Endurance Brasil – 4 Horas de Interlagos

O final de semana dos dias 7 e 8 de setembro promete um grande espetáculo para os fãs do esporte a motor, com a realização do Racing Weekend no Autódromo Internacional José Carlos Pace. A expectativa é de que mais de 200 máquinas de diversas categorias do automobilismo nacional. Estão confirmadas provas das seguintes categorias:

  • Endurance Brasil
  • Turismo Nacional
  • Gold Classic
  • Opala 250
  • Old Stock
  • Fórmula 1600
  • Fórmula Vee
  • Fórmula Inter
  • Fórmula Academy SUDAM

Pela Endurance Brasil, a prova estava prevista para ser realizada no Velocittà, porém o local de realização foi modificado para que ao invés de competir, a categoria pudesse agregar público e mídia ao evento realizado nos 4.309 metros do Autódromo Internacional José Carlos Pace. Baseado no histórico das provas de 2017 e 2018, podemos esperar um grid com cerca de 40 carros, já que muitos competidores paulistas de categorias como a Força Livre costumam participar das etapas realizadas em Interlagos.

A pista paulista tem um longo histórico de competições de longa duração, com provas como as tradicionais Mil Milhas Brasileiras e os 500 km de São Paulo, além de provas que fizeram parte do WEC e Le Mans Series. Entre as provas de nível nacional, predominam as vitórias de modelos Gran Turismo, porém os protótipos da categoria P1 pintam como favoritos após três vitórias em quatro provas nessa temporada.

O recorde absoluto da pista é de 1m07s281, estabelecido por Lewis Hamilton no treino classificatório para o GP do Brasil do ano passado. Dentre as categorias brasileiras, o recorde é de Matheus Iorio pela Fórmula 3, com um tempo de 1m28s129, que tem grandes chances de ser quebrado nessa prova.

Após a chuvarada da etapa do Velopark, o clima parece que vai colaborar para o evento, com previsão de temperaturas moderadas e baixa chance de chuva durante todo o final de semana.

Programação do Final de Semana

05 de setembro – Quinta-feira

08h00 às 08h40 – Primeiro Treino Livre Fórmula
08h40 às 10h30 – Primeiro Treino Livre Turismo
10h30 às 11h10 – Segundo Treino Livre Fórmula
11h10 às 11h55 – Terceiro Treino Livre Fórmula
12h00 às 13h40 – Segundo Treino Livre Turismo
13h40 às 14h40 – Primeiro Treino Livre Endurance
14h40 às 16h30 – Terceiro Treino Livre Turismo
16h30 às 17h00 – Quarto Treino Livre Fórmula
17h00 às 18h00 – Segundo Treino Livre Endurance

06 de setembro – Sexta-feira

07h30 às 07h55 – 1º Treino Livre Fórmula Inter + Fórmula Academy SUDAM
08h00 às 08h30 – 1º Treino Livre Gold Classic
09h15 às 10h15 – 1º Treino Livre Endurance Brasil
10h20 às 10h50 – 1º Treino Livre Fórmula Vee + Fórmula 1.600
10h55 às 11h25 – 2º Treino Livre Gold Classic
11h30 às 12h15 – 2º Treino Livre Turismo Nacional
12h20 às 13h05 – 2º Treino Livre Endurance Brasil
13h15 às 13h45 – 2º Treino Livre Fórmula Vee + Fórmula 1.600
13h50 às 14h20 – 3º Treino Livre Gold Classic
14h25 às 15h15 – 3º Treino Livre Turismo Nacional
15h20 às 16h20 – 3º Treino Livre Endurance Brasil
16h30 às 16h55 – 2º Treino Livre Fórmula Inter + Fórmula Academy SUDAM
17h00 às 17h10 – Classificatório Grupo 1 Gold Classic
17h15 às 17h25 – Classificatório Grupo 2 Gold Classic
17h30 às 17h45 – Classificatório Endurance Brasil
17h45 às 18h00 – Classificatório Endurance Brasil
18h00 às 18h15 – Classificatório Endurance Brasil
19h30 às 20h30 – 4º Treino Livre Noturno Endurance Brasil

