Top 10: Carros que QUASE competiram nas Mil Milhas

Em 70 anos de disputa, as Mil Milhas colecionam histórias de pilotos, equipes e carros que lutaram pela vitória, tenham sido eles vitoriosos ou não. Outros, igualmente fascinantes, jamais completaram uma volta competitiva. Seja por mudanças de regras, orçamentos, política ou prazos, esses carros de corrida que nunca correram existem em um estranho espaço intermediário — construídos com propósito, paixão e desempenho em mente, mas privados de seu momento sob as luzes de largada.

Na postagem de hoje vamos relembrar dez desses carros que buscavam a Glória Imortal mas sequer chegaram a ver a largada da prova.

1. 1967 – Caçador-de-estrelas

📷Sebastião Prado.

Dando início a nossa lista, temos um clássico das Mil Milhas, o Caçador de Estrelas. Projetado pelo romeno Bica Votnamis, a ideia era usar o trem de força das tradicionais carreteras em um carro concebido para as pistas. Inicialmente o carro seria similar aos monopostos da Mecânica Nacional, com motor dianteiro, porém no meio do projeto Bica decidiu mudar o motor para posição central no chassis, porém com isso não havia mais lugar para o piloto, que acabou ficando em uma posição única, à frente do eixo dianteiro. O carro chegou a ser inscrito e participar dos treinos livres, porém acabou sendo proibido de competir após a direção de prova considerá-lo inseguro demais para competir. Saiba mais aqui.

2. 1993 – BMW M1 Replica by Santilli

📷Blog do Saloma via Blog das Mil Milhas.

Veterano das Mil Milhas do tempo das carreteras, Alfredo Santilli decidiu construir uma réplica dos BMW M1 da Procar em 1991, já aos 70 anos de idade. Partindo de uma estrutura tubular, o carro recebeu o motor V8 da antiga Carretera acoplado a um câmbio de D20 com diferencial Dana 44, freios de F4000 e pneus Slick. O objetivo era competir na prova de 1993, e nos primeiros testes o carro chegou a bater os 260 km/h, mas após dois anos de dedicação e trabalho Santilli teve pena de colocar o carro na pista e ele jamais chegou a competir. Saiba mais aqui.

3. 1994 – Mythos F40R

📷Quatro Rodas.

Uma das maiores listas de pré-inscritos para as Mil Milhas aconteceu em 1994, com 107 candidatos dos quais apenas 78 se apresentaram para a classificação e 66 largaram. Um dos inscritos que não compareceram foi o Mythos F40R, uma réplica desenvolvida pela empresa Mythos Sport com chassi tubular, motor GM 6 cilindros da Stock Car e transmissão Hewland. Saiba mais aqui.

4. 2002 – Sbarro GT40

📷Conexão Saloma.

As Mil Milhas de 2002 marcaram uma nova fase do automobilismo brasileiro, inaugurando também a primeira fase do Campeonato Brasileiro de Endurance. Uma das grandes novidades da prova foi a chegada do Lister Storm da equipe Capuava Racing, que havia chegado recentemente ao Brasil e cujos jogos de pneus para a prova ficaram retidos na alfândega. Talvez como plano B caso não fosse possível competir com o Lister, talvez apenas para poder treinar com o carro, a equipe inscreveu também o Sbarro GT40 de Alcides Diniz, uma réplica construída pela empresa suíça Sbarro em 1969. Saiba mais aqui.

5. 2003 – Chamonix CLR 550

📷Arquivo: Rodrigo Carelli.

Desenvolvido pela CLR (Chico Lameirão Racing) sobre a base do Chamonix 550, o CLR 550 foi projetado com apoio do engenheiro Ricardo Bock seguindo o princípio de carro-asa , com motor Audi 1.8 Turbo e freios vindos do Porsche 911 GT2. O plano original era inscrever o carro nas Mil Milhas de 2003, porém a estréia e única prova do carro aconteceu meses depois durante os 500 km de Interlagos, onde foi pilotado por César Urnhani e William Freire. Atualmente o carro se encontra no acervo do Museu do Automobilismo Brasileiro em Passo Fundo. Saiba mais aqui.

6. 2005 – Fulgor SP

📷Arquivo: Lucas Marandola.

