Tech Analysis – Desempenho da classe GT do Super Turismo Gaúcho em Guaporé

Faltando apenas 3 dias para a segunda etapa do Campeonato Gaúcho de Super Turismo, trazemos nossa análise da performance dos carros da categoria GT durante a etapa de abertura em Guaporé.

Análise do Treino Classificatório

Entre os carros da classe GT, podemos separar os carros em três conceitos diferentes:

  • Baseados em modelos GT3 e Stock Car: nesse conceito se enquadram o Cruze #17 e os Lamborghini Gallardo GT3 com motorizações Ford e Maserati V8. Em Guaporé, esse foram os únicos carros a baixar de 1m12s durante a classificação;
  • Silhouettes: carros com carenagem inspirada em um modelo de rua, mas com chassi e construção de protótipo, como o Aldee MB118 e os Porsche 914 e MC40 da MC Tubarão, que no qualy foram capazes de virar 1m13s baixo;
  • Turismo: carros baseados em modelos de rua, altamente modificados como o Linea #199, o Maverick #302, que viraram na casa de 1m13s. Também se enquadra nesse grupo o Cruze #65 da família Ribeiro, que fez sua estréia e enfrentou uma série de dificuldades durante o final de semana.

Análise da corrida

Da análise das 20 melhores voltas de cada carro durante corrida, vemos que o Cruze #17 de André Senger, Beto Giacomello e Telmo Tecchio foi um dos mais rápidos com a terceira melhor volta da corrida, e o mais constante com uma amplitude de apenas 7 décimos na amostra das melhores voltas. 

Fonte: Campeonato Gaúcho de Super Turismo. 📸 Grégori dai Prá.

Já o Aldee MB, segundo colocado, mostrou força ao manter praticamente o mesmo desempenho da classificação durante a prova (gap de apenas 0,4 % entre melhor volta da prova e do qualy), com uma degradação na média da categoria (aproximadamente 2 segundos).

Fonte: Super Turismo 📷 Contribuição apreciada.

Terceiro colocado, o Porsche 914 Silhouette de Paulo Sousa foi o competidor mais equilibrado da categoria GT, com um gap pequeno entre ritmo de prova e classificação, e a segunda menor amplitude, apenas 1 segundo entre as 20 melhores voltas.

Fonte: MC Tubarão 📷 Contribuição apreciada.

Outro destaque foi o Lamborghini-Ford Coyote V8 de Fernando Poeta, Arthur Caleffi e Rafael Biancini que foi o carro mais rápido do final de semana, porém esse desempenho não se traduziu em constância nessa primeira etapa.

Entre os demais competidores, em Guaporé tanto o Maverick #302 de Leovaldo Petry quanto a Lamborghini-Maserati apresentaram um desempenho ligeiramente abaixo dos demais, enquanto o Tubarão MC40 de Franco Pasquale / Tiel de Andrade e o Cruze da família Ribeiro apresentaram problemas, ficando de fora da disputa.

Nessa plotagem temos novamente a comprovação de que, para vencer provas de longa duração, constância é essencial, tanto que os três primeiros colocados das 2 Horas de Guaporé foram justamente os carros com a menor amplitude de tempos de volta.

Sobre o método

Para analisar o ritmo de prova dos competidores, desenvolvemos um diagrama de caixa modificado, utilizando como referência as melhores voltas do melhor carro de cada fabricante. 

Para o meu método, optei por utilizar as 20 melhores voltas do melhor carro de cada modelo, seguindo a mesma lógica utilizada no BoP da categoria Hypercar do WEC. Contudo, enquanto no WEC são considerados os 60% de voltas mais rápidas (para contabilizar o efeito de diferentes estratégias de box e a degradação do carro durante a prova), no caso da Super Turismo optei por uma quantidade de voltas inferior a um stint pois as janelas de pit stop são pré-definidas e pode existe uma grande variação de desempenho entre os pilotos de um mesmo carro. De um lado prático, a quantidade de voltas foi limitada pois sua tabulação exige um trabalho manual de captura de dados, visto que atualmente encontram-se disponíveis apenas pelo Racehero que não permite que sejam exportados em forma de tabela.