07 de setembro – Sábado

07h30 às 07h45 – Classificatório G1 Fórmula Inter + Fórmula Academy SUDAM
07h50 às 08h05 – Classificatório Fórmula Vee + Fórmula 1.600
08h10 às 08h20 – Classificatório Classe 1 Turismo Nacional
08h25 às 08h35 – Classificatório Classe 2 Turismo Nacional
08h45 às 08h50 – Abertura dos boxes Prova 1 Gold Classic
08h50 às 09h20 – Prova 1 Gold Classic
09h40 às 09h45 – Abertura dos boxes Prova 1 Fórmula Vee + Fórmula 1.600
09h45 às 10h15 –Prova 1 Fórmula Vee + Fórmula 1.600
10h30 às 10h35 – Abertura dos boxes Classe 1 Turismo Nacional
10h35 às 10h40 – Placa de 5 minutos Classe 1 Turismo Nacional
10h40 às 11h00 – Prova 1 Classe 1 Turismo Nacional
11h05 às 11h10 – Placa de 5 minutos Classe 1 Turismo Nacional
11h10 às 11h30 – Prova 2 Classe 1 Turismo Nacional
11h40 às 11h45 – Abertura dos boxes Classe 2 Turismo Nacional
11h45 às 11h50 – Placa de 5 minutos Classe 2 Turismo Nacional
11h50 às 12h10 – Prova 1 Classe 2 Turismo Nacional
12h15 às 12h20 – Placa de 5 minutos Classe 2 Turismo Nacional
12h20 às 12h40 – Prova 2 Classe 2 Turismo Nacional
12h50 às 13h05 – Classificatório G1 Fórmula Inter + Fórmula Academy
13h10 às 13h50 – Treino Livre Opala 250SUDAM
13h55 às 14h25 – Warm Up Endurance Brasil
14h30 às 14h35 – Abertura dos boxes Gold Classic
14h35 às 15h05 – Prova 2 Gold Classic
15h10 às 15h15 – Abertura dos boxes Prova 2 Fórmula Vee + Fórmula 1.600
15h15 às 15h45 – Prova 2 Fórmula Vee + Fórmula 1.600
15h45 às 16h30 – Promocional Endurance Brasil
16h30 às 16h40 – Abertura dos boxes Endurance Brasil
16h40 às 16h45 – Placa de 5 minutos Endurance Brasil
16h42 às 16h45 – Volta de Apresentação Endurance Brasil
16h45 às 20h45 – 4 Horas de Interlagos
21h00 às 22h00 – Rallye Clássicos e Modernos
22h00 às 00h00 – Track Day Night

08 de setembro – Domingo

07h30 às 08h00 – Treino/Classificatório Clássicos de Competição
08h05 às 08h25 – Classificatório Opala 250
08h30 às 08h35 – Abertura dos boxes Prova 1 Fórmula Inter
08h35 às 09h00 – Prova 1 Fórmula Inter
09h10 às 09h15 – Abertura dos boxes Classe 1 Turismo Nacional
09h15 às 09h20 – Placa de 5 minutos Classe 1 Turismo Nacional
09h20 às 09h40 – Prova 1 Classe 1 Turismo Nacional
09h50 às 09h55 – Placa de 5 minutos Classe 1 Turismo Nacional
09h55 às 10h15 – Prova 2 Classe 1 Turismo Nacional
10h25 às 10h30 – Abertura dos boxes Classe 2 Turismo Nacional
10h30 às 10h35 – Placa de 5 minutos Classe 2 Turismo Nacional
10h35 às 10h55 – Prova 1 Classe 2 Turismo Nacional
11h05 às 11h10 – Placa de 5 minutos Classe 2 Turismo Nacional
11h10 às 11h30 – Prova 2 Classe 2 Turismo Nacional
11h40 às 11h45 – Abertura dos boxes Prova 1 Fórmula Academy SUDAM
11h45 às 12h10 – Prova 1 Fórmula Academy SUDAM
12h20 às 12h25 – Abertura dos boxes Prova 1 Opala 250
12h25 às 12h55 – Prova 1 Opala 250
13h05 às 13h10 – Abertura dos boxes Clássicos de Competição
13h10 às 13h40 – Prova Clássicos de Competição
13h55 às 14h00 – Abertura dos boxes Prova 2 Fórmula Inter
14h00 às 14h25 – Prova 2 Fórmula Inter
14h35 às 14h40 – Abertura dos boxes Prova 2 Fórmula Academy SUDAM
14h40 às 15h05 – Prova 2 Fórmula Academy SUDAM
15h10 às 15h15 – Abertura dos boxes Prova 2 Opala 250
15h15 às 15h45 – Prova 2 Opala 250
16h00 às 18h00 – Time Attack

