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Tech Bits – 1ª Etapa do Império Endurance Brasil 2020 – parte 6

Finalmente chegamos à categoria principal entre os protótipos brasileiros, a P1. Não foi dessa vez que a hegemonia dos protótipos AJR foi quebrada (desde 2018, apenas em três ocasiões o vencedor da P1 não foi um dos protótipos de Juliano Moro). Muito disso se deve à constante evolução do modelo, com novidades praticamente a cada etapa, e na prova de Interlagos não foi diferente (leia aqui nossa postagem sobre o AJR).

Entre equipes clientes e a equipe de fábrica, 7 carros estiveram na pista paulista, ainda que diversas falhas mecânicas tenham reduzido o número para 4 carros no grid de largada. Abaixo vamos conhecer as novidades apresentadas por cada um dos AJR que estiveram em São Paulo:

#5 – MC Tubarão – Metalmoro JLM AJR-Chevrolet V8 – Geciel de Andrade / Júlio Martini / Nelson Ângelo Piquet

Em 2019 a equipe MC Tubarão passou por um período de adaptação com a chegada do protótipo AJR, e notadamente sentiu a perda do grande Carlinhos de Andrade logo no início do ano. Contudo, tal como a primavera sucede o inverno, a família Andrade conseguiu vencer esse período conturbado, trabalhando duro em melhorias dos pontos fracos identificados durante a temporada passada, e treinando pesado para garantir que o conjunto estivesse afinado para a prova inaugural.

Quanto às atualizações do AJR #5, elas aconteceram principalmente onde os olhos não alcançam. Se em 2019 a equipe optou pelo motor mais conservador da Giaffone Racing (o mesmo da Stock Car, com cerca de 550 cv), para 2020 a escolha foi de utilizar a versão Evo, que rende cerca de 600 cv com a mandatória borboleta de 90 mm. Além disso, após enfrentar diversos problemas, toda a eletrônica do carro foi refeita com um moderníssimo sistema Motec. O resultado, como pôde ser visto, foi a vitória na geral, encerrando um jejum que durava desde 2017, quando o time gaúcho venceu a etapa de abertura.

#113 – JLM Racing – Metalmoro JLM AJR-Chevrolet LS3 V8 – David Muffato / Pedro Queirolo

Provavelmente a dupla de pilotos mais equilibrada da P1, ano passado David Muffato e Pedro Queirolo lutaram pelo título até a última etapa da temporada 2019, perdendo o campeonato por uma fatalidade nas desafiantes condições climáticas das 6 Horas de Curitiba. Para 2020, o time do carro #113 mantém a linha de evolução constante aplicada nos AJR da JLM Racing.

Na aerodinâmica, algumas atualizações foram introduzidas nos carros de fábrica. A primeira delas é a adoção de tomadas de ar adicionais para os freios traseiros, como pode ser visto na imagem abaixo:

Outra das novidades (presente nos AJR #5, #11, #43, #80, #113 e #175) é a adoção de um tubo de suporte adicional em cada lado da asa traseira, para aumentar a rigidez desse componente.

Na mecânica, o carro #113 mantém o motor Chevrolet V8, na especificação mais recente disponibilizada pela Giaffone Racing. Todas as evoluções convergiram para que Queirolo e Muffato conquistassem a pole-position, liderando boa parte da prova. No último stint, após um duelo eletrizante entre David Muffato e Nelsinho Piquet, um problema mecânico fez com que o AJR dourado tivesse que reduzir o ritmo e se contentar com a segunda posição.

#175 – JLM Racing – Metalmoro JLM AJR-Chevrolet LS3 V8 – Henrique Assunção / Andersom Toso / Carlos Kray

O carro #175 de Henrique Assunção vêm de uma temporada difícil, onde apesar da boa velocidade a confiabilidade foi um calcanhar de Aquiles. Além da nova pintura remetendo à cerveja Império Lager, o bólido carrega o mesmo pacote aerodinâmico e de motor do carro-irmão #113.

Na prova inaugural o trio conseguiu a quinta posição no treino classificatório, e mesmo com algumas dificuldades conseguiram completar o pódio na terceira posição geral.