O dados do gráfico são interpretados da seguinte forma:

  • Ponto verde inferior: representa a melhor volta da prova para um determinado carro ;
  • Linha verde tracejada:  representa os 25% de voltas mais rápidas da amostra (1º quartil);
  • Caixa central: representam os 50% de voltas centrais da amostra (2º e 3º quartis);
  • Linha central: tempo médio de volta considerando a amostra;
  • Linha vermelha tracejada: representa os 25% de voltas mais lentas da amostra (4º quartil);
  • Ponto vermelho superior: pior volta da amostra

Em linhas gerais, quanto menores as linhas verde e vermelha, menor a dispersão, ou seja, mais constante foi o carro. Da mesma forma, quanto menor a caixa central, mais constante foi o desempenho. Uma limitação do tamanho e tipo de amostra escolhida é que a distribuição não apresenta um comportamento “normal” nas duas direções, de forma que o  primeiro quartil (linha verde, 25% melhores voltas) tende a aparecer alongado em relação ao quarto quartil (linha vermelha, 25%  piores voltas).

3 thoughts on “Tech Analysis – Desempenho da classe GT do Super Turismo Gaúcho em Guaporé

  1. Boa tarde Daniel, tudo bem?
    Venho acompanhando seu site a algum tempo, e especialmente as análises de desempenho dos carros GT’s, que são os tipos de carro que gosto de ver correr nas pistas. As análises são esclarecedoras, e ajudam muito a entender o desempenho dos carros durante o final de semana de prova.
    Eu gostaria de tirar algumas dúvidas, no que diz respeito ao setup dos carros:
    1-) O que é permitido alterar na configuração dos carros? Ângulo de asa? Calibragem e ângulo de suspensão? Calibragem de pneus? Ajustes no motor?
    2-) Sobre a pergunta acima, o quê o regulamento restringe? Até onde vai a liberdade das equipes ajustarem seus carros?
    3-) Durante a corrida, além de pneu e combustível, quais itens (na média) têm sido determinantes no ganho ou perda de desempenho dos carros ao longo de uma prova?
    No mais, parabéns pelo trabalho. Precisamos de mais sites com esse tipo de conteúdo.
    Abraços.

    1. Boa noite! Tentando responder em linhas gerais:

      1) Depende um pouco do que está disponível em cada classe e carro, mas algumas dos principais itens que podem ser ajustados: altura em relação ao solo, camber/caster/convergência, “dureza” dos amortecedores, ângulo de asa e a aplicação ou não de determinados apêndices aerodinâmicos como canards, gurney flaps, calibragem de pneus, mapas de motor e câmbio, relações de marcha, mapa do controle de tração e ABS, posicionamento de lastro para mudar a distribuição de peso, escolha do tipo de composto de pneu, nível de deslizamento no diferencial, balanço de freio dianteiro/traseiro, ou seja, muita coisa!
      2) Varia de cada regulamento. Para GT3 e GT4 que correm no Endurance Brasil, existem várias limitações sobre pressão de turbo, mapas de motor, etc, que formam a base do BoP da categoria. Falando da Super Turismo, as limitações são menores, em alguns casos relativas a itens como o tipo de pneu permitido para certo modelo, peso e restritor aplicado ao motor. Nos protótipos, as limitações tendem a ser menores, e principalmente se referem à construção do carro mais do que a parâmetros específicos.
      3) Na verdade, muito do que define o resultado de uma corrida vêm mesmo de antes da prova iniciar, como o controle apropriado da vida útil e desgaste dos componentes. Falando daquilo que acontece durante a corrida, minha percepção das provas é que pesam muito a seleção de qual piloto vai estar na pista em cada stint e o gerenciamento do tráfego das classes mais lentas.

      Espero ter esclarecido um pouco suas dúvidas! Obrigado por seguir e apreciar o conteúdo, e continue seguindo a página!

      1. Obrigado Daniel, pela resposta.
        Gosto de saber mais a respeito dos bastidores da parte técnica, e de posse dessas informações com certeza fará com que eu assista essas corridas de uma outra (e melhor) perspectiva.
        Abraços

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