Para quem desejar comparecer ao evento, as arquibancadas terão entrada livre, enquanto os ingressos para o camarote podem ser encontrados no Sympla, a um preço de R$ 200 por entrada. Aqueles que quiserem acompanhar online podem fazê-lo pelo canal do YouTube da Endurance Brasil, pelo Facebook ou pelo site da categoria.

Papo de paddock

Nas últimas semanas temos muitas novidades sobre novos participantes, provas e mudanças no Endurance Brasil, tanto para a temporada atual quanto para o próximo ano.

Primeiro, foi anunciada uma nova mudança no calendário, com a sexta etapa que era prevista para acontecer em Santa Cruz do Sul sendo transferida para Goiânia.

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⚠️ Te liga nas alterações 🏁

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Dentre os competidores, a principal novidade é a mudança do carro #88, vencedor da primeira etapa e que aparecer em Interlagos com nova pintura e carregando o número 43 de Vicente Orige, que será acompanhado pelos pilotos Raphael Campos e Gustavo Martins.

Já nesta etapa, é prevista a estréia de facto do protótipo Roco 001-Hayabusa, desenvolvido por Robbi Perez e Jose Cordova. O modelo, que chegou a treinar na etapa de Goiânia passou por extensivo programa de treinos e agora promete estar pronto para competir pela categoria P3, conforme informações do Velocidade Curitiba.

Mudança também para Henry Visconde, que vinha competindo na categoria GT4 com o Audi RS3 TCR #63, que porém não era capaz de manter o mesmo ritmo dos Mercedes e Ginettas GT4. Para a quinta etapa, a equipe Eurobike trará de volta a BMW M3 E92 GTR V8 com a qual o piloto competiu na temporada 2017 da Endurance Brasil.

A Bana Racing também promete voltar às pistas, talvez já na etapa de Interlagos, com o sempre veloz Predador-Audi Turbo #35 da categoria P2.

A AVMotorsports recentemente anunciou que a estréia do protótipo Pegaso R, prevista para esta etapa, será postergada para a temporada 2020. Enquanto isso, a equipe adquiriu um protótipo Spyder com motorização Subaru, que deve competir na categoria P4 à partir da etapa de Santa Cruz do Sul, para ganhar experiência com a dinâmica das competições de Endurance.

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No último dia 23 de julho, nosso piloto e chefe de equipe teve a hora e o prazer de apresentar o projeto da construção do Pegaso R aos pais do único carro de Fórmula 1 Brasileiro, o ex piloto Wilson Fittipaldi Jr. e ao projetista Ricardo Divila. Segundo palavras dos dois: "Que carro e que projeto". Nossa programação de finalização do carro era neste mês de agosto e a estreia no dia 07 de setembro. Após muito papo e muita análise e respeitando muito essas duas lendas, decidimos dar continuidade construção do carro, mesmo pq recebemos um feedback positivo e que estamos no caminho certo, porém foi recomendado a nós fazermos as coisas com calma para não cometermos erros. Assim sendo compramos um Spyder para treinar a equipe e aprendermos mais sobre as corridas de Endurance a estreia do Pegaso R ficará 2020. Vamos a todo vapor para refazer o nosso Spyder do zero com as melhores peças e no futuro muito proximo esse carro servirá de escola para novos pilotos no Endurance. "Foi uma honra ter nosso carro analisado pelo Ricardo, tenho uma amizade com Wilson há 25 anos. Porém o Ricardo conheci pessoalmente esse mês e a sinergia foi sensacional além disso me senti lisonjeado quando o Ricardo me pediu para fazer alguns desenhos de suspensao para ele", comenta Andrey Valerio. Iremos postar toda a reconstrução do Spyder, nossa preparação e nossas participação nas corridas do Endurance Brasil em 2019, a previsão para a nossa primeira corrida é partir da etapa de Santa Cruz do Sul / RS no dia na categoria P4. #automobilismo #racing #motorsport #race #interlagos #brasil #automobilismobrasil #corrida #formula1 #stockcar #wec #imsa #elms #imperioendurancebrasil #unip #unipribeiraopreto #engenhariamecanica #patrocinio #sponsorship #sportprototipo #racingcar #racecarengeering #avmotosports #blackbrasil #thegentlemandrive #fia

