1000 Milhas do Brasil 2020

A temporada que se inicia promete muito para o Endurance brasileiro. Enquanto aguardamos a divulgação do calendário 2020 da Endurance Brasil, a pré-temporada promete muito com o retorno da prova mais tradicional do automobilismo nacional, as Mil Milhas Brasileiras. Realizada pela primeira vez em 1956, a prova foi inspirada pela Mille Miglia italiana, por iniciativa de Wilson Fittipaldi (pai de dos pilotos Emerson e Wilson Fittipaldi) e de Eloy Gogliano, presidente do Centauro Motor Clube. Durante sua história a prova foi realizada sempre no Autódromo de Interlagos, à exceção de duas edições: a de 1997, realizada no Autódromo de Brasília, e a de 1999, realizada no Autódromo de Curitiba, e a última edição foi realizada 12 anos atrás, com vitória de Max Wilson, Raul Boesel e Marcel Visconde.

Polêmica com o Centauro Motor Clube

Faltando cinco dias para a realização das Mil Milhas Brasil 2020, é hora de conhecermos as categorias da prova. O regulamento técnico e desportivo foi todo baseado no regulamento do Império Endurance Brasil de 2019, o que parece uma decisão bem lógica: ao mesmo tempo em que simplifica o trabalho do organizador ao adotar uma fórmula que faz sucesso no momento, permite atrair pilotos e equipes do brasileiro.

Categorias de Esporte-protótipos

Categorias de carros Turismo e Gran Turismo

Programação da Prova

Dia 12 de Fevereiro de 2020 – Quarta feira

08h00 às 18h00 – Acesso das equipes aos Boxes reservados Montagens gerais
14h00 às 17h00 – Secretaria – procedimentos administrativos Inscrições Combustível

Dia 13 de Fevereiro de 2020 – Quinta feira

08h00 às 22h00 – Secretaria / Inscrições / Combustível
08h00 às 12h00 – Vistoria nos boxes – Todas as Categorias
11h00 – Briefing – Pilotos e Equipes
13h00 às 14h00 – Treino Livre – Todas as Categorias
15h00 às 16h00 – Treino Livre – Todas as Categorias
17h00 às 18h00 – Treino Livre – Todas as Categorias
20h00 às 22h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias

Dia 14 de Fevereiro de 2020 – Sexta feira

08h00 às 22h00 – Secretaria / Inscrições / Combustível
13h00 às 14h00 – Treino Livre – Todas as Categorias
14h30 às 14h55 – Classificação – PN 1 e PN 2
15h00 às 15h25 – Classificação – TN 1 e TN 2 e TN3
15h30 às 15h55 – Classificação – P2, P3 E P4
16h00 às 16h25 – Classificação – GT4
16h30 às 16h55 – Classificação – GT3
17h00 às 17h25 – Classificação – P1
19h00 às 20h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias
21h00 às 22h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias

Dias 15 e 16 de Fevereiro de 2020 – Sábado e Domingo

13h00 – Abertura da Secretaria Combustível
14h00 às 18h40 – Evento Suporte – Fórmula Vee
20h00 às 20h30 – Warm Up – Todas as Categorias
20h45 às 21h45 – Torneio Interlagos de Regularidade
21h00 às 22h30 – VISITAÇÃO AOS BOXES
23h30 – Abertura de Boxes
23h45 – Fechamento dos Boxes
23h50 – Execução Hino Nacional Brasileiro (Todas as Equipes perfiladas atrás de seus carros)
23h55 – Placa de 5 minutos
00h00 – LARGADA 1000 MILHAS DO BRASIL 2020
19h00 às 20h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias
21h00 às 22h00 – Treino Livre NOTURNO – Todas as Categorias
11h00 – Pódio para todas as Categorias

Lista de Inscritos

Categoria GT3 (1 carro)
#19 Ferrari 488 GT3 ou Lamborghini Huracàn GT3 – Chico Longo / ? (Via Itália Racing)
#77 Chevrolet Vectra Stock Car – Esdras Soares / Juarez Soares / Leandro de Almeida (2 Go Racing)

Categoria P2 (1 carro)
#32 MC Tubarão IX-Duratec Turbo – Mauro Kern / Paulo Sousa / Geciel de Andrade

