No dia 26 de junho será disputada a centésima edição do Pikes Peak International Hill Climb, a segunda prova mais antiga ainda em disputa no automobilismo americano, atrás apenas das 500 Milhas de Indianápolis. Desde 1916 corredores disputam a prova, que tem formato de Hill Climb ou Subida de Montanha por um trajeto de 12,42 milhas (19,99 quilômetros), com 156 curvas e uma diferença de altitude entre as linhas de partida e chegada de cerca de 2.860 metros. Para dar uma idéia do que essa elevação significa, seria como ter uma corrida que se inicia em Santos ao nível do mar e termina no Pico da Bandeira, um dos pontos mais elevados do território brasileiro!

Durante a maior parte da história a prova foi disputada em piso de cascalho, porém desde 2011 o trajeto foi totalmente asfaltado após a constatação de que a erosão do cascalho da rodovia causava prejuízos ambientais à vegetação e às fontes d’água.
Engana-se porém, quem pensa que o desafio seja menor: com o asfalto, a prova se tornou muito mais veloz e, enquanto no caso de uma eventualidade o cascalho ajudava a reduzir a velocidade dos carros, agora qualquer falha é uma viagem potencial de encontro a um desfiladeiro, já que a maior parte do trajeto sequer conta com guard-rails. Para complicar, o ciclo climático da montanha é extremamente agressivo ao asfalto, pois com as chuvas a água se infiltra sob o solo, congela e acaba criando degraus no calçamento que podem chegar aos 6 centímetros. Essa combinação pode levar a acidentes bem sérios, tanto que os requisitos para de segurança e especialmente para o santantonio dos carros que competem em Pikes Peak estão entre os mais rígidos do automobilismo mundial.
Categorias
Quanto à competição, a prova se divide em seis classes:
- Exhibition: categoria estabelecida para que fabricantes e preparadores possam demonstrar as capacidades carros conceito e pré-produção. Atualmente é a única categoria que permite a inscrição de modelos movidos a hidrogênio;
- Pikes Peak Open: categoria para carros baseados em modelos de produção em série, porém permitindo modificações na motorização, suspensão, freios e a adição de aerofólios e outros apêndices aerodinâmicos;
- Porsche Pikes Peak Trophy by Yokohama: categoria reservada para modelos Porsche Cayman GT4 Clubsport, equipados com pneus Yokohama;
- Time Attack 1: categoria para carros baseados em modelos de produção, respeitando as configurações originais de motor, tração (4×2 ou 4×4) e com limitações a superfície total dos elementos aerodinâmicos (601.289 mm²);
- Pikes Peak GT4 Trophy by Yokohama: categoria destinada a carros no regulamento FIA GT4, equipados com pneus Yokohama;
- Open Wheel: categoria mais tradicional de Pikes Peak, em disputa desde 1916, a Open Wheel permite a participação de monopostos com rodas descobertas, 4×2 ou 4×4 e com designs que podem variar de buggys até Indycars. O principal requisito é o de atender a seguinte relação peso/deslocamento volumétrico:

Em quem ficar de olho
A lista de competidores dessa edição conta com 72 inscritos, com destaque para o elevado número de competidores na Super Unlimited, que conta com 20 inscritos.
O Cross-over entre hill climb e rock crawling
Uma das novidades para essa edição de Pikes Peak é o cross-over com a Ultra4USA, categoria de provas off-road e rock crawling que compete de costa a costa dos Estados Unidos, com 4 carros inscritos, incluindo o Jeep Gladiator de Currie Casey, um protótipo de chassi tubular que apesar da carenagem Jeep é equipado com um motor 7.4L V8 LSX de 850 HP e uma transmissão Turbo 400 de 3 velocidades.

Os demais inscritos são o atual campeão nacional da Ultra4USA Phillip McGilton e seu Campbell Enterprises, o Ford Bronco “El Bandito” de Loren Healy e o UFO 4400 de Paul Wolff. Pela sua configuração, não serão carros para lutar pela vitória geral, mas será uma bela oportunidade de ver um estilo completamente diferente de carro e pilotagem na prova.



Uma estréia inusitada

Ao longo do tempo diversas montadoras europeias competiram e venceram Pikes Peak incluindo nomes como Maserati, Volkswagen, Audi e Peugeot. Curiosamente, a Renault nunca esteve presente oficialmente, ainda que no passado tenham chegado a competir um Dacia Duster na classe Super Unlimited e um Alpine A110 GT4 EVO. Em 2026, essa situação irá mudar com a inscrição do Renault RS 01 de Valentin Simonet, virtualmente idêntico aos carros do campeonato monomarca da Renault e que ficou com a terceira posição entre os carros da classe Open na classificatória.
A disputa pela vitória na geral
8. Superlite Aero – Eli Olivas

Desenvolvido como uma opção de protótipo de custo acessível e alta performance, o Superlite Aero tem participado de provas da NASA, FARA e outras entidades pelos Estados Unidos com sucesso. Equipado com um motor Chevrolet LT5 de 850 HP e pesando 1100 kg, Olivas fez sua estréia em Pikes Peak em 2025 ficando na 53ª posição geral. Em 2026, ficou na 23ª posição na classificatória.
7. Reynard 01I “Brotus” – Danny Aitken