#11 – JLM Motorsports – Metalmoro JLM AJR-Chevrolet LS3 V8 – Emílio Padrón / Vitor Genz

Em 2019, o AJR #11 foi o último a persistir na motorização Honda Turbo. Apesar das vantagens quanto à classe de peso, a confiabilidade se mostrou uma barreira difícil de transpor. Com isso, a partir da sétima etapa o modelo também migrou para a motorização Chevrolet V8, inicialmente com preparação da Giaffone Racing.

Passando a pré-temporada 2020, além das mesmas atualizações aplicadas aos demais AJR “de fábrica”, a equipe optou por mudar de preparador de motor, passando a trabalhar com a Motorcar Racing. Avaliar um motor por imagens é algo complicado, porém o novo motor parece seguir uma filosofia similar ao do AJR da família Ribeiro, principalmente devido ao layout do coletor de admissão, muito semelhante. A única diferença perceptível está no coletor de admissão, que tem o corpo superior em material polimérico, em contraste ao alumínio empregado no motor do AJR #65.

Durante o final de semana, o AJR #11 demonstrou ser o carro mais veloz na pista, com o piloto Vitor Genz cravando o recorde extra-oficial da categoria em Interlagos, com um tempo de 1:26.868. No treino classificatório, uma falha no motor impediu que a dupla de pilotos pudesse repetir o desempenho dos treinos livres, e após uma diagnose mais profunda significou fim de prova antes mesmo da largada.

#43 – Motorcar Racing – Metalmoro JLM AJR-Chevrolet LS3 V8 – Vicente Orige / Gustavo Kyrila

Um dos carros mais velozes em 2019, o AJR #43 de Vicente Orige foi um dos mais afetados pelo regulamento 2020, que limitou os motores V8 a uma borboleta única com diâmetro máximo de 90 mm. Com isso, o set-up do motor preparado pela Motorcar passou a ser similar ao do utilizado no AJR #65, com potência na casa dos 650 cv.

Fora a atualização mecânica, o carro #43 apresentou como atualização os novos suportes para a asa traseira e também a adoção de uma tomada de ar adicional para os freios traseiros similar à desenvolvida pela equipe MC Tubarão.

#80 – Power Imports Racing Team – Metalmoro JLM AJR-Nissan VQ35 V6 Supercharger – Alexandre Finardi / Rafael Suzuki / Luis Floss

O único AJR a resistir aos motores V8, o carro #80 de Alexandre Finardi foi outro dos que não largaram devido a problemas mecânicos, algo comum após um intervalo de competições longo como o da temporada 2020.

Uma pena, pois após uma boa performance no encerramento da temporada 2019 em Curitiba, a equipe catarinense trouxe algumas atualizações buscando entrar de vez na briga pela vitória. Como novidades o protótipo também adotou dos reforços da asa traseira e no detalhe da imagem acima podemos ver uma solução interessante para as aberturas dos para-lamas. Infelizmente, pelo modelo não ter competido poucas imagens foram disponibilizadas e não é possível ter uma visão clara dessa região, porém mais detalhes deverão surgir nas próximas etapas.

#46 – Mottin Racing – Metalmoro JLM AJR-Chevrolet LS7 V8 – Fernando Fortes / Gustavo Martins / Pedro Castro

Por fim, o último AJR presente em Interlagos foi o carro #46 da Mottin Racing. Esse carro, que inicialmente competiu com motorização Audi Turbo também se rendeu aos motores V8, porém diferente dos demais utiliza um Chevrolet LS7 de 7 litros, no que deve ser um dos motores mais potentes do grid atualmente.

Além da mecânica, o carro que treinou em São Paulo apresentou um pacote aerodinâmico revisado em relação à última participação da equipe em 2019, com a adoção da asa traseira móvel, porém ainda sem diversas das demais atualizações introduzidas, como a asa dianteira com 4 elementos.

Nessa configuração o carro da Mottin Racing chegou a virar abaixo de 1m30s, e a liderar o warm-up, porém problemas mecânicos impediram a participação do protótipo na prova paulista.

Você pode ler as partes 1 a 5 do nosso review abaixo:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

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