NIVELANDO A ENGENHARIA

Explicando as categorias do automobilismo mundial – parte 6

Após nosso tour pelas categorias de Fórmula do mundo, é hora de voltar os olhos para o que acontece aqui no Brasil. Nosso país tem uma longa tradição nas competições de monopostos, traçando suas raízes à antiga Mecânica Continental, que era uma espécie de Fórmula 1 brasileira, onde carros como Maserati e Ferrari da F1 recebiam potentes (e pesados) motores V8 americanos. No passado, tivemos competições de categorias como Fórmula Ford, Vee, Renault, Chevrolet entre outras, porém após anos de má gestão e desinteresse do público e de empresas, chegamos ao ponto em que o campeonato brasileiro de Fórmula 3 deixou de ser disputado. Contudo, o futuro promete, e desde 2015 diversas categorias têm ressurgido a nível nacional e regional, abrindo espaço para que novos talentos possam galgar os primeiros passos rumo às principais categorias do automobilismo mundial.

Fórmula 1.4

Regida pela Federação Gaúcha de Automobilismo, a Fórmula 1.4 é uma categoria que promete uma porta de entrada para os monopostos com custos acessíveis. O carro é baseado no monoposto da extinta Fórmula Júnior da CBA, mantendo o chassi tubular projetado por Edgardo Fernandez porém recebeu nova carenagem com aerodinâmica revisada e maior proteção lateral para o piloto. O motor é um Chevrolet 1.4 Família 1, com potência superior a 110 cv aliado a uma transmissão Hewland de 4 marchas. Com peso mínimo de 490 kg, o pacote resulta numa relação peso/potência próxima a 5 kg/cv.

Fórmula Inter

Regida pela Federação Paulista, a Fórmula Inter é uma categoria lançada em 2015, cuja primeira corrida foi realizada em dezembro de 2016. O nome é em homenagem ao autódromo de Interlagos, e para 2020 estão previstas 10 etapas por todo o Brasil, em Interlagos, Londrina, Cascavel, Goiânia e em uma pista gaúcha ainda a ser definida. Além disso, está previsto um round extra no oval do circuito de Rafaela, na Argentina.

O carro da F Inter, chamado Minelli MG15, foi inteiramente projetado e construído no Brasil por uma equipe de engenheiros da FEI com larga experiência em competições da Fórmula SAE em associação ao tradicional construtor de veículos de competição Minelli Racing. Com estrutura tubular, o modelo preza pela segurança, tendo crash box frontal e nas laterais, e foi todo projetado em CAD e com o auxílio de simulações computacionais de CFD e estruturais. O motor é um Ford Duratec preparado para render 191 HP, e o carro pesa apenas 490 kg (peso seco e sem piloto). Diferente de outras categorias, a F Inter trabalha num sistema de “aluguel” do carro, onde a organização da categoria disponibiliza todo o suporte técnico.

Fórmula Vee Brazil

A Fórmula Vee paulista segue a mesma receita básica de diversos campeonatos da categoria pelo mundo, com mecânica simples e custos acessíveis. Aqui a receita é o motor VW EA111 1.6 e existem duas opções de chassi: o Naja 01 e o Naja 01-D. Ambos utilizam suspensão dianteira original do Fusca/Brasília, porém o Naja 01 utiliza também a suspensão traseira de braços oscilantes dos modelos VW, e a transmissão de 4 marchas desses modelos. Já o Naja 01-D utiliza suspensão traseira multilink, com amortecedores da Twister e a transmissão de 5 marchas do VW Gol com motor longitudinal, enquanto a carenagem é livre. Apesar da potência relativamente baixa (111 cv), o baixo peso de 490 kg e os pneus são radiais Pirelli P1 garantem boas disputas e fazem com que o carro se torne divertido de guiar.

Fórmula 1.600 LDA

A Fórmula 1600 LDA é uma categoria escola chancelada pela LDA (Liga Desportiva Automobilista) e baseada no estado de São Paulo. O chassi utilizado é o Mangusto R5, projetado pela EBTech, e o motor utilizado é um Ford Zetec Rocam com cerca de 110 cv. A base é similar a um monoposto da Fórmula Vee, inclusive com utilização da transmissão dos modelos VW como Fusca e Brasília. Os pneus utilizados são Pirelli radiais, e o peso mínimo é de 590 kg com piloto.

Fórmula Academy SUDAM

A Fórmula Academy é uma categoria lançada em 2018 utilizando os chassis Signatech e motores E.torQ 1.8L da antiga Fórmula Futuro. Com chassi em fibra de carbono e um pacote de eletrônica embarcada avançada, a categoria está entre as mais avançadas do país. A categoria é promovida pelo empresário Linneu Linardi, com chancela da Codasur e CBA, com rodadas disputadas em autódromos do Brasil e Uruguai. Cada rodada é composta de duas provas, com custo de cerca de R$ 24.000 por rodada dupla. A categoria utiliza pneus slick Pirelli, e com potência de 150 HP os carros estão entre os Fórmula mais velozes em atividade pelo país.

Fórmula Delta

Mais recente categoria de monopostos do Brasil, a Fórmula Delta é encabeçada pelo piloto e empresário gaúcho Mauro Kern, com suporte da Mitsubishi Motors. O carro utilizado é uma evolução do Minelli M3 de Fórmula Ford, com aerodinâmica revisada, além de uma revisão nos sistemas de proteção ao piloto incluindo a primazia na adoção do HALO entre os monopostos nacionais. Como Powertrain, outra novidade é a adoção de uma transmissão sequencial de 5 marchas de fabricação própria da Minelli, que trabalhará em conjunto q um motor Mitsubishi 2.0 MIVEC, com potência de 185 cv limitada pelo restritor da admissão. A expectativa é que o primeiro campeonato seja disputado em 2020, com 8 rodadas duplas em pistas como o Velo Città, Interlagos e Londrina.

Onde acompanhar

Fórmula 1.4: http://www.fgars.org/

Fórmula Inter: http://www.formulainter.com.br/

Fórmula Vee Brazil: https://www.fvee.com.br/

Fórmula 1.600 LDA: http://www.f1600.com.br/

Fórmula Academy SUDAM: http://f4sudamericana.com/pt/

Fórmula Delta: https://www.facebook.com/formuladelta/

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