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Além disso, a equipe paulista anunciou o piloto Charles Camargo como reforço para as 6 Horas de Interlagos, prova que será disputada no dia 22 de dezembro.

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Charles Camargo, novo piloto da AVMotorsports. Ele irá dividir o cockpit de nosso carro nas 6 horas de Interlagos no dia 22 de dezembro na 8a. Etapa do Campeonato Brasileiro de Endurance. "Dividir o carro e ser chefe de equipe do Charles será uma grande honra, ele se mostrou extremamente rápido nos treinos e nas corridas de Fórmula Vee, me impressiona nele o foco e a dedicação", comenta Andrey Valerio, piloto e chefe de equipe da AVMotorsports. O piloto Charles Camargo tem o seu gerenciamento de carreira feito pela empresa LRM. "Fiquei extremamente contente com o vinda do Charles, isso é prova do reconhecimento e confiança da LRM no trabalho que estamos fazendo seja no Endurance, como o meu trabalho em outras categoria. Esse será um primeiro teste para sermos a equipe parceira da LRM nas provas de Endurance", complementa Andrey Valerio. Os trabalhos não param, além da preparação do carro para a estreia na corrida de Santa Cruz do Sul no dia 12/10, as negociações para a terceira vaga no carro para as 6 horas de Interlagos está muito bem avançada. "O piloto que estamos negociando a outra vaga está sendo uma revelação em 2019, fizemos uma carta convite a ele, e se conseguirmos finalizar alguns trâmites burocráticos ele completará o trio do nosso carro, será outra grande alegria porque faremos história e mudaremos alguns conceitos das corridas de Endurance", diz nosso chefe de equipe. #automobilismo #racing #motorsport #race #interlagos #brasil #automobilismobrasil #corrida #formula1 #stockcar #wec #imsa #elms #imperioendurancebrasil #unip #unipribeiraopreto #engenhariamecanica #patrocinio #sponsorship #sportprototipo #racingcar #racecarengeering #avmotosports #blackbrasil #thegentlemandrive #fia

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Outra novidade, agora para a temporada 2020 é a possível volta das Mil Milhas Brasileiras. O assunto ainda está em discussão com a CBA e a FASP, mas planeja-se que a prova ainda no primeiro semestre de 2020, com possibilidade de contar como etapa do Endurance Brasil, conforme apurado pelo Racemotor (link nas referências).

Largada Mil Milhas Brasileiras

Mais uma novidade, que também deve ficar para a próxima temporada é o retorno da Puma Automóveis às ruas e também às pistas. Atualmente os responsáveis pelo renascimento da marca estão trabalhando em duas frentes: uma é o modelo P053 para as ruas, e outra o P052 para as pistas (link para o site da nova Puma nas referências).

Puma P052

O modelo de competição ainda está em fase de testes, pelas mãos do piloto Gabriel Maia, e atualmente conta com um motor EA111 1.6 8V, com cerca de 140 cv, aliado a uma transmissão manual de 5 marchas VW. Segundo a Puma, esse powertrain está sendo utilizado apenas na fase inicial de teste, e será substituído por um de melhor desempenho na versão final do carro. Ainda assim, a estrutura tubular garante um baixo peso e a aerodinâmica a boa estabilidade, como pode ser visto no vídeo abaixo, onde mesmo com pneus radiais o P052 consegue acompanhar o protótipo Spyder no contorno do S do Senna:

Ligier JS P3 LMP3

Novas informações também surgiram sobre a chegada de um ou mais modelos Ligier JS P3 ao Brasil. Emergiu que a Oreca Dealer Brasil (representante da marca francesa no Brasil) também conseguiu os direitos de representação dos modelos Ligier no país, e hoje têm duas unidades do protótipo à disposição. A um custo de aquisição próximo ao de um GT3, com certeza são uma opção muito interessante para competidores buscando entrar na disputa por vitórias no campeonato brasileiro. Na área de referências ao fim da reportagem você pode encontrar o link para a reportagem completao do site Ecoesporte.

