Rally Dakar 2020 – parte 2

Depois de conhecer o trajeto do Dakar 2020 (aqui), é hora de conhecer as categorias e competidores da prova. Nesta edição, 351 veículos irão participar, divididos em 5 categorias principais:

  • Motocicletas;
  • Quadriciclos;
  • Carros;
  • UTV ou SSV (Side-by-Side Vehicles)
  • Caminhões.

Dentro de cada categoria, existem ainda as subdivisões, que vamos conhecer abaixo:

MOTOCICLETAS

Para competir nas categorias de motocicletas, os pilotos têm de cumprir um requisito mínimo de já haver completado uma prova do Campeonato Mundial Cross-country da FIM ou alguma competição classificada como Dakar Series. Como equipamento, as motocicletas tem motores limitados a no máximo 450 cm³. Em 2020, 147 veículos estão inscritos na categoria, com os competidores divididos por nível de experiência em G1 (pilotos de elite) e G2 (demais pilotos):

  • G1.1 A.S.O. Elite: motocicletas limitadas a 450 cm³, cujos pilotos são classificados na lista de pilotos de elite a A.S.O.
  • G2.1 Super Production: Categoria para os demais pilotos, utilizando motocicletas que se enquandram no regulamento FIM para Rallies Cross Country na categoria 450 cc. Estas motocicletas são baseadas em modelos de rua, onde os principais componentes (chassi, motor e balança devem ser comuns aos modelos de produção)
  • G2.2 Marathon: similar a categoria G2.1, porém os seguintes componentes não podem ser substituídos até o fim da competição: motor (bloco, cabeçote e camisas), chassi, garfo e balança traseira.

Principais competidores:

KTM 450 Rally: seguramente os favoritos, com a KTM vencendo todas as edições disputadas desde 2001. Os pilotos favoritos são Toby Price (atual campeão FIM Cross Country), Matthias Walkner (vencedor do Dakar em 2018 e segundo colocado em 2017 e 2019) e Sam Sunderland (vencedor do Dakar 2017).

Husqvarna FR 450 Rally: ficar de olho em Pablo Quintanilla e Andrew Short.

Yamaha WR 450 F Rally: vem com um grande contingente pela equipe de fábrica, com Adrian van Beveren, Xavier De Soultrait, Franco Caimi e Jamie McCanney.

QUADRICICLOS

Os quadriciclos também devem seguir os regulamentos da FIM, e tem velocidade máxima limitada a 130 km/h. Os 23 veículos inscritos nesta categoria estão divididos da seguinte forma:

  • G3.1 2WD < 750 cm³: quadriciclos derivados de modelos de produção em série, com motores monocilíndricos limitados a 750 cm³ e tração em apenas duas rodas;
  • G3.2 4WD < 900 cm³: quadriciclos derivados de modelos de produção em série, com motores mono e bicilíndricos limitados a 900 cm³ e tração integral nas quatro rodas.

Principais competidores:

Yamaha Raptor 700: os favoritos entre os quadriciclos são os vencedores de 2018, Ignazio Cazales e de 2015, Rafal Sonik, ambos utilizando o mesmo equipamento.

CARROS

Os carros compõem a categoria mais veloz do Dakar. Diferente de motos e quadriciclos onde o piloto também é o responsável pela navegação, nos carros o piloto é acompanhado por um navegador, que é o responsável por analisar o mapa e os pontos de referência da etapa e guiar o piloto pelo trajeto. Os 87 veículos inscritos são subdivididos em T1 para protótipos FIA de estrutura tubular e T2 para carros de rua adaptados:

