No Grande Prêmio da Austrália aconteceu a estréia da equipe Cadillac de Fórmula 1, marcada por polêmicas com as equipes presentes resistentes a dividir um pedaço das voluptuosas receitas comerciais distribuidas pelo campeonato. Na realidade, a Cadillac é a primeira nova equipe a se juntar ao grid da Fórmula desde a chegada da Haas em 2016, então decidimos comparar o desempenho da sua estréia ao das dez últimas equipes que chegaram com uma estrutura 100% nova ao campeonato (nisso, excluímos casos como Brawn GP, Toro Rosso, Red Bull e outras que foram continuações de equipes já existentes através de compras, renomeações, etc). Para completar as 10 equipes, precisamos voltar mais de 30 anos no tempo, e utilizamos a média de dois critérios para classificar a estréia das equipes: diferença percentual para o tempo da pole-position na prova de estréia, e classificação final na prova de estréia. Com isso, definimos o surpreendente ranking abaixo:
10. Mastercard Lola Formula One Racing Team – Lola T97/30 Ford

Na temporada de 1997 apareceu um dos projetos mais infames da história recente da categoria: a MasterCard Lola Formula One Team, fruto de uma parceria entre a tradicional fabricante britânica Lola e a empresa de cartões de crédito MasterCard. Inicialmente planejado para 1998, por pressão da Mastercard o T97/30 foi construído às pressas e chegou à abertura do campeonato, na Austrália, completamente despreparado. Nas classificações, a equipe marcou um deficit de impressionantes 112,98% em relação à pole, muito além do limite permitido pela regra dos 107%. Sem conseguir largar sequer uma corrida, o projeto foi abandonado imediatamente após a estreia.
9. Hispania Racing F1 Team – Hispania F110 Cosworth

A grande expansão do grid em 2010 trouxe três novos projetos independentes, sob a premissa de um teto de gastos que só viria a ser implementado mais de uma década depois. Uma das estreantes foi a modesta Hispania Racing Team (HRT), nascida das cinzas da Campos Meta F1 de Adrian Campos, que sofreu com problemas financeiros ainda na pré-temporada e foi salvo por José Ramón Carabante apenas duas semanas antes da abertura do campeonato. Como resultado disso, a equipe chegou à primeira corrida praticamente sem testes e utilizou um chassi projetado pela italiana Dallara às pressas. As dificuldades estruturais foram evidentes: o melhor carro da equipe, pilotado por Bruno Senna, ficou a 108,01% do tempo da pole. Nenhum dos carros da Hispania completou a prova, com Bruno Senna completando apenas 17 voltas para o que seria uma hipotética 19ª colocação.
8. Japan Super Aguri F1 Team – Super Aguri SA05 Honda

Em 2006 surgiu a Super Aguri F1 Team, projeto criado pelo ex-piloto japonês Aguri Suzuki com forte apoio da Honda. A equipe nasceu às pressas para colocar Takuma Sato novamente no grid e utilizou inicialmente um chassi adaptado do Arrows A23 de 2002. Com um carro já antigo adaptado ao novo regulamento, estrutura pequena e os recursos limitados, o desempenho na estréia foi limitado: na classificação, o veloz Takuma Sato ficou a 106,54% do tempo da pole e apenas na 18ª posição na classificação final. Ainda assim, a equipe se tornaria conhecida por momentos heroicos nas temporadas seguintes.
7. Parmalati Forti Ford – Forti Corse FG01

No início dos anos 90, a pequena escuderia italiana Forti Corse decidiu dar um passo ousado rumo à Fórmula 1. Após anos competindo em categorias de base, a equipe de Guido Forti e Paolo Guerci construiu o FG01 para a temporada de 1995. O carro utilizava motor Ford-Cosworth ED V8 e foi pilotado por Roberto Moreno e Pedro Diniz. Na sessão de classificação, o melhor carro da Forti, pilotado pelo inexorável Roberto Pupo Moreno ficou a 108,18% do tempo da pole e conquistou um 10º lugar com o carro de Pedro Paulo Diniz no GP do Brasil. Apesar da estrutura modesta, a equipe conseguiu alinhar regularmente no grid, ainda que não tenha marcado nenhum ponto durante a temporada de estréia.
6. Virgin Racing – Virgin VR01 Cosworth

