10 Carros que provam que o automobilismo brasileiro está renascendo

Algum tempo atrás, tivemos aqui no site uma lista com 10 protótipos mostrando que ainda existia vida no automobilismo brasileiro. Desde então, passaram-se quatro anos, e uma crise financeira muito pesada, mas ainda assim os fãs de automobilismo têm motivo de sobra para comemorar: novas categorias floresceram no país, e jovens projetistas e equipes tradicionais criaram máquinas impressionantes, capazes em muitos casos de fazer frente a modelos de renome internacional nas categorias das quais participam.

Aqui, abro um adendo pois infelizmente, algumas pessoas parecem apenas ver valor nas soluções internacionais. Não que seja errado existirem categorias como GT3, TCR ou Fórmula 3 no Brasil, e nem que eu esteja pregando o fechamento do país, até porque isso seria a contramão dos tempos em que vivemos. A verdade é que essas e outras categorias “padrão FIA” apresentam custos elevados, pois foram concebidas para o cenário europeu, considerando o poder aquisitivo e o parque fabril daquele continente. Aqui no Brasil, isso resulta que tudo precisa ser importado, implicando em maiores custos, seja devido aos elevados impostos de importação, seja devido ao custo/tempo logístico bem superior, que obriga equipes utilizando equipamento estrangeiro a manter estoques maiores de peças de reposição (sem falar no excesso de burocracia nas aduaneiras).

E é dessa necessidade de soluções voltadas à realidade brasileira que grande parte dos carros que vamos conhecer surgiram. Os construtores abaixo, cada um em sua realidade, merecem grande respeito e admiração pelo que já atingiram, e para mim são prova mais do que suficiente de que o automobilismo brasileiro tem sim futuro. Mas sem mais delongas, vamos ao Top 10 de hoje:

GT Race Cars: GeeBee R5

Um dos projetos para as provas de Endurance, o GeeBee R5 é o protótipo mais recente apresentado pela GT Race Cars, do paulista Jaime Gulinelli. Concebido para a categoria P3 da Endurance Brasil, o carro teve como piloto de testes o grande Maurizio Sala, outro daqueles injustiçados pela mídia brasileira, mas com extensa carreira internacional e que nas provas de longa duração pilotou máquinas icônicas como o Porsche 962 C, Mazda 787B, McLaren F1 GTR e Lotus Elise t1 em provas do campeonato japonês, FIA GT e nas 24 Horas de Le Mans.

O GeeBee R5 é um protótipo de construção tubular, equipado com motor Opel 2.0 e utilizando diversos componentes de carros de Fórmula 3. Desde 2016, o modelo já participou de uma edição dos 500 km de São Paulo e de diversas provas do campeonato paulista de Força Livre, sempre se mostrando muito competitivo. Para 2020 a equipe F/Promo Endurance Racing irá trazer o belo protótipo campineiro para as pistas do Império Endurance Brasil.

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Minelli Racing Cars: MG15

Após a queda de diversas categorias escola do automobilismo brasileiro, a Fórmula Inter surgiu em 2016 idealizada pelo empresário Marcos Galassi, para ser uma opção acessível de monoposto à jovens pilotos recém-saídos do kartismo. Para isso, diferente de outras categorias, o piloto não tem a posse do carro, pagando apenas pelo uso, com toda a infraestrutura sendo fornecida pela organização da categoria. O carro, chamado MG15, é resultado da junção do experiente construtor José Minelli da Minelli Racing Cars e jovens engenheiros da FEI, com mais de 900 horas de simulação CFD e estrutural. Com estrutura tubular, o monoposto paulista tem construção voltada para a segurança, com crash box dianteiro e traseiro, além de side pods estruturais em plano inclinado. O resultado final é um carro com apenas 490 kg (sem combustível), que equipado com um motor Ford Duratec 2.0 de 191 HP atinge tempos de volta inferiores a 1m50s em Interlagos.