  • T1.1: protótipos de chassi tubular e carroceria em fibra de vidro, carbono e kevlar. São carros construídos especificamente para provas Cross-Country, que normalmente recebem carrocerias inspiradas em carros de rua como Toyota Hilux e Ford Ranger. A categoria T1.1 é dedicada a modelos com motores à gasolina sem sistemas de sobrealimentação e tração integral nas quatro rodas.
  • T1.2: similar à categoria T1.1, porém para carros equipados com motores turbodiesel. Nesse caso, um fator de correção de 1.7 é aplicado sobre a cilindrada para equivalência, ou seja, um veículo equipado com motor 3.0 Diesel é equiparado a um veículo com motor 5.1 gasolina aspirado.
  • T1.3: categoria dos chamados buggies, protótipos também tubulares mas com tração em apenas duas rodas. Na categoria T1.3, ficam os carros equipados com motores à gasolina sem sobrealimentação.
  • T1.4: similar à categoria T1.3, porém para carros equipados com motores turbodiesel. Um fator de equivalência de 1.7 é utilizado para equiparar os modelos de motor Diesel aos de motor a gasolina.
  • T1.5: veículos 2WD em conformidade aos regulamento SCORE (organizadora de provas como o Baja 1000) das seguintes categorias: Trophy Truck Spec, Trophy Truck e Buggy Class 1.
  • T2.1: veículos de produção adaptados em série homologados no grupo T2 da FIA para veículos Cross Country com motores à gasolina.
  • T2.2: veículos de produção adaptados em série homologados no grupo T2 da FIA para veículos Cross Country com motores Diesel.
  • T2.C: veículos de produção em série adaptados cuja homologação no grupo T2 expirou.

Principais competidores:

Toyota Hilux Overdrive: Com um total de 16 carros inscritos na classe T1.1, 4 da equipe de fábrica Toyota Gazoo Racing e 6 da equipe semi-oficial Overdrive Toyota, a montadora japonesa vem como favorita para a vitória. Entre os pilotos Toyota, estão entre os favoritos as duplas Nasser Al-Attiyah (QAT) / Matthieu Baumel (FRA) e Giniel de Villiers (ZAF) / Alex Haro Bravo (ESP), que já venceram o Dakar em edições passadas. Quem deve roubar a atenção entre os competidores da Toyota, entretanto, é o estreante Fernando Alonso, que competirá em parceria com Marc Coma.

Mini John Cooper Works X-Raid: o principal desafiante ao poderio da Toyota serão os modelos Mini desenvolvidos pela equipe X-Raid, que estarão representados por 9 carros na competição.

A abordagem, entretanto, será diferente da montadora japonesa, com 4 carros Mini John Cooper Works Rally e 3 Mini All4 Racing na categoria T1.2 e 2 buggys Mini John Cooper Works Buggy na categoria T1.4.

Os grandes favoritos da equipe X-Raid Mini sem dúvida são Stephane Peterhansel (FRA) / Paulo Fiuza (POR) e Carlos Sainz (ESP) / Lucas Cruz (ESP), ambos pilotando carros da T1.4.

Correndo por fora estarão a francesa Peugeot com dois carros da equipe PH-Sport, conduzidos por Pierre Lachaume / Jean Michel Polato (Peugeot 2008 DKR) e Sheikh Khalid Al Qassimi / Xavier Panseri (Peugeot 3008 DKR), ambos da classe T1.4.

Os chineses também estarão presentes em peso, com 7 carros. Destaque para as equipes de fábrica: a sino-alemã Borgward retorna com dois carros BX7 DKR EVO, buscando quebrar o domínio de Toyota e Mini, e a montadora Geely vem com o buggy Geely SMG da categoria T1.3.

Mas a maior equipe oriental em número de participantes é Qian’na Jiu Jiang Landsail Racing Club, que faz sua estréia no Dakar com 3 veículos. Apesar de nunca ter participado de nenhum Dakar, a equipe tem longa experiência em competições Cross-Country como o Silk Road Rally, onde os chineses competiram na categoria T1 com um modelo silhouette da limousine Hongqi L5, o carro oficial do presidente chinês Xi Jinping.

Outras equipes presentes são a MP-Sports com sua Ford F150 Raptor RS Cross Country, a Rebellion em parceria com a empresa RD Limited de Romain Dumas com o protótipo RD Limited DXX da classe T1.1, o construtor Sodicars com carros nas categorias T1.1 (BV8 e Springbok) e T1.3 (BV2), MD Rallye Sport com o Buggy Optimus Evo 3 (T1.3) e a Ssangyong, com o buggy Korando DKR da classe T1.3. Por fim, vale destacar um tímido retorno da Mitsubishi com um Eclipse Cross na categoria T1.2, uma iniciativa com apoio da Mitsubishi Espanha.