Outra estreante da temporada 2010 foi a Virgin Racing, criada por Richard Branson em parceria com o engenheiro Nick Wirth. O carro VR-01 chamou atenção por ter sido desenvolvido quase exclusivamente em CFD, sem uso extensivo de túnel de vento. A abordagem inovadora não trouxe desempenho imediato: a equipe registrou com Timo Glock um tempo 104,93% pior em relação à pole e o carro melhor posicionado no GP do Bahrein também foi o de Timo Glock, abandonando a prova após apenas 16 voltas em uma virtual 20ª posição.
5. Cadillac Formula 1 Team – Cadillac MAC-26 Ferrari

A estreante mais recente da Fórmula 1 foi a Cadillac F1 Team, como parte do projeto apoiado pela General Motors. No Grande Prêmio da Austrália, o melhor carro da equipe, pilotado por Sérgio Perez, se classificou a 105,21% do tempo da pole. Apenas o piloto mexicano completou a prova pela Cadillac, na 16ª e última posição à 3 voltas da Mercedes de George Russell.
4. Lotus Racing – Lotus T127 Cosworth

Outra estreante de 2010 foi a Lotus Racing, que não possuía nenhuma ligação com o lendário Team Lotus de Colin Chapman. Com motor Cosworth e chassi próprio, o carro mostrou desempenho semelhante ao de suas rivais diretas entre as novatas, com o carro de Jarno Trulli se classificando na 20ª posição a 105,04% do tempo da pole. Na prova, somente os carros da Lotus completaram entre as nanicas, com Heikki Kovalainen completando na 15ª posição à 2 voltas da Ferrari de Fernando Alonso.
3. Haas F1 Team – Haas VF-16 Ferrari

Em 2016 estreou a Haas F1 Team, primeira equipe americana da era moderna da Fórmula 1. Diferente de outras novatas, a equipe de Gene Haas adotou um modelo técnico baseado em forte parceria com a Ferrari, utilizando vários componentes fornecidos pela Scuderia. Nos treinos classificatórios o VF-16 teve desempenho modesto, com Romain Grosjean marcando um tempo equivalente a 105,35% da pole, porém a surpreendendo a todos com um sexto lugar na classificação final.
2. HSBC Malaysia Stewart Ford – Stewart SF01 Ford

Em 1997 surgiu a ambiciosa Stewart Grand Prix, fundada pelo tricampeão mundial Jackie Stewart e seu filho Paul. Diferente de muitas estreantes, o projeto nasceu com forte apoio da Ford e estrutura profissional desde o início. O primeiro carro, o SF01 com motor Ford-Cosworth, mostrou velocidade promissora, com Rubens Barrichello registrando um tempo equivalente a104,15% da pole de Jacques Villeneuve. Na classificação final, Barrichello abandonou com 49 voltas completadas, no que seria a 11ª colocação.
1. Panasonic Toyota Racing – Toyota TF102

No início dos anos 2000, a gigante japonesa Toyota F1 Team decidiu investir pesadamente na Fórmula 1 com um projeto totalmente novo. A equipe construiu uma moderna fábrica em Colônia, na Alemanha, e desenvolveu internamente chassi e motor. O debut aconteceu em 2002 com o TF102, pilotado por Mika Salo e Allan McNish, mas a preparação foi extremamente meticulosa: em 2001 a equipe construiu um carro, o TF101 e completou quase 23 mil quilômetros em testes por 11 pistas do campeonato da Fórmula 1 além de Paul Ricard. Mesmo sendo uma estreia, o carro demonstrou competitividade razoável, com Mika Salo se classificando na 14ª posição com um tempo equivalente a 103,92% do tempo da pole e um surpreendente 6º lugar.
Fontes:
2026 Australian Grand Prix. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/2026_Australian_Grand_Prix
LXXXI Rolex Australian Grand Prix. Disponível em: https://www.chicanef1.com/racetit.pl?year=2016&gp=Australian%20GP&r=1.
VII Gulf Air Bahrain Grand Prix. Disponível em: https://www.chicanef1.com/racetit.pl?year=2010&gp=Bahrain%20GP&r=1
III Gulf Air Bahrain Grand Prix. Disponível em: https://www.chicanef1.com/racetit.pl?year=2006&gp=Bahrain%20GP&r=1.
LXVII Foster’s Australian Grand Prix. Disponível em: https://www.chicanef1.com/racetit.pl?year=2002&gp=Australian%20GP&r=1.
LXII Qantas Australian Grand Prix. Disponível em: https://www.chicanef1.com/racetit.pl?year=1997&gp=Australian%20GP&r=1.
XXIV Grande Prêmio do Brasil. Disponível em: https://www.chicanef1.com/racetit.pl?year=1995&gp=Brazilian%20GP&r=1.