Chevy Monte Carlo Late Model

Outra opção de bólido disponível no país e que poderia fazer parte das competições do Endurance Brasil é o protótipo Super V8, um legítimo stock car Chevy Monte Carlo, enquadrado no regulamento super late model americano. Apesar de ser um modelo desenvolvido inicialmente para competições em ovais, não é incomum a presença desse tipo de carro em competições em circuitos mistos, muitas vezes dando trabalho para GTs e protótipos. Com estrutura tubular, peso por volta de 1.250 kg e mais de 600 HP de motores V8 big block. Hoje o regulamento não prevê a entrada este tipo de carro, mas não é difícil imaginar que caso haja alguma equipe interessada, o modelo possa ser incluído em uma das categorias, provavelmente na categoria GT3 Light, que hoje já permite a inscrição de carros da Stock Car. Por enquanto, tal qual o Puma, o Super V8 segue em teste competindo em algumas provas da categoria Força Livre do campeonato paulista de automobilismo (link para o site da Super V8 nas referências).

Por fim, na transmissão da última etapa o piloto Marcel Visconde deixou escapar que o ciclo de vida do Porsche 911 GT3 R da equipe chega ao final nesse ano, e que a Stuttgart já está de olho em um novo modelo para a temporada 2020. Atualmente a Stuttgart/Eurobike é representante de marcas como Porsche, Audi, BMW e McLaren no Brasil. As duas opções com maior probabilidade de chegar na próxima temporada seriam os modelos Porsche 911 GT3 R (991-2) e McLaren 720S GT3, ambos lançados na atual temporada.

Porsche 911 GT3 R Evo
McLaren 720S GT3

Em alternativa, poderia ser trazido ainda o Audi R8 LMS GT3 Evo, que também foi recentemente apresentado no Salão de Paris.

Audi R8 LMS GT3 Evo

Fontes

Mil Milhas podem voltar ao calendário já em 2020. Disponível em:
https://racemotor.com.br/2019/08/21/mil-milhas-pode-voltar-ao-calendario-brasileiro-ja-em-2020/

Puma Automóveis: Disponível em: http://novo.pumaautomoveis.com.br/

O Brasil na era das supermáquinas – Supermáquinas a caminho do Brasil? Disponível em: https://ecoesporte.com.br/o-brasil-na-era-da-super-maquinas-super-maquinas-a-caminho-do-brasil/

Super V8. Disponível em: https://www.superv8.com.br/

O misterioso caso do Emme Lotus

Emme_Logo

A história da indústria automobilística brasileira é cerca de fatos curiosos e inesperados, sendo tão rica e diversa quanto nosso próprio país. Mesmo assim, um modelo se destaca pela sua história polêmica e misteriosa. O Megastar Emme, mais conhecido como Emme Lotus foi o fruto de um investimento alegado de US$ 162 milhões de um grupo chamado New Concept Aktiengesellshaft, com sede no paraíso fiscal de Liechtenstein.

A esquerda uma vista da fábrica com alguns carros e diversas scooter Mirage. A direita a linha de montagem do Emme Lotus

A esquerda uma vista da fábrica com alguns carros e diversas scooter Mirage. A direita a linha de montagem do Emme Lotus. Fonte: Divulgação [1].

Com esse dinheiro, a Megastar Veículos, braço brasileiro da companhia sediado em Pindamonhangaba deveria produzir dois modelos: a scooter Mirage com motor de 50cc e um sedã de luxo esportivo que seguisse a filosofia de baixo peso da Lotus, capaz de competir contra BMW M5 e Mercedes-Benz E 55 AMG, para ser vendido tanto no mercado interno quanto exportado (um modelo chegou a ser levado para a Europa e fez o trajeto Milão-Monte Carlo-Milão, e vídeo de baixa qualidade gravado, provavelmente para divulgação).