No passado, o Pikes Peak International Hill Climb chegou a ser um evento extra-oficial do calendário da USAC nos anos 1960, com a presença de carros similares aos Indycar nesse período. Durante as décadas seguintes, competidores baseados em monocoques da Indy apareceram esporadicamente. Em 2026, Danny Aitken traz mais uma dessas máquinas para Pikes Peak, o Brutus. Nascido a partir de um Reynard 02I similar aos utilizados na CART, porém equipado com um motor Chevrolet LT2 6.2 V8 Biturbo. Tendo competido previamente com um Chevy SS NASCAR de 1400 HP, o neozelandês radicado nos Estados Unidos agora enfrenta a montanha, marcando um tempo de 4m27s675.
6. The Nighthawk Pikes Peak Special – Patrick Culligan

Outra das máquinas icônicas de Pikes Peak, o Enviate Hypercar retorna para mais uma tentativa, agora renomeado como Nighthawk, o protótipo será pilotado por Patrick Culligan em 2026. Equipado com um motor LS preparado pela Steve Morris com cerca de 2.000 HP para um peso de 930 kg, o modelo ficou com apenas a 12ª posição na classificação, marcando um tempo de 4m22s493.
5. Volkswagen Golf GTI Pikes Peak – Jim Morris

Enquanto alguns lutam pela vitória na classificação geral ou pelo recorde absoluto da prova, Jim Morris tem como principal objetivo quebrar o recorde de carros de tração dianteira, atualmente em 10m48s estabelecido por XXX em 2018. Para isso, preparou um Golf GTI 2014 com mais de 500 HP, uma transmissão sequencial Xtrac e aerodinâmica lembrando um carro de Time Attack. O britânico marcou um tempo de 4m22s145 na classificatória
4. Wolf GB08 Extreme – Henry Hill

Para 2026, o Rookie of the Year de 2022 Henry Hill vem com um Wolf GB08 Extreme na configuração monoposto. Desenvolvido para provas de circuito e hillclimb, o GB08 tem monocoque em fibra de carbono, HALO e é equipado com motorização Ford Coyote V8 de 650 HP e tem participado de provas de hillclimb pela Europa, além de ter participado de provas para monopostos da MAXx Fórmula, enfrentando carros da F1 e Indy. Na classificação, Hill obteve a sexta posição, marcando 4m11s865.
3. Ford Super Mustang Mach-E – Romain Dumas

Enquanto as outras entradas nessa lista são de equipes privadas e pequenos construtores, a Ford retorna novamente a Pikes Peak com o pentacampeão Romain Dumas, a bordo do Super Mustang Mach E Pikes Peak. Após perder a prova de 2025 para Simone Faggioli, o silhouette retorna à montanha .Equipado com 3 motores elétricos com potência combinada de 1421 HP, e cerca de 3100 kg de downforce, com os quais Dumas marcou o terceiro tempo na classificação com 3m28s919.
2. The Sendycar V1 – Robin Shute

Após vencer por 4 vezes Pikes Peak com protótipos Wolf GB08 altamente modificados por sua equipe, Robin Shute verificou que o limite havia chegado para o pacote técnico do Wolf. Dessa forma, partiu para a construção de um novo carro, utilizando como base um monocoque Tatuus de Fórmula 4. O modelo recebeu um motor Synergy 2330 V8 Turbo (com bloco próprio mas arquitetura derivada do motor da BMW S1000RR, conceito similar aos Hartley V8), uma transmissão Sadev SLR82-14 e um pacote aerodinâmico desenvolvido pela própria equipe. Apesar de considerar 2026 um ano de teste para um carro desenvolvido do zero, Robin Shute marcou a segunda posição na classificação, com 3m24s917.
1. Nova Proto NP01 ATM Bardahl – Simone Faggioli

Quando a Duqueine adquiriu a operação LMP3 da Norma Auto Concept, Guillem Roux e Camille Gautrè Santos (filha do fundador da Norma, Norberto Santos) fundaram a Nova Proto para seguir dando suporte aos protótipos CN da Norma, como o M20FC. Sobre essa base, o NP01 foi desenvolvido com grande sucesso nas provas de hillclimb. Em 2025, o multicampeao europeu de hillclimb Simone Faggioli levou seu NP01 com motorização EMAP biturbo à vitória. Na classificação da prova de 2026, Faggioli conquistou o melhor tempo de 3m21s858. Outros dois NP01 ficaram na quarta e quinta posição, com Franco Caruso e Diego Degasperi, respectivamente.
Fontes:
Valentin Simonet lance Renault dans la célèbre montée de Pikes Peak. Disponível em: https://www.confidential-renault.fr/Actualites/Rallye/9289/Valentin-Simonet-lance-Renault-dans-la-celebre-montee-de-Pikes-Peak.
BEHIND THE WHEEL – Eli Olivas. Disponível em: https://ppihc.org/behind-the-wheel-eli-olivas-2/.
BEHIND THE WHEEL – Henry Hill. Disponível em: https://ppihc.org/behind-the-wheel-henry-hill/.
Thursday’s Qualifying and Race Order Set. Disponível em: https://ppihc.org/thursdays-qualifying-and-race-order-set/.