No início dos anos 2000 Gustavo Donadio se associou a Jorge Vázquez para criar uma nova categoria na Argentina para modelos silhouette, equipados com motores V8 e carenagem inspirada em sedans médios como Vectra, Mondeo e Stratos. O primeiro carro foi construído utilizando motor Chevrolet 5,8 V8, transmissão Saenz SP910 e rodas de 15 polegadas, com a carenagem copiada de um Mondeo que foi alugado pela JVA (empresa de Jorge Vázquez que produzia réplicas de carros clássicos como o Porsche 550). Apesar de uma empolgação inicial, a proposta de categoria não recebeu apoio suficiente para engrenar e acabou sendo reformulada em um protótipo chamado Fulgor SP (SP de Sport Prototipo) para uma categoria chamada SUDAM 600, uma proposta de categoria sulamericana com patrocínio da Petrobrás. Nos folhetos publicitários da época, chegou a ser cogitada a participação do Fulgor em provas de força livre sulamericana, inclusive nas Mil Milhas de 2005. Agradecemos ao amigo Lucas Marandola por compartilhar essa história.

7. 2005 – Minelli BlueBird

📷Arquivo Paulo Abreu.

Com a consolidação do Campeonato Brasileiro de Endurance em meados dos anos 2000, diversos construtores nacionais prepararam novas máquinas para a Classe I do certame, onde protótipos nacionais enfrentariam carros das classes GT1 e DTM. Essa época viu uma explosão de novos modelos sendo construídos como GeeBee R1, Alfran 450A, ZF01, FT32 – e alguns outros que jamais chegaram a competir. Na segunda categoria está o protótipo BlueBird da Minelli Racing. Desenvolvido a pedido da dupla brasiliense Aloisio Albuquerque e Vicente de Paula, o carro era originalmente equipado com motorização Alfa Romeo V6, transmissão Hewland FT200 com intenção de competir nas Mil Milhas de 2005, porém jamais chegou a competir. Após anos de recolhimento, o carro finalmente realizou um shakedown durante um Track Day em Interlagos em 2024, sendo pilotado por Mauro Kern. Saiba mais aqui.

8. 2005 – Chevrolet Monte Carlo Late Model (Howe)

📷Arquivo Ricardo Sarmento.

A edição de 2005 das Mil Milhas tiveram um dos grids mais ecléticos da história da prova, incluindo protótipos LMP (ZF01), carros FIA GT1 (Lister Storm, Saleen S7R e Viper GTS/R), DTM (Audi TT-R), FIA N-GT (Porsche 911 GT3 RS e Ferrari 360 Modena), além dos tradicionais protótipos brasileiros. Porém a prova também teve uma lista das maiores promessas não realizadas na classe MM P1: Alfran 450A (hoje Absoluta ABS01), Ayres 001, Minelli BlueBird e Fulgor SP. Para dar um colorido ainda maior, nas semanas que antecederam a prova chegou a constar na lista de inscritos um Late Model americano. O projeto, encampado pelos pilotos Guido Borlenghi e Arquimedes Delgado previa a montagem nacional de um chassi Late Model da Howe Entreprises com carenagem do Chevrolet Monte Carlo e motor V8 de 700 HP, que seria inscrito com o numeral 99. O carro chegou a estar presente em Interlagos, porém não participou das Mil Milhas daquele ano. Eventualmente, o projeto se transformou no Super V8, que foi desenvolvido durante a década de 2010 e participou de algumas etapas do paulista de automobilismo. Atualmente, o carro está sendo utilizado para eventos do tipo “cadeira elétrica” onde fãs do automobilismo são convidados ou pagam para dar algumas voltas na carona de um piloto profissional. Saiba mais aqui.

9. 2021 – Leal Race Cars LR01

📷Leal Race Cars.

Desenvolvido por Julian Leal na Colômbia, o LR01 é um protótipo de estrutura tubular com motorização Duratec Turbo e inspiração nos protótipos de Le Mans, construído para competir nas provas de força livre da Colômbia como as 6 Horas de Bogotá. Durante a apresentação do carro, foi cogitada a sua participação em provas de força livre por todo o continente, inclusive nas 1.000 Milhas porém desde então a Leal Race Cars mudou seu foco de desenvolvimento para o LR02, um protótipo estilo “gaiola” para as provas regionais com motorização Hayabusa. Saiba mais aqui.

10. 2022 – Porsche 914 Silhouette by MC Tubarão

📷MC Tubarão.

Desenvolvido pela MC Tubarão, o Porsche 914 Silhouette utilizava mecânica Honda K20 e se destinava à classe GT do Campeonato Gaúcho de Super Turismo. O carro foi construído ao longo de 2021, e deveria estrear nas 1.000 Milhas de 2022, onde seria pilotado por Paulo Sousa, Mauro Kern e Galid Osman e chegou a participar das sessões de treinos livres, até sofrer uma quebra na véspera do treino classificatório. Como resultado, a equipe foi forçada a trazer o protótipo MRX-Tubarão que competia no Endurance Brasil e o Porsche-Tubarão jamais competiu na tradicional prova paulista. Saiba mais aqui.



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