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Metalmoro / JLM Racing: AJR

Apresentado em 2017, o AJR é a visão do piloto Juliano Moro para um protótipo de provas de endurance. Com aerodinâmica desenvolvida pela empresa Dynamic Flow Solutions e chassi desenvolvido pelo tradicional fabricante gaúcho Metalmoro. O primeiro carro foi apresentado com motorização Honda K20 Turbo e transeixo Xtrac direto da LMP3, além de novidades como freios de carbono. Após encontrar problemas de confiabilidade nas primeiras provas, o protótipo ganhou vida mesmo ao receber o motor Chevrolet LS3 V8 similar ao da Stock Car Brasil. O resultado é atualmente o protótipo mais veloz do país com 20 pole-positions nos 20 treinos classificatórios onde um AJR participou.

Em 2018, diversas equipes migraram para os AJR, com pelo menos 6 carros concluídos e uma grande variedade de motores: além de Honda K20 e Chevy LS3, surgiram modelos com motorização Honda K24 Turbo e Audi 2.0 Turbo, num ano que culminou com o título da categoria P1 do Império Endurance Brasil para o piloto Emilio Padrón. A temporada de 2019 foi a de consagração do AJR, trazendo atualizações aerodinâmicas a cada prova, incluindo a adoção de um sistema de asa móvel, estilo F1. Dois novos carros foram entregues, para um total de 8 protótipos, com a inclusão de uma nova motorização Nissan V6, inicialmente aspirada e agora com adoção de supercharger. O resultado dessa evolução constante: 6 vitórias na geral em 8 provas, com a dupla Nilson e José Roberto Ribeiro faturando os títulos nas categorias Geral e P1 do Império Endurance Brasil.

Leia mais aqui: https://nivelandoaengenharia.com.br/pt/blog/2020/05/07/metalmoro-jlm-ajr/

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Sigma Kart: Sigma P1

Apresentado em 2017, o Sigma P1 nasceu para as disputas das provas de longa duração nas pistas brasileiras. Concebido pelos engenheiros Evandro Flesh e Pedro Fetter, o carro nasceu a partir de um conceito inovador: a transmissão convencional foi dispensada, e em seu lugar foi utilizado um motor elétrico para preencher as lacunas de torque do motor Audi 4.2 V8 Turbo. Após a estréia nas 12 Horas de Tarumã de 2017, o time de engenheiros concluiu que, apesar de viável, o desenvolvimento do sistema híbrido tomaria muito tempo e recursos, decidindo por um caminho mais convencional, ao adotar um transeixo Xtrac de 6 marchas. Desde então o modelo recebeu duas atualizações (em 2018 e 2019), incluindo um sistema de DRS na asa traseira. Para 2020, a expectativa é de que um segundo Sigma venha para as pistas, com melhorias para colocá-lo na disputa da categoria P1 da Endurance Brasil.

Leia mais aqui: https://nivelandoaengenharia.com.br/pt/blog/2020/05/02/sigma-p1/

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Fórmula Vee Brazil: Naja 01D

Outro monoposto nacional para categorias escola, o Naja 01D é uma evolução do modelo Naja 01 utilizado pela Fórmula Vee Brasil. À primeira vista, chama a atenção a barbatana dorsal, porém essa não é a única modificação do chassis: o carro como um todo sofreu um redesign, com foco na melhoria da proteção ao piloto, e substituindo conceitos antigos como a suspensão traseira “swing axle” e transmissão 4 marchas por uma suspensão traseira multilink e transmissão longitudinal de 5 marchas retirada do Volkswagen Gol. Equipado com motor VW EA111 1.6 de cerca de 120 cavalos, os bólidos projetados pelo experiente engenheiro Ricardo Divila em conjunto com a GT Race Cars se mostraram velozes, com um pódio já na primeira prova.