Segundo a Megastar o índice de nacionalização do carro era de respeitáveis 87%, sendo apenas motor da versão 422T e a transmissão importados, enquanto a carroceria  (feita através de injeção de um polímero chamado VeXtrim, que segundo informações era resistente o suficiente para resistir a disparos de revólver calibre 38) montada sobre um chassi de aço zincado e os outros componentes mecânicos eram nacionais. O carro possuía um nível de refino bem superior ao de qualquer modelo nacional, com suspensão independente nas quatro rodas com amortecedores reguláveis e barra estabilizadora na frente e atrás, diferencial auto-blocante PowerLock e chegando até mesmo a ter eixo traseiro auto-direcionável (como o Nissan Skyline GT-R), porém era clara a presença de peças de outros automóveis, como nos carros fora-de-série da década de 80. Aliás, uma das maiores controvérsias sobre o carro é seu design, de linhas gerais muito semelhantes aos do Volvo S60, lançado em 1998, mas baseado no conceito Volvo ECC de 1992.

Apesar da afirmação de que era um projeto que vinha sendo desenvolvido a dez anos na Suíça, é muito curiosa a semelhança do Emme Lotus com o conceito Volvo ECC, que deu origem ao Volvo S80 também em 1998.

Apesar da afirmação de que era um projeto que vinha sendo desenvolvido a dez anos na Suíça, é muito curiosa a semelhança do Emme Lotus com o conceito Volvo ECC, que deu origem ao Volvo S80 também em 1998. Fonte: Divulgação [1].

Apesar de ter sido visto rodando como protótipo desde 1996, a apresentação oficial ocorreu apenas em outubro de 1997, durante o Brasil Motor Show. O material de divulgação então distribuído citava três versões, diferenciadas pela motorização: a 420 (2.0 16V de 145 bhp), a 420T (2.0 16V turboalimentado de 183 bhp) e 422T (2.2 16V turboalimentado de 264 bhp).

Emme 420T, equipado com motor 2.0 turbo fabricado pela própria Emme.

Emme 420T, equipado com motor 2.0 turbo fabricado pela própria Emme. Fonte: Divulgação [1].

Os motores de 2 litros eram supostamente de projeto próprio e seriam fabricados no Brasil, embora suas especificações lembrassem muito as dos motores VW AP 2000, como por exemplo o diâmetro e curso (respectivamente 82,5mm e 92,8mm), o que trouxe ainda mais mistério e dúvidas sobre a idoneidade do projeto.

Motor 2.0 turbo do Emme, que carregava diversas semelhanças com os motores AP 2.0.

Motor 2.0 turbo do Emme, que carregava diversas semelhanças com os motores AP 2.0. Fonte: Divulgação [1].

Já o motor 2.2 era uma unidade Lotus como a que fora empregada no Esprit. A este motor era acoplada uma transissão BorgWarner igual à do Ford Mustang V8, que tinha relações muito longas, inadequadas para um motor de torque em altas rotações montado em um carro de 1600 kg, de forma que o modelo 2.0 turbo tinha melhor aceleração que o 2.2, por ter maior disponibilidade de torque em baixas rotações. Não fossem suficientes esses problemas, outro fator que gerava desconfiança era a inexistência de ABS e air-bags, que a esta altura já eram equipamentos padrão para carros dessa classe, o que de certa forma tornaria inviável sua venda no continente europeu.

Apresentação do Emme Lotus no Salão do Automóvel de 1998.

Apresentação do Emme Lotus no Salão do Automóvel de 1998. Fonte: Divulgação [1].

Em 1998 o carro foi mostrado no Salão do Automóvel, quando começaram a ser aceitas as primeiras encomendas. Na época do lançamento o carro era vendido ao preço de R$ 54.450, superior ao que era cobrado pelo Omega CD 4.1 (R$ 47.000), mas bem abaixo dos R$ 221.400 cobrados pelo Mercedes E55 AMG. A mídia da época demonstrava grande empolgação com o novo carro brasileiro que seria capaz de competir diretamente com os melhores sedans alemães, e mesmo com a política obscura da empresa de não divulgar muitas informações o modelo ganhou notoriedade nas publicações especializadas da época, como pode ser visto nas reportagens abaixo:

Reportagem da revista Autoesporte sobre o Emme Lotus.

