Emis Art: a história de um pequeno fora-de-série

O pequeno Art tem uma história das mais curiosas entre os fora-de-série brasileiros. O projeto nasceu das mãos do ortodontista Alfredo Soares Veiga, inspirado por outro pequenino, o Dacon 828. Nas palavras do próprio Alfredo para o site Brasileiros fora-de-série:

Nelson Piquet e o Dacon 828 no GP do Brasil de 1982. Fonte: Motorsport Images [1]. Foto por: Ercole Colombo / Studio Colombo.

“Era início dos anos 80 quando vi o Nelson Piquet estacionando o primeiro Mini Dacon no paddock do autódromo do Rio de Janeiro . Não resisti e cheguei bem perto, abri a porta e me sentei ao volante. Fiquei deslumbrado e pensei comigo mesmo: vou fazer um automóvel! Após um período de gestação de aproximadamente 9 meses, nasceu o ART. Fiz no início uma produção independente e depois me associei a Emis, tradicional produtora de buggies e outros veículos especiais, aqui no Rio. Em meados de 1987 encerramos a produção e é maravilhoso e muito gratificante ver os ART ainda desfilando por aí nesse Brasil. Tenho o primeiro automóvel montado, chassis 00001, funcionando e sendo usado quase que diariamente. ”

Lançado em 1984, as primeiras 13 unidades do Art foram produzidas pela Orto Design Indústria e Comércio de Veículos, empresa fundada pelo próprio Alfredo que produzia conversões do Fusca em pick-up e furgão, genericamente chamados de Fusck up e Furgovan. Percebendo que não contava com estrutura fabril para a produção do carro, cedeu os direitos e moldes de produção para a também carioca EMIS, tradicional fabricante de bugies nomeada a partir das iniciais de seu fundador, Eduardo Miranda Santos. Dessa forma, a partir de 1986 a EMIS assumiu a produção do modelo, e nesse mesmo ano, o pequeno carro ganhou destaque no país ao aparecer na novela Cambalacho, da Rede Globo.

Tal como o Dacon 828, o Art nasceu com a proposta de ser um minicarro urbano e, devido a essa concepção, tem comprimento reduzido, com lugar para apenas dois passageiros sem porta-malas, sendo possível carregar alguma bagagem no pequeno espaço atrás dos bancos.

Ao lado de um carro grande como o Volkswagen Santana, se destacam as pequenas dimensões do Art. Fonte: Quatro Rodas [2].

Possui chassi próprio, do tipo tubular, construído em forma de duplo Y com perfis de aço, enquanto a carroceria é de fibra de vidro, com pára-brisa, portas e vidros laterais do Chevrolet Chevette, vidro traseiro da Chevrolet Marajó, faróis e freios do Fusca, lanternas traseiras da Panorama e dianteiras da Volkswagen Brasilia e painel e rodas do Volkswagen Gol.

O painel do Emis Art era emprestado do Volkswagen Gol. Como outros fora-de-série, o Art carrega diversos componentes de veículos de grandes montadoras. Fonte: Quatro Rodas [3].
Ao contrário da tendência entre os fora-de-série, o Art utilizava um chassi próprio.

O fato de possuir chassi próprio faz com que, diferentemente de alguns fora-de-série da época a direção do Art não puxasse para nenhum lado em linha reta, além de propiciar um comportamento neutro ao carro, como afirmou a revista Quatro Rodas ao testá-lo em julho de 1986:

“Ele é absolutamente neutro e agarra firme no chão. Só nas curvas de alta é que sai um pouco de traseira. Mesmo assim seu limite é alto. ”

Nessa imagem é possível ver a concepção do chassi em Y do Emis Art. Fonte: Quatro Rodas [2].

O motor, como em muitos fora-de-série nacionais é o Volkswagen 1.600 a ar, nesse carro com dupla carburação acoplado a uma transmissão Volkswagen com coroa e pinhão iguais às do SP2, apresentando relações de marchas alongadas que melhor se adaptam ao baixo peso do veículo, reduzindo um pouco o elevado nível de ruído. Este se deve principalmente à dupla carburação e ao escapamento utilizado ser igual ao dos buggies Emis. O baixo peso do carro permitia a ele um desempenho muito bom, sendo apenas meio segundo mais lento que um XR3 na aceleração de 0 a 100 km/h, sem, no entanto, consumir muito combustível.

Ao assumir a produção do Art, a Emis fez algumas alterações no modelo, como a mudança dos repetidores de seta da lateral da carroceria para o para-choque dianteiro e a troca da tampa de acesso ao motor, que inicialmente era uma peça inteiriça incluindo o para-choque traseiro e passou a ser uma pequena janela de acesso.