Categoria GT3 Light (1 carro)
#25 Chevrolet Cobalt Stock Car – Ney Faustini / Ney de Sá Faustini / Marcos Phillip (Absoluta Racing)

Categoria P3 (3 carros)
#9 GT Race Cars GeeBee R3-Opel 16V – ? (F/Promo Endurance)
#56 Metalmoro MRX-Honda 20V – Rafael Simon / Gustavo Simon / Rafael Cardoso / Sérgio Cardoso (Motorcar Racing)
#72 Metalmoro MRX-Opel 16V – Carlos Antunes / Yuri Antunes / Lucas Marotta / Mauro Auricchio (Dobilas Racing)
#91 Metalmoro MCR-Volkswagen 8V – Marcelo Servidone / Jorge Machado / Nenê Finotti (LF Servidone Racing)

Categoria GT4
#16 Ginetta G55 GT4 – Esio Vichiesi / Renan Guerra / Stuart Turvey (Stillux Racing Team)
#20 Mercedes-Benz AMG GT4 – Leandro Ferrari / Flávio Abrunhoza / Marcelo Brisac / Renato Braga (Autlog Racing)

Categoria P4 (2 carros)
#17 PW1 Spyder-Volkswagen 8V – ? (HT Guerra)
#73 Aldee Spyder-Volkswagen 8V – José Vilela / Sergio “Pipa” Cardoso / Tinoco Soares (LT Team)
#74 Aldee Spyder-Volkswagen 8V – Sérgio Martinez / Eduardo Almeida / Luiz César Oliveira (LT Team)

Categoria TN3 (1 carro)
#9 Chevrolet Omega Stock Car – Ciro Paciello / Evandro Camargo / Álvaro Vilhena (Big Power)

Treino Classificatório

O treino classificatório das 1000 Milhas foi realizado em bateria única com todos os carros na pista. O grid, apesar de magro (12 carros), tem boa qualidade técnica com diversos carros e pilotos vencedores no Endurance Brasil e em provas importantes como as 12 Horas de Tarumã e as 500 Milhas de Londrina. No final, a pole ficou com um dos favoritos à vitória, o protótipo Tubarão IX de Paulo Sousa, Mauro Kern e Tiel de Andrade, com um tempo de 1m36s460, e que poderia ser melhor caso não houvesse ocorrido um problema na ignição durante os treinos. Outro dos favoritos entre os protótipos, o MRX #56 sequer classificou após uma quebra do diferencial, problema já resolvido. Abaixo você vê o grid completo, com os tempos da tomada de classificação

Onde acompanhar

A largada da prova será transmitida ao vivo pela Fox Sport, à partir das 00h do dia 15/fev, e também haverá cobertura pela Facebook da prova. A cronometragem está a cargo da Cronomap, e o live timing pode ser acompanhado também pelo Race Hero e pelo Race Monitor.

Corrida

A expectativa para as Mil Milhas era que o protótipo Tubarão IX disparace na dianteira, enquanto os Mercedes e Ginetta GT4 seguiriam de longe, esperando que algum problema atrasasse o protótipo gaúcho. E foi isso que aconteceu: com cerca de 1 hora de prova o carro #32 de Geciel de Andrade foi para os boxes com um problema mecânico, deixando a disputa para os modelos GT4. Sofrendo uma quebra de correia dentada, o motor do Tubarão sofreu que não puderam ser reparados, resultando no abandono da prova.

Ainda assim a prova não caiu na monotonia: por cerca de 6 horas os carros #16 e #22 se alternaram na liderança, porém um problema nos freios fez com que o Mercedes perdesse muito tempo no boxes, e o GT inglês abriu uma confortável vantagem de 6 voltas. A equipe Autlog ainda conseguiu descontar 1 volta da desvantagem, porém entrando na hora final da prova ficou claro que apenas um problema mecânico tiraria a vitória da Ginetta. No fim da prova, se confirmaram como campeões das Mil Milhas 2020 o trio composto por Esio Vichiesi, Renan Guerra e Stuart Turvey, seguidos por Leandro Ferrari, Flávio Abrunhoza, Marcelo Brisac e Renato Braga.

