém na estreia em 2016 a aleta superior foi substituída por um elemento bem mais robusto (imagens abaixo), provavelmente em busca de mais downforce. Na temporada 2017, o elemento inferior passou a adotar design similar ao superior (3), e em 2018 apenas o elemento inferior foi mantido. Curiosamente, nas temporadas 2016 e 2017 o protótipo não possuía os faróis integrados aos para-lamas, utilizando inicialmente faróis integrados aos espelhos retrovisores (imagem abaixo), que logo foram substituídos por elementos de led montados sobre os para-lamas dianteiros (4).

Interessante notar a suspensão, do tipo push rod com amortecedores horizontais na dianteira e verticais na traseira. Os discos de freio são metálicos tanto da dianteira quanto na traseira, com diâmetro de 355 mm e 380 mm, e pinças AP de seis pistões.

Diferente de outros protótipos brasileiros mais recentes, o piloto fica em posição deslocada ligeiramente para a esquerda.

Em, 2018, a dianteira do MCR recebeu diversas atualizações, como os faróis integrados (5) e dois dutos NACA, de função não identificada – o melhor chute é de que sirvam para conduzir mais ar ao sisema de freios (6).

Num layout relativamente incomum para um protótipo de motor central (solução carry-over do Gallardo GT3), o radiador é posicionado na dianteira, ventilando o ar quente por uma abertura similar a encontrada nos modelos GT. As rodas dianteiras contam com aberturas para reduzir o lift induzido pela rotação do conjunto roda-pneu.

Nessa outra imagem podemos ver que a tomada de ar para o sistema de freios também é realizada na grande entrada de ar inferior. O splitter dianteiro, não estava presente no carro que estreou em 2016 em Tarumã, porém já na prova seguinte, em Guaporé, o componente foi adotado.

A lateral mantém um perfil similar ao dos Daytona Prototypes, com destaque para os dutos NACA com função de levar ar para os freios traseiros (7) e para o cofre do motor (8).

Inicialmente, o MCR não possuía nenhuma entrada de ar sobre o teto, porém ainda em 2016 uma pequena entrada de ar foi adicionada. Em 2017, o que parece ser uma saída de ar também foi incluída, num layout curioso. Considerando a posição da admissão de ar do motor, essas entrada e saída sobre o teto parecem ter função de ajudar na ventilação da cabine, principalmente.

Visto por trás, o MCR tem um difusor (9) com dois elementos laterais com maior ângulo de inclinação, e um elemento central de menores proporções com dois strakes separando o fluxo interno. O difusor traseiro é suportado em parte por duas hastes ligadas ao suporte da asa traseira. As saídas do escapamento (10) ficam posicionadas de forma bem similar à do Lamborghini Gallardo que empresta o motor ao protótipo. A asa traseira (11) parece ser o mesmo elemento utilizado no Gallardo GT3, o que é visível pelas semelhanças entre o suporte, perfil da asa e o formato dos endplates. Fato curioso por se tratar de um protótipo, o MCR tem uma janela traseira de policarbonato.

Para a temporada 2019, Fernando Poeta e Beto Giacomello deixaram o MCR de lado, e voltaram a competir com o Lamborghini Gallardo GT3 na categoria Light.

Fontes:

Galeria de Imagens – Império Endurance Brasil 2019. Disponível em: http://www.imperioendurancebrasil.com/imagens.html.

Racecarpress. Disponível em: https://www.facebook.com/racecarpress.racecarpress.

O novo protótipo MCR Grand-Am V10 foi testado em Tarumã. Disponível em: https://www.diariomotorsport.com.br/o-novo-prototipo-mcr-grand-am-v10-foi-testado-em-taruma/.

Mottin Racing: Disponível em: https://www.facebook.com/MottinRacing/.

Imagens:

[1]: Retirado de: Galeria de Imagens – Império Endurance Brasil 2019. Disponível em: http://www.imperioendurancebrasil.com/imagens.html.

[2]: Retirado de: Racecarpress. Disponível em: https://www.facebook.com/racecarpress.racecarpress.

[3]: Retirado de: O novo protótipo MCR Grand-Am V10 foi testado em Tarumã. Disponível em: https://www.diariomotorsport.com.br/o-novo-prototipo-mcr-grand-am-v10-foi-testado-em-taruma/.

[4]: Retirado de: Mottin Racing: Disponível em: https://www.facebook.com/MottinRacing/.

Endurance Brasil – 3 Horas de Goiânia

No dia 12 de outubro será realizada a sexta etapa da Império Endurance Brasil 2019, que retorna ao Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia (veja aqui os destaques da prova disputada no dia 25 de maio). Depois de uma bela corrida noturna em Interlagos, a categoria vem com ainda mais força para a reta final do campeonato.

O recorde da pista pertence à categoria, com o tempo de 1:16.271 cravado pelo AJR #88 de Vicente Orige e Tarso Marques. Na última prova, disputada sob alta temperatura, todos os protótipos da categoria P1 enfrentaram algum tipo de problema, principalmente os AJR dos quais apenas o carro de David Muffato e Pedro Queirolo conseguiu cumprir voltas o suficiente para ser classificado. O protótipo Ginetta G57 de Fábio Ebrahim e Wagner Ebrahim também apresentou problemas durante a prova, resultando numa merecida vitória para a Ferrari 488 GT3 de Chico Longo e Daniel Serra.

Desde então, todas as provas foram vencidas na classificação geral por protótipos AJR, com duas vitórias do carro #65 de Nilson Ribeiro e José Roberto Ribeiro (Santa Cruz do Sul e Interlagos) e uma para David Queirolo e Pedro Muffato, a bordo do AJR #113. Resta agora saber se em Goiânia os protótipos novamente enfrentarão problemas, já que o próximo final de semana promete muito sol e elevadas temperaturas.

Programação da Prova

24 de maio de 2019 – Sexta-feira

08h35 às 09h05 – Primeiro Treino Livre (P2/P3/P4/GT4)
09h10 às 09h40 – Primeiro Treino Livre (P1/GT3)
10h30 às 11h00 – Segundo Treino Livre (P2/P3/P4/GT4)
11h05 às 11h35 – Segundo Treino Livre (P1/GT3)
13h00 às 13h30 – Terceiro Treino Livre (P2/P3/P4/GT4)
13h35 às 14h05 – Terceiro Treino Livre (P1/GT3)
15h30 às 15h55 – Treino Classificatório (P2/P3/P4)
16h00 às 16h25 – Treino Classificatório (GT4)
16h30 às 16h55 – Treino Classificatório (GT3)
17h00 às 17h25 – Treino Classificatório (P1)

25 de maio de 2019 – Sábado

09h00 às 11h30 – Visitação aos boxes
10h35 às 10h55 – Warm up
13h – Abertura de box
13h30 – Largada
16h50 – Pódio

Para quem quiser acompanhar a prova de perto, os ingressos para as arquibancadas serão vendidos na hora a um valor de R$ 20,00, enquanto o camarote pode ser adquirido no site da Sympla. Aqueles que quiserem acompanhar online podem fazê-lo pelo canal do YouTube da Endurance Brasil, pelo Facebook ou pelo site da categoria, e o live timing está disponível no site da Cronomap e pelo RaceHero.