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Giaffone Racing: Buggy V8

Saindo do asfalto, outra revelação da engenharia automobilística brasileira é o Buggy V8 da Giaffone Racing. Responsável pela construção e suporte aos bólidos da Stock Car desde a virada do milênio, a empresa paulista começou a se aventurar nos rallies cross-country preparando os motores de protótipos como o Sherpa e o T-Rex. Com esse envolvimento inicial, a Giaffone percebeu que existia uma lacuna para modelos de custo inferior aos protótipos 4×4 nas competições nacionais, e partiu para o desenvolvimento de um buggy similar aos modelos da categoria T1.3 do mundial da FIA. A estreia do carro foi no Rally Caminhos da Neve em 2018, com vitória da dupla Reinaldo Varela / Gustavo Gugelmin, à qual se seguiram outras vitórias nos campeonatos Paraguaio e Brasileiro, frente a modelos consagrados como a Ford Ranger FIA T1 desenvolvida pela sul-africana Neil Woolridge Motorsports.

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Royal Racing Team: Spirit APW

Enquanto o automobilismo das regiões sul e sudeste recebem maior foco da mídia, o automobilismo da região nordeste é também merecedor de destaque, pela variedade de categorias e belas disputas proporcionadas. Em especial, merece destaque o automobilismo cearense, que a despeito de tdas as dificuldades e mesmo com o Autódromo Virgílo Távora correndo risco de dar lugar a algum empreendimento imobiliário (como alguns outros autódromos brasileiros) continua com as disputas do campeonato cearense de esporte-protótipos. Disputado por máquinas locais como o CTM e Spirit 1.8, nos últimos anos o certame vivenciou a chegada dos protótipos Aldee Spyder. Desenvolvido por Alexandre Romcy e Silvio Camelo, o Spirit APW surgiu em 2018 como uma nova roupagem para os CTM, voltado para provas de longa duração.

MESGAFERRE: Puma P052

Outra boa novidade dos últimos tempos é o retorno da Puma, pela mão dos empresários Fernando Mesquita e Reginaldo Galafazzi. Com o slogan “Nas pistas nascemos, pelas pistas voltaremos”, a dupla promete voltar com a icônica marca de esportivos brasileira. Para isso, dois modelos nasceram: o P052, voltado para as pistas e o P053, para as ruas. Sobre o P052, o modelo servirá de base para o desenvolvimento do modelo de rua, utilizando a experiência adquirida nas pistas. Com estrutura tubular e carroceria de fibra de vidro, o carro tem peso de apenas 570 kg, e hoje é movido por um motor EA111 1.6 de 120 cv. Apesar da pouca potência, e de estar utilizando pneus radiais, os pilotos de testes Gabriel Maia e Luiz Costa tem obtido bom desempenho do carro, que deve competir em categorias como Endurance Brasil e Força Livre Paulista.

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Roco Racing Cars: Roco 001

Uma das grandes novidades da temporada 2019 da Endurance Brasil foi o protótipo Roco 001, da Roco Racing Cars. Criado pelos pilotos Robbi Perez e José Cordova, o Roco foi desenvolvido para a categoria P3 e é baseado em um chassi Ralt RT34 de Fórmula 3, que recebeu nova carenagem cobrindo as rodas dianteiras e traseiras, além de uma nova asa traseira aproveitando a largura total do carro. Como mecânica, o Roco recebeu um motor Suzuki 1340 cc com preparação da Mecânica Overboost. O time estreou o carro nas 4 Horas de Goiânia, onde enfrentaram diversos problemas, típicos de um carro novo. Em seguida, voltaram para a etapa de Interlagos onde obtiveram a quinta colocação na classificação final, com participações ainda nas 500 Milhas de Londrina e nas 6 Horas de Curitiba, onde obtiveram a quarta colocação na categoria P3.