Na terceira colocação ficou o MRX #56 de Rafael Simon, Gustavo Simon, Rafael Cardoso e Maninho Cardoso. Em quarto lugar veio o valente Spyder #73 da equipr LT Team, com José Vilela, Pipa Cardoso e Tinoco Soares. Fechou o pódio na geral o Omega Stock Car #9 da equipe Big Power, pilotado por Ciro Paccielo, Evandro Camargo e Álvaro Vilhena (resultado que poderia ser melhor caso a equipe não tivesse preciso trocar o diferencial durante a parte noturna da prova).

Abaixo você confere o resultado final das 1000 Milhas do Brasil 2020:

O retorno das Mil Milhas infelizmente não teve o brilho que a história da prova merece. Não acredito que o problema tenha sido uma falha da organização, pois os principais pontos para uma prova de sucesso foram proporcionados:

  • Regulamento: foi utilizado como base o regulamento do Império Endurance Brasil, categoria da modalidade que têm apresentado grids muito bons já há vários anos, incluindo categorias para modelos de turismo e protótipos que competem em outras categorias como a Turismo Nacional ou Força Livre Paulista;
  • Organização: ao menos aparentemente a prova teve uma organização bem conduzida, contando com bons eventos de suporte como a Fórmula Vee e um torneio de regularidade disputado em conjunto com as Mil Milhas;
  • Cobertura: também foi proporcionada cobertura ampla pela internet, com transmissão ao vivo pelo portal High Speed, Facebook e YouTube, além da transmissão da primeira e última horas de prova pelo canal Fox Sports 2;
  • Tempo: entre a divulgação do regulamento e data da prova e a realização das 1000 Milhas se passaram praticamente 4 meses e meio, tempo razoável para que as equipes pudessem se organizar e buscar patrocínios (ainda que nesse ponto eu concorde que um prazo maior teria feito bem para equipes menores pudessem se programar para uma prova que, seguramente, tem custo bem elevado).

Infelizmente me parece que o que faltou mesmo foi comprometimento de equipes e pilotos com a prova, talvez por que não acreditassem que as Mil Milhas sairiam do papel. Mesmo com as dificuldades e o grid magro, foi importante que a prova retornasse ao calendário do automobilismo brasileiro, e fica a torcida para que a Elione Queiroz e todo o time que trabalhou para as Mil Milhas 2020 não percam o ânimo e de que a prova volte a ser realizada em 2021. Com certeza, com mais tempo para que as equipes menores possam se preparar e após o exemplo de boa organização que a prova desse ano foi, em 2021 as Mil Milhas terão um grid à altura da história da principal prova do automobilismo brasileiro.

Resumo – 4 Horas de Curitiba 2019

E começou com o pé direito a temporada 2019 do Endurance Brasil. Com um grid repleto de protótipos e gran turismos de alto nível, a expectativa de que teríamos uma grande prova mais do que se confirmou. Antes de falar sobre a prova, entretanto, é importante ressaltar a bela homenagem dos pilotos e da própria Endurance Brasil ao piloto Luis Carlos “Cali” Crestani, que faleceu em fevereiro após uma difícil batalha contra um câncer. O gaúcho era uma das figuras carimbadas das provas do endurance a bordo do seu Tornado-Hayabusa #3, e que com certeza fará falta a cada etapa que for disputada.

Resultado do treino classificatório das 4 Horas de Curitiba

Durante o warm-up veio o primeiro susto, com um princípio de incêndio no AJR #13 de Pedro Queirolo e David Muffato, devido a um vazamento em uma mangueira de óleo. Por sorte incêndio foi controlado, e o carro pôde ser consertado alinhar normalmente no grid, pois o bólido dourado conseguiu pular muito bem na largado, chegando a primeira posição antes mesmo do fim da reta dos boxes. Quem também largou muito bem foi o AJR #5 da MC Tubarão, que pulou da sexta posição para a segunda, colado no carro da Império Racing. Já o AJR #65 não fez boa largada, caindo da pole para a oitava posição.

Na terceira volta ocorreu a primeira entrada do safety car, após o sul-mato-grossense Peter Feter deixar a pista e ficar preso na área de escape. Com isso, o pelotão foi reaproximado, com a relargada na sexta volta. O carro #65 voltou com tudo após a relargada, inclusive com uma ultrapassagem mais ousada forçando a Ferrari #19 para fora da pista e rendendo a primeira advertência por conduta antidesportiva.