Lista de Inscritos

A lista oficial de inscritos só deve sair na véspera da prova, mas conforme as novidades e confirmações forem surgindo a lista abaixo será atualizado

Categoria P1 (7 carros)
#5 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Tiel Andrade / Júlio Martini / Marçal Muller
#11 Metalmoro AJR-Honda K24 Turbo – Emílio Padrón / Marcelo Vianna / Thiago Marques
#20 Ginetta G57-Chevrolet V8 – Wagner Ebrahim / Fábio Ebrahim / Pedro Aguiar
#43 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Vicente Orige / Raphael Campos / Gustavo Martins
#65 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Nilson Ribeiro / José Roberto Ribeiro
#113 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Pedro Queirolo / David Muffato
#175 Metalmoro AJR-Chevrolet V8 – Henrique Assunção / Luiz Otávio Floss

Categoria GT3 (4 carros)
#8 Mercedes-Benz AMG GT3 – Guilherme Figuerôa / Júlio Campos
#9 Mercedes-Benz AMG GT3 – Xandy Negrão / Xandinho Negrão
#19 Ferrari 488 GT3 – Chico Longo / Marcos Gomes
#55 Porsche 911 GT3 R – Ricardo Maurício / Marcel Visconde

Categoria P2 (5 carros)
#4 Sigma P1-Audi V8 Turbo – Jindra Kaucher / Aldo Piedade Jr.
#25 GT Race Cars GeeBee R1-Chevrolet V8 – Ney Faustini / Ney de Sá Faustini
#32 MC Tubarão IX-Duratec Turbo – Mauro Kern / Paulo Sousa
#35 Predador-Audi Turbo – Jair Bana / Eduardo “Duda” Bana
#37 Scorpion-Hayabusa Turbo – Stuart Turvey / Renato Turelli

Categoria GT3 Light (2 carros)
#63 Aston Martin Vantage V12 GT3 – Sérgio Ribas / Guilherme Ribas
#155 Ferrari 458 GT3 – Ricardo Mendes / Tom Filho

Categoria P3 (5 carros)
#7 Metalmoro MRX-Honda 20V – Aldoir Sette / Franco Pasquale
#17 VBS 01-Volkswagen 16V – Gustavo Frey / George Frey / Sergio Cardoso
#72 Metalmoro MRX-Opel 16V – Carlos Antunes / Yuri Antunes
#75 Metalmoro MRX-Cosworth – Henrique Assunção / Fernando Fortes / Emilio Padron
#89 Radical SR3-Hayabusa – Renato Stumpf / Matheus Stumpf (à confirmar)

Categoria GT4 (6 carros)
#3 Mercedes-Benz AMG GT4 – Alexandre Auler / Leandro Romera
#6 BMW M3 GTR – Henry Visconde / Kreis Jr. / Bruno Bonifácio
#16 Ginetta G55 GT4 – Ésio Vichiesi / Vinicius Kwong
#45 Ginetta G55 GT4 – Fábio Scorpioni / Paulo Totaro
#22 Mercedes-Benz AMG GT4 – Leandro Ferrari / Flávio Abrunhoza / Sérgio Jimenez
#555 Ginetta G55 GT4 – Renan Guerra / Renato Braga

Categoria P4 (2 carros)
#34 Metalmoro MRX-Volkswagen 8V – Ricardo Haag / Mário Marcondes
#74 Aldee Spyder-Volkswagen 8V – Alejandro Cignetti / Luis Abad

Categoria GT4 Light (2 carros)
#14 Mercedes-Benz CLA 45 AMG – Junior Victorette / Gabriel Lusquinos
#64 Audi RS3 LMS TCR – Henry Visconde / Maurizio Sala / Felipe Strey

Papo de paddock

E finalmente a Endurance Brasil parece ter fechado o calendário para 2019. A etapa com local em aberto agendada para 2 de novembro foi definida e será realizada no autódromo de Santa Cruz do Sul, o que promete um bom reforço dos pilotos gaúchos.

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⚠️ Nossas praças foram atualizadas

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Já a última etapa, inicialmente prevista para ser disputada em Interlagos, passará a ser realizada no Autódromo Internacional de Curitiba, após o não cumprimento de um acordo entre o Interlagos Motor Clube e a APE (Associação dos Pilotos de Endurance). Com isso, a tradicional prova dos 500 km de São Paulo foi marcada para o mesmo final de semana da final do campeonato brasileiro, o que faz aumentar o risco de baixo comparecimento na prova paulista, pois grande parte dos principais competidores estará comprometida com a prova paranaense. Resta esperar para ver, pois é bem verdade que existem diversos competidores potenciais que não estão comprometidos com o Endurance Brasil mas que são participantes frequentes das competições no autódromo paulista.

Outra prova que agora tem data marcada é a também tradicional 500 Milhas de Londrina, que será realizada nos dias 21 e 22 de novembro, que conseguiu evitar o conflito de datas e promete um bom grid na pista paranaense. Em breve teremos uma postagem com todas as informações sobre a prova.

Ainda falando sobre provas de longa duração, a notícia mais importante dos últimos dias é o retorno das Mil Milhas Brasileiras, que serão disputadas entre os dias 12 e 16 de fevereiro. O regulamento não fugiu do esperado e foi baseado naquele do Endurance Brasil, ainda que a princípio a prova não deva fazer parte de nenhum campeonato (vale lembrar que em edições passadas o regulamento permitia carros de categorias como DTM, Super GT, FIA GT, Le Mans e Daytona Prototypes). A grande é que foram incluídas as categorias PN1 e PN2, respectivamente para protótipos nacionais com motores até 2.000 cm³ aspirados e turbo (respectivamente) e as categorias TN1 e TN2, para modelos de turismo nacionais com motores de até 2.000 cm³ aspirados e turbo, respectivamente.

Entre os novos participantes, a equipe paulista AV Motorsports confirmou que a estréia do protótipo Pegaso R deve acontecer apenas em 2020. Para 2019 a equipe adquiriu um Aldee Spyder que será modificado recebendo, nas palavras da equipe “… alterações na carenagem para ganhar melhor aerodinâmica, chassis para melhoria de suspensão, pintura nova, motor Subaru com 320 cv, jogos de amortecedores Sachs 4 vias, painel AIM MXL 2, injeção eletrônica FuelTech FT 550…”

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Depois de uma semana de viagem, finalmente em casa nova. Agora o trabalho começa, alterações na carenagem para ganhar melhor aerodinâmica, chassis para melhoria de suspensão, pintura nova, motor Subaru com 320 cv, jogos de amortecedores Sachs 4 vias, painel AIM MXL 2, injeção eletrônica FuelTech FT 550…. e muito mais, além de um novo nome Sleipner. E o Pegaso? Em julho tivemos uma reunião com o ex projetista de Formula 1, o Ricardo Divila, onde apresentamos todo o projeto para ele do Pegaso. Ele gostou muito do projeto e apos um longo periodo de conversa para não colocar em risco um grande projeto fazendo correndo decidimos continuar com o desenvolvimento e começar a faze-lo no segundo semestre de 2020 pensando no ano de 2021 e com alteracoes que seriam necessarias como um monocoque de carbono o qual estamos conversando com uma empresa na Europa para construi-lo. Estreamos nosso carro e nossa equipe esse ano em 2 de novembro com o Sleipner, e no próximo ano iremos continuar desenvolvendo esse carro como a ideia de um carro escola para para início de pilotos no Endurance. #automobilismo #racing #motorsport #race #interlagos #brasil #corrida #formula1 #wec #imsa #elms #imperioendurancebrasil #patrocinio #sponsorship #sportprototipo #racingcar #racecarengeering #avmotosports #blackbrasil #thegentlemandrive #fia #tecpads #stockcar #foxsportsbrasil #bandsports #subaru #zf #sachs #aim

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O carro, que será renomeado como Sleipner, promete nova aerodinâmica, o que pode estar relacionado a informação de que a AV Motorsports firmou um acordo para utilizar soluções aerodinâmicas do protótipo italiano Tatuus PY012, modelo concebido dentro do regulamento para a categoria CN.