Ao todo foram produzidos 130  veículos pela Emis até 1987, quando a Emisul Montadora e Comercial de Veículos Ltda. assumiu a produção dos veículos Emis. Em 1991, o Art foi relançado após um redesenhos, agora com o sob o nome Minor. As principais mudanças foram uma nova dianteira, agora com faróis do Chevette, nova traseira com lanternas do Fiat Uno montadas em posição invertida. No interior, o modelo recebeu o painel atualizado do Volkswagen Gol, e perdeu os dois bancos traseiros rebatíveis que haviam sido incluídos pela Emis ao longo da primeira corrida de produção. A produção do Minor durou mais um ano, com 23 unidades produzidas.

Em 1991, o Art renasceu sob o nome Minor, e com a marca Emisul. Fonte: Lexicar Brasil [4].
Modelo
Art
Minor
Fabricante
Emis Indústria e Comércio de Veículos Ltda.
Emisul Montadora e Comercial de Veículos Ltda.
MOTOR
Localização
Traseira
Tipo
Gasolina, 4 cilindros contrapostos refrigerado a ar
Cilindrada
1584cm3
Diâmetro x Curso
85,5mm x 69,0mm
Taxa de compressão
7,5:1
7,2:1
Alimentação
Dois carburadores de corpo simples.
Potência
52 cv a 4.400 rpm (ABNT)
58 cv a 4.600 rpm (SAE)
Torque
11,2 mkgf a 2.600 rpm (ABNT)
11,2 mkgf a 2.600 rpm (SAE)
TRANSMISSÃO
Manual, tração traseira, quatro marchas.
SUSPENSÃO
Dianteira: Independente, com barras de torção em feixes, amortecedores telescópicos de simples ação pressurizada e barra estabilizadora.
Traseira: Independente, com barras de torção e semi-seixos oscilantes de cambagem fixa e amortecedores hidraúlicos de dupla ação.
DIREÇÃO Mecânica, de setor e sem-fim. Mecânica, de pinhão e cremalheira.
FREIOS
Disco sólido nas rodas dianteiras e tambor nas traseiras, com duplo circuito.
RODAS E PNEUS Rodas de aço aro 13 e pneus 155 SR13. Rodas de liga leve aro 14 e pneus Pirelli P600 185/60 HR14.
CARROCERIA E CHASSI
Carroceria de fibra de vidro laminada, duas portas, dois lugares e chassi em forma de túnel central com duas travessas para apoio da carroceria.
DIMENSÕES E PESO.
Comprimento
2650 mm
Largura
1.650 mm
1.670 mm
Distância entre-eixos
1.970 mm
1.960 mm
Peso
730 kg
575 kg
Porta-malas
Não disponível
DESEMPENHO
Velocidade máxima
137,404 km/h
145 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h
13,93 segundos
Não disponível
Consumo de combustível
10,09 km/l (em perímetro urbano)
Não disponível.
12,88 km/l (em perímetro rodoviário)
14 km/l (em perímetro rodoviário)
Preço
Cz$ 110.000,00 (em 06/1986)
Cr$ 1.600.000,00 (em 01/1991)

Fontes:

Revista Quatro Rodas, número 312, julho de 1986.
Revista Oficina Mecânica, número 54, fevereiro de 1991.
Emis Art. Disponível em:
https://sites.google.com/site/exoticcarspage/microcarros/emis-art.
Grandes Brasileiros: Emis Art. Disponível em: https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/grandes-brasileiros-emis-art/.
Emis Art. Disponível em:http://planetabuggy.com.br/classicos/emis/emisart.htm.
Emis Art. Disponível em:
http://brasilforadeserie.blogspot.com/2011/03/emis-art.html.
Orto Design. Disponível em:
http://www.lexicarbrasil.com.br/orto-design/.
Emis. Disponível em:
http://www.lexicarbrasil.com.br/emis/.
Emisul. Disponível em:
http://www.lexicarbrasil.com.br/emisul/.
Emis Art. Disponível em:http://planetabuggy.com.br/classicos/emis/emisart.htm.
Emis Art. Disponível em:
http://brasilforadeserie.blogspot.com/2011/03/emis-art.html.
Orto Design. Disponível em:
http://www.lexicarbrasil.com.br/orto-design/.
Emis. Disponível em:
http://www.lexicarbrasil.com.br/emis/.
Emisul. Disponível em:
http://www.lexicarbrasil.com.br/emisul/.

Imagens:

[1]: Retirado de: https://www.motorsportimages.com/photos/?search=nelson+piquet+dacon+828
[2]: Retirado de: Revista Quatro Rodas, número 312, julho de 1986.
[3]: Retirado de: Grandes Brasileiros: Emis Art. Disponível em: https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/grandes-brasileiros-emis-art/.
[4]: Retirado de: Emisul. Disponível em: http://www.lexicarbrasil.com.br/emisul/.

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