Reportagem da revista Autoesporte sobre o Emme Lotus. Fonte: Divulgação [1].

Reportagem da revista Quatro Rodas sobre o Emme Lotus.

Reportagem da revista Quatro Rodas sobre o Emme Lotus. Fonte: Divulgação [1].

A produção durou até 1999, quando a falência da Megastar foi decretada, tendo sido produzidas entre 12 e 15 unidades, das quais 5 seriam do modelo 420T e as restantes do 422T. Novamente, esse fato apenas aumenta as suspeitas sobre a idoneidade da empresa, pois não faria sentido um investimento deste porte para uma produção tão reduzida. Vale lembrar que a crise da desvalorização do real em 1999 onde a cotação do real frente ao dólar subiu de cerca de R$ 1,20 para próximo a R$ 2,00, junto a um aumento considerável da taxa de juros. Essa mudança nas regras do jogo prejudicou diversas montadoras, que haviam baseado sua política de preços e de nacionalização na taxa cambial fixa. Pouco depois a fabricação de diversos modelos foi cessada, como a picape Dodge Dakota e o Mercedes Classe A, justamente pelo efeito que o preço dos modelos sofreu com a crise.

Detalhe do compartimento do motor do Emme Lotus 422T

Detalhe do compartimento do motor do Emme Lotus 422T.

O interior apresenta um design interessante e nível superior ao de modelos nacionais da época, porém ainda inferior em qualidade ao daqueles que seriam seus concorrentes.

O interior apresenta um design interessante e nível superior ao de modelos nacionais da época, porém ainda inferior em qualidade ao daqueles que seriam seus concorrentes.

Um dos compradores do Emme Lotus, o engenheiro Ronaldo Franchini de Belo Horizonte, decidiu investigar o que ocorria na empresa e pelas informações que obteve junto a um dos ex-técnicos, os motores eram praticamente sucata para a Lotus, que já equipava o Esprit com o novo motor V8 3,5 litros biturbo. Segundo ele, de cada 10 motores que chegavam ao Brasil, apenas 2 podiam ser aproveitados, e alguns carros foram montados com motores defeituosos. A única participação da Lotus no projeto, teria sido enviar suporte técnico para a regulagem dos motores para atender os limites de emissões vigentes rodando com a gasolina brasileira. A fábrica, segundo apurado por Franchini, realmente possuía os equipamentos de moldagem e injeção (capazes de produzir um veículo a cada 12 minutos com apenas dois funcionários) e setor de pintura, mas as peças plásticas não tinham especificações de tolerância, de forma que não havia garantia que uma peça defeituosa ou quebrada pudesse ser substituída por outra equivalente sem a necessidade de ajustes. Além disso, Franchini afirmava que os equipamentos presentes na fábrica teriam valor equivalente a no máximo US$ 15 milhões. o que em parte pode ser explicado pelos gastos em desenvolvimento e em ferramentais e equipamentos para fornecedores, porém ainda assim as contas provavelmente não fechariam.

Na traseira fica ainda mais clara a "inspiração" do Emme Lotus.

Na traseira fica ainda mais clara a “inspiração” do Emme Lotus. Fonte: Divulgação [1].

Uma nova luz?  