Mais informações surgiram também sobre o modelo AJR com powertrain elétrico que está sendo desenvolvido no Rio Grande do Sul. O projeto será um piloto, com envolvimento de pessoas da JLM Racing e de universidades gaúchas.

Até o momento nada foi confirmado oficialmente, porém é grande a possibilidade de que a fabricante de motores elétricos WEG e a Fueltech também estejam envolidas no projeto, que recentemente firmaram parceria para desenvolver soluções para a conversão de automóveis de passeio com motores à combustão para motores elétricos, e também para desenvolver sistemas de powertrain elétrico para veículos de competição.

Entre as equipes já estabelecidas, os preparativos para a sexta etapa continuam. A equipe Absoluta Racing, por exemplo, participou de uma prova da LDA em Interlagos como forma de preparação. Uma boa novidade é que o motor titular do carro está pronto para ser utilizado, garantindo cerca de 50 HP adicionais.

A gaúcha MC Tubarão também se dedicou a treinos com três dos seus carros: treinaram o BMW M3 GTR #64 (GT4), MC Tubarão IX Duratec #32 (P2) e AJR #5 (P1).

Retornando para a Endurance Brasil, a tradicional equipe paranaence Bana Racing vem com atualizações no sempre veloz protótipo Predador, com melhorias no sistema de freios, arrefecimento de câmbio e reforços no case.

O Team Ginetta Brasil também segue nas preparações para a sexta etapa, completando boas horas de teste nas últimas semanas.

Fontes:

E-24. Disponível em: https://www.electric24.com.br/mobility-lab.

WEG anuncia parceria tecnológica para converter veículos à combustão em veículos elétricos. Disponível em: https://www.weg.net/institutional/BR/pt/news/produtos-e-solucoes/weg-anuncia-parceria-tecnologica-para-converter-veiculos-a-combustao-em-veiculos-eletricos.

WEG e Fueltech anunciam parceria para inovar na eletrificação do automobilismo e em conversões de veículos de passeio. Disponível em: https://fueltech.com.br/blogs/news/weg-anuncia-parceria-tecnologica-para-converter-veiculos-a-combustao-em-veiculos-eletricos.

Emis Art: a história de um pequeno fora-de-série

O pequeno Art tem uma história das mais curiosas entre os fora-de-série brasileiros. O projeto nasceu das mãos do ortodontista Alfredo Soares Veiga, inspirado por outro pequenino, o Dacon 828. Nas palavras do próprio Alfredo para o site Brasileiros fora-de-série:

Nelson Piquet e o Dacon 828 no GP do Brasil de 1982. Fonte: Motorsport Images [1]. Foto por: Ercole Colombo / Studio Colombo.

“Era início dos anos 80 quando vi o Nelson Piquet estacionando o primeiro Mini Dacon no paddock do autódromo do Rio de Janeiro . Não resisti e cheguei bem perto, abri a porta e me sentei ao volante. Fiquei deslumbrado e pensei comigo mesmo: vou fazer um automóvel! Após um período de gestação de aproximadamente 9 meses, nasceu o ART. Fiz no início uma produção independente e depois me associei a Emis, tradicional produtora de buggies e outros veículos especiais, aqui no Rio. Em meados de 1987 encerramos a produção e é maravilhoso e muito gratificante ver os ART ainda desfilando por aí nesse Brasil. Tenho o primeiro automóvel montado, chassis 00001, funcionando e sendo usado quase que diariamente. ”

Lançado em 1984, as primeiras 13 unidades do Art foram produzidas pela Orto Design Indústria e Comércio de Veículos, empresa fundada pelo próprio Alfredo que produzia conversões do Fusca em pick-up e furgão, genericamente chamados de Fusck up e Furgovan. Percebendo que não contava com estrutura fabril para a produção do carro, cedeu os direitos e moldes de produção para a também carioca EMIS, tradicional fabricante de bugies nomeada a partir das iniciais de seu fundador, Eduardo Miranda Santos. Dessa forma, a partir de 1986 a EMIS assumiu a produção do modelo, e nesse mesmo ano, o pequeno carro ganhou destaque no país ao aparecer na novela Cambalacho, da Rede Globo.

Tal como o Dacon 828, o Art nasceu com a proposta de ser um minicarro urbano e, devido a essa concepção, tem comprimento reduzido, com lugar para apenas dois passageiros sem porta-malas, sendo possível carregar alguma bagagem no pequeno espaço atrás dos bancos.

Ao lado de um carro grande como o Volkswagen Santana, se destacam as pequenas dimensões do Art. Fonte: Quatro Rodas [2].

Possui chassi próprio, do tipo tubular, construído em forma de duplo Y com perfis de aço, enquanto a carroceria é de fibra de vidro, com pára-brisa, portas e vidros laterais do Chevrolet Chevette, vidro traseiro da Chevrolet Marajó, faróis e freios do Fusca, lanternas traseiras da Panorama e dianteiras da Volkswagen Brasilia e painel e rodas do Volkswagen Gol.

O painel do Emis Art era emprestado do Volkswagen Gol. Como outros fora-de-série, o Art carrega diversos componentes de veículos de grandes montadoras. Fonte: Quatro Rodas [3].
Ao contrário da tendência entre os fora-de-série, o Art utilizava um chassi próprio.

O fato de possuir chassi próprio faz com que, diferentemente de alguns fora-de-série da época a direção do Art não puxasse para nenhum lado em linha reta, além de propiciar um comportamento neutro ao carro, como afirmou a revista Quatro Rodas ao testá-lo em julho de 1986:

“Ele é absolutamente neutro e agarra firme no chão. Só nas curvas de alta é que sai um pouco de traseira. Mesmo assim seu limite é alto. ”

Nessa imagem é possível ver a concepção do chassi em Y do Emis Art. Fonte: Quatro Rodas [2].

O motor, como em muitos fora-de-série nacionais é o Volkswagen 1.600 a ar, nesse carro com dupla carburação acoplado a uma transmissão Volkswagen com coroa e pinhão iguais às do SP2, apresentando relações de marchas alongadas que melhor se adaptam ao baixo peso do veículo, reduzindo um pouco o elevado nível de ruído. Este se deve principalmente à dupla carburação e ao escapamento utilizado ser igual ao dos buggies Emis. O baixo peso do carro permitia a ele um desempenho muito bom, sendo apenas meio segundo mais lento que um XR3 na aceleração de 0 a 100 km/h, sem, no entanto, consumir muito combustível.