UTVS

Os UTVs são a classe mais recente do Dakar, tendo se juntado a disputa apenas em 2017. São veículos de estrutura tubular de certa forma intermediários entre um quadriciclo e um protótipo da categoria T1. Os principais competidores utilizam modelos Can-Am e Polaris, e desde a estréia os brasileiros se destacaram na categoria, com vitória da dupla Leandro Torres / Lourival Roudan em 2017 e Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin em 2018. A categoria é dividida em duas classes:

  • T3.P: veículos derivados de UTVs de produção em série, de acordo com o Artigo 286 do Anexo J da FIA;
  • T3.S: UTVs de produção em série adaptados para competição, de acordo com o Artigo 286a do Anexo J da FIA.

Principais competidores:

Entre os UTVs, a disputa muito provavelmente será entre participantes utilizando equipamento da Can-Am, que dominou o top 10 da última edição. Entre os favoritos estão os brasileiros Reinaldo Varela e Gustavo Gugelmin, vencedores da edição 2018 e pilotos oficiais da Can-Am. Também de Can-Am, o vencedor de 2019, o chileno Francisco “Checo” Lopez retorna com copilotagem de Juan Pablo Latrach Vinagre.

CAMINHÕES

Os peso-pesados do Dakar, na década de 1980 os caminhões chegaram a rivalizar com os automóveis em velocidade. A tripulação dos caminhões é composta por três pessoas, com um mecânico se juntando ao piloto e co-piloto. Atualmente, por segurança, tem a velocidade máxima limitada a 140 km/h, e são organizados em três classes:

  • T4.1: caminhões derivados de modelos de produção em série, de acordo com o Artigo 287 do Anexo J da FIA. Devido ao peso de utilizar o chassis de caminhões de série, não são muito aptos a enfrentar terrenos como dunas, e têm se tornado cada vez mais raros;
  • T4.2: caminhões protótipos construídos sobre chassis tubulares, conforme regulamento específico da ASO;
  • T4.3: caminhões de apoio a outros competidores, funcionando como uma espécie de oficina móvel. Veículos inscritos nessa categoria devem estar homologados nas categorias T4.1 ou T4.2.

Principais competidores:

Nos caminhões o favoritismo é todo da russa Kamaz, com o trio Eduard Nikolaev, Evgenni Nikolaev e Vladimir Rybakov chegando com três vitórias nas edições 2017, 2018 e 2019 do Dakar, sempre a bordo do Kamaz K43509.

A principal marca com capacidade para desafiar os russos é a italiana Iveco, com o modelo Powerstar Evo 3.

Rally Dakar 2020 – parte 1

Começa o ano de 2020 agitado, com a primeira grande competição automobilísitica: o Rally Dakar.

Inicialmente disputado entre Paris e Dakar (capital do Senegal), a partir de 2009 a prova passou a ser disputada na América do Sul passando por países como Argentina, Paraguai e Chile. Para 2020, nova mudança de escapas, com o Dakar sendo realizado completamente dentro da Arábia Saudita, partindo de Jedá com a chegada em Qiddyah, num total de 7.800 km divididos em 12 etapas.

Fonte: divulgação.

05/jan – 1ª Etapa – Jedá – Al-Wajh

Distância Total: 752 km / Trecho Cronometrado: 319 km

Fonte: Divulgação.

A etapa de abertura está sendo chamada de mini-Dakar, pois contará com trechos velozes, trechos sinuosos, areia e cascalho.

06/jan – 2º Etapa – Al Wajh – Neom

Distância Total: 401 km / Trecho Cronometrado: 367 km

Composta principalmente por trechos de terra (65%) e cascalho (30%). Também marca a primeira etapa da Super Maratona para motocicletas e quadriciclos.

Fonte: Divulgação.

07/jan – 3ª Etapa – NEOM – NEOM

Distância Total: 489 km / Trecho Cronometrado: 405 km

Esta etapa forma uma espécie de circuito, com largada e chegada na megacidade de NEOM. A cidade faz parte do plano Vision 2030 do governo da Arábia Saudita, e promete ser um marco de desenvolvimento com maior liberdade para as mulheres e inovações integradas ao planejamento da cidade como a integração de sistemas autônomos de condução de veículos e logística, energia baseada em matrizes eólica e solar, entre outros. Conheça aqui maiores detalhes desse projeto.