Com uma história cercada de mistérios como essa, a busca de informações novas não é tarefa fácil, contudo após pesquisas exaustivas pude encontrar novas informações que podem jogar alguma luz sobre esse caso. Em processo trabalhista do ano de 2000 contra a empresa mineira Gran Scooter Distribuidora e Comércio  Ltda. (leia a íntegra aqui), a empresa é acionada para recebimento de direitos trabalhistas. Nos autos deste processo o reclamante cita que essa empresa teria relação de solidariedade e/ou subsidiariedade para com a empresa Sered Minas Industrial Ltda.  (fornecedora de peças automotivas). Nos autos ainda é implicada que exista relação entre as empresas Gran Scooter, Sered e a Megastar Veículos Ltda. É citado ainda que as empresas Megastar e Gran Scooter possuíam sedes vizinhas, na cidade de São Paulo, bairro Itaim Bibi, rua Bandeira Paulista, número 727, 4º andar, a Megastar sediada no conjunto 43 e a Gran Scooter no conjunto 41. Também é citado nos autos do processo que a proprietária da empresa Gran Scooter seria a sra. Emília Ratti Morello, e que a empresa teria oferecido veículos Emme Lotus como pagamento das dívidas trabalhistas aos trabalhadores, sendo citado também o filho dela, Sérgio Maria Ratti. Eis que o mesmo Sérgio Ratti surge como diretor técnico da Megastar em reportagem da Folha de São Paulo de 1998 (leia aqui). Mais do que isso, nos autos consta depoimento de testemunha (Ramon Almeida, que seria o responsável pela contabilidade das três empresas), onde o mesmo cita que a origem do nome EMME seria uma abreviatura do nome Emília Morello, a mesma que era sócia da empresa Gran Scooter. Outro fato curioso citado, é que a sócia majoritária da Megastar Veículos Ltda. seria a Megastar S/A, uma offshore sediada no Panamá, o que difere das informações divulgadas a época, com registros de transferências de dinheiro entre as companhias somando ao menos 15 milhões de dólares registrados no Diário Oficial da União no ano de 1998. Restam ainda muitas dúvidas sobre a companhia e quais foram seus reais objetivos, porém a cada nova informação que surge se torna mais plausível acreditar que será possível chegar a uma conclusão para esse mistério.

Ficha técnica:

Modelo

Emme Lotus 422T

Fabricante

Megastar Veículos Ltda.

MOTOR

Localização

Dianteira, longitudinal

Tipo

Lotus 910S, a gasolina, 4 em linha, 4 válvulas por cilindro, turboalimentado, com bloco em alumínio e camisas revestidas em Nikasil

Cilindrada

2174 cm3

Diâmetro x Curso

95,3 mm x 76,2 mm

Taxa de compressão

8,0:1

Alimentação

Injeção eletrônica de combustível

Potência

264 bhp a 6500 rpm (DIN)

Torque

354 N.m a 3900 rpm (DIN)

TRANSMISSÃO

Manual, tração traseira, cinco marchas

SUSPENSÃO

Dianteira: Independente com braços triangulares duplos, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores telescópicos ajustáveis.

Traseira: Independente com braços triangulares duplos, braço de controle auto-direcional, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores telescópicos ajustáveis.

DIREÇÃO

Mecânica, de setor e sem-fim.

FREIOS

Disco ventilado nas rodas dianteiras e disco sólido nas traseiras.

RODAS E PNEUS

Rodas Emme de liga 15″x7J, com pneus Toyo Proxes U1 225/50 ZR15

CARROCERIA E CHASSI

Estrutura em aço galvanizado com carroceria sedan de VeXtrim, quatro portas, cinco lugares.

DIMENSÕES E PESO

Comprimento

4620 mm

Largura

1760 mm

Distância entre-eixos

Não disponível.

Peso

1600 kg

Porta-malas

Não disponível.

DESEMPENHO

Velocidade máxima

273 km/h

Aceleração de 0 a 100 km/h

5,0 segundos

Consumo de combustível

Não disponível.

Preço

R$ 54.450 (em 11/1998)

Fontes:

Mendonça, Henrique Samahá, Fabrício. Emme: desvendando o mistério, disponível em: http://bestcars.uol.com.br/artigos/emme-1.htm. Acessado em: 20/06/2016.

Pereira Filho, Arthur. Pindamonhangaba produz o carro mais caro do país, disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi02119811.htm. Acessado em 21/06/2016.

Brasil. 3ª Vara do Trabalho de Betim. Acórdão do Recurso Ordinário Trabalhista RO 12280/00. Relator: Sena, Adriana G. de. Disponível em: http://trt-3.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/129120724/recurso-ordinario-trabalhista-ro-1228000-12280-00/inteiro-teor-129120734. Acessado em 21/06/2016.

Imagens:

[1] Fonte: Divulgação. Disponível em http://web.archive.org/web/19980702061524/http://www.emme.com.br/. Data de acesso: 21/06/2016.

Informações adicionais:

Para aqueles que quiserem ver algo a mais sobre o Emme Lotus, recomendo a reportagem feita pelo Flávio Gomes para o programa Limite da ESPN: