Os carros brasileiros mais bonitos

Nos primórdios da indústria automobilística, os fabricantes colocaram toda a sua energia em tornar confiáveis os então frágeis automóveis. Com isso, o design exterior e interior ficou relegado a segundo plano, até a época da Primeira Guerra Mundial. Após o conflito, com os avanços na área mecânica, começaram a surgir os primeiros esforços para diferenciar o design dos automóveis entre si, e em cada país as influências culturais locais influenciaram fortemente o design, dando origem a belas máquinas como:

Em sentido horário: Cord 810 (1936), Mercedes-Benz 540K (1935), Bugatti Type 57SC Atlantic Coupé (1935) e Alfa Romeo 8C2300 Viotti Coupe (1932), carros que representam o melhor do design de Estados Unidos, Alemanha, França e Itália, respectivamente.

Nos primeiros anos do automóvel no Brasil, não existia produção local, porém no final dos anos 50 o programa “50 anos em 5” acelerou a implantação das primeiras fábricas de automóveis no Brasil, dando abertura para que o design automotivo brasileiro pudesse florescer. Nessa lista iremos mostrar 10 carros que mostram o melhor do desenho automotivo brasileiro:

1955 – Monarca

Primeiro fora-de-série nacional, cerca de 10 unidades do Monarca foram construídas entre 1954 e 1955. Sob a tutela do italiano Oliviero Monarca, os carros foram construídos sobre diversas plataformas por dois jovens que voltaram a estar presentes nessa lista: Toni Bianco e Anísio Campos. O modelo da foto é o único do qual se conhece o paradeiro, montado sobre um chassi Volkswagen e utilizando componentes de um Porsche 356 Speedster batido. O pequeno conversível azul carrega um estilo único, mesclando com sucesso o estilo dos Cadillac americanos na traseira ao estilo dos pequenos roadsters ingleses do pós-guerra.

1964 – Brasinca 4200GT “Uirapuru”

No início dos anos 60 a Brasinca, fornecedora de conjuntos estampados para caminhões e ônibus, resolveu projetar um cupê de grande cilindrada sob influência do espanhol Rigoberto Soler Gisbert, então chefe da Engenharia do Produto e que já havia trabalhado na DKW e na Willys. Sob o codinome X-4200, foi dado início ao projeto, que contava com chassi próprio e teve a carroceria fabricada em aço. O carro foi um sucesso durante sua apresentação no Salão do Automóvel de 1964, e um ano depois começou sua produção, apresentando um estilo moderno com uma longa frente (para abrigar o motor Chevrolet 6 cilindros), traseira estilo fastback e ampla área envidraçada. Uma polêmica sobre o carro é a sua incrível semelhança com a celebrada dupla inglesa Jensen FF e Interceptor, apresentados em 1966 (alguns chegam ao ponto de afirmar que os ingleses plagiaram o design do brasileiro). Apenas 76 unidades foram produzidas até 1967, provando que no Brasil poderia sim ser feito um GT que nada devesse aos europeus e americanos.

1967 – Puma GT

Nos anos 60 o automobilismo no Brasil era coisa séria. Praticamente todos os fabricantes estavam envolvidos nas disputas a cada prova, e após a segunda metade da década ficava claro que os DKW Vemag estavam ficando obsoletos. A chegada das berlinettas Willys Interlagos fez com o time da Vemag trabalhasse no desenvolvimento de um pequeno GT, que fosse capaz de fazer frente aos Willys. Desenhado por Anísio Campos, o pequeno carro recebeu o nome de GT Malzoni, em homenagem ao projetista da Vemag, Genaro “Rino” Malzoni. O modelo fez sucesso nas pistas, e eventualmente uma versão de rua foi disponibilizada. O carro contudo utilizava a mecânica dos DKW, o que se tornou um problema quando a Vemag foi comprada pela Volkswagen no Brasil e suas operações encerradas. Para dar seguimento a produção, um novo carro foi desenhado por Anísio, dessa vez utilizando a mecânica VW a ar. Com linhas inspiradas no recém-lançado Lamborghini Miura, o carro permaneceria em produção pelos próximos 23 anos sem grandes mudanças visuais, e foi exportado para mais de 50 países incluindo Estados Unidos, Canadá e África do Sul.

1972 – Volkswagen SP2

Vendo o sucesso comercial do Puma GT e de outros fora-de-série esportivos, a Volkswagen resolveu que era hora dela também aproveitar o filão. Com esse objetivo nasceu o projeto X, que deu origem a dois modelos: o SP1 equipado com motor 1600 e o SP2 equipado com um inédito 1700. Utilizando como base o chassis da Variant II, a bela carroceria conta com uma frente alongada, traseira fastback e perfil bem baixo (apenas 1,158 m de altura) e é considerado um dos Volkswagen mais belos da história. No Brasil, contudo, o carro não foi o sucesso esperado: com carroceria estampada o modelo era mais pesado que o rival da Puma, e apresentava desempenho inferior, e os altos custos de amortização dos moldes de estamparia devido ao baixo volume tornaram o carro muito carro frente a concorrência. Após apenas cerca de 10.000 unidades (das quais cerca de 600 foram exportadas para a Europa), o SP2 deixou de ser produzido em 1975.

1976 – Bianco S

Outro carro derivado de um projeto para as pistas, o Bianco tem suas origens no Fúria, criado por Toni Bianco para a temporada de 1970 do automobilismo brasileiro. Equipado com diversos motores de diversas origens como Alfa Romeo, Chevrolet, BMW e até mesmo Lamborghini, o modelo obteve sucesso em diversas provas importantes. E foi a partir da carroceria de uma desses carros que Toni Bianco criou o carro que levava seu nome. Adaptando as belas linhas do protótipo sobre a conhecida mecânica Volkswagen, o resultado final foi um belo carro com linhas originais e curvilíneas, e interior bem requintado  com direito até a bancos de couro de série. Concorrendo com o Puma GT e outros fora-de-série, e em 1978 fez sucesso no Salão de Nova Iorque. A fábrica, infelizmente, sofreu com dificuldades financeiras e faliu na virada da década de 1980.

1983 – Santa Matilde SM 4.1 Serie III

Fruto do desejo do empresário Humberto Pimentel em ter um esportivo com bom desempenho e melhor qualidade que o Puma GTB, o Santa Matilde nasceu em 1978 como um hatchback de belas linhas, chassi próprio e equipado com o motor Chevrolet 250S. O modelo apresentava um cuidado com os detalhes inédito nos fora-de-série nacionais, e teve seu ápice na reestilização de 1983, que deixou o conjunto mais harmonioso e muito mais belo. Nesse ano o modelo passou de uma carroceria 2 volumes para se tornar um belo cupê de três volumes. O carro seguiu em produção até 1995, totalizando 490 da versão hatch, 371 do cupê e 76 conversíveis.

1986 – Hofstetter

Talvez o único modelo brasileiro que mereça o título de supercarro, o Hofstetter foi criado pelo milionário Mário Richard Hofstetter, tendo como inspiração esportivos da década de 70 como Maserati Boomerang e Lamborghini Countach. Construído sobre um chassi próprio do tipo espinha dorsal e com carroceria de fibra-de-vidro, inicialmente o carro foi equipado com um motor AP800 turbinado para render cerca de 140 cv, suficientes para ser o automóvel brasileiro mais veloz da época, capaz de atingir 200 km/h. O design era muito ousado para a época, com formato em cunha e faróis escamoteáveis, grandes portas do tipo asa-de-gaivota (que nos primeiros modelos não possuíam janelas) e os retrovisores fixados aos grandes vidros das portas. Ao longo do tempo o modelo sofreu diversas atualizações, como a adoção de um aerofólio traseiro e do motor AP2000 turbinado em 1988, rendendo 210 cv e capaz de fazer o carro chegar a 236 km/h. A produção durou até 1990, e apenas 18 unidades foram feitas.

1993 – Volkswagen Pointer

Último modelo criado pela Autolatina (parceria entre Ford e Volkswagen entre 1987 e 1996), o Pointer foi um hatchback de 5 portas derivado da plataforma do Ford Escort. Equipado com motores AP800 e AP2000, o carro é considerado um dos mais belos Volkswagen da década de 1990 com suas linhas limpas e esportivas, principalmente a bela traseira de queda suave, completamente diferente dos Volkswagen e Ford da época. Apesar da beleza, o Pointer não foi muito bem sucedido no mercado nacional. Atrasos na sua entrada em produção e o fim da Autolatina significaram que o modelo foi produzido por menos de três anos, totalizando 57.098 unidades produzidas.

2005 – Lobini H1

Nascido do sonho dos empresários José Orlando Lobo e Fábio Birollini (o nome vem da combinação dos sobrenomes dos dois), o Lobini foi o fruto de um investimento de US$ 2 milhões. Com o primeiro protótipo apresentado em 1999, o H1 entrou em produção oficialmente em 2005, com motor 1.8 turbo do Golf GTI montado em posição central. Seguindo o estilo dos esportivos ingleses como o Lotus Elise, o Lobini tem uma carroceria de fibra montada sobre estrutura tubular, resultando em um baixo peso de 1.025 kg, que aliado aos 180 cv faz com que seja o nacional mais veloz atualmente, chegando aos 100 km/h em 6 segundos, com velocidade máxima de 220 km/h.

2016 – Fiat Toro

Lançada recentemente, a Fiat Toro ajudou a inaugurar um novo segmento no Brasil. Percebendo o gap que existia entre as picapes pequenas como a Fiat Strada, e as cada vez maiores picapes médias, Renault e Fiat preparam picapes de porte intermediário derivados de Duster e Renegade, respectivamente. Enquanto a picape da Renault seguiu as linhas gerais do irmão mais velho, carregando até mesmo o nome (Duster Oroch), a Fiat teve uma abordagem mais ousada. Ao criar a Toro os designers da empresa italiana partiram para uma linha mais esportiva e moderna, com inspiração em modelos como Jeep Cherokee e Land Rover Range Rover Evoque. O resultado é até um momento um sucesso comercial, e já foi reconhecido internacionalmente ao receber o Red Dot Design Award.

 

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