Bugre M-150

Francisco Cavalcanti iniciou sua carreira nos anos 1950, tendo cursado Sistemas Hidramáticos em curso fornecido pela General Motors do Brasil, tornando-se responsável técnico pela montagem dos kits CKD das picapes e caminhões Chevrolet e dos sedans Plymouth. Após essa experiência fundou a Servi-Volks, primeira oficina especializada em Volkswagen no Rio de Janeiro. Com a experiência nos carros alemães, construiu seu primeiro protótipo, um jipinho com mecânica Volkswagen e carroceria de aço em 1965, e entre 1967 e 1968 passou a preparar um monoposto da Formula Vê.

Servi-Vê. 📷Arquivo Bugre.

Em 1969, criou um veículo para a categoria Força Livre, o Casquinha, utilizando uma carroceria original do Fusca de 1953 rebaixada em 20 cm, com rodas aro 15” e motor Volkswagen 1600 a ar, que deteve o recorde extra-oficial da categoria no antigo Circuito de Jacarepaguá.

Bugre I. 📷Lexicar

Em 1970, fundou a Bugre para fabricar buggies, que faziam muito sucesso no Brasil nessa época. O primeiro modelo lançado foi o Bugre I, ao qual se seguiram o Bugre SS em 1971 e o Bugre II em 1972.

Também em 1972, foi apresentado o Bugre M-150 durante o Fittipaldi Motor Show, nas configurações de rua e de competição. Com linhas inspiradas nos carros esporte europeus como o Lotus Europa, a carroceria de fibra do modelo de rua pesava apenas 100 kg, e poderia ser montada em qualquer chassi Volkswagen (exceto da Variant). 

Bugre M-150 no Fittipaldi Motor Show. 📷Arquivo Bugre.

Já a versão de competição foi preparada pela Volks-pol que já vinha competindo no campeonato carioca com um Bugre SS. 

Bugre SS da Volkspol. 📷Arquivo Luiz Mendes.

Em relação à versão de rua, o M-150 de pista  tinha uma carroceria especial, um pouco mais baixa, com para-brisas mais inclinado e pesando apenas 60 kg, além de receber o santantônio e entradas de ar na traseira, sobre a tampa do motor e nas laterais, além de contar com uma capota rígida.

M-150 de competição sendo construído.📷Arquivo Luiz Mendes.

O nome M-150, era uma homenagem ao Sesquicentenário da Independência, comemorado em 1972, tema patriótico que se repetia nas listras verdes que percorriam a carenagem do protótipo.

Como todo fora-de-série brasileiro, o M-150 usava uma miscelânea de componentes emprestados de outros carros: o para-brisa era o vidro traseiro do Simca Esplanada (1), maçanetas vinham da porta-lateral da Kombi (2), faróis do Karmann Ghia (3), lanternas Randon, retrovisores, refletores dianteiros e traseiros e dobradiças das tampas traseiras e dianteiras do Puma GT (4).

Bugre M-150 pilotado por William Jorge em Adrianópolis. 📷Jornal do Brasil. 

Essa versão de competição do Bugre M-150 estreou no Campeonato Carioca de Automobilismo em 1972, sangrando-se campeão das temporadas de 1972 e 1973 com o piloto Paulo Lesser. Nesse período também conquistou a vitória em uma prova exibição de 6 voltas disputada no Autódromo de Adrianopolis, em Nova Iguaçu.

Carenagem do M-150 de competição na fábrica da Bugre. 📷Arquivo Luiz Mendes.

Depois disso, o M-150 protótipo foi canibalizado, o chassi e motor utilizados para construir um Bugre II que foi vendido para um jogador do Flamengo, enquanto a carenagem ficou armazenada na sede da Bugre até ser percebida no alto de uma laje pelo engenheiro Luiz Mendes em um vídeo gravado na fábrica da Bugre. Luiz, que já havia restaurado um Bugre SS fez uma proposta pela carenagem, e agora está no processo de restauração.

Bugre M-150 de rua durante o lançamento. 📷Quatro Rodas.

O M-150 entrou em produção somente em 1974, com diferenças significativas para o protótipo de 1972: o teto rígido foi substituído por uma capota de lona, e as portas deram lugar a rebaixos na lateral da carroceria. Além disso, o para-brisa foi trocado pelo da linha TL/Variant. O M-150 permaneceu em produção por 10 anos, com 970 unidades produzidas.

Quanto ao processo de restauração, Luiz nos informou que já adquiriu outro M-150 de rua para aproveitar o chassi documentado e a motorização 1600, que se encontra em processo de restauração. Quanto à carenagem, o Paulo (filho de Francisco Cavalcanti) refez as portas e o fundo do carro em fibra e a carenagem permanece na sede da Bugre para onde o chassis restaurado será levado para alinhamento e montagem final com os gabaritos de fábrica. Praticamente todas as peças necessárias para completar a restauração já foram compradas, restando finalizar a restauração do chassis, a montagem e alinhamento da carroceria e a pintura e montagem final do carro.

Agradecimentos:

Agradecemos ao engenheiro Luiz Mendes por compartilhar conosco a história de como o M-150 Protótipo foi encontrado e imagens de seu acervo que ajudaram a ilustrar essa publicação.

Fontes:

História. Disponível em: http://bugre.ind.br/index.php/historia-empresa.

Equipe Bugre. Disponível em: https://bugre.ind.br/index.php/equipe-bugre-2.

Bugre. Disponível em: https://www.lexicarbrasil.com.br/bugre/.

O Bugre M-150 é um carioca leve e ágil. Revista Quatro Rodas, Número 168 de Julho de 1974.

Bugre vence prova em Adrianópolis. Jornal do Brasil, segunda-feira, 5 de Fevereiro de 1973.

Bugre 150 venceu prova no Autódromo de Adrianópolis. O Fluminense, 6 de Fevereiro de 1973.

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2 thoughts on “Bugre M-150

  1. Esse protótipo tirou da cartola hein.
    Eu estou fazendo a pista de Adrianópolis pro jogo Grand Prix Legends (1998) um clássico do gênero.
    E sempre me perguntei que bendito carro erra aquele da foto, hehe.

    1. Mais um resgate, e o mais legal é que diferente de alguns carros cujo paradeiro é desconhecido, esse está sendo restaurado e em breve irá abrilhantar eventos de carros antigos pelo país.

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