O trecho do Rally levará os competidores à fronteira com a Jordânia num trajeto predominantemente de areia e com a maior elevação da competição, saindo do nível do mar até uma altitude máxima de 1.400 metros.

Fonte: Divulgação.

08/jan – 4ª Etapa – NEOM – Al’Ula

Distância Total: 676 km / Trecho Cronometrado: 453 km

Nesta etapa o terreno estará dividido entre areia, terra, asfalto e cascalho, e a navegação promete ser parte importante do desafio. Ao longo do trajeto, o destaque da paisagem local serão os templos do Reino Nabateu.

Fonte: Divulgação.

09/jan – 5ª Etapa – Al’Ula – Ha’il

Distância Total: 563 km / Trecho Cronometrado: 353 km

Primeira etapa com predominância de areia, os pilotos e navegadores precisarão de muita habilidade para vencer as dunas e colinas arenosas que fazem parte do trajeto.

Fonte: Divulgação.

10/jan – 6ª Etapa – Ha’il  – Riyadh

Distância Total: 830 km / Trecho Cronometrado: 478 km

Primeiro trecho 100% em terreno arenoso, deve privilegiar os competidores com experiência nesse tipo de terreno.

Fonte: Divulgação.

11/jan – Descanso dos competidores

12/jan – 7ª Etapa  – Riyadh – Wadi Al Dawasir

Distância Total: 741 km / Trecho Cronometrado: 546 km

Após um merecido dia de descanso, os competidores irão enfrentar o trecho mais longo de todo o rally, com muita areia e longos trechos de dunas. Os navegadores também deverão se manter atentos em diversos momentos para não se perder.

13/jan – 8ª Etapa  – Wadi Al Dawasir – Wadi Al Dawasir

Distância Total: 713 km / Trecho Cronometrado: 474 km

Outra etapa com largada e chegada no mesmo local, esta será a etapa mais veloz, com uma reta de 40 km de pé embaixo. A paisagem será repleta de cânions, montanhas e contrastes de cores.

Fonte: Divulgação.

14/jan – 9ª Etapa  – Wadi Al Dawasir – Haradh

Distância Total: 891 km / Trecho Cronometrado: 415 km

Essa etapa servirá de preparação para a entrada dos competidores no deserto Rub’ al-Khali, também chamado de Empty Quarter, ou quarta parte vazia, por ocupar cerca de 25% da área da Arábia Saudita. É o maior deserto do mundo, com clima considerado hiper-árido e temperaturas variando de 12°C de mínima à 51°C de máxima.

Fonte: Divulgação.

15/jan – 10ª Etapa  – Haradh – Shubataytah

Distância Total: 608 km / Trecho Cronometrado: 534 km

Esta será uma etapa maratona, onde será permitida ajuda somente entre competidores. Os últimos 30 km serão disputados pelas dunas do deserto Rub’ al-Khali, que podem chegar até 250 metros de altura.

Fonte: Divulgação.

16/jan – 11ª Etapa  – Shubataytah – Haradh

Distância Total: 744 km / Trecho Cronometrado: 379 km

Mais uma etapa disputada no “Empty Quarter”, com 80 km de dunas.

Fonte: Divulgação.

17/jan – 12ª Etapa  – Haradh – Qiddiya

Distância Total: 447 km / Trecho Cronometrado: 374 km

Os últimos 100 km prometem grandes desafios aos navegadores, e podem até mesmo mudar o resultado final. Uma seção especial de 20 km irá definir os vencedores do troféu Qiddiya antes do pódio da classificação final. Qiddiya é um mega-pólo de entretenimento, esportes e artes que faz parte do projeto Vision 2030 do governo da Arábia Saudita. A construção do complexo foi iniciada em 2019, e o projeto prevê atrações tais como parques temáticos, arenas esportivas das mais diversas modalidades e uma arena automobilística com pistas de arrancada, rallycross e rally de velocidade, kartódromo e um autódromo de nível internacional que pleiteia sediar um futuro Grande Prêmio de Fórmula 1 da Arábia Saudita. Conheça aqui mais detalhes sobre o parque de Qiddiya.

Na segunda parte dessa publicação, iremos conhecer as categorias e alguns dos principais competidores da 42ª Edição do Rally Dakar.