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Gear up Racing Engineering: DTR 01

Outro protótipo da nova geração, o DTR01 foi desenvolvido pela Gear up Racing em parceria com a equipe DTR Motorsports de Francesco Ventre e Eduardo Dieter. Tal como o Sigma, foi projetado por um grupo de engenheiros brasileiros, que fizeram parte do time de Fórmula SAE da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), e nasceu para substituir o MR18 da DTR. Partindo da mesma mecânica básica do antigo MR18 (motor Honda K20 + transeixo Xtrac), um novo chassi tubular foi construído, com aerodinâmica desenvolvida em CFD. A equipe fez sua estréia em competições nas 3 Horas de Santa Cruz do Sul de 2019, e mesmo enfrentando alguns problemas (normal para um projeto novo como esse), o DTR01 conseguiu como melhor volta um tempo de 1m14s918, muito próximo dos AJR e que seria suficiente para a sétima posição no grid de largada.

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Endurance Brasil – Temporada 2019

Para quem gosta de competições automobilísticas, as provas de longa duração são um prato cheio com sua grande variedade de máquinas e pilotos. Provas como as 24 Horas de Le Mans ou Daytona são muito conhecidas pelos fãs, mas você sabia que existe um campeonato brasileiro de endurance? E que esse campeonato conta com modelos de diversas montadoras como Ferrari, Porsche e Lamborghini, além de uma miríade de protótipos, a maioria deles fabricados aqui no Brasil? Pois bem, tal campeonato existe na forma do Endurance Brasil, nascido a partir do Campeonato Gaúcho de Endurance em 2014, e que desde então vem ganhando força a cada ano, mesmo com a difícil situação econômica do país. Em 2019, o campeonato terá 8 etapas, conforme o calendário provisório divulgado em 23 de janeiro pela organização:

Para quem ainda não conhece o campeonato, nessa temporada os competidores serão divididos em 7 categorias:

P1: São os protótipos mais velozes, que em condições normais são os favoritos a vencer as provas. Essa categoria inclui protótipos importados construídos dentro do regulamento FIA LMP3, modelos Ginetta G57 e G58 e protótipos nacionais com motores aspirados de até 7.000 cm³, ou turbocomprimidos com no máximo 4.200 cm³;

P2: Em 2019 a categoria P2 será reservada para os protótipos nacionais, com as mesmas configurações de motores e peso da categoria P1, porém com capacidade máxima permitida do tanque de combustível inferior aos da P1;

P3: Terceiro nível de protótipos da Endurance Brasil, a P3 é reservada para protótipos com motores aspirados multiválvulas de até 2.400 cm³ ou conjunto motor/transmissão de motocicletas e deverá ser povoada principalmente por modelos como o Metalmoro MRX e Radical SR3;

P4: Categoria de entrada dos protótipos, a P4 permite apenas protótipos equipados com motores de até 2.400 cm³, com no máximo duas válvulas por cilindro. Deve contar principalmente com protótipos MRX e Aldee Spyder;

GT3: Tal como o nome indica, essa categoria é reservada para modelos homologados dentro do regulamento FIA GT3, tais como Ferrari 488, Lamborghini Huracán, Porsche 911, entre outros, que tenham sido construídos após 2012;

GT3 Light: Categoria dedicada para modelos GT3 construídos antes de 2012 e protótipos JL09 (Stock Car) sem restrição;

GT4: Categoria para veículos FIA GT4, FIA TCR, Stock Car com restritor, Trofeo Linea, Maserati Trofeo entre outros modelos GT e Turismo que estejam em conformidade com o regulamento específico da categoria.

A temporada 2019 promete muito, com a chegada de novas máquinas em todas as categorias. Na categoria P1, o destaque entre os protótipos nacionais é o AJR, desenvolvido pela JLM Racing em parceria com a Metalmoro. O modelo, lançado em 2017, foi o detentor da pole-position em todas as provas da temporada de 2018 do Endurance Brasil, além da pole dos 500 km de Interlagos, porém obteve apenas duas vitórias na geral, nas etapas de Tarumã e Santa Cruz do Sul do campeonato brasileiro. No final da última temporada, Emílio Padròn conseguiu sagrar-se campeão da categoria P1 competindo com o AJR, que também foi o carro dos pilotos na terceira, quarta e quinta colocação. Já competiram carros com diversas opções de motorização, tais como Honda Turbo, Chevrolet V8 (o mesmo da Stock Car) e mais recentemente Audi Turbo, e em 2019 teremos mais uma opção, com o AJR-Nissan V6. Devido a velocidade demonstrada, os carros equipados com o motor americano têm competido com potência reduzida (de 550 HP em set-up de classificação para 450 HP nas provas), pois assim é possível otimizar o consumo de combustível, e consequentemente o número de paradas nos boxes. Devido a isso também, durante 2018 diversas equipes fizeram a mudança para o protótipo gaúcho (a destacar a equipe sul mato-grossense NC Racing e a gaúcha Mottin Racing), e para 2019 outras equipes também vão de AJR, incluindo a tradicional MC Tubarão e as equipes Império Racing e Kia Power Imports, o que pode nos levar a um total de até oito AJRs nas pistas.

Emilio Padrón / Marcelo Vianna – Metalmoro AJR-Honda K24 Turbo #11

Henrique Assunção / Fernando Ohashi / Luiz Otávio Floss – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #117

Nilson Ribeiro / José Roberto Ribeiro – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #65

Carlos Kray / Vicente Orige / Tarso Marques – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #88

Oswaldo Sheer / Eduardo Sheer / Sergio Jimenez – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #26 Correção: O carro 26 que foi da família Sheer em 2018 agora é o #5 da equipe MC Tubarão.

Tiel Andrade / Julio Martini / Andersom Toso– Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #5

Alexandre Finardi / Rafael Suzuki / Marcelo Campagnolo / Nélson Silva Jr – Metalmoro AJR-Nissan V6 #80

Mottin Racing (pilotos a serem confirmados) – Metalmoro AJR-Audi 2.0 Turbo #46

Marcelo Sant’Anna / Pedro Queirolo / David Muffato – Metalmoro AJR-Chevrolet V8 #13

O grande desafio para as equipes competindo com o AJR deve ser o Team Ginetta Brasil, que irá participar do certame com dois Ginetta G57 P2-Chevrolet, modelo com monocoque de fibra de carbono, downforce equivalente ao de um protótipo LMP2 e um motor Chevrolet LS3 6.2 V8 de 575 HP, e que têm como pilotos confirmados os irmãos Fábio e Wagner Ebrahim. Desde de sua estréia em 2016, o protótipo do fabricante inglês se mostrou uma máquina muito veloz com vitórias em provas da VdeV Endurance Series, NASA (National Auto Sport Association), FARA (Formula & Automobile Racing Association), 24 Hours Series by Creventic e no campeonato sul-africano de endurance, e isso tem grande chance se repetir em território brasileiro.

Team Ginetta Brasil (pilotos a serem confirmados) – Ginetta G57-Chevrolet V8 #57

Wagner Ebrahim / Fabio Ebrahim – Ginetta G57-Chevrolet V8 #20

Entre os demais protótipos, vale destacar o gaúcho Sigma P1-Audi V8 Turbo, da dupla Jindra Kraucher e Felipe Bertuol. Com potência superior a 600 cv, o protótipo começou a ser projetado em 2014 como um carro híbrido ao estilo LMP1, que inicialmente tinha a proposta de ser um carro sem transmissão convencional (apenas embreagem e diferencial), com motores elétricos suprindo torque em baixas rotações. Em 2018, porém, o modelo foi repensado para uma configuração mais convencional, com transmissão X-trac sequencial, reestreando na quinta etapa do campeonato de 2018, em Santa Cruz do Sul, com tempos de volta próximos aos de carros como Ferrari 458 GT3 e Aston Martin V12 Vantage GT3. Depois disso o time gaúcho se ausentou do campeonato, e vêm trabalhando em melhorias no downforce dianteiro, no sistema de arrefecimento e redução de peso para acompanhar o ritmo dos ponteiros.

Jindra Kaucher / Felipe Bertuol – Sigma P1-Audi V8 Turbo #4

De São Paulo teremos o protótipo GeeBee R1-Chevrolet V8 (cria de Jaime Gulinelli da GT Race Cars e que já pertenceu a Dimas Pimenta, quando se chamava Dimep GT-R1). Apesar de ser um projeto um pouco mais antigo, com a primeira versão estreando nas pistas em 2008, o carro da dupla de pai e filho Ney Faustini/Ney de Sá Fausitini mostrou-se uma máquina confiável durante a temporada de 2018, e mesmo sem ter o ritmo dos AJR obteve dois terceiros lugares na categoria P1, dentre as 5 etapas em que participou, provando a máxima de que para terminar uma corrida em primeiro, primeiro é preciso terminar a corrida. Para a temporada 2019 a Absoluta Racing está trabalhando com a GT Race Cars em um novo protótipo de cabine fechada, o GeeBee DP1, porém ainda sem data de estreia divulgada.

Ney Faustini / Ney Faustini Jr – GT Race Cars GeeBee DP1-Chevrolet V8 #25

Mais um que deve estrear em 2019 é o DTR P1-Honda Turbo, da equipe DTR Motorsports. Esse protótipo vem sendo desenvolvido desde 2017, e irá substituir o MR18-Honda Turbo da equipe, que foi abandonado após um acidente na etapa de Santa Cruz do Sul do Endurance Brasil 2017.

E. Dieter / F. Ventre – DTR P1-Honda Turbo #110

Entre os protótipos com rodas aro 13, teremos o Scorpion-Hayabusa Turbo da KTT Racing, pilotado pelo inglês Stuart Turvey e pelo brasileiro Thiago Riberi. Diversos problemas impediram o pequeno protótipo de completar as provas na temporada passada, mas sempre que esteve na pista o modelo demonstrou grande velocidade, com bons tempos nas tomadas de classificação e grandes desempenhos dos pilotos, e pode surpreender máquinas mais potentes com seu baixo peso e agilidade.

Stuart Turvey / Thiago Riberi – Veloztech Scorpion-Hayabusa Turbo #37

Por fim, mas não por último, temos que lembrar do protótipo Predador-Audi Turbo da dupla Jair Bana e Duda Bana. Construído pela família Bana sob a tutela de Almir Donato (criador do Aldee Spyder, um dos mais bem-sucedidos protótipos nacionais), o Predador vem recebendo melhorias continuamente desde sua criação, sempre se mostrando competitivo frente a modelos mais modernos e potentes. A temporada 2018 não foi de todo ruim, com um terceiro lugar na categoria P1 em Interlagos como ponto alto. No final do ano o modelo da Bana Racing apareceu nas 500 Milhas de Londrina com nova pintura, obtendo a pole-position com um dos melhores tempos de volta da história do autódromo paranaense, e vem com a promessa de melhorias para se manter competitivo frente aos novos concorrentes.

Jair Bana / Duda Bana – Predador-Audi 2.0 Turbo #35

Outra novidade programada para estrear nas 4 Horas do Velo Città é o Pegaso R, protótipo que está sendo desenvolvido pelos alunos do Curso de Engenharia Mecânica da UNIP-Ribeirão Preto, capitaneado pelo piloto e promotor de automobilismo Andrey Valerio através de sua equipe AV Motorsports. O projeto nasceu após Valerio acompanhar uma das etapas do Endurance Brasil em 2018, e está sendo viabilizado através parcerias com a UNIP e diversos fornecedores de componentes, tais como Pro Tune (sistema de injeção e controle motor), Volcano (rodas). O carro de estrutura tubular prevê um motor V6 de 450 cv, cujo fornecedor ainda não foi revelado, aliado uma transmissão Hewland sequencial de 6 marchas. O único piloto já divulgado é o próprio Andrey Valerio, que vêm se preparando com treinos em simuladores antes do shake down do modelo.

Andrey Valerio – AV Motorsports Pegaso R #07

Mudando agora para a categoria GT3, a Via Italia Racing, equipe de Chico Longo, campeão da GT3 e geral em 2018, vai mudar de carro nessa temporada. A Lamborghini Huracàn GT3 com a qual Longo e Daniel Serra correram vai dar lugar a outro bólido italiano, uma Ferrari 488 GT3, modelo já consagrado pelo mundo como um dos melhores GT3 da atualidade, inclusive com uma vitória nas 12 Horas de Bathrust em 2017. O carro da Via Italia, em particular, já estreou com o pé direito na temporada 2019, com a pole position da categoria GTD nas 24 Horas de Daytona, uma das provas mais tradicionais do endurance mundial. A macchina italiana é outra que chega com pinta de favorita, não só pelas vitórias na categoria GT3, mas também por vitórias na classificação geral.

Chico Longo / Daniel Serra – Ferrari 488 GT3 #19

Para tentar desbancar os atuais campeões, a Scuderia 111 volta com o mesmo line-up que fechou o ano passado, duas Mercedes AMG GT3, a #09 com Xandy e Xandinho Negrão (bicampeões do Campeonato Brasileiro de Endurance em 2004 e 2005) e a #08 com Guilherme Figuerôa e Julio Campos. Se 2018 viu um começo lento das Mercedes, principalmente antes da chegada dos pneus com composto específico para o modelo, 2019 promete boas brigas dos bólidos alemães pelas vitórias e pole-positions, já que o modelo coleciona vitórias em provas e campeonatos importantes pelo mundo, tais como as 24 Horas de Nurburgring (2016), 12 Horas de Sebring (2017) e na categoria GT300 do campeonato japônes Super GT (2017 e 2018).

Xandy Negrão / Xandinho Negrão – Mercedes-Benz AMG GT3 #09

Guilherme Figueiroa / Julio Campos – Mercedes-Benz AMG GT3 #08

Outro que vêm correndo atrás do prejuízo é o Porsche 911 GT3 R  “de fábrica” da Stuttgart, guiado por Ricardo Maurício e Miguel Paludo. Campeões de 2017, a dupla volta com esperança de um ano melhor, após um 2018 sem nenhuma vitória na geral nem na categoria. Se a dupla é vencedora, o 911 GT3 geração 991 também é um modelo vencedor, sendo o carro dos atuais vencedores das tradicionais provas 24 Horas de Nurburgring e 12 Horas de Bathrust.

Ricardo Maurício / Miguel Paludo – Porsche 911 GT3 R #55

Além deles, teremos o Aston Martin V12 Vantage de Sérgio Ribas e Guilherme Ribas, que mostrou muita velocidade no final da temporada 2018, a Ferrari 458 GT3 (a 458 é considerada o carro mais vitorioso desde de a implementação da GT3 pela SRO) de Ricardo Mendes e Claudio Ricci, e a Lamborghini Gallardo LP560 da Mottin Racing, competindo pelas mãos de Beto Giacomello e Fernando Poeta, vice-campeões da categoria P1 de 2018 e campeões de 2017 com o protótipo MCR Grand Am-Lamborghini V10 (que infelizmente deve ficar de fora da competição na temporada que se inicia).

Ricardo Mendes / Claudio Ricci – Ferrari 458 GT3 #155

Sérgio Ribas / Guilherme Ribas – Aston Martin V12 Vantage GT3 #63

Beto Giacomello / Fernando Poeta – Lamborghini Gallardo LP560 GT3 #18

Ao longo da temporada, iremos trazer a cobertura de todas as provas e novidades dessa que é a categoria mais veloz do automobilismo brasileiro.