Ao assumir a produção do Art, a Emis fez algumas alterações no modelo, como a mudança dos repetidores de seta da lateral da carroceria para o para-choque dianteiro e a troca da tampa de acesso ao motor, que inicialmente era uma peça inteiriça incluindo o para-choque traseiro e passou a ser uma pequena janela de acesso.

Ao todo foram produzidos 130  veículos pela Emis até 1987, quando a Emisul Montadora e Comercial de Veículos Ltda. assumiu a produção dos veículos Emis. Em 1991, o Art foi relançado após um redesenhos, agora com o sob o nome Minor. As principais mudanças foram uma nova dianteira, agora com faróis do Chevette, nova traseira com lanternas do Fiat Uno montadas em posição invertida. No interior, o modelo recebeu o painel atualizado do Volkswagen Gol, e perdeu os dois bancos traseiros rebatíveis que haviam sido incluídos pela Emis ao longo da primeira corrida de produção. A produção do Minor durou mais um ano, com 23 unidades produzidas.

Em 1991, o Art renasceu sob o nome Minor, e com a marca Emisul. Fonte: Lexicar Brasil [4].
Modelo
Art
Minor
Fabricante
Emis Indústria e Comércio de Veículos Ltda.
Emisul Montadora e Comercial de Veículos Ltda.
MOTOR
Localização
Traseira
Tipo
Gasolina, 4 cilindros contrapostos refrigerado a ar
Cilindrada
1584cm3
Diâmetro x Curso
85,5mm x 69,0mm
Taxa de compressão
7,5:1
7,2:1
Alimentação
Dois carburadores de corpo simples.
Potência
52 cv a 4.400 rpm (ABNT)
58 cv a 4.600 rpm (SAE)
Torque
11,2 mkgf a 2.600 rpm (ABNT)
11,2 mkgf a 2.600 rpm (SAE)
TRANSMISSÃO
Manual, tração traseira, quatro marchas.
SUSPENSÃO
Dianteira: Independente, com barras de torção em feixes, amortecedores telescópicos de simples ação pressurizada e barra estabilizadora.
Traseira: Independente, com barras de torção e semi-seixos oscilantes de cambagem fixa e amortecedores hidraúlicos de dupla ação.
DIREÇÃO Mecânica, de setor e sem-fim. Mecânica, de pinhão e cremalheira.
FREIOS
Disco sólido nas rodas dianteiras e tambor nas traseiras, com duplo circuito.
RODAS E PNEUS Rodas de aço aro 13 e pneus 155 SR13. Rodas de liga leve aro 14 e pneus Pirelli P600 185/60 HR14.
CARROCERIA E CHASSI
Carroceria de fibra de vidro laminada, duas portas, dois lugares e chassi em forma de túnel central com duas travessas para apoio da carroceria.
DIMENSÕES E PESO.
Comprimento
2650 mm
Largura
1.650 mm
1.670 mm
Distância entre-eixos
1.970 mm
1.960 mm
Peso
730 kg
575 kg
Porta-malas
Não disponível
DESEMPENHO
Velocidade máxima
137,404 km/h
145 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h
13,93 segundos
Não disponível
Consumo de combustível
10,09 km/l (em perímetro urbano)
Não disponível.
12,88 km/l (em perímetro rodoviário)
14 km/l (em perímetro rodoviário)
Preço
Cz$ 110.000,00 (em 06/1986)
Cr$ 1.600.000,00 (em 01/1991)

Fontes:

Revista Quatro Rodas, número 312, julho de 1986.
Revista Oficina Mecânica, número 54, fevereiro de 1991.
Emis Art. Disponível em:
https://sites.google.com/site/exoticcarspage/microcarros/emis-art.
Grandes Brasileiros: Emis Art. Disponível em: https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/grandes-brasileiros-emis-art/.
Emis Art. Disponível em:http://planetabuggy.com.br/classicos/emis/emisart.htm.
Emis Art. Disponível em:
http://brasilforadeserie.blogspot.com/2011/03/emis-art.html.
Orto Design. Disponível em:
http://www.lexicarbrasil.com.br/orto-design/.
Emis. Disponível em:
http://www.lexicarbrasil.com.br/emis/.
Emisul. Disponível em:
http://www.lexicarbrasil.com.br/emisul/.
Emis Art. Disponível em:http://planetabuggy.com.br/classicos/emis/emisart.htm.
Emis Art. Disponível em:
http://brasilforadeserie.blogspot.com/2011/03/emis-art.html.
Orto Design. Disponível em:
http://www.lexicarbrasil.com.br/orto-design/.
Emis. Disponível em:
http://www.lexicarbrasil.com.br/emis/.
Emisul. Disponível em:
http://www.lexicarbrasil.com.br/emisul/.

Imagens:

[1]: Retirado de: https://www.motorsportimages.com/photos/?search=nelson+piquet+dacon+828
[2]: Retirado de: Revista Quatro Rodas, número 312, julho de 1986.
[3]: Retirado de: Grandes Brasileiros: Emis Art. Disponível em: https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/grandes-brasileiros-emis-art/.
[4]: Retirado de: Emisul. Disponível em: http://www.lexicarbrasil.com.br/emisul/.

Endurance Brasil – 4 Horas de Interlagos

O final de semana dos dias 7 e 8 de setembro promete um grande espetáculo para os fãs do esporte a motor, com a realização do Racing Weekend no Autódromo Internacional José Carlos Pace. A expectativa é de que mais de 200 máquinas de diversas categorias do automobilismo nacional. Estão confirmadas provas das seguintes categorias:

  • Endurance Brasil
  • Turismo Nacional
  • Gold Classic
  • Opala 250
  • Old Stock
  • Fórmula 1600
  • Fórmula Vee
  • Fórmula Inter
  • Fórmula Academy SUDAM

Pela Endurance Brasil, a prova estava prevista para ser realizada no Velocittà, porém o local de realização foi modificado para que ao invés de competir, a categoria pudesse agregar público e mídia ao evento realizado nos 4.309 metros do Autódromo Internacional José Carlos Pace. Baseado no histórico das provas de 2017 e 2018, podemos esperar um grid com cerca de 40 carros, já que muitos competidores paulistas de categorias como a Força Livre costumam participar das etapas realizadas em Interlagos.

A pista paulista tem um longo histórico de competições de longa duração, com provas como as tradicionais Mil Milhas Brasileiras e os 500 km de São Paulo, além de provas que fizeram parte do WEC e Le Mans Series. Entre as provas de nível nacional, predominam as vitórias de modelos Gran Turismo, porém os protótipos da categoria P1 pintam como favoritos após três vitórias em quatro provas nessa temporada.

O recorde absoluto da pista é de 1m07s281, estabelecido por Lewis Hamilton no treino classificatório para o GP do Brasil do ano passado. Dentre as categorias brasileiras, o recorde é de Matheus Iorio pela Fórmula 3, com um tempo de 1m28s129, que tem grandes chances de ser quebrado nessa prova.

Após a chuvarada da etapa do Velopark, o clima parece que vai colaborar para o evento, com previsão de temperaturas moderadas e baixa chance de chuva durante todo o final de semana.

Programação do Final de Semana

05 de setembro – Quinta-feira

08h00 às 08h40 – Primeiro Treino Livre Fórmula
08h40 às 10h30 – Primeiro Treino Livre Turismo
10h30 às 11h10 – Segundo Treino Livre Fórmula
11h10 às 11h55 – Terceiro Treino Livre Fórmula
12h00 às 13h40 – Segundo Treino Livre Turismo
13h40 às 14h40 – Primeiro Treino Livre Endurance
14h40 às 16h30 – Terceiro Treino Livre Turismo
16h30 às 17h00 – Quarto Treino Livre Fórmula
17h00 às 18h00 – Segundo Treino Livre Endurance

06 de setembro – Sexta-feira

07h30 às 07h55 – 1º Treino Livre Fórmula Inter + Fórmula Academy SUDAM
08h00 às 08h30 – 1º Treino Livre Gold Classic
09h15 às 10h15 – 1º Treino Livre Endurance Brasil
10h20 às 10h50 – 1º Treino Livre Fórmula Vee + Fórmula 1.600
10h55 às 11h25 – 2º Treino Livre Gold Classic
11h30 às 12h15 – 2º Treino Livre Turismo Nacional
12h20 às 13h05 – 2º Treino Livre Endurance Brasil
13h15 às 13h45 – 2º Treino Livre Fórmula Vee + Fórmula 1.600
13h50 às 14h20 – 3º Treino Livre Gold Classic
14h25 às 15h15 – 3º Treino Livre Turismo Nacional
15h20 às 16h20 – 3º Treino Livre Endurance Brasil
16h30 às 16h55 – 2º Treino Livre Fórmula Inter + Fórmula Academy SUDAM
17h00 às 17h10 – Classificatório Grupo 1 Gold Classic
17h15 às 17h25 – Classificatório Grupo 2 Gold Classic
17h30 às 17h45 – Classificatório Endurance Brasil
17h45 às 18h00 – Classificatório Endurance Brasil
18h00 às 18h15 – Classificatório Endurance Brasil
19h30 às 20h30 – 4º Treino Livre Noturno Endurance Brasil

07 de setembro – Sábado

07h30 às 07h45 – Classificatório G1 Fórmula Inter + Fórmula Academy SUDAM
07h50 às 08h05 – Classificatório Fórmula Vee + Fórmula 1.600
08h10 às 08h20 – Classificatório Classe 1 Turismo Nacional
08h25 às 08h35 – Classificatório Classe 2 Turismo Nacional
08h45 às 08h50 – Abertura dos boxes Prova 1 Gold Classic
08h50 às 09h20 – Prova 1 Gold Classic
09h40 às 09h45 – Abertura dos boxes Prova 1 Fórmula Vee + Fórmula 1.600
09h45 às 10h15 –Prova 1 Fórmula Vee + Fórmula 1.600
10h30 às 10h35 – Abertura dos boxes Classe 1 Turismo Nacional
10h35 às 10h40 – Placa de 5 minutos Classe 1 Turismo Nacional
10h40 às 11h00 – Prova 1 Classe 1 Turismo Nacional
11h05 às 11h10 – Placa de 5 minutos Classe 1 Turismo Nacional
11h10 às 11h30 – Prova 2 Classe 1 Turismo Nacional
11h40 às 11h45 – Abertura dos boxes Classe 2 Turismo Nacional
11h45 às 11h50 – Placa de 5 minutos Classe 2 Turismo Nacional
11h50 às 12h10 – Prova 1 Classe 2 Turismo Nacional
12h15 às 12h20 – Placa de 5 minutos Classe 2 Turismo Nacional
12h20 às 12h40 – Prova 2 Classe 2 Turismo Nacional
12h50 às 13h05 – Classificatório G1 Fórmula Inter + Fórmula Academy
13h10 às 13h50 – Treino Livre Opala 250SUDAM
13h55 às 14h25 – Warm Up Endurance Brasil
14h30 às 14h35 – Abertura dos boxes Gold Classic
14h35 às 15h05 – Prova 2 Gold Classic
15h10 às 15h15 – Abertura dos boxes Prova 2 Fórmula Vee + Fórmula 1.600
15h15 às 15h45 – Prova 2 Fórmula Vee + Fórmula 1.600
15h45 às 16h30 – Promocional Endurance Brasil
16h30 às 16h40 – Abertura dos boxes Endurance Brasil
16h40 às 16h45 – Placa de 5 minutos Endurance Brasil
16h42 às 16h45 – Volta de Apresentação Endurance Brasil
16h45 às 20h45 – 4 Horas de Interlagos
21h00 às 22h00 – Rallye Clássicos e Modernos
22h00 às 00h00 – Track Day Night

08 de setembro – Domingo

07h30 às 08h00 – Treino/Classificatório Clássicos de Competição
08h05 às 08h25 – Classificatório Opala 250
08h30 às 08h35 – Abertura dos boxes Prova 1 Fórmula Inter
08h35 às 09h00 – Prova 1 Fórmula Inter
09h10 às 09h15 – Abertura dos boxes Classe 1 Turismo Nacional
09h15 às 09h20 – Placa de 5 minutos Classe 1 Turismo Nacional
09h20 às 09h40 – Prova 1 Classe 1 Turismo Nacional
09h50 às 09h55 – Placa de 5 minutos Classe 1 Turismo Nacional
09h55 às 10h15 – Prova 2 Classe 1 Turismo Nacional
10h25 às 10h30 – Abertura dos boxes Classe 2 Turismo Nacional
10h30 às 10h35 – Placa de 5 minutos Classe 2 Turismo Nacional
10h35 às 10h55 – Prova 1 Classe 2 Turismo Nacional
11h05 às 11h10 – Placa de 5 minutos Classe 2 Turismo Nacional
11h10 às 11h30 – Prova 2 Classe 2 Turismo Nacional
11h40 às 11h45 – Abertura dos boxes Prova 1 Fórmula Academy SUDAM
11h45 às 12h10 – Prova 1 Fórmula Academy SUDAM
12h20 às 12h25 – Abertura dos boxes Prova 1 Opala 250
12h25 às 12h55 – Prova 1 Opala 250
13h05 às 13h10 – Abertura dos boxes Clássicos de Competição
13h10 às 13h40 – Prova Clássicos de Competição
13h55 às 14h00 – Abertura dos boxes Prova 2 Fórmula Inter
14h00 às 14h25 – Prova 2 Fórmula Inter
14h35 às 14h40 – Abertura dos boxes Prova 2 Fórmula Academy SUDAM
14h40 às 15h05 – Prova 2 Fórmula Academy SUDAM
15h10 às 15h15 – Abertura dos boxes Prova 2 Opala 250
15h15 às 15h45 – Prova 2 Opala 250
16h00 às 18h00 – Time Attack

Para quem desejar comparecer ao evento, as arquibancadas terão entrada livre, enquanto os ingressos para o camarote podem ser encontrados no Sympla, a um preço de R$ 200 por entrada. Aqueles que quiserem acompanhar online podem fazê-lo pelo canal do YouTube da Endurance Brasil, pelo Facebook ou pelo site da categoria.

Papo de paddock

Nas últimas semanas temos muitas novidades sobre novos participantes, provas e mudanças no Endurance Brasil, tanto para a temporada atual quanto para o próximo ano.

Primeiro, foi anunciada uma nova mudança no calendário, com a sexta etapa que era prevista para acontecer em Santa Cruz do Sul sendo transferida para Goiânia.

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⚠️ Te liga nas alterações 🏁

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Dentre os competidores, a principal novidade é a mudança do carro #88, vencedor da primeira etapa e que aparecer em Interlagos com nova pintura e carregando o número 43 de Vicente Orige, que será acompanhado pelos pilotos Raphael Campos e Gustavo Martins.

Já nesta etapa, é prevista a estréia de facto do protótipo Roco 001-Hayabusa, desenvolvido por Robbi Perez e Jose Cordova. O modelo, que chegou a treinar na etapa de Goiânia passou por extensivo programa de treinos e agora promete estar pronto para competir pela categoria P3, conforme informações do Velocidade Curitiba.

Mudança também para Henry Visconde, que vinha competindo na categoria GT4 com o Audi RS3 TCR #63, que porém não era capaz de manter o mesmo ritmo dos Mercedes e Ginettas GT4. Para a quinta etapa, a equipe Eurobike trará de volta a BMW M3 E92 GTR V8 com a qual o piloto competiu na temporada 2017 da Endurance Brasil.

A Bana Racing também promete voltar às pistas, talvez já na etapa de Interlagos, com o sempre veloz Predador-Audi Turbo #35 da categoria P2.

A AVMotorsports recentemente anunciou que a estréia do protótipo Pegaso R, prevista para esta etapa, será postergada para a temporada 2020. Enquanto isso, a equipe adquiriu um protótipo Spyder com motorização Subaru, que deve competir na categoria P4 à partir da etapa de Santa Cruz do Sul, para ganhar experiência com a dinâmica das competições de Endurance.

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No último dia 23 de julho, nosso piloto e chefe de equipe teve a hora e o prazer de apresentar o projeto da construção do Pegaso R aos pais do único carro de Fórmula 1 Brasileiro, o ex piloto Wilson Fittipaldi Jr. e ao projetista Ricardo Divila. Segundo palavras dos dois: "Que carro e que projeto". Nossa programação de finalização do carro era neste mês de agosto e a estreia no dia 07 de setembro. Após muito papo e muita análise e respeitando muito essas duas lendas, decidimos dar continuidade construção do carro, mesmo pq recebemos um feedback positivo e que estamos no caminho certo, porém foi recomendado a nós fazermos as coisas com calma para não cometermos erros. Assim sendo compramos um Spyder para treinar a equipe e aprendermos mais sobre as corridas de Endurance a estreia do Pegaso R ficará 2020. Vamos a todo vapor para refazer o nosso Spyder do zero com as melhores peças e no futuro muito proximo esse carro servirá de escola para novos pilotos no Endurance. "Foi uma honra ter nosso carro analisado pelo Ricardo, tenho uma amizade com Wilson há 25 anos. Porém o Ricardo conheci pessoalmente esse mês e a sinergia foi sensacional além disso me senti lisonjeado quando o Ricardo me pediu para fazer alguns desenhos de suspensao para ele", comenta Andrey Valerio. Iremos postar toda a reconstrução do Spyder, nossa preparação e nossas participação nas corridas do Endurance Brasil em 2019, a previsão para a nossa primeira corrida é partir da etapa de Santa Cruz do Sul / RS no dia na categoria P4. #automobilismo #racing #motorsport #race #interlagos #brasil #automobilismobrasil #corrida #formula1 #stockcar #wec #imsa #elms #imperioendurancebrasil #unip #unipribeiraopreto #engenhariamecanica #patrocinio #sponsorship #sportprototipo #racingcar #racecarengeering #avmotosports #blackbrasil #thegentlemandrive #fia

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Além disso, a equipe paulista anunciou o piloto Charles Camargo como reforço para as 6 Horas de Interlagos, prova que será disputada no dia 22 de dezembro.

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Charles Camargo, novo piloto da AVMotorsports. Ele irá dividir o cockpit de nosso carro nas 6 horas de Interlagos no dia 22 de dezembro na 8a. Etapa do Campeonato Brasileiro de Endurance. "Dividir o carro e ser chefe de equipe do Charles será uma grande honra, ele se mostrou extremamente rápido nos treinos e nas corridas de Fórmula Vee, me impressiona nele o foco e a dedicação", comenta Andrey Valerio, piloto e chefe de equipe da AVMotorsports. O piloto Charles Camargo tem o seu gerenciamento de carreira feito pela empresa LRM. "Fiquei extremamente contente com o vinda do Charles, isso é prova do reconhecimento e confiança da LRM no trabalho que estamos fazendo seja no Endurance, como o meu trabalho em outras categoria. Esse será um primeiro teste para sermos a equipe parceira da LRM nas provas de Endurance", complementa Andrey Valerio. Os trabalhos não param, além da preparação do carro para a estreia na corrida de Santa Cruz do Sul no dia 12/10, as negociações para a terceira vaga no carro para as 6 horas de Interlagos está muito bem avançada. "O piloto que estamos negociando a outra vaga está sendo uma revelação em 2019, fizemos uma carta convite a ele, e se conseguirmos finalizar alguns trâmites burocráticos ele completará o trio do nosso carro, será outra grande alegria porque faremos história e mudaremos alguns conceitos das corridas de Endurance", diz nosso chefe de equipe. #automobilismo #racing #motorsport #race #interlagos #brasil #automobilismobrasil #corrida #formula1 #stockcar #wec #imsa #elms #imperioendurancebrasil #unip #unipribeiraopreto #engenhariamecanica #patrocinio #sponsorship #sportprototipo #racingcar #racecarengeering #avmotosports #blackbrasil #thegentlemandrive #fia

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Outra novidade, agora para a temporada 2020 é a possível volta das Mil Milhas Brasileiras. O assunto ainda está em discussão com a CBA e a FASP, mas planeja-se que a prova ainda no primeiro semestre de 2020, com possibilidade de contar como etapa do Endurance Brasil, conforme apurado pelo Racemotor (link nas referências).

Largada Mil Milhas Brasileiras

Mais uma novidade, que também deve ficar para a próxima temporada é o retorno da Puma Automóveis às ruas e também às pistas. Atualmente os responsáveis pelo renascimento da marca estão trabalhando em duas frentes: uma é o modelo P053 para as ruas, e outra o P052 para as pistas (link para o site da nova Puma nas referências).

Puma P052

O modelo de competição ainda está em fase de testes, pelas mãos do piloto Gabriel Maia, e atualmente conta com um motor EA111 1.6 8V, com cerca de 140 cv, aliado a uma transmissão manual de 5 marchas VW. Segundo a Puma, esse powertrain está sendo utilizado apenas na fase inicial de teste, e será substituído por um de melhor desempenho na versão final do carro. Ainda assim, a estrutura tubular garante um baixo peso e a aerodinâmica a boa estabilidade, como pode ser visto no vídeo abaixo, onde mesmo com pneus radiais o P052 consegue acompanhar o protótipo Spyder no contorno do S do Senna:

Ligier JS P3 LMP3

Novas informações também surgiram sobre a chegada de um ou mais modelos Ligier JS P3 ao Brasil. Emergiu que a Oreca Dealer Brasil (representante da marca francesa no Brasil) também conseguiu os direitos de representação dos modelos Ligier no país, e hoje têm duas unidades do protótipo à disposição. A um custo de aquisição próximo ao de um GT3, com certeza são uma opção muito interessante para competidores buscando entrar na disputa por vitórias no campeonato brasileiro. Na área de referências ao fim da reportagem você pode encontrar o link para a reportagem completao do site Ecoesporte.

Chevy Monte Carlo Late Model

Outra opção de bólido disponível no país e que poderia fazer parte das competições do Endurance Brasil é o protótipo Super V8, um legítimo stock car Chevy Monte Carlo, enquadrado no regulamento super late model americano. Apesar de ser um modelo desenvolvido inicialmente para competições em ovais, não é incomum a presença desse tipo de carro em competições em circuitos mistos, muitas vezes dando trabalho para GTs e protótipos. Com estrutura tubular, peso por volta de 1.250 kg e mais de 600 HP de motores V8 big block. Hoje o regulamento não prevê a entrada este tipo de carro, mas não é difícil imaginar que caso haja alguma equipe interessada, o modelo possa ser incluído em uma das categorias, provavelmente na categoria GT3 Light, que hoje já permite a inscrição de carros da Stock Car. Por enquanto, tal qual o Puma, o Super V8 segue em teste competindo em algumas provas da categoria Força Livre do campeonato paulista de automobilismo (link para o site da Super V8 nas referências).

Por fim, na transmissão da última etapa o piloto Marcel Visconde deixou escapar que o ciclo de vida do Porsche 911 GT3 R da equipe chega ao final nesse ano, e que a Stuttgart já está de olho em um novo modelo para a temporada 2020. Atualmente a Stuttgart/Eurobike é representante de marcas como Porsche, Audi, BMW e McLaren no Brasil. As duas opções com maior probabilidade de chegar na próxima temporada seriam os modelos Porsche 911 GT3 R (991-2) e McLaren 720S GT3, ambos lançados na atual temporada.

Porsche 911 GT3 R Evo
McLaren 720S GT3

Em alternativa, poderia ser trazido ainda o Audi R8 LMS GT3 Evo, que também foi recentemente apresentado no Salão de Paris.

Audi R8 LMS GT3 Evo

Fontes

Mil Milhas podem voltar ao calendário já em 2020. Disponível em:
https://racemotor.com.br/2019/08/21/mil-milhas-pode-voltar-ao-calendario-brasileiro-ja-em-2020/

Puma Automóveis: Disponível em: http://novo.pumaautomoveis.com.br/

O Brasil na era das supermáquinas – Supermáquinas a caminho do Brasil? Disponível em: https://ecoesporte.com.br/o-brasil-na-era-da-super-maquinas-super-maquinas-a-caminho-do-brasil/

Super V8. Disponível em: https://www.superv8.com.br/

Resumo – 3 Horas do Velopark

Novamente as máquinas mais rápidas do Brasil voltaram as pistas, dessa vez para disputar a quarta etapa do Império Endurance Brasil 2019, no autódromo Velopark. Para complicar ainda mais a disputa, a chuva deu as caras no circuito gaúcho, praticamente fechando a pista na sexta-feira à tarde. Com isso, o treino classificatório foi movido para a manhã do sábado, pouco antes da largada da corrida. Quem se deu melhor foi a dupla Pedro Queirolo e David Muffato do AJR #113, que cravaram a primeira sua primeira pole na temporada, com o tempo de 48scom o tempo de 48s388, novo recorde de volta da pista de 2.278 metros. Em segundo ficou o trio Henrique Assunção, Luiz Floss e Emílio Padrón, que apesar de ter reconstruído seu AJR #11 a tempo da etapa gaúcha, não conseguiu colocar o carro na pista por falta de um componente elétrico. Na terceira posição ficou o trio Vicente Orige, Tarso Marques e Gustavo Martins, também de AJR, seguidos pelo AJR #5 da equipe MC Tubarão. Pela GT3, a pole ficou com Chico Longo e Marcos Gomes, já que Daniel Serra não pôde participar da prova por estar disputando as 24 Horas de Spa-Francorchamps. Em segundo da GT3 ficou da dupla da Mercedes AMG #08 Guilherme Figuerôa e Julio Campos, com o Porsche de Ricardo Maurício e Marcel Visconde na terceira posição.

Pela categoria P2, pole de Stuart Turvey e Renato Turelli com o protótipo Scorpion-Hayabusa Turbo, enquanto na P3 houve um acontecimento raro: o MRX #75 e #72 cravaram exatamente o mesmo melhor tempo de 54s816, empatando na pole da categoria. O desempate foi realizado pelo critério de quem postou a volta primeira, e com isso ficou definida a pole para Henrique Assunção, Emílio Padrón e Fernando Fortes.

Resultado do treino classificatório para as 3 Horas do Velopark.

Na largada, destaque para Vicente Orige que pulou da terceira para a primeira posição após poucas curvas, bem como para a Ginetta G57, que pulou de oitavo para o quinto posto. Na segunda volta Pedro Queirolo começou a colocar pressão sobre o piloto do AJR #88, num momento quem que o tráfego de retardátarios já era pesado, o que levou Orige a errar ao negociar uma ultrapassagem sobre a Mercedes GT4 de Leandro Ferrari, cedendo a primeira posição para o AJR #113.

Enquanto isso, na GT3, o pega era bom pela primeira posição, com os quatro carros da categoria disputando cada curva em meio aos retardatários.

Outro destaque do início da prova foi o AJR #65, pois após largar apenas na 28ª posição o piloto José Roberto Ribeiro fez uma corrida de recuperação incrível, e com 5 voltas já estava na décima posição. A prova seguiu sem maiores incidentes até a volta 25, quando um toque com a Mercedes AMG GT3 #08 fez com que a Ferrari 488 GT3 de Chico Longo rodasse, furando o pneu traseiro esquerdo no processo.

Na volta 34 foi a vez do Porsche #55 de Marcel Visconde perder a roda traseira esquerda, que se soltou, deixando momentaneamente a disputa da categoria GT3 para as duas Mercedes.

Na volta 37, mais um carro com problema nos pneus traseiros, dessa vez o protótipo GeeBee R1 de Ney Faustini. Ao mesmo tempo, o protótipo MC Tubarão 32 de Paulo Sousa ficou parado em posição perigosa na pista, o que levou à primeira aparição do Safety Car na prova, coincidindo com a abertura da primeira janela de paradas obrigatórias, o que levou a maioria dos competidores aos boxes.

