Com a temporada 2026 do European Le Mans Series (ELMS) e da Le Mans Cup se aproximando, uma pergunta inevitável surge: quem realmente saiu na frente na estreia da nova geração dos LMP3? Em um cenário de regulamento renovado e expectativas elevadas, os primeiros resultados começaram a esboçar uma hierarquia — mas ela está longe de ser óbvia à primeira vista.
Metodologia de análise
Para ir além das leituras superficiais, mergulhamos nos dados de classificação e nos resultados finais de cada etapa da Le Mans Cup — o único campeonato em que os quatro construtores competiram regularmente em 2025. Primeiro analisamos o tempo de volta do melhor carro de cada modelo nos treinos de classificação, normalizando para uma base de 100% (100% representando a pole de cada prova). Desconsideramos dessa análise as duas provas do Road to Le Mans, pois ambos os treinos classificatórios não foram representativos devido às paralisações geradas por acidentes ocorridos em ambas as sessões.

Com esses resultados, estabelecemos o tempo médio de cada carro em comparação à pole de cada etapa, resultando na tabela abaixo:
| Car | Average | Barcelona | Paul Ricard | Le Mans | Spa | Silverstone | Portimão |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Ligier JS P325 | 100,31% | 100,00% | 100,00% | N/A | 100,89% | 100,08% | 100,61% |
| Duqueine D09 | 100,35% | 101,01% | 100,76% | N/A | 100,00% | 100,00% | 100,00% |
| Ginetta G61 LT P3 EVO | 102,16% | 102,36% | 101,52% | N/A | 103,44% | 101,76% | 101,72% |
| Adess AD25 | 102,28% | 103,07% | 101,93% | N/A | 102,91% | 102,03% | 101,44% |
Já para os resultados, montamos uma tabela comparativa com a posição na classificação geral do melhor carro em cada prova da Le Mans Cup, gerando a tabela abaixo:
| Le Mans Cup Best Finishing Position | ||||
|---|---|---|---|---|
| Circuito | Ligier JS P325 | Duqueine D09 | Ginetta G61 LT P3 EVO | Adess AD25 |
| Barcelona | 1 | 6 | 16 | 34 |
| Paul Ricard | 1 | 5 | 11 | 25 |
| Road to Le Mans 1 | 1 | 2 | 18 | 36 |
| Road to Le Mans 2 | 1 | 2 | 9 | 21 |
| Spa | 2 | 1 | 21 | 15 |
| Silverstone | 2 | 1 | 13 | 23 |
| Portimão | 2 | 1 | 7 | 17 |
Como segunda fonte de referência, também buscamos os resultados na classificação geral do ELMS:
| ELMS Best Finishing Position | |||
|---|---|---|---|
| Circuito | Ligier JS P325 | Duqueine D09 | Ginetta G61 LT P3 EVO |
| Barcelona | 17 | 24 | DNF |
| Paul Ricard | 19 | DNF | 23 |
| Imola | 27 | 33 | 38 |
| Spa | 20 | 26 | 27 |
| Silverstone | 18 | DNF | 23 |
| Portimão | 16 | 24 | 18 |
Da análise dos dados, chegamos à seguinte classificação baseada no desempenho dos carros:
1. Ligier JS P325

Referência na era moderna da LMP3, a Ligier entrou na terceira geração carregando o peso do favoritismo — e, em grande parte, correspondeu. O JS P325 mostrou competitividade imediata, especialmente em ritmo de classificação, abrindo vantagem clara nas duas primeiras etapas. No entanto, a superioridade inicial começou a ser pressionada a partir de Spa, quando os rivais reagiram (principalmente o Duqueine da equipe R-ace GP).
Ainda assim, a eficiência em corrida garantiu resultados concretos: vitórias em Barcelona, Paul Ricard e nas duas etapas do Road to Le Mans consolidaram o modelo francês como parâmetro da categoria — embora a liderança tenha sido construída nos detalhes, e não por domínio absoluto.
2. Duqueine D09

Principal desafiante histórico da Ligier, a Duqueine manteve esse papel na nova geração. A estreia do D09, porém, foi irregular: nas etapas iniciais, o carro apresentou um déficit considerável em classificação, mas resultados consistentes com a equipe R-ace GP. A virada veio em Spa, marcando uma mudança clara de tendência.
A partir daí, o D09 passou a ditar o ritmo, conquistando poles e vitórias de forma consistente. Ainda que o desempenho em corrida tenha se equilibrado com o da Ligier na segunda metade do campeonato, a reação consolidou a Duqueine como força equivalente, garantindo os títulos de equipe e pilotos à R-ace GP. Contudo, consideramos que o D09 ficou em um segundo lugar extremamente próximo ao Ligier, e pesou para nossa escolha também o domínio da Ligier no ELMS, onde o único Duqueine inscrito não demonstrou o mesmo desempenho.
3. Ginetta G61-LT-P3-EVO

De volta à LMP3 após anos de ausência, a Ginetta apostou em uma evolução profunda de seu conceito anterior. O início foi previsivelmente difícil: o G61-LT-P3-EVO não conseguiu acompanhar o ritmo dos protótipos franceses, especialmente em classificação.
Com o avanço da temporada, no entanto, houve progresso. O carro passou a brigar no pelotão intermediário e conseguiu inserções pontuais no top 10, incluindo resultados em Le Mans e Portimão. Ainda distante dos líderes, mas já mostrando sinais de evolução consistente.
4. Adess AD25

O retorno da Adess trouxe diversidade ao grid, mas também evidenciou o desafio de competir em um ambiente altamente consolidado. O AD25 teve uma estreia difícil, com desempenho aquém dos concorrentes diretos nas primeiras etapas, inclusive ficando atrás da Ginetta em classificação.
Ao longo do campeonato, houve evolução perceptível: o gap foi reduzido e, em momentos específicos — como em Portimão — o protótipo chegou a superar rivais diretos. Em ritmo de corrida, porém, os resultados ainda não acompanharam o progresso em volta lançada. O melhor resultado, um 15º lugar em Spa, indica que o projeto ainda demanda desenvolvimento significativo para se tornar competitivo de forma consistente.
Fontes:
Le Mans Cup Timing Results. Disponível em: https://lemanscup.alkamelsystems.com/?season=09_2025.
ELMS Timing Results. Disponível em: https://elms.alkamelsystems.com/?season=20_2025.
Grids Set By Practice Results After Incident-Packed Qualifying. Disponível em: https://www.dailysportscar.com/2025/06/12/grids-set-by-practice-results-after-incident-packed-qualifying.html#:~:text=4%20of%20the%20Road%20to,Sport%20Ligier%20JS%20P325%20%E2%80%93%20Toyota.