Outro carro que também aproveitou a relargada para subir na classificação foi Ginetta G57, e na volta 19 a situação era a seguinte: em primeiro o AJR #13, seguido pelo Ginetta #20 com o #5 da MC Tubarão em terceiro e o AJR #65 em quarto. Nesse momento uma falha elétrica forçou o carro #5 a fazer uma parada não programada, tirando o bólido gaúcho da disputa. Quem também enfrentou problemas, foram as equipes Via Italia Racing e Team Ginetta Brasil.

No caso da Ferrari #19, um toque mais forte da Mercedes AMG GT3 #9 forçou uma longa parada para reparos, enquanto a Mercedes acabou desclassificada justamente por conta desse toque. Outro carro que foi desclassificado foi o Aldee Spyder #73 de Leandro Totti e José Vilela, por perder a janela de paradas obrigatórias. No caso da Ginetta #20, um toque com outro competidor causou uma quebra de suspensão, que tomou muito tempo para ser reparada.

Na categoria P2, o Predador #35 vinha em primeiro, mantendo um bom ritmo e a décima posição na classificação geral, porém uma falha mecânica fez com que o carro ficasse parado na pista, cedendo a liderança da P2 para o GeeBee #25. No final, o protótipo GeeBee também acabou abandonando devido à quebra de uma homocinética e com o abandono do MC Tubarão IX #32, nenhum carro da P2 completou a prova.

Voltando a ponta da prova, o AJR da Império Racing manteve-se na liderança até a segunda janela de pit-stops obrigatórios, quando um atraso na troca de pilotos permitiu que o carro #88 de Tarso Marques ganhasse a primeira posição na classificação geral. Ao mesmo tempo, na GT3 a dupla Xandy Negrão e Xandinho Negrão se firmava na liderança, ocupando a segunda posição na classificação geral, seguidos pelo Porsche #55 da Stuttgart, com o AJR #113 ficando para trás devido a um pneu furado, situação que se manteria até a última janela de pit stops, quando a Mercedes #09 conseguiu assumir a liderança na geral com cerca de 50 segundos de vantagem sobre o AJR #88. Nesse último stint, Vicente Orige veio inspirado, tirando entre 2 e 3 segundos por volta da Mercedes, até obter a ultrapassagem na volta 135. Depois disso a vitória parecia garantida, porém na volta 150 o carro #88 começou a virar acima de 1:22 economizando combustível, perdendo quase 5 segundos por volta em relação à Mercedes. Nessa hora era visível a preocupação da equipe JLM Racing nos boxes, principalmente quando Vicente Orige cruzou aquela que seria a última volta com menos de 3 segundos de vantagem. À menos de meia volta o carro alemão cresceu no retrovisor do protótipo brasileiro, e o vencedor foi definido por uma diferença de apenas 0,379 segundos, uma chegada bem apertada para uma prova de 4 horas de duração. Em terceiro chegou o AJR #13 e em quarto o Porsche #55, com o AJR #65 completando o pódium da classificação geral. Na categoria P3 a vitória ficou com o MRX-Volkswagen 8V de Gustavo e Rafael Simon, com o MRX-Volkswagen #34 da dupla Marcondes / Haag subindo ao lugar mais alto do pódio na P4. Entre os gran turismo, a vitória da GT3 Light ficou com o Aston Martin de Sérgio e Guilherme Ribas, com Alexandre Auler e Leandro Romera vencendo a classe GT4 e Arthur Caleffi / Ian Jenpsen Ely com a vitória na GT4 Light.

No final, minha opinião é que a prova mostrou um nível de amadurecimento da categoria, com pilotos e carros de linha disputando a prova. Além disso, nessa primeira etapa ficou evidente que um regulamento livre, porém bem desenhado, pode garantir equilíbrio e boas disputas entre bólidos tão diversos quanto os GT3 e P1. O único ponto negativo a ressaltar foram os problemas na transmissão ao vivo, principalmente nos primeiros 30 minutos de prova, mas que prontamente foram resolvidos pela empresa geradora de sinal. Esse é um problema que não tira o brilho da prova ou da categoria, mas que merece um maior cuidado nos próximos eventos. Agora resta aguarda a próxima etapa, que será realizada dia 25 de maio e irá marcar a estreia do Endurance Brasil em Goiás, que promete contar com a participação de novos bólidos que irão esquentar ainda mais a disputa.

Resultado final das 4 Horas de Curitiba 2019