Na relargada, Tarso Marques que vinha na segunda posição não conseguiu freiar no fim da reta principal, cortando a curva pelo gramado e rodando próximo a saída dos boxes, motivando a segunda aparição do Safety Car. Nesse momento enfrentaram problemas também o Ginetta #20 que sofreu a quebra de uma junta homocinética e teve de ser rebocado para os boxes. O Safety Car também movimentou a prova, pois o AJR #113 recebeu um drive through como punição por ter ultrapassado o carro de segurança. Dessa forma, o AJR #5 de Andersom Toso herdou a primeira colocação, porém um problema mecânico fez com que o protótipo gaúcho abandonasse a prova.

Na volta 74, nova entrada do Safety Car, dessa vez para o resgate do MRX #44 de Ruben Ghisleni. Trabalho feito, nova relargada dessa vez sem emoções, já que o AJR#113, novamente na liderança, ficou posicionado de forma que diversos retardatários o separavam do AJR #175 que vinha na segunda colocação. A prova prosseguiu tranquila até a marca das duas horas, quando o AJR #80 de Rafael Suzuki começou a pegar fogo próximo da reta dos boxes.

O piloto da equipe Kia Power Imports conseguiu sair sem se ferir, porém deve ser dada atenção à lentidão da ação de combate ao fogo realizada pela equipe de bombeiros do Velopark, que demorou a se mobilizar, e quando o fez, agiu de forma desordenada derrubando um dos extintores dentro da barreira de pneus, e pior ainda, dois dos extintores não conseguiram ser acionados, enquanto o carro era consumido pelas chamas. Isso tudo numa posição próxima à entrada dos boxes, que deveria ser uma das de mais fácil acesso. Por bem fica o prejuízo financeiro à equipe catarinense, porém deve se manter o alerta, pois o caso poderia ter sido bem diferente caso o piloto não conseguisse sair a tempo do carro.

Ao mesmo tempo, e no mesmo ponto da pista, o carro de Luiz Floss, Henrique Assunção e Emilio Padròn também ficou parado. O AJR #175 vinha com bom ritmo tentando descontar a volta de desvantagem em relação aos líderes, porém a quebra de uma junta homocinética representou fim de prova para o carro da Império JLM Motorsport.

Com esse incidente, uma ocorreu nova entrada do safety car, e os competidores aproveitaram o momento para realizar a última parada obrigatória da corrida. Na relargada, o destaque ficou para a categoria GT3, primeiro com a briga pela segunda colocação geral e vitória na categoria entre a Mercedes #09 pilotada por Xandy Negrão, e a Mercedes #08 pilotada por Júlio Campos, onde o último levou a melhor.

Destaque também para a bela briga entre Ricardo Maurício e Marcos Gomes pela terceira colocação na categoria GT3, onde o piloto do Porsche #55 defendeu-se bravamente das investidas da Ferrari #19 pelos últimos 25 minutos de prova. Por fim, ficou confirmada a vitória de David Muffato e Pedro Queirolo, que conseguiu passar pela prova sem grandes incidentes, o que não tira o mérito da dupla, que fez barba, cabelo e bigode na prova do Velopark, com pole-position, vitória e melhor volta da prova.

Fica o registro de mais uma bela prova da categoria, e também da transmissão ao vivo, que se manteve estável e com boa qualidade. Agora começa a contagem para a próxima etapa, que será disputada no dia 7 de setembro em Interlagos, em conjunto com provas da Gold Classic e da Turismo Nacional, no que promete ser o grande espetáculo da velocidade do ano.

Protótipos do Endurance Brasileiro

As corridas de longa duração têm lugar especial nas mentes dos fãs de automobilismo, por representarem um desafio não só de velocidade, mas também de resistência e capacidade de adaptação para automóveis e pilotos. Provas como Le Mans, Daytona e Sebring evocam históras épicas de máquinas e pessoas superando limites em busca da posição mais alta do pódio. Também pela sua natureza, esse tipo de competição envolve a participação tanto de carros de rua adaptados quanto de modelos concebidos com apenas o objetivo de vencer as provas, chamados comumente de protótipos.

Protótipos do grid das 24 Horas de Le Mans de 2015.

O Brasil também tem um longo histórico desse tipo de competição, traçando raízes em provas como as Mil Milhas, concebidas pelo barão Wilson Fittipaldi (pai de Emerson e Wilson Jr) e Eloy Gogliano, inspirados pela homônima Mille Miglia italiana. Hoje, essa tradição vive na forma do Império Endurance Brasil, que na temporada 2019 se firma como o campeonato de maior nível técnico dessa modalidade no Brasil.

Largada da etapa de Santa Cruz do Sul do Endurance Brasil.

Nas temporadas 2017 e 2018, os holofotes estiveram voltados para os belos GT3 importados, como Porsche 911 e Lamborghini Huracàn, carros que além de velozes se mostraram muito confiáveis, duas características essenciais para as provas de Endurance. Esse cenário, contudo, começou a mudar com a chegada de uma nova geração de protótipos nacionais e importados, que estão gradativamente mudando esse equilíbrio de forças, e em 2019 são os francos favoritos a vitória na classificação geral, acumulando duas vitórias nas três primeiras provas do campeonato.

Quando comparado a campeonatos internacionais de esporte-protótipos, o Endurance Brasil conta com um regulamento bem mais liberal, limitando apenas o peso e a capacidade do tanque em relação a cilindrada e ao tipo de aspiração dos motores, além daquelas relacionadas à segurança. Itens como transmissões, chassis e aerodinâmica não são regulamentados, o que contrasta diametralmente com campeonatos como WEC e IMSA, onde o regulamento técnico rege diversas características como dimensões do veículo, tipos de elementos aerodinâmicos permitidos e suas dimensões, consumo de combustível, entre outros. O efeito dessa diferença de regulamento pode ser visto no design dos modelos que competem no campeonato brasileiro.

Por exemplo, o regulamento do WEC prevê que o cockpit deve ter espaço suficiente para o piloto e um passageiro, e que o piloto deve estar em uma posição deslocada, seja para a direita ou seja para a esquerda, pois segundo a FIA/ACO isso é parte da definição de um carro esporte…. Enquanto isso, nos protótipos brasileiros o piloto pode ficar em posição central, e não há necessidade de garantir o espaço para dois ocupantes na cabine, o que permite um design mais compacto e eficiente aerodinamicamente, reduzindo a área frontal, e que também permite uma posição com melhor visibilidade, similar a um Fórmula. Outro exemplo de requerimento do WEC é que nenhuma parte mecânica pode ser visível nas vistas frontal, traseira ou superior, e novamente isso não existe no regulamento do Endurance Brasil.

O resultado é que hoje a categoria P1 do Endurance Brasil é,  guardadas as proporções, quase um Can-Am moderno com grande liberdade técnica e variedade de filosofias de design. Ao mesmo tempo, o regulamento técnico da temporada 2019 previne a utilização de motores empregados nas categorias LMP1/2 como medida de contenção de custos, e o regulamento esportivo prevê que caso um carro se torne dominante penalizações e alterações técnicas sejam implementadas para equilibrar a disputa.

Nessa série de postagens irei apresentar os principais modelos do certame da Endurance Brasil, e analisar as principais características técnicas de cada um deles. Clicando nas imagens abaixo você poderá acessar os artigos sobre cada um desses modelos (quando eles forem disponibilizados).

MCR Grand-Am
Metalmoro JLM AJR
Sigma P1
Ginetta G57 